terça-feira, 31 de agosto de 2004

PERGUNTAS PARVAS:


Fui à loja comprar veneno para ratos.
- Tem veneno para ratos?
- Sim! Vai levar?
- Não, vou trazer os ratos cá, para comerem aqui!


Fui ao banco para trocar um cheque...
O caixa perguntou:
- Vai levar em dinheiro?
Respondi...
- Não! Dê-me antes em clipes, borrachas e apara-lápis!


Estou abraçado à minha namorada e entramos num bar romântico:
O empregado perguntou:
- Mesa para dois?
- Não, mesa para quatro. Duas cadeiras são para apoiar os pés!

DICA:

Quem estiver interessado em abrir uma conta gratuita de e-mail com a capacidade de 1GB, não terá mais do que ir a um dos seguintes sites:




A Noite Que Começa no Dia
Por EDUARDO PRADO COELHO
«Público» 31 de Agosto de 2004

Já em Paris eu tinha feito uma experiência semelhante: ir ao Ikea, uma nova concepção de venda de móveis e objectos para a casa. Tinha ficado com a ideia de que o que se poupava em termos de dinheiro tinha um custo em desgaste psicológico. Obtive em Portugal a confirmação. Por um lado, é óbvio que há um certo número de coisas em que se poupa dinheiro: umas valem a pena, outras menos.
Em muitas, para além do esforço em arranjar transporte para móveis de dimensões consideráveis, somos confrontados com a terrível experiência de termos de os montar segundo esquemáticas instruções cuja leitura nos induz numa catadupa de erros. Mas há uma lógica dos erros, porque, quando compramos um móvel mais ou menos igual seis meses depois, voltamos a cometer os mesmos disparates e a começar tudo do princípio, martelinho em punho, chave de fendas e parafusos que rodopiam pelo chão. Trata-se de uma operação delicada, que exige uma paciência oriental, mas que é compensada pela alegria de vermos uma secretária tomar forma e de contemplarmos com orgulho a estante que conseguimos erguer.
É claro que a experiência de economizar em cada objecto que adquirimos tem uma contrapartida: compramos mais objectos do que aquilo que pensávamos no início. "Olha aquilo que barato!", é uma frase que se ouve repetidas vezes entre marido e mulher (habitualmente por ordem inversa). Mas a verdade é que a estratégia de "marketing" de Ikea foi desde o início extremamente bem concebida. E pôr pessoas a dormir à porta na data de inauguração foi uma ideia de génio. Estas coisas funcionam e têm um pitoresco irresistível.
Um dos elementos desta estratégia consiste em criar um espaço de desorientação assegurada. A gente procura por onde entrar e é-nos dado um papelinho que deverá ser preenchido à medida que escolhemos os objectos de formato avantajado. A isto correspondem números de corredores e filas onde esses objectos se encontram - quando se encontram. Porque a minha escolha revelou-se infrutífera, uma vez que o objecto estava esgotado (suponho, porque não havia ninguém para me esclarecer). Entretanto, a gente vai rodando, passa três vezes pelo mesmo sítio, não consegue reencontrar o sítio onde já passou e onde viu algo que lhe interessava, e deixou de saber onde se situam os pontos cardeais. Sente um cansaço progressivo, aproveita a zona dos sofás para descansar um pouco, mas aparentemente não consegue parar.
O curioso desta situação tem também a ver com a noção do tempo. No elevador, uma filha dizia para a mãe que já eram nove horas. E a mãe dizia que pensava que não passava das seis. A noção das horas vai-se desvanecendo e a noite começa no interior do dia. Todos os contactos com a vida exterior foram cortados e entrámos no longo corredor do Ikea, que pouco a pouco se tornou a casa de todas as casas.

segunda-feira, 30 de agosto de 2004



Agora percebe-se porque quer ele os submarinos... O perigo espreita!
- Se o aborto fosse legal, talvez ele não tivesse nascido... Posted by Hello

domingo, 29 de agosto de 2004


Francis Obikwelu, Sérgio Paulinho, Rui Silva e mais um punhado de atletas fizeram dos Jogos Olímpicos de Atenas a melhor representação portuguesa de sempre. De vez em quando, sabe bem termos motivos de orgulho...
CONFÚCIO
Certa vez perguntaram a Confúcio: "O que mais o surpreende na humanidade?
Ele respondeu "Os homens!:
- Perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperá-la.
- Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro...
- Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido.
"

sexta-feira, 27 de agosto de 2004

ARROGÂNCIA 

O diálogo abaixo é verídico, e foi travado em Outubro de 1995 entre um navio da Marinha Norte Americana e as autoridades costeiras do Canadá, próximo do litoral de Newfoundland. Os americanos começaram:
- Favor alterar o seu curso 15 graus para norte para evitar colisão com a nossa embarcação. Os canadianos responderam de imediato:
- Recomendo mudar o SEU curso 15 graus para sul. O americano ficou mordido:
- Aqui é o capitão de um navio da Marinha Americana. Repito, mude o SEU curso. Mas o canadiano insistiu:
- Impossível. Mude o SEU curso actual. O negócio começou a ficar feio. O capitão americano berrou ao microfone:
- ESTE É O PORTA-AVIÕES USS LINCOLN, O SEGUNDO MAIOR NAVIO DA FROTA AMERICANA NO ATLÂNTICO. ESTAMOS ACOMPANHADOS DE TRÊS DESTROYERS, TRÊS FRAGATAS E NUMEROSOS NAVIOS DE SUPORTE. EU EXIJO QUE VOCÊS MUDEM O VOSSO CURSO DE 15 GRAUS PARA NORTE, UM, CINCO, GRAUS NORTE, OU ENTÃO TOMAREMOS CONTRAMEDIDAS PARA GARANTIR A SEGURANÇA DO NAVIO. E o canadiano respondeu: 

- Aqui é um farol, câmbio!

quarta-feira, 25 de agosto de 2004

OS RISCOS DA AMIZADE…

No Ribatejo havia um agricultor que coleccionava cavalos. Um dia, um dos seus melhores e mais valiosos cavalos adoeceu. Chamado o veterinário, este diagnosticou:
- O seu cavalo está com uma virose, eventualmente contagiosa, pelo que é necessário administrar-lhe este medicamento hoje e nos próximos 2 dias. No terceiro dia voltarei e se ele não ficar curado teremos que abatê-lo. Entretanto o porco escutou esta conversa.
No dia seguinte, depois de darem o medicamento ao cavalo, que não apresentava quaisquer melhoras, o porco aproximou-se dele e disse-lhe:
- Força amigo! Levanta-te, senão serás abatido. No segundo dia, deram o mesmo medicamento e o porco, mais uma vez, chegou-se ao cavalo e disse:
- Vamos lá amigo, levanta-te senão morres! Vamos lá, eu ajudo-te a
levantar... Upa! Um, dois, três...
Como não melhorasse, no terceiro dia, o veterinário disse:
- Infelizmente vamos ter que abatê-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos. Quando foram embora, o porco aproximou-se do cavalo e incentivou-o: - Pá, é agora ou nunca, levanta-te! Coragem! Upa! Upa! Isso, devagar! Óptimo, vamos, um, dois, três, boa, é isso, agora mais depressa vá... Fantástico! Corre, corre mais! Upa Upa, Upa!!! Conseguiste! Então de repente o dono chegou, viu o cavalo a galopar no campo e gritou:
- Milagre! O cavalo melhorou! Isto merece uma festa. Vamos matar o porco!

PARA SORRIR…
Na noite de núpcias, assim que a noiva sai da banheira nuazinha, toda perfumada, depara-se com o marido a segurar uma máquina fotográfica.
- O que estás a fazer, meu querido? - Pergunta ela.
- Quero tirar umas fotos tuas!
- Para quê?
- Para que, quando estivermos bem velhinhos, eu me possa lembrar como era maravilhoso aquele corpinho quando foi meu pela primeira vez.
Ele tira algumas fotos e depois vai tomar o seu banho. Quando sai, nu em pelo, a mulher agarra na máquina fotográfica.
- O que estás a fazer, querida? - Pergunta ele.
- Quero tirar umas fotos tuas!
- Para quê?
- Para mandar ampliar!


Reparem na sombra projectada por este monte de lixo! Posted by Hello

terça-feira, 24 de agosto de 2004



Novo cinto de segurança... (altamente recomendado!) Posted by Hello
PARA SORRIR…
 
Um pacato cidadão, passeava pela rua, junto ao muro de um Hospício Psiquiátrico. Qual não foi o seu espanto quando começou a ouvir do outro lado do muro, um coro de vozes que gritava:
- Oito!!! Oito!!! Oito!!! Oito!!! Oito!!! Oito!!!... Intrigado, o sujeito, curioso com o que se passaria no interior do Dispensário, olhou em redor e como ninguém passava na rua em que estava, decidiu trepar o muro para espreitar para o Hospital. Ainda mal acabara de olhar para o interior e foi logo atingido por uma valente pedrada na testa que o atirou para o chão... Foi então que, depois de recuperar, ouviu do outro lado do muro:
- Nove!!! Nove!!! Nove!!! Nove!!!...

sábado, 21 de agosto de 2004


CONFRATERNIZAÇÃO DE ANTIGOS GINASTAS DO ATENEU: - Amigos de há 30, 40 e mesmo 50 anos. O autor deste blog é o único barbudo... Posted by Hello
AO MENOS ESTA NÃO SE PASSOU EM PORTUGAL… 

VINTE E OITO ANOS À ESPERA DE UMA LINHA TELEFÓNICA: - Em 1976, George Titianu, um cidadão romeno de Suceava, no norte do país, fez o pedido de instalação de uma linha telefónica. Recentemente recebeu a resposta da operadora Romtelecom. Numa carta que lhe é endereçada, George Titianu é informado que, 28 anos depois de fazer o pedido, «não há linhas disponíveis». Na carta acrescentavam que a empresa mantinha, contudo, o seu pedido e pediam-lhe para preencher um formulário anexo. A isto Titianu respondeu: «Sinto-me honrado que não me tenham esquecido durante estes 28 anos, mas entretanto casei, sou pai de filhos e até já consegui uma linha telefónica na minha nova casa».
Público» 2004-08-21)


A FÁBULA DO ANO

Um comandante de um navio ordenava aos seus marinheiros que remassem, remassem porque na altura havia pouco vento e logo, logo, iriam parar a um bom porto. O vento estava quase a mudar e a rota seria rápida, acrescentava ele.
Os passageiros já desesperavam, sem água e com pouca comida, mas o comandante continuava a garantir que a terra já estava perto e que lá havia grandes riquezas para todos.

Alguns pescadores a bordo, que conheciam os ventos daquela altura do ano e naquela rota, desconfiavam que o rumo não estava a ser o mais correcto, que os ventos tardariam a aparecer e soprar para terra, mas o comandante acusava-os de tentarem desestabilizar a tripulação e passageiros e de tais acusações não passarem de manobras para lhe usurparem o posto de comandante do navio. E voltava a afirmar que estava seguro do que estava a fazer e que já sentia uma pequena brisa. E não se cansava de repetir que aqueles que tentassem agitar os passageiros seriam prejudiciais a todos os embarcados e, inclusive, punham mesmo o navio em risco.
Entretanto, os marinheiros mais fiéis tiveram aumento de ração e viviam tempos muito animados.

Então, uma bela manhã passa um iate luxuoso, movido a potente motor, e alguém de lá disse que havia um lugar vago para comandante do iate. O comandante do velho navio respondeu que ia pensar em arranjar alguém competente para mandar para o iate. Foi então ao seu camarote e fez as malas sem dizer nada a ninguém. No dia seguinte, de manhã muito cedo, quando os outros ainda estavam a dormir, saltou para o bote e remou para o iate que o esperava um pouco mais avante.

Depois de estar bem seguro a bordo no iate, gritou para o seu barco e disse:
- Olhem lá, eu, para bem de todos vós, vou embarcar neste iate. O vosso novo comandante passa a ser o meu imediato. Vai ser uma honra para todos vós eu ser o novo comandante deste lindo iate. Estou muito honrado e muito feliz por me terem aceite.
Alguns marinheiros, das relações próximas do comandante, ficaram furiosos, mas outros, com os olhinhos gulosos a brilhar, começaram logo a preparar-se para tomarem e distribuírem os lugares de comando entre eles.

E lá se despediu:
- Adeusinho e boa viagem para todos. Tenham muita sorte. Vemo-nos daqui a cinco anos.
E lá foi o grande comandante...

Autor desconhecido

sexta-feira, 20 de agosto de 2004



Publicidade proibida... Posted by Hello


Cuidado com o sol !! Posted by Hello

CORRIDA DE SAPINHOS

Ia realizar-se uma corrida de sapinhos, durante a qual tinham de subir a uma grande torre.
Começou a competição. A multidão dizia:
- Não vão conseguir, não vão conseguir!
Os sapinhos iam desistindo um a um, menos um deles que continuava a subir.
E a multidão continuava a gritar:
- Vocês não vão conseguir, vocês não vão conseguir!
E os sapinhos iam desistindo, menos um, que subia tranquilo, sem esforço. No final da competição, todos os sapinhos tinham desistido, menos aquele.
Todos queriam saber o que acontecera e, quando foram perguntar ao sapinho como ele conseguira chegar até o fim, descobriram que ele era SURDO.

Moral da história: - Quando queremos fazer alguma coisa que precise de coragem, não devemos escutar as pessoas que nos desanimam.


terça-feira, 17 de agosto de 2004

AS ONDAS DO MEU MAR (quadras)

As ondas deste meu mar
Sejam calmas ou revoltas
Morrem na praia ao beijar
As pegadas das gaivotas

P’las ondas deste meu mar
Com o horizonte ao fundo
Portugal ao navegar
Deu vários mundos ao Mundo (a)
As ondas deste meu mar
Por vezes vão trazer dores
Vão e voltam sem parar
Embalando os pescadores

Porque estou farto do mundo
Meus versos vou atirar
Para um abismo bem fundo
Nas ondas deste meu mar

(a) - Menção Honrosa nos 34ºs Jogos Florais Internacionais de Nossa Senhora do Carmo – 2004 (Fuzeta)


FILOMENA – A SENHORA DAS ONDAS (conto)

A notícia correu célere por todo o bairro dos pescadores. O barco do Mestre Onofre não voltara da faina. Tinha naufragado. Segundo testemunhos de outros pescadores, tinha havido um grande temporal durante a madrugada com vagas medonhas. Alertadas as autoridades marítimas, em breve começavam as buscas, também com a ajuda dum avião da Força Aérea. Foi este mesmo avião que, após longos minutos de sobrevoo da zona, avistou o que deveriam ser os destroços. Os barcos que se dirigiram para o local confirmaram que os destroços pertenciam ao «Támar». Os coletes salva-vidas tinham-se soltado da embarcação e pairavam por perto, o que era mau sinal pois significava que não tinham sido utilizados. Das vítimas nem um sinal, mas já ninguém duvidava que tinham perecido. Todos eram casados. As famílias começaram o seu luto, esperando que a todo o momento aparecessem os corpos.
A cena repetia-se todos os Invernos. Os homens estavam conscientes que arriscavam a vida cada vez que se faziam ao mar. As mulheres sabiam que, mais tarde ou mais cedo, sentiriam a dor de perder entes muito queridos. Era uma espada de Dâmocles sobre as suas cabeças.
Passados poucos dias começaram a aparecer os corpos. Alguns deram à costa, outros apareceram a boiar. Só o do Joaquim não apareceu. Filomena – a sua mulher – desesperou e chorou tanto que as lágrimas se lhe secaram. Alguns parentes, e a vizinhança de um modo geral, providenciavam o seu sustento. A pobre passava os dias, sentada na praia, perscrutando o horizonte. Só quando a maré enchia e a água lhe chegava aos pés é que Filomena se levantava e dirigia para casa. Vivia ao ritmo das marés. Sempre vestida de negro. Agradecendo timidamente a comida que lhe davam e quase pedindo desculpa da sua triste condição. Ela não conseguia aceitar a morte do seu «Jaquim», pois a única imagem que dele guardava estava bem gravada na sua memória. E ele estava ainda vivo. Despedira-se dela com um longo beijo, um até logo, um acenar de mão ao virar da esquina.
Filomena definhava dia após dia. Da moçoila robusta de quase trinta anos pouco restava. Parecia uma velhinha, sempre triste, vestida sempre de luto e a falar sozinha (ou estaria a rezar?).

Num dia do Inverno seguinte, estava a fazer quase um ano do naufrágio, Filomena como de costume dirigiu-se para a praia. Várias pessoas a viram passar e ficaram a olhá-la até à sua figura se desvanecer no nevoeiro.
Não mais a viram. Alguém disse que ela contrariamente ao habitual não se sentara na areia. Continuara a andar, lentamente, mar dentro. Outros acrescentaram que as ondas se tinham acalmado e que ela teria continuado a andar sobre a água. Outros diziam que ela parecia deslizar sobre o mar com a leveza duma bailarina.
Nunca se soube ao certo o que aconteceu a Filomena, mas o povo acreditou que teria sido algo de invulgar.
Mais tarde encontraram em Casa de Filomena um papel amarrotado e amarelecido, com uma oração. Ninguém soube explicar como lhe teria chegado às mãos.
Rezava assim: «Odoiá, Odoiá, Iemanjá – rainha das ondas, sereia do mar. Como é belo seu canto, senhora! Abra meus caminhos no amor e cuide de mim. Que as águas sagradas do oceano lavem minha alma e meu ser. Sou suas águas, suas ondas, e a senhora cuida dos meus caminhos. Iemanjá, em seu poder eu confio. Axé! Rainha das ondas, sereia do mar. Como é lindo o canto de Iemanjá. Faz até o pescador chorar. Quem ouvir a mãe-d’água cantar vai com ela paro o fundo do mar. Iemanjá! Iemanjá é rainha das ondas, sereia do mar.».

Passaram muitos anos desde que ocorreram os factos descritos. Hoje, tenha sido tudo realidade ou seja lenda, a verdade é que os pescadores, antes de irem para a faina do mar, rezam a Filomena, lendo em surdina a oração que encontraram em sua casa e que circula agora de mão em mão. Acrescentam no fim: «Senhora das Ondas, roga por nós Pescadores, agora e na hora da nossa morte».


NB: - Menção Honrosa nos 34ºs Jogos Florais Internacionais de Nossa Senhora do Carmo – 2004 (Fuzeta)


CARINHO (quadras)
Quando a saúde faltar
Ou eu for muito velhinho
Queria para me acompanhar
Compreensão e carinho

Homem, planta, animal
Jovem, adulto, velhinho
Todos se sentirão mal
Não recebendo carinho

Quando o poeta morrer
Cala-se a voz de mansinho
E nem pareceu sofrer
Pela ausência de carinho

Acabemos com as guerras
Digamos não ao terror
E transformemos a Terra
Com carinho e muito amor

Pedra ou lava vulcânica
Um cacto ou rosmaninho
Coisa inerte ou mecânica
Tudo quer muito carinho


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O carinho é precioso,
Na vida de cada ser.
É mais que um bem valioso,
Que dá força p’ra vencer
.
Leolinda Trindade 
CARINHO (décimas)

1
Deixem nascer o menino
Cortem o umbilical
Pois isso será sinal
Para o ser pequenino
Poder traçar seu destino,
Futuro será ditoso
O bebé será formoso
Mas p’ra que possa crescer
Todos o devem saber
O carinho é precioso 
2
De todos os sentimentos
Será um dos principais,
Carinho nunca é demais
Dar em todos os momentos
Para evitar tormentos,
Todos devemos saber
E sem nunca esquecer
Que carinho é alimento
E ajuda o crescimento
Na vida de cada ser. 
3
Todo aquele que vai nascer
Tem direito à felicidade
Desde a mais tenra idade,
E p’ra na vida vencer
Tem carinho a receber,
No seu futuro amoroso
Ele será sempre bondoso,
Em todo e qualquer momento
Mostrará que o sentimento
É mais que um bem valioso.  
4
O carinho e o amor
São coisas fundamentais,
Para todos os mortais
Serão a luz e a cor
P’ra minorar qualquer dor,
Vontade de combater
Desejo de bem-fazer
De ajudar o vizinho
É o natural caminho
Que dá força para vencer. 

NB: - Menção Honrosa nos XIII Jogos Florais da ARPIE (Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de Évora)


AGUARDANDO O FIM DA CAMINHADA (mini-conto)

«Nasci algures numa casa solarenga do Norte. Tive uma infância feliz. Os meus pais, os meus avós e todos os familiares me acarinhavam. Tinha um quarto cheio de brinquedos. Nunca senti a falta de nada. Estive num bom jardim-de-infância, frequentei uma boa escola e completei o curso do Liceu. Tive boas notas e, assim, pude entrar na Universidade e seguir o curso que sempre desejei: Medicina. Quis ser médico».

Estes seriam os ingredientes para uma história inteiramente feliz. Se fosse verdade. Mas não. Comigo tudo se passou de modo diferente. Nasci e fui abandonado, tive uma infância curta e não vivi nem com os pais nem com os avós. Foram nulos os contactos com a família, visto que não a conhecia, os brinquedos contei-os pelos dedos duma só mão, senti necessidades de vária ordem, não completei nenhum curso convencional, não estive em nenhuma Faculdade.
Nunca soube quem foram os meus pais. Fui criado numa Instituição, onde recebi o carinho possível, mas diferente daquele que se recebe da família.
Aprendi um ofício, entrei no mercado do trabalho, pratiquei desporto e namorei. Casei e tive filhos.
Hoje, passadas várias décadas, sou avô de netos já adultos, depois de recriar um ambiente familiar, onde o carinho e o respeito foram a norma.

João Pedro, com olhar distante, pensa no que tem sido a sua vida.
Agora, por decisão própria, encontra-se num Lar para idosos. Enviuvara. Um acidente vascular deixara-o meio paralisado. Não quis ser um peso para os filhos, até porque eles também tinham filhos, casas pequenas e preocupações de sobra. Ajudavam-no no pagamento do lar – que era óptimo – e que, doutro modo, não estaria ao alcance da sua bolsa. Visitavam-no assiduamente. Todos, incluindo os netos. Arranjaram mesmo um horário para se revezarem, de modo a que ele se sentisse acompanhado quase diariamente. Nos dias de aniversário de cada um, vinham-no buscar.
Agora, sente-se velho e doente. Colhe, no entanto, os frutos do carinho que soube dar aos filhos e aos netos.
À sua maneira, João Pedro é um homem feliz. Aguarda tão só, com tranquilidade, o fim da caminhada, iniciada há cerca de oitenta anos.


ESTORIL, LOCAL DE EXÍLIO


Terra com clima ameno,
Areia beijada pelo mar,
Povo triste mas sereno,
Muitas vidas a recuperar
(A Terra Prometida na mente
E o Atlântico mesmo em frente).
Porto de abrigo de celebridades
Que aqui encontram a paz.
Pessoas de todas as idades
Que fogem de recordações más.
Um oásis de tranquilidade
Atrai muitos exilados
Que, ao bulício da cidade,
Preferem locais sossegados.

Entretanto, nós por cá nem todos bem.
Havia miséria e a vida era muito dura!
O Povo sonhava também…
…Mas com o fim da ditadura.
O escritor Saint-Exupéry
«Paraíso triste» nos chamou:
- Os portugueses comiam aqui
O pão que o diabo amassou.

Mudam-se os tempos, muda a realidade.
Foi dado o seu a seu dono:
- Portugal recuperou a liberdade
E um Rei recuperou o seu trono.

SÃO JOÃO (quadras) 

Com muita sardinha a assar
Vinho a escorrer do barril,
Comemos olhando o mar
Em São João do Estoril.

São João para sonhar
Cá deste lado da Serra:
De dia, banhos no mar
À noite, festas em terra

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- Lisboa, Portugal
Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muito mais...