quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004

ENSINEMOS AS CRIANÇAS…
… E O FUTURO SERÁ MELHOR!


Perguntou-me o meu neto:
- Queres que ganhem os encarnados, avô?
- Não, João. Hoje gostava que ganhassem os azuis, porque são portugueses como nós.
- Então, eu também!


(A propósito do Futebol Clube do Porto/Manchester United, de ontem... )

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

TELE-INSEGURANÇA
Por EDUARDO PRADO COELHO
«Público» Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2004

Vi noutro dia na SIC as esfarrapadas desculpas de diversos profissionais no arranjo de televisores, que pediam balúrdios para tarefas tão simples como mudarem um fusível que tinha sido deliberadamente estragado. Todos eles argumentavam com a fonte de alimentação que tinha sido necessário refazer, com a prevenção de futuros acidentes, com a limpeza geral do aparelho. Mas houve um que foi mais sincero e disse que não podia fazer um orçamento relativo apenas à mudança de um fusível. Perguntou a entrevistadora: "Mas então anda todo o mundo a enganar todo o mundo?". E ele reconheceu que sim, mas passou para um lugar-comum: claro, mas o pior é o que se passa lá em cima, entre os políticos e os grandes homens de negócios.

Uma amiga minha teve o carro assaltado numa cidade na periferia de Lisboa: vidro partido do lado do condutor, pára-choques derrubado, porta-luvas arrombado, rádio roubado. Telefonou para a sua tão celebrada companhia de seguros, a que daremos o nome fictício de Tele-insegurança. Reboque, não, só em caso de acidente. Muito bem. Lá acondicionou o vidro estilhaçado, lá retirou o desfeito pára-choques e lá foi até à esquadra, como se atravessasse uma estrada do Iraque – com medo de que a viatura se desfizesse na primeira esquina. Na esquadra, foram optimistas: "Tele-insegurança, vai ver onde se foi meter!" O carro lá ficou e no dia seguinte foi objecto de peritagem. Mas como não era possível andar com um vidro partido e encontrar na manhã seguinte uma família de desabrigados a viver lá dentro, a minha amiga substituiu o vidro, do que avisou a zelosa seguradora. Disseram para enviar a declaração e a factura.

Foi aqui que as coisas se tornaram insólitas. A voz disponível que surgia do outro lado do fio telefónico começou a achar que a primeira declaração não era suficiente e que precisavam de uma segunda (nisto a polícia tinha inteira razão), e só então a seguradora enviaria a sua competente peritagem. A polícia passou uma segunda declaração, com o ar paciente de quem já estava habituada a estas coisas.

Isto foi no Outono, início de Outubro, caíam as folhas, anoitecia mais cedo. Estamos no limiar da Primavera, cantam os passarinhos, as árvores recuperam o verde perdido, o sol ilumina-nos os dias. E contudo desde então a minha amiga passa o mais inseguro dos seus dias a telefonar para uma seguradora fantasma, onde invariavelmente ouve a seguinte resposta: vamos ter de passar para o departamento de sinistros, mas eles agora estão ocupados, por isso falamos logo que pudermos. Mas não podem, nunca podem, jamais puderam.

Colocam-se aqui várias interrogações. Será que a seguradora existe ou é apenas uma ficção maliciosa? Será que departamento de sinistros é um departamento sinistro? Será um departamento de uma só pessoa que gosta muito de falar ao telefone sobre o tempo, o Euro, a Casa Pia e as fantasias do Alberto João Jardim? Será que querem fazer tudo para não pagar? A minha amiga mantém o pára-choques no banco traseiro e o porta-luvas afaga generosamente os joelhos de quem a acompanha? Entre os senhores dos fusíveis e os senhores da Tele-insegurança, qual a diferença? Uma questão de escala: a escala do roubar.

sábado, 21 de fevereiro de 2004

EDUCAÇÃO SEXUAL

E Alguém Os Vai Ensinar?
Por GRAÇA BARBOSA RIBEIRO
in «Público» Sábado, 21 de Fevereiro de 2004

- Mãe, o que é fazer sexo?
- Ahnn?!
- Estava a perguntar o que é fazer sexo.
- Onde é que está o teu pai?
- Não sei.
- Paulo!!!??
- Mãe, sabes que o pai não está em casa...
- Ah, sim... Diz lá, então. Estavas a perguntar...
- O que é fazer sexo. A Mariana anda sempre atrás do Joãozinho a dizer que quer fazer sexo com ele...
- Anda?
- Sempre. Depois as miúdas riem-se muito...
- Ah, bom... E o Joãozinho?
- O que é que tem o Joãozinho?
- Que idade tem ele?
- Oito.
- Oito?! E o que é que ele diz à Mariana?
- Não diz nada.
- Nada?
- Ele também não sabe o que é.
- Ahh...
- Por que é que estás sempre a dizer 'ahh...'?! Tu também não sabes, já estou a ver...
- Não, não, eu explico-te. Lembras-te na semana passada, quando estavas a ver televisão e o teu pai te mandou mudar de canal?
-... Jura!!!?
- Pois. É mais ou menos aquilo.
- E por que é que a Mariana quer fazer aquilo com o Joãozinho?!
- Não faço ideia.
- Tu e o pai não fazem aquilo!
- Hum... Lembras-te do que eu te contei quando nasceu a tua irmãzinha? Das flores, das abelhas...?
- O que é isso tem a ver?
- É quando se faz sexo que o pai põe a sementinha dentro da mãe.
- Jura!?
- Juro...
- Coitados...
- Coitados?
- Por terem de fazer aquilo.
- Ah, estou a ver...
- Ainda bem que só tiveste de fazer três vezes.
- Ahn?
- Só tens três filhos!
- Hum... Sabes o que é isto?
- Sei, um preservativo.
- Já sabias?!
- Claro, fazemos guerras de balões de água com eles.
- Também servem para outras coisas.
- Jura?! O que é isso?
- Uma espécie de instruções dos preservativos. Olha, o homem põe isto assim, como está na figura...
- Arghh!?
-... e assim a sementinha não entra na mãe...
- Arghhhh!
-... e assim não há bebés.
- Mas por que é que fazem aquilo, se não querem bebés?!
- Paulo!!!? És tu?!
- O pai não está em casa, mãe.
- Pareceu-me ter ouvido um carro a chegar.
- Eu não ouvi nada. Mas, olha, se não querem fazer filhos fazem aquilo para quê?
- Estão aqui três preservativos.
- Mãe! Eu fiz uma pergunta!
- Três. O problema vai ser dividir...
- Dividir?
- Sim, por mim e por ti.
- Dividir para quê?
- Não queres fazer uma guerra de balões de água?
- O quê? Cá em casa?! "Bué" de fixe! E contigo?!!
- Comigo...
- Jura!?
- Juro...

Dez minutos depois, Madalena recolhe os preservativos rebentados, põe o filho a ver televisão, muda de roupa, pega na pasta e corre para a escola. Vai dar a primeira aula de Educação Sexual.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2004

OBSERVANDO E REFLECTINDO…

Ouvido no programa da RTP «Prós e Contras», na voz de um dos intervenientes no debate sobre o Turismo: «Agora estou a trabalhar em Portugal, mas sei o que se passa na Madeira...». Pouco antes, o mesmo senhor tinha afirmado que na Madeira tudo se passa mais rapidamente e com menos burocracia, porque as autarquias têm à sua frente autarcas do mesmo partido. Que tal? Isto no ano em que se comemoram trinta anos do 25 de Abril!

Citada no «Público» uma afirmação de Maria Barroso: «Estranhamente, muitas das personalidades que defendem a guerra pertencem a correntes de pensamento ligadas ao cristianismo e catolicismo». Transcrição aproximada, porque de cor, mas sem desvirtuar a ideia.
Eu acrescentaria que são essas mesmas pessoas que estão contra o aborto porque, dizem, é inviolável o direito à vida. Um embrião ou um feto têm portanto, para estes iluminados, maior valor do que as pessoas. Aliás vê-se isso na política do dia-a-dia!

sábado, 14 de fevereiro de 2004

O QUE ELES PENSAM DELE…

A guerra do Iraque é uma guerra estúpida e obscena dirigida por esse imbecil chamado Bush José Saramago (Prémio Nobel de Literatura)

Bush é um mentiroso compulsivo Vicente Jorge Silva (Jornalista e Deputado)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004

A SENSIBILIDADE PORTUGUESA

Vi ontem (já hoje, porque foi de madrugada), no novo programa da TVI «O Homem que Mordeu o Cão».
O último interveniente, num estilo muito em voga, referiu-se a vários acontecimentos e várias personalidades, em termos humorísticos. O público ria-se, às vezes a bandeiras despregadas.
O actor teve o mau gosto (todos temos maus momentos) de acabar a sua actuação (também era a última do programa), com uma referência ao malogrado Fehér. O público silenciou. A objectiva varreu a plateia e só se viram caras extremamente sérias. Os portugueses não esquecem facilmente acontecimentos vividos e são um povo extremamente sensível.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2004

Ninguém É Perfeito
Por EDUARDO PRADO COELHO
«Público» de hoje

No final do jogo Sporting-Porto, quando José Mourinho apareceu para comentar a partida, esperava que ele começasse por dizer que tinha acabado de assistir a um excelente espectáculo. Nada disso. Assistimos a um homem completamente transtornado, manifestamente fora de si, no limite do ridículo ("Sr. Pinto de Costa, deixe-me ir para Inglaterra, lá sou o filho do rei"), empolgado por uma violência verbal que parecia sem limites. É caso para dizer que Mourinho tem um mau empatar, na medida em que objectivamente o resultado tinha sido favorável para o Futebol Clube do Porto.

É claro que não sei se rasgou a camisola e desejou que Rui Jorge tivesse morrido no campo. Mas bastou o que vi: e via-se que era um homem capaz de tudo. O que permitiu a Fernando Santos, de terço no bolso, fazer o papel da caridade cristã, compreender, perdoar e mandá-lo para casa com uma penitência leve: "Só aquilo de dizer que o comportamento de Liedson era uma palhaçada, entrando no campo expressamente para tal efeito é que parecia algo condenável."

Não nego os méritos de José Mourinho como treinador, e ainda não perdi a esperança de o ver encetar uma carreira política, dessas puras e duras, que pretendem regenerar a sociedade. Mas confesso que a personagem sempre me pareceu detestável. Na lista dos meus cognomes, Mourinho tem muito a ver com uma personagem do filme "O Samurai", de Jean-Pierre Melville, que era um assassino profissional, solitário e taciturno, para quem a forma do crime se tinha transformado na única razão de ser da sua vida. José Mourinho faz parte desses seres inquietantes que poderiam assumir a máxima da Liga Hanseática: "Navegar é preciso, viver não é preciso."

Há um segundo ponto em José Mourinho que me provoca considerável repulsa: a ausência total de sentido de humor. A função do riso é profundamente humanizadora. Sempre que está ausente ficamos de pé atrás. "Desconfiai dos mestres que não riem de tudo, incluindo deles próprios", dizia Nietzsche. Colocado perante a questão de saber se rasgou ou não a camisola de Rui Jorge, José Mourinho faz a enumeração dos títulos que teve na época transacta, como se os títulos justificassem tudo.

O resultado está à vista. José Mourinho foi agora surpreendido naquelas curvas e contracurvas em que o sistema mediático é fértil. Depois da idolatria, a demolição. Aposto que, com a ajuda de Pinto da Costa, Mourinho se vai convencer de que o mundo é feito de gente corrupta e que ele veio à Terra para redimir as diversas figurações do Mal. Poderá mesmo associar-se ao juiz Rui Teixeira, que tem um perfil psicológico semelhante.

Felizmente a vida é feita de pessoas normais, que riem e choram, sabendo que são frágeis e dignas de compaixão. Mesmo que não ganhem campeonatos, também não ficam em estado de cólera vermelha (perdão, azul e branca...) com um empate. Nem pertencem à família do "taxi driver".

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2004

PARA SORRIR:

Há 3 razões lógicas para se ser Benfiquista:
- A razão natural: a mulher dá à Luz, não dá às Antas nem a Alvalade;
- A razão bíblica: há uma passagem na bíblia que diz: "dominarei os leões e os dragões e voarei para o céu sobre as asas de uma águia"
- A razão teológica: Jesus Cristo encarnou. Não azulou nem esverdeou!

Um casal recém-casado vai viver para a sua nova casa e o rapaz diz:
- Queres viver comigo, as minhas regras são estas: às Segundas à noite vou tomar café com os meus amigos; às Terças vou ao Bairro Alto; às Quartas é a noite do cinema com o pessoal; às Quintas, Sextas e Sábados à noite vou tomar um copo com os meus amigos; aos Domingos deito-me cedo porque preciso de descansar. Se queres, queres, se não queres, quisesses.
Ao que a rapariga respondeu:
- Para mim só existe uma regra. Cá em casa todas as noites há sexo. Quem está, está, quem não está, estivesse.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004

MENSAGEM DE FIM DE ANO:

"Ao chegar o fim do ano, saudemos aquele que veio ao mundo, só para nos salvar:
- o décimo-terceiro mês...
"

25 DE ABRIL 1974:

Vêm aí as comemorações do 30º aniversário desta data libertadora. Para os antigos que queiram recordar e para os mais novos que querem saber como foi, aconselho o site http://www.uc.pt/cd25a/. Centro de Documentação 25 de Abril (Universidade de Coimbra).

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muito mais...