terça-feira, 21 de novembro de 2017

21 DE NOVEMBRO - HENRY PURCELL


EFEMÉRIDE - Henry Purcell, músico e compositor britânico, morreu em Londres no dia 21 de Novembro de 1695. Nascera na mesma cidade em 10 de Setembro de 1659.  Apesar de uma vida relativamente curta, Henry Purcell continua a ser um dos mais importantes compositores ingleses. A sua facilidade em compor para todos os géneros e públicos, a sua popularidade na corte durante os reinados de três monarcas e a sua vasta produção de odes cortesãs, música cénica, canções e música de câmara, são uma prova clara do seu prodigioso talento. Incorporou na sua música elementos dos estilos barrocos francês e italiano, mas desenvolveu um estilo inglês particular.
Compôs a ópera “Dido and Aeneas” e a semiópera “A tempestade”. São famosas as suas lições para cravo, odes, hinos, composições religiosas e, também, sonatas e fantasias para viola.
Após a morte do pai em 1664, Purcell ficou aos cuidados de um tio, que era igualmente membro do coro da Chapel Royal e teria influenciado a admissão de Henry, ainda criança. Com a mudança de voz em 1673, foi nomeado assistente de John Hingeston, a quem sucedeu como guardião dos instrumentos musicais do rei, em 1683. Em 1676, serviu como afinador de órgão da Westminster Abbey, tornando-se organista em 1679 (cargo que ocupou até ao final da vida), sucedendo ao seu professor John Blow.
Nos tempos que se seguiram, dedicou-se quase totalmente à composição de música sacra, cortando as suas ligações com o teatro. Contudo, imediatamente antes de assumir a sua nova posição, tinha composto dois importantes trabalhos para teatro. Em 1682, foi nomeado organista da Chapel Royal, função que ocupou em simultâneo com posição idêntica na Westminster Abbey.
Faleceu com apenas 36 anos de idade, provavelmente vítima de tuberculose, quando muito havia ainda a esperar da sua inspiração. Foi sepultado perto do órgão da Westminster Abbey. Entre as obras mais memoráveis de Purcell, encontra-se “The Fairy Queen” (1692) e “Dido and Aeneas”, primeira ópera inglesa (1689).
A compositora Wendy Carlos retomou a marcha extraída da “Music for the Funeral of Queen Mary” de Purcell, tocada num sintetizador, para o genérico do filme “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick (1972).

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

20 DE NOVEMBRO - SERGEI GRINKOV


EFEMÉRIDE - Sergei Mikhailovich Grinkov, patinador artístico russo, morreu em Lake Placid, no estado de Nova Iorque, em 20 de Novembro de 1995. Nascera em Moscovo no dia 4 de Fevereiro de 1967.  Competiu sempre em pares, tendo sido Campeão Olímpico por duas vezes (1988 e 1994), ao lado da sua parceira e esposa Ekaterina Gordeeva.
Sergei começou a patinar aos 5 anos. Com catorze, fez equipa com Ekaterina Gordeeva, que tinha então 10 anos. O par ganhou o Campeonato Mundial de Juniores de 1985, em Colorado Springs, nos Estados Unidos. Em 1986, venceram o primeiro Mundial de Seniores, título que conservaram em 1987.
Ganharam a medalha de oiro nos Jogos Olímpicos de Calgary em 1988. Nos Mundiais do mesmo ano, em Budapeste, uma queda custou-lhes o título, ficando em 2º lugar. Em 1989 (Paris) e em 1990 (Halifax), conquistaram o terceiro e quatro títulos de Campeões do Mundo.
Decidiram passar a profissionais no Outono de 1990 e conquistaram por três vezes o Campeonato Mundial Profissional (1991, 1992 e 1994).
O facto de treinaram e competirem sempre juntos transformou-se em romance em 1989, casando-se em Abril de 1990. Participaram, em 1991 e 1992, na tournée das Stars On Ice, nos Estados Unidos e no Canadá. Ekaterina engravidou e deu à luz uma menina em Setembro de 1992. Pouco tempo depois do nascimento de Daria, o casal voltou aos treinos para uma nova temporada com as Stars On Ice.
Naquela época, os regulamentos da modalidade permitiam a reintegração como amadores. Decidiram fazê-lo, para poderem participar nos Jogos Olímpicos de Lillehammer, em 1994. Ganharam assim a 2ª medalha de oiro e resolveram regressar de novo ao profissionalismo no seio das Stars On Ice.
Em 20 de Novembro de 1995, a tragédia bateu-lhes à porta. Durante um treino, Sergei desfaleceu em plena pista de gelo e morreu vítima de crise cardíaca.  
Ekaterina, juntamente com vários outros patinadores, organizaram um espectáculo em sua homenagem (Fevereiro de 1996). Acompanhada por uma música de Mahler, ela fez - sobre o gelo -  uma criação comovedora, em que a lembrança e a presença de Sergei eram evocadas a cada instante. Este espectáculo foi transmitido pela televisão algumas semanas mais tarde. Ela escreveria igualmente um livro, “My Sergei: a Love Story”, relatando a história da vida em comum. Este livro inspirou um telefilme, “My Sergei”, realizado por Robert Dustin em 1998.

domingo, 19 de novembro de 2017

19 DE NOVEMBRO - MESERET DEFAR


EFEMÉRIDE - Meseret Defar, fundista etíope, nasceu em Adis Abeba no dia 19 de Novembro de 1983. De alto nível internacional, compete sobretudo nos 3 000 e nos 5 000 metros, prova em que já foi campeã mundial, campeã olímpica e recordista mundial. Nas provas em pista coberta, também tem dominado, tendo vários recordes mundiais. Foi campeã três vezes consecutivas dos 3 000 m, nos Mundiais de Atletismo em Pista Coberta.
Em 2007, foi eleita pela Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) como Melhor Atleta Feminina do Ano.
Campeã dos 5 000 m nos Jogos Afro-Asiáticos inaugurais, em 2003, a sua maior conquista foi a medalha de ouro dos 5 000 m nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, ficou com o bronze nos 5 000 m. Em 2012, nos J.O. de Londres voltou a ganhar a medalha de ouro.
Na mais longa prova do atletismo em pista, os 10 000 metros, que não são a sua especialidade, ela é uma das únicas cinco atletas do mundo que já correu a distância em menos de 30 minutos, alcançando esse feito (29:59.20) em 2009, em Birmingham, na Inglaterra, debaixo de chuva e vento.
Nos Campeonatos Mundiais de Atletismo, Defar também brilhou nos 5 000 m, conseguindo o ouro em Osaka 2007 e em Moscovo 2013, a prata em Helsínquia 2005 e o bronze em Berlim 2009.
Multi-recordista mundial na primeira década dos anos 2000, Defar tem hoje a segunda melhor marca de todos os tempos para os 5 000 m - 14m12s88 - feita em Julho de 2008 em Estocolmo, atrás do actual recorde mundial da sua compatriota Dibaba - 14m11s15.
Em Março de 2010, quando dos Campeonatos Mundiais em Pista Coberta de Doha, conquistou o seu 4º título mundial na prova de 3 000 m. Começou também a correr a meia-maratona e, na Rock 'n' Roll Philadelphia Half Marathon, venceu com 1 h 7 min 44 s.
Ausente das pistas em 2014 (maternidade) e em 2015 (devido a uma lesão), regressou em Fevereiro de 2016 (Boston), fazendo a melhor marca do ano nos 3 000 m (8 min 30 s 83). Por curiosidade, Defar mede 1m55 e pesa apenas 42 kg. 

sábado, 18 de novembro de 2017

18 DE NOVEMBRO - ALAN SHEPARD


EFEMÉRIDE - Alan Bartlett Shepard Jr, astronauta dos Estados Unidos, nasceu em East Derry no dia 18 de Novembro de 1923. Morreu em Pebble Beach, em 21 de Julho de 1998. Foi integrante dos projectos Mercury e Apollo, segundo homem e primeiro norte-americano a ir ao espaço e um dos doze homens que pisaram a Lua, onde esteve no âmbito da missão Apollo 14, em 1971.
Formado em Ciências pela Academia Naval dos Estados Unidos em Annapolis (1944) e pela Escola de Pilotos de Testes Navais dos Estados Unidos em 1951, Alan Shepard começou a sua carreira naval na Segunda Guerra Mundial, a bordo de um destroier, no Oceano Pacífico. Logo depois da guerra, entrou em treino aéreo de combate no Texas e na Flórida e recebeu as suas asas de aviador em 1947, aos 24 anos de idade. Em 1945, casara com Louise Brewer, com quem teve duas filhas. Integrado num esquadrão de caças, serviu num porta-aviões no Mediterrâneo, nos anos seguintes. Na década de 1950, foi piloto de diversos tipos de aeronaves de combate e de testes em grandes altitudes e fez duas viagens ao sudoeste do Pacífico como líder de um esquadrão baseado em porta-aviões.
No fim da sua carreira como piloto militar, Shepard havia acumulado uma experiência de mais de 8 000 horas de voo, 3 700 delas em caças a jacto de combate.
Em 1959, foi um dos 110 aviadores militares norte-americanos convidados para participar na recém-criada agência espacial NASA, como voluntários para o programa que pretendia enviar o primeiro homem ao espaço, chamado Projecto Mercury. Após uma série de duros e exaustivos testes físicos e psicológicos, apenas sete daqueles pilotos foram escolhidos para integrar o programa, entre eles Shepard.
Em Janeiro de 1961, foi escolhido para o primeiro voo espacial tripulado dos Estados Unidos. Apesar da missão ter sido planeada para se realizar em Outubro de 1960, uma série de atrasos devidos a problemas técnicos adiaram-na para Maio de 1961. Com estes atrasos, em Abril de 1961, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin tornou-se o primeiro ser humano no espaço.
Em Maio de 1961, Shepard pilotou a nave Freedom 7 e tornou-se assim o segundo homem a viajar pelo espaço. Lançado do Cabo Canaveral, Centro Espacial Kennedy, Shepard voou numa trajectória balística que o levou a uma altitude de 116 milhas no espaço - cerca de 180 km de altura — num voo suborbital, mas ao contrário do voo orbital automático de Gagarin dias antes, teve que assumir o controlo manual da cápsula espacial por diversas vezes. O seu voo, o retorno do espaço e a sua recolha no mar por helicópteros da marinha foram vistos pela televisão por milhões de pessoas em todo mundo.
Após a missão, ele tornou-se um herói nacional e desfilou em carro aberto pelo meio de multidões em Nova Iorque, Washington e Los Angeles. Foi recebido e condecorado na Casa Branca pelo presidente John Kennedy.
Em Junho de 1963, foi designado para comandar o primeiro voo tripulado do Projecto Gemini, o programa espacial da NASA que levaria dois homens ao espaço na mesma missão, com Tom Stafford como seu co-piloto. No começo de 1964, foi-lhe diagnosticada uma doença na parte interna do ouvido, que lhe afectava a audição e o equilíbrio, a Síndrome de Ménière, o que causou a sua remoção do status de astronauta do programa espacial por todo o resto da década de 1960, sendo substituído neste voo pioneiro pelo colega Virgil Grisson.
Em Maio de 1969, após seis anos a trabalhar em funções técnicas no solo, Shepard foi novamente integrado no corpo de astronautas, após uma cirurgia correctiva inovadora,  sendo inicialmente escalado para o comando da missão Apollo 13. No enanto,  como sentiu que tinha necessidade de um pouco mais de tempo de treinos, ele e os seus colegas de tripulação  fizeram uma troca de missões com a então tripulação da Apollo 14. A troca veio a proporcionar-lhe pisar a Lua, já que os integrantes da fatídica Apollo 13, devido a problemas na nave, jamais tiveram essa oportunidade.
Aos 47 anos, o mais velho astronauta do programa Apollo fez, portanto, o seu segundo voo ao espaço, desta vez para a Lua, entre 31 de Janeiro e 9 de Fevereiro de 1971, a terceira bem-sucedida missão lunar dos Estados Unidos. Pilotando o módulo lunar Antares, realizou a mais precisa alunagem de todo o programa, na primeira missão transmitida por televisão a cores para todo o mundo.
Na Lua, entrou para a história a sua frase quando, ao tornar-se o primeiro jogador de golfe fora da Terra, descreveu a tacada com a bola como uma viagem por «milhas, milhas e milhas», pela superfície de baixa gravidade do nosso satélite.
Após a missão, voltou a assumir a posição de chefe do escritório de astronautas da NASA durante mais três anos e, como oficial da marinha, ainda foi promovido a contra-almirante antes de se retirar da vida militar e da NASA, em Agosto de 1974.
Sendo um homem de negócios atilado, Shepard foi o primeiro astronauta a tornar-se milionário. Após a reforma como astronauta, criou a sua própria empresa, a Seven-Fourteen Enterprises, e durante vinte anos serviu em directorias e conselhos de diversas empresas do país.
Faleceu, vítima de leucemia, dois anos depois de lhe ter sido diagnosticada a doença. A sua companheira de mais de 50 anos, Louise Brewer Shepard, morreu cinco semanas depois. Ambos foram cremados e as cinzas dispersas no mar.
Entre as diversas honrarias que recebeu em vida, Shepard é um dos 28 homens e mulheres a terem recebido até hoje a Medalha de Honra Espacial do Congresso, a maior condecoração concedida pelo governo dos Estados Unidos a astronautas que tenham realizado algum feito extraordinário para a nação ou para a humanidade, no desempenho de alguma missão espacial.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

17 DE NOVEMBRO - LIMA LEITÃO


EFEMÉRIDE - António José de Lima Leitão, médico, político, militar, professor e escritor português, nasceu em Lagos no dia 17 de Novembro de 1787. Morreu em Lisboa, em 8 de Novembro de 1856. Destacou-se também como tradutor de clássicos da literatura europeia. Foi um dos pioneiros da medicina homeopática em Portugal, que pretendeu, mas sem sucesso, incluir no ensino médico.
Fez os seus estudos elementares em Lagos. Em 1808, com apenas 20 anos de idade, foi nomeado cirurgião-ajudante do Regimento de Infantaria nº 2 que, naquele ano, foi incorporado na Divisão de Infantaria, formada por ordem do general Junot, então comandante das forças de ocupação franco-espanhola em Portugal. Aquela divisão foi enviada para Salamanca, onde se incorporou na Legião Portuguesa e seguiu para França e daí para diversas frentes das Guerras Napoleónicas, onde combateu integrada no Exército Imperial Francês.
Mantendo-se ao serviço das forças napoleónicas, em 1812 foi promovido a cirurgião-mor do Batalhão de Pioneiros do Grande Exército e, pouco depois, colocado, no mesmo posto, no Quartel-General Imperial, em Paris. Aproveitou a sua estadia na capital francesa e formou-se em Medicina na Universidade de Paris. Neste período, aderiu decisivamente à ideologia liberal e terá sido admitido na Maçonaria.
Terminadas as Guerras Napoleónicas (1814), foi desmobilizado e voltou a Portugal, onde - tal como aconteceria com a generalidade dos veteranos da Legião Portuguesa - foi mal recebido, já que o serviço prestado a Napoleão Bonaparte era visto como traição à pátria. Neste mesmo ano, publicou - ainda em França - o poema “Ode ao duque de Wellington”, general chefe do Exército Português depois da paz, aparentemente para se demarcar da sua adesão à causa francesa. Não encontrando bom acolhimento em Lisboa, partiu para o Rio de Janeiro, onde se encontrava a Corte portuguesa.
Depois de algum tempo de permanência no Brasil, conseguiu em 1816 ser nomeado por D. João VI para o lugar de físico-mor de Moçambique, para onde partiu e onde permaneceu algum tempo. Em finais de 1818, regressou ao Rio de Janeiro. No ano seguinte, foi nomeado físico-mor e intendente geral da Agricultura na Índia, com exercício em Goa, para aonde partiu ainda em 1819.
Estava em Goa, quando triunfou a Revolução Liberal do Porto, apenas dela tomando conhecimento em Março de 1821. Como liberal convicto, assumiu papel de relevo na implantação do regime liberal no Estado da Índia, sendo um dos motores do processo revolucionário que conduziu ao afastamento do poder e subsequente prisão, em Setembro de 1821, do vice-rei Diogo de Sousa. Quando se formou a Junta Provisional do Governo do Estado da Índia, Lima Leitão era um dos 7 revolucionários que a deveria integrar. Contudo, a Junta teve apenas 5 membros, nela não tendo tido assento Lima Leitão. Esta exclusão, manifestação das divisões que já grassavam entre os liberais goeses, a que se juntava a desconfiança entre a comunidade nativa e os europeus, contribuiu para a instabilidade política no período subsequente. Isto levou a que, nos meses imediatos, se sucedessem as tentativas de contragolpe, as prisões, incluindo a de Lima Leitão, e finalmente a queda da Junta, substituída por outra presidida por D. Manuel Maria Gonçalves Zarco da Câmara, da qual Lima Leitão fez parte. Em todo este conturbado processo, Lima Leitão assumiu-se como um dos líderes mais activos.
Quando, em Janeiro de 1822, se realizaram em Goa as eleições para deputados às Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, Lima Leitão foi um dos três deputados eleitos pela Índia Portuguesa (os outros dois eram de origem goesa). Fez assim parte do grupo dos primeiros deputados a serem eleitos nas colónias portuguesas do Oriente. Quando chegou a Lisboa, já a Vila-Francada tinha levado à dissolução das Cortes, pelo que não chegou a prestar juramento. Ainda assim, foi um dos deputados que subscreveu o protesto contra a dissolução e a suspensão da Constituição Portuguesa de 1822, recém-jurada. Decidiu não regressar a Goa, demitindo-se do cargo de Intendente Geral da Agricultura da Índia.
Após uma estadia em Lagos, onde -  em 1824 - publicou uma “Ode dedicada a D. João VI”, fixou-se em Lisboa e, em 1825, foi nomeado lente da cadeira de Clínica Médica na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, então a funcionar no Hospital de São José. Foi eleito deputado às Cortes de 1826. Após a outorga da Carta Constitucional, publicou uma “Ode a D. Pedro IV”.
Apesar do fervor revolucionário revelado na Índia, manteve-se em funções ao longo do conturbado período de restauração do absolutismo e do governo de D. Miguel I de Portugal. Em 1828, já em plena restauração miguelista, publicou uma “Dissertação inaugural” pronunciada na abertura dos cursos da Escola Real de Cirurgia de Lisboa, o que demonstra a sua relativa aceitação pelo novo poder. Permaneceu no seu cargo durante a Guerra Civil Portuguesa (1828/34), não tendo sido incomodado pelo poder absolutista então instalado em Lisboa.
A partir de 1833, com a vitória liberal, esta sua aparente submissão ao absolutismo, em contradição com as suas convicções liberais, desencadeou severas críticas por parte dos emigrados liberais, desembocando numa intensa polémica pública. Quando invocou uma estudada prudência para explicar não ter sido perseguido, foram múltiplas e violentas as críticas, particularmente dos ex-emigrados que o apodavam de poltrão. Lima Leitão defendeu-se com desassombro, granjeando no processo grande número de inimigos.
Apesar da polémica e de muitas inimizades, continuou a sua carreira como lente de Medicina e de Química na Escola Médico-Cirúrgica.
Foi um dos fundadores da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, a cuja direcção presidiu de 1838 a 1842. Entre 1844 e 1846, foi presidente da Comissão de Saúde Pública daquela associação.
Foi um dos pioneiros da medicina homeopática em Portugal, adoptando os ensinamentos de Samuel Hahnemann, cuja obra traduziu do francês. A partir de 1853, quando tentou introduzir na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa o ensino da Homeopatia, caiu profissionalmente em desgraça. Também manteve um contencioso sobre a matéria com Rodrigo da Fonseca Magalhães, ao tempo ministro do Reino, responsável pela Educação.
Foi feito cavaleiro da Ordem Militar de Cristo e foi membro honorário de várias instituições científicas e literárias de Portugal, Brasil, Espanha e França.
Lima Leitão também se dedicou à literatura, tendo editado várias obras sobre medicina, política e de poesia. Traduziu ainda várias obras estrangeiras e clássicas, como a “Arte Poética” de Horácio, a “Estante do Coro” de Nicolas Boileau e, principalmente, a obra “Paraíso Perdido” de John Milton. Deixou ainda uma vasta obra dispersa pela imprensa portuguesa.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

16 DE NOVEMBRO - JOÃO LOURENÇO REBELO


EFEMÉRIDE - João Lourenço Rebelo, cantor e compositor da corte de D. João IV de Portugal, morreu em Loures no dia 16 de Novembro de 1661. Nascera em Caminha, em 1610, sendo sem dúvida o mais genial e excêntrico compositor de música religiosa do Portugal seiscentista. Foi representante da 2ª geração de compositores ibéricos, que escreveram música poli/coral, depois de Guerrero, Garro, Lobo e outros.
Em 1624, com catorze anos, entrou como menino de coro ao serviço da capela ducal de Teodósio II, duque de Bragança, no Paço Ducal de Vila Viçosa. Nesse palácio, o duque de Bragança havia fundado o Colégio dos Santos Reis Magos, onde se formavam compositores que, por terem de apresentar os seus trabalhos perante um público (nobre) mais exigente do que os frequentadores das igrejas, produziam obras tecnicamente mais elaboradas, nomeadamente no campo vocal. A capela do palácio ducal dispunha de 24 cantores, enquanto nas igrejas não se escutavam mais do que 4 vozes.
Em 1630, foi nomeado professor de música do filho do duque, futuro rei D. João IV de Portugal. Continuou como músico e compositor, tornando-se mestre da capela ducal de Vila Viçosa.
Após a Restauração da Independência, em 1 de Dezembro de 1640, e com a aclamação do rei D. João IV de Portugal, João Lourenço Rebelo foi transferido para a capela real, onde continuou a promover o interesse do rei pela música e a desenvolver o seu próprio talento como compositor. 
A sua paixão pela música fez com que fosse um grande coleccionador de manuscritos, impressões e partituras, tendo reunido a maior biblioteca de música do seu tempo, a qual seria totalmente perdida, um século mais tarde, nos escombros do terramoto de Lisboa (1/11/1755).
Em 1646, João Lourenço Rebelo foi feito cavaleiro da Casa Real e, mais tarde, comendador da Ordem de Cristo, uma posição com significativos benefícios financeiros.
Escreveu essencialmente música sacra, compôs vilancicos, hinos, salmos, um Te Deum e missas, uma das quais para 39 vozes em homenagem ao 39º aniversário de D. João IV. Nestas composições, regala-nos com um extravagante estilo composicional semelhante ao de Gabrielli e Monteverdi, caso único na música portuguesa da época, dominada pelo modelo de Tomás Luís de Victoria. Tomando contacto, mesmo sem sair de Portugal, com técnicas e estilos de composição que floresciam noutros países, João Lourenço Rebelo valorizou o contributo de grandes coros (à maneira veneziana) e retirou ao órgão a exclusividade do acompanhamento musical, inserindo neste a presença de instrumentos de sopro.
Ao próprio rei (e ex-discípulo), era até do ponto de vista político conveniente ter na corte um compositor que transmitisse uma imagem moderna da música produzida e apresentada na capela do seu palácio, sendo curioso verificar que D. João IV levou a sua admiração e apoio ao ponto de redigir, em 1649, um tratado a que deu o nome de Defesa da música moderna contra a opinião errada do bispo Cyrilo Franco (opinião essa expressa um século antes...) e onde manifestava a intenção de patrocinar a impressão tipográfica da obra sacra de Lourenço Rebelo.
O compositor não parecia, todavia, compreender a importância que tal facto teria e levou anos a organizar todas as suas partituras, para que pudessem ser impressas. Dois dias antes de morrer, em Novembro de 1656, o rei deixou-lhe - em testamento - a negociação de um contrato para que parte da sua obra (em especial a adaptação musical de salmos) fosse dada à estampa em Itália, o que viria a acontecer.
Um retrato de João Lourenço Rebelo encontra-se exposto no Palácio Ducal e Vila Viçosa.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

15 DE NOVEMBRO - MANTOVANI


EFEMÉRIDE - Annunzio Paolo Mantovani, popular compositor, arranjador e maestro italo-americano, nasceu em Veneza no dia 15 de Novembro de 1905. Morreu em Tunbridge Wells, Kent, Inglaterra, em 29 de Março de 1980. O nome Mantovani é geralmente associado mais à sua orquestra do que a ele próprio.
Triunfou no mundo musical londrino graças às suas actuações, no Queen's Hall e no Wigmore Hall, e ao facto de ser chefe de orquestra no Metropole Hotel.
No decurso dos anos 1930, criou a sua própria orquestra, constituída - à partida –  por uma dezena de músicos, que tocavam ritmos variados para dançar, desde o jazz até ao swing passando pelo tango. Mantovani também tocava viola.
A partir dos anos 1940, alargou os horizontes formando uma grande orquestra, que se tornaria famosa pelo seu estilo particular, brilhante e colorido. Tornou-se conhecida pelas suas numerosas interpretações de melodias românticas, entre as quais “Charmaine” e “Exodus” são um belo exemplo. Passou a aparecer nos hit-parades, sendo o primeiro autor cujas vendas ultrapassaram o milhão de discos.
As músicas italianas eram particularmente apreciadas, mas também as de outros países, com uma discografia importante de âmbito internacional, nas editoras Decca e London Records.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

14 DE NOVEMBRO - EDWARD WHITE


EFEMÉRIDEEdward “Ed” Higgins White II, primeiro astronauta norte-americano a fazer um passeio no espaço, nasceu em San Antonio no dia 14 de Novembro de 1930. Morreu no Centro Espacial Kennedy em 27 de Janeiro de 1967.
Faleceu, aos 36 anos, no incêndio ocorrido na plataforma de lançamento da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, durante os testes na cabina de comando da Apollo 1.
Piloto de caça da Força Aérea dos Estados Unidos, formado pela Academia de West Point (1952) e licenciado em Engenharia e Tecnologia Aeronáutica pela Universidade de Michigan (1958/59), White alcançou a patente de tenente-coronel da USAF como piloto de jactos F-86 Sabre e F-100 Super Sabre. Com o seu trabalho de piloto de testes de aeronaves experimentais, acumulou um total de três mil horas de voo.
Entrou para a NASA em 1962, no segundo grupo de candidatos a astronautas seleccionados pela agência espacial e subiu ao espaço pela primeira e única vez em Junho de 1965 a bordo da Gemini IV, juntamente com o astronauta James McDivitt, realizando a primeira caminhada espacial de um norte-americano fora da nave - e a segunda depois do soviético Aleksei Leonov — ligado a ela por um cordão umbilical de borracha, aço e nylon.
Depois deste voo, White foi piloto de reserva da missão Gemini VII e qualificado como astronauta especialista em sistemas de controlo de voo do módulo de serviço da Apollo. Pelo método usual de rodízio de astronautas da NASA, Ed deveria ser o piloto da missão Gemini X, em Julho de 1966 - o que o tornaria o primeiro da sua classe de astronautas a ir ao espaço duas vezes. Porém, ao invés disso, em virtude dos seus conhecimentos dos sistemas da Apollo, o programa lunar que então se achava em preparação e testes, foi promovido a piloto do módulo de comando da Apollo 1, o primeiro voo deste programa.
Entretanto, em 27 de Janeiro de 1967, durante o treino no protótipo de testes da cabina de comando da Apollo 1, no Centro Espacial Kennedy, um curto circuito causou um incêndio sem controlo na cabine lacrada, que o matou a ele e aos outros dois astronautas da futura tripulação, o comandante Virgil 'Gus' Grisson e Roger Chaffee.
Após o trágico acidente, Ed White foi enterrado com honras militares no Cemitério de West Point e condecorado postumamente com a Medalha de Honra Espacial do Congresso. Era casado e tinha dois filhos. Entre outras honras, o seu nome foi dado a várias escolas norte-americanas.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

13 DE NOVEMBRO - ESAIAS TEGNÉR


EFEMÉRIDE - Esaias Tegnér, escritor sueco, nasceu em Kyrkerud no dia 13 de Novembro de 1782. Morreu em Växjö, em 2 de Novembro de 1846.
A partir de 1799, estudou na Universidade de Lund, onde viria a ser responsável-ajunto da biblioteca, mestre de Filosofia e Estética e secretário da faculdade.
Foi membro da Academia Sueca, bispo de Växjö (1824) e professor de Grego na Universidade de Lund (1810). Em 1812, doutorou-se em Teologia. Foi muito apreciado na sua época, como poeta, sobretudo após a publicação de “Frithiof’s Saga” em 1825.
No final da sua vida, foi internado num hospital psiquiátrico em Schleswig e, no início de 1841, foi-lhe dada alta, tendo regressado a Växjö. Durante a sua convalescença em Schleswig, compôs “Kronbruden”. Em 1843, sofreu um acidente vascular cerebral, tendo falecido três anos depois.
A maior parte dos poemas de Tegnér, escritos quando foi professor em Lund, são pequenos textos. A sua celebrada “Canção ao sol” data de 1817. Redigiu também três poemas de carácter mais ambicioso, aos quais ficou a dever grande parte da sua fama.
Em 1819, tornou-se membro da Academia Sueca. Em 1820, publicou fragmentos de um poema épico no qual trabalhava: “Frithiof’s Saga”. Em 1822, escreveu mais cinco cantos e, em 1825, publicou o poema inteiro. Antes, era já famoso em toda a Europa. Johann Wolfgang von Goethe sugeriu mesmo a Amalie von Imhoof que traduzisse para a língua alemã toda a obra de Esaias Tegnér.
Durante o século XIX, a “Saga de Frithjof” foi a mais conhecida de todas as produções literárias suecas e foi traduzida 22 vezes para inglês, 20 vezes em alemão e, pelo menos, uma vez para cada uma das principais línguas europeias.
Tegnér iniciou, mas deixou inacabados, dois poemas épicos: “Gerda” e “Kronbruden”.

domingo, 12 de novembro de 2017

12 DE NOVEMBRO - MASSACRE DE SANTA CRUZ


EFEMÉRIDE - O Massacre de Santa Cruz, em Timor-Leste, foi um tiroteio sobre manifestantes pró-independência, no cemitério de Santa Cruz em Díli no dia 12 de Novembro de 1991, durante a ocupação do território pela Indonésia. A maioria das vítimas eram jovens, por isso, depois da independência, o dia 12/11 passou a ser feriado em Timor-Leste - o Dia Nacional da Juventude.
Naquele dia, tinha havido uma missa por alma de Sebastião Gomes, um jovem membro da resistência timorense, e havido uma romagem à sua campa no cemitério. Os jovens, motivados pela revolta por aquele assassinato, manifestaram-se contra os militares da Indonésia com o objectivo de mostrarem o seu apoio à independência do país.
Após a invasão de Timor-Leste pela Indonésia em 1975 (então formalmente ainda Timor Português), muitos timorenses sentiam-se oprimidos e foram mortos por questões políticas. Desde então, a resistência timorense combateu o exército indonésio.
Em Outubro de 1991, uma delegação com membros do Parlamento Português e 12 jornalistas planeavam visitar o território de Timor-Leste durante a visita do representante especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos e Tortura, Pieter Kooijmans. O governo indonésio não concordou com a inclusão na delegação da jornalista australiana Jill Jolliffe, que apoiava e ajudava o movimento independentista Fretilin e Portugal. Como consequência, cancelou a ida da delegação.
O cancelamento desmoralizou os activistas independentistas em Timor-Leste, que esperavam usar a visita para melhorar a visibilidade internacional da sua causa. As tensões entre as autoridades indonésias e a juventude timorense aumentaram. Em 28 de Outubro, as tropas indonésias localizaram um grupo de membros da resistência na Igreja de Motael, em Díli. O confronto deu-se entre os activistas pró-integração e os activistas independentistas que estavam na igreja. Quando este acabou, um homem de cada lado estava morto (Sebastião Gomes, um apoiante da independência de Timor-Leste, fora retirado da igreja e abatido pela tropa indonésia e o integracionista Afonso Henriques foi atingido e morto durante a luta).
Em 12 de Novembro, mais de duas mil pessoas marcharam desde a igreja, onde se celebrara uma missa em memória de Sebastião Gomes, até ao cemitério de Santa Cruz, onde ele está sepultado, para lhe prestar homenagem. O exército indonésio abriu fogo sobre a população, matando 271 pessoas no local e deixando 127 feridos graves. Outros manifestantes foram presos e só foram libertados em 1999, por altura do referendo pela independência.
O massacre foi filmado pelo repórter de imagem Max Stahl, que proporcionou assim uma preciosa ajuda para dar a conhecer ao mundo o que tinha acontecido em Díli. Os acontecimentos foram condenados internacionalmente e chamaram a atenção para a causa dos timorenses. Em 1992, Rui Veloso, músico português, compôs e interpretou a música “Maubere” a favor da causa timorense.
Depois do massacre, quase todos os países passaram a apoiar Timor-Leste e reconheceram o direito da sua população decidir se o território devia ou não ser independente, o que veio a concretizar-se com um referendo realizado oito anos depois, em 30 de Agosto de 1999.

sábado, 11 de novembro de 2017

RUI VELOSO - "Maubere"


11 DE NOVEMBRO - CARLOS FUENTES


EFEMÉRIDE - Carlos Fuentes Macías, escritor e diplomata mexicano, nasceu na Cidade do Panamá em 11 de Novembro de 1928. Morreu na Cidade do México em 15 de Maio de 2012.
Além de romancista, Fuentes foi novelista e ensaísta. Filho de diplomatas mexicanos, nasceu no Panamá. Passou a sua infância em diversas capitais da América: Montevideo, Rio de Janeiro, Washington D.C., Santiago de Chile, Quito e Buenos Aires. Aos 16 anos, voltou ao México, onde residiu até 1965. Licenciou-se em Direito na Universidade Nacional Autónoma de México e em Economia no Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra, Suíça.
Depois dos estudos, foi membro da delegação mexicana na OIT e adido de imprensa junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Foi embaixador do México em França a partir de 1975. Em 1977, renunciou ao posto em protesto contra a nomeação do ex-presidente mexicano Díaz Ordaz como primeiro embaixador do México em Espanha após a morte de Franco.
Em diversas ocasiões, manifestou-se favoravelmente a Fidel Castro embora, nalgumas outras oportunidades, fizesse críticas importantes ao governante cubano. Elogiou também a abertura de Raúl Castro.
Leccionou em Harvard, Cambridge, Princeton e outras universidades norte-americanas de renome internacional.
Ao longo da sua longa e profícua carreira, foram-lhe atribuídos diversos prémios e distinções, entre os quais o Prémio Miguel de Cervantes, em 1987, e o Prémio Príncipe de Astúrias (1994). Além das suas obras de ficção, também ficou conhecido pelos seus ensaios sobre política e cultura. Fuentes fez parte de um movimento literário formado no século passado por autores que criticavam as estruturas políticas arcaicas da América Latina.
Fundou a Revista Mexicana de Literatura em 1955, em colaboração com Octavio Paz, e a Editora Signo XXI.
Começou por escrever novelas e publicou assim “Dias de Carnaval” em 1954. Publicou o seu primeiro romance em 1958, “A Mais Límpida Região”, que critica a sociedade mexicana. Prosseguiu a sua carreira literária com “O Canto dos Cegos”, “Pele Nova”, “Terra Nostra” (Prémio Rómulo Gallegos 1977, a mais alta distinção literária da América Latina), “A Cabeça da Hidra” e “O Velho Gringo”, obras que lhe deram reconhecimento internacional.
Escreveu igualmente o cenário de “A Caça ao Homem” para o realizador de cinema Buñuel, segundo um romance de Alejo Carpentier. Escreveu também para teatro e diversos ensaios críticos, alguns publicados pelo jornal espanhol “El País”.
Faleceu aos 83 anos, um dia após ter sido premiado com o título de doutor honoris causa pela Universidade das Ilhas Baleares. Entre outras honras recebidas, foi também doutorado honoris causa pelas Universidades Freie Universität de Berlim (2004) e de Bordéus (2011). Recebeu igualmente a Ordem de Isabel a Católica (2009) e a Grande Medalha “vermeil” da Cidade de Paris (2010).

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

10 DE NOVEMBRO - DINO DE LAURENTIIS


EFEMÉRIDE - Agostino DinoDe Laurentiis, produtor de cinema italiano, morreu em Los Angeles no dia 10 de Novembro de 2010. Nascera em Torre Annunziata, em 8 de Agosto de 1919. 
Juntamente com Carlo Ponti, é um dos dois grandes produtores que impuseram o cinema italiano na cena internacional, quando o mundo saiu da Segunda Guerra Mundial. De Laurentiis produziu ou co-produziu mais de 500 filmes, dos quais 38 foram nomeados para os Oscars. Teve também uma breve carreira de actor, no fim dos anos 1930 e começo dos anos 1940.
Dino era filho de um fabricante de massas, produto que ele próprio vendeu na rua durante a infância.
Pensando tornar-se actor, inscreveu-se no Centro de Cinema Experimental de Roma. Começou por ganhar a vida como acessorista e assistente de realizador, optando depois pela direcção de fotografia. Com 20 anos, produziu os seus primeiros filmes: L'Ultimo combattimento de Piero Ballerini (1940) e “L'amore canta” (1941), que tiveram sucesso.
Depois da sua primeira produção, financiou perto de 150 filmes. Em 1946, a sua empresa Dino De Laurentiis Cinematografica passou a consagrar-se à produção.
De Laurentiis conheceu o seu primeiro sucesso internacional com “Arroz Amargo” de Giuseppe De Santis, importante filme neo-realista que foi nomeado para os Oscars e contribuiu para o lançamento das carreiras de Silvana Mangano, Vittorio Gassman e Raf Vallone.
Seguidamente, muitas vezes em associação com o produtor Carlo Ponti, alternou filmes populares e obras de autor como “Europe 51” de Roberto Rossellini. Foi sob a égide da dupla Ponti-De Laurentiis que foi produzido o primeiro filme a cores italiano, “Totò a colori”. De Laurentiis foi igualmente o produtor de dois clássicos de Federico Fellini: “La strada” e “As Noites de Cabiria”, que ganharam o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
No fim dos anos 1950, com Ponti, lançou-se numa ambiciosa adaptação de “Guerra e Paz” de Tolstói. Nos anos 1960, Dino De Laurentiis fez construir uns vastos estúdios (Dinocittà), onde foram rodados “A Bíblia” de John Huston e “O Estrangeiro” de Luchino Visconti. Estes estúdios foram fechados nos anos 1970, no seguimento de uma série de perdas financeiras.
Em 1972, produziu “Casa Nostra”, filme franco-italiano estreado no mesmo ano de outro filme mítico sobre a mafia “O Padrinho”. Foi também o ano em que se instalou nos Estados Unidos. Alternou filmes de grande sucesso crítico com filmes mais comerciais, de maior ou menor sucesso.
O período entre 1985 e fim dos anos 1990 foi provavelmente o mais difícil da sua carreira. Reencontrou o sucesso com “Hannibal” de Ridley Scott em 2001.
De Laurentiis produziu também a maioria das películas, onde interveio o personagem Hannibal Lecter criado pelo romancista Thomas Harris.
Foi casado durante 40 anos com Silvana Mangano, falecida em 1989. Tiveram, quatro filhos.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

9 DE NOVEMBRO - VÍTOR GASPAR


EFEMÉRIDE - Vítor Louçã Rabaça Gaspar, economista e professor universitário português, ex-ministro de Estado e das Finanças (2011/13), nasceu em Manteigas no dia 9 de Novembro de 1960.
Em Julho de 2013, foi anunciado o seu pedido de demissão do governo, tendo sido substituído por Maria Luís Albuquerque. Vítor Gaspar é primo-irmão do ex-coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, pelo lado materno. Pelo lado paterno, é primo em terceiro grau de Bruno de Carvalho, presidente do Sporting CP.
Licenciou-se em Economia na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa em 1982, tendo-se doutorado em Economia na Universidade Nova de Lisboa em 1988.
Foi membro suplente do Comité Monetário Europeu de 1989 a 1998 e representante pessoal do Ministro das Finanças na IGC que conduziu ao Tratado de Maastricht. Foi chefe daquele comité entre 1994 e 1998 e membro do Gabinete de Consultores Políticos da Comissão Europeia de 2005 a 2006. Em Janeiro de 2007, passou a chefiar o departamento.
Em Portugal, foi conselheiro especial do Banco de Portugal e director-geral da área de investigação do Banco Central Europeu de Setembro de 1998 até Dezembro de 2004. Também foi director de Investigação e Estatísticas do Banco de Portugal e director de Estudos Económicos do Ministério das Finanças.
Publicou vários livros e artigos em revistas e jornais científicos, entre eles: “Public Choice”, “European Economic Review”, “Journal of the European Economic Association” e “Journal of Development Economics”.
Enquanto ministro das Finanças (independente), o controlo apertado das finanças públicas, o percurso político, o discurso de austeridade, os seus modos reservados e as suas origens rurais e beirãs, características partilhadas por Salazar, renderam-lhe a alcunha de “Salazarinho” entre os seus colegas do Governo.
Simultaneamente, em época de crise, os seus poderes foram reforçados, tendo ficado encarregue das verbas dos fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), antes a cargo do Ministério da Economia. Passou a integrar uma Comissão de Gestão por si chefiada e da qual faziam parte, Paulo Portas, Miguel Macedo, Álvaro dos Santos Pereira, Assunção Cristas, Nuno Crato e Pedro Mota Soares.
É actualmente director do Departamento de Finanças Públicas do FMI. Em Fevereiro de 2016, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. É casado desde 1985 e tem três filhas.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

8 DE NOVEMBRO - VITALY GINZBURG


EFEMÉRIDE - Vitaly Lazarevich Ginzburg, físico e astrofísico russo, morreu em Moscovo no dia 8 de Novembro de 2009. Nascera na mesma cidade em 4 de Outubro de 1916. Recebeu o Prémio Nobel de Física de 2003, por contribuições fundamentais para a teoria dos supercondutores e superfluidos.
É considerado um dos pais da bomba atómica soviética. Foi membro da Academia das Ciências da URSS e substituiu Igor Tamm à frente do Instituto de Física.
Licenciou-se em Física na Universidade de Moscovo em 1938, doutorando-se em 1942. Trabalhou no Instituto de Física Lebedev desde 1942. Juntamente com Lev Landau, criou a teoria da supercondutividade da propagação das ondas electromagnéticas, a teoria Ginsburg-Lanmdau (1958).
Foi co-laureado com o Nobel de Física 2003, juntamente com Alekseï Abrikossov e Anthony Leggett.
Faleceu em Novembro de 2009, sendo sepultado no Cemitério Novodevichy em Moscovo. Entre as distinções recebidas, conta-se o Prémio Estaline (1953), o Prémio Lenine (1966), a Medalha de Ouro da Royal Astronomical Society (1991), o Prémio Wolf (1994/95), a Medalha Lomonossov (1995) e a Ordem de Mérito para a Pátria (2006).

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
- Lisboa, Portugal
Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muito mais...