quarta-feira, 30 de abril de 2008

EFEMÉRIDEJuhan Liiv, um dos mais famosos poetas da Estónia, nasceu em Alatskivi no dia 30 de Abril de 1864. Morreu em Kavastu-Koosa, em 1 de Dezembro de 1913.
Os pais, apesar de pobres, enviaram-no para Tartu, afim de estudar jornalismo. Problemas de saúde obrigaram-no porém a abandonar a escola e a voltar para casa. Começou então a escrever os seus primeiros poemas e a colaborar no jornal Olevik.
O sucesso em vida, no entanto, só chegou quando escreveu, em 1894, o primeiro de vários contos (“A Sombra”). Liiv tinha uma personalidade sombria e triste que se reflectia nas suas obras.
A seguir à publicação deste conto, passou a frequentar assiduamente uma clínica de psiquiatria, tenho-lhe sido diagnosticada uma paranóia. Por vezes afirmava ser filho do Czar Alexandre II. Lutou até morrer, nos momentos de lucidez, contra a doença mental que o afligia e o oprimia.
Em 1909, publicou uma recolha de 495 poemas, quase todos dominados pela melancolia, causada pela doença, pela pobreza e pela falta de amigos. Só alguns deles, muito poucos, são menos tristes e descrevem sobretudo a natureza e o amor pelo seu País.
Num dia Novembro de 1913, Liiv foi encontrado dentro dum comboio sem ter bilhete. Porque também não tinha dinheiro, foi posto borda fora numa área deserta e teve de continuar a viagem a pé para casa. Enfrentou temperaturas de tal modo baixas durante as duas semanas do trajecto que apanhou uma pneumonia que lhe foi fatal.
Desde 1965, no dia 30 de Abril de cada ano, é atribuído na Estónia o Prémio de Poesia Juhan Liiv.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Passados quarenta e quatro anos,

recordando o Festival da Eurovisão de 1964 e a vencedora Gigliola Cinquetti...

EFEMÉRIDE Alfred Joseph Hitchcock, cineasta britânico/norte-americano, considerado o mestre dos filmes policiais de suspense e um dos mais conhecidos e populares realizadores de todos os tempos, faleceu em Los Angeles no dia 29 de Abril de 1980, de insuficiência renal. Nascera em Leytonstone, nos arredores de Londres, em 13 de Agosto de 1899.
Recebeu uma rígida educação católica numa escola londrina, de que não gostava pois temia os castigos corporais, cuja estrutura era baseada nos ensinamentos dos jesuítas. Aos catorze anos perdeu o pai, deixou a escola e foi trabalhar numa fábrica, onde se tornou notado sobretudo na publicidade.
A sua carreira cinematográfica começou em 1920, com um emprego na Famous Players-Lasky onde, durante dois anos, fez os "cartões" que apareciam como diálogos nos filmes mudos. Aprendeu também a fazer guiões e montagens. Em 1922, tornou-se cenógrafo, assistente de direcção e fez o primeiro filme, chamado Number Thirteen, mas o projecto foi abandonado.
Entre 1923 e 1925, Hitchcock trabalhou em Berlim, na U.F.A.. A sua criatividade chamou a atenção dos dirigentes deste estúdio, que decidiram promovê-lo a realizador, tendo tido a sua primeira oportunidade com o filme “The Pleasure Garden”. No ano seguinte, estreou-se no suspense com o filme “O pensionista”, que foi o seu primeiro grande sucesso. A partir daí, Hitchcock apareceu em vários dos seus filmes, em momentos rápidos e geralmente no princípio, o que se tornou uma sua “imagem de marca”.
Em 1929, Hitchcock filmou “Blackmail”, o primeiro filme sonoro britânico. Em 1933, foi trabalhar na Gaumont-British Picture Corporation e o seu primeiro filme para esta companhia chamou-se “O Homem que Sabia Demais” (1934). Seguiram-se vários filmes, todos com sucesso junto do público, que chamaram a atenção de Hollywood. Mudou-se para os Estados Unidos em 1939 e tornou-se cidadão americano em 1955. O seu primeiro filme americano foi Rebecca, que ganhou o Óscar do Melhor Filme. Fez depois muitos outros filmes, diversificando por vezes os temas que passaram mesmo pela Comédia.
The Paradine Case” de 1947 foi o seu primeiro filme a cores e foi protagonizado por Gregory Peck.
Em 1954 “Disque ‘M’ Para Matar”, com Ray Milland e Grace Kelly nos papéis principais, foi o primeiro filme em que Hitchcock trabalhou com Grace Kelly e em que o realizador utilizou pela primeira vez a técnica das “3 Dimensões”. São inúmeros os seus filmes, tendo trabalhado com os maiores actores do cinema.
Vertigo” e “Psycho”, consideradas duas das suas obras-primas, foram eleitos pelo Instituto do Cinema Americano como dois dos cem melhores filmes de todos os tempos. Alfred Hitchcock recebeu o “Prémio Irving Thalberg” da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood pelo conjunto da sua obra. Em 1980 recebeu a KBE da Ordem do Império Britânico. Morreu quatro meses depois.
Apesar de nunca ter recebido nenhum Óscar como realizador, foi considerado pela “The Screen Directory”, uma das mais sérias e respeitadas publicações mundiais sobre cinema, como o maior realizador de todos os tempos.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

EFEMÉRIDEOskar Schindler, empresário alemão célebre por ter salvo 1 200 trabalhadores judeus do Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial, nasceu em Zwittau-Brinnlitz, no dia 28 de Abril de 1908. Morreu em Hildesheim, em 9 de Outubro de 1974.
Tornou-se membro do Partido Nazi em 1938. No início da Segunda Guerra Mundial, mudou-se para a Polónia a fim de se tornar empresário. Em Cracóvia, abriu uma fábrica de utensílios esmaltados, onde passou a empregar trabalhadores judeus. A origem destes trabalhadores era o Gueto de Cracóvia, local onde todos os judeus da cidade tinham sido confinados.
Em Março de 1943 o gueto foi desactivado e os moradores que não foram executados no local foram enviados para o campo de concentração de Plaszow. Os operários de Schindler trabalhavam o dia todo na fábrica e à noite voltavam para Plaszow. Quando, em 1944, os administradores de Plaszow receberam ordens de fechar o campo, devido ao avanço das tropas russas - o que significava mandar os seus habitantes para outros campos de concentração onde seriam executados - Oskar Schindler convenceu-os, através de suborno, que necessitava desses operários "especializados" e criou a famosa “Lista de Schindler”. Os judeus integrantes desta lista foram transferidos para a sua cidade natal de Zwittau-Brinnlitz, onde foram colocados numa fábrica de munições por ele adquirida, sem algum projecto de consolidação e que em breve iria falir.
No fim da guerra, 1 200 judeus entre homens, mulheres e crianças tinham sido assim salvos de morrer num campo de concentração. Schindler conseguiu ir para a Alemanha, em território controlado pelos Aliados, livrando-se de ser preso devido a eventuais depoimentos dos judeus a quem ajudara.
Ele e a esposa Emilie foram agraciados com uma pensão vitalícia do governo de Israel como agradecimento pelos seus actos humanitários. O seu nome foi inscrito, junto a uma árvore plantada por ele, na Avenida dos Justos do Museu do Holocausto em Jerusalém, ao lado do nome de outras cem personalidades não judias que ajudaram os judeus durante o Holocausto. Durante a guerra prosperou, mas acabou por gastar quase todo o seu dinheiro com a ajuda prestada aos judeus que salvou e com empreendimentos falhados após acabar a guerra. Emigrou para a Argentina, mas voltou à Alemanha em 1958. Morreu pobre, com 66 anos de idade. Foi enterrado no cemitério cristão (ele era católico) no Monte Sião em Jerusalém com honras de herói.
A sua história foi contada em livro e depois filmada por Steven Spielberg (“A Lista de Schindler”) em 1993. Este filme é considerado pelo próprio Spielberg e pela crítica como a sua obra-prima e é indicado como um dos dez melhores filmes da história de Hollywood. O filme foi feito a preto-e-branco para criar um efeito sombrio adequado à história retratada. O filme foi o vencedor do Óscar de 1994 e Steven Spielberg ganhou o Óscar de Melhor Realizador.

domingo, 27 de abril de 2008

Mr Bean e os Primeiros Socorros

Morena teimosa e burra...

EFEMÉRIDE Mstislav Leopoldovitch Rostropovich, violoncelista e maestro russo, naturalizado norte-americano, faleceu em Moscovo no dia 27 de Abril de 2007, vítima de doença oncológica. Nascera em Baku, no Azerbeijão, em 27 de Março de 1927. É considerado o maior violoncelista do século passado.
Começou a aprender a tocar piano aos quatro anos com a mãe e, aos dez, o pai iniciou-o no violoncelo. Em 1937 deu o seu primeiro concerto como solista e ganhou os 1ºs. Prémios nos Concursos Internacionais de Praga e Budapeste, em 1947, 1949 e 1950. Aos dezasseis anos, entrara no conservatório da capital, para onde a família se tinha mudado. Em 1945, recebeu o Primeiro Prémio no Concurso dos Jovens Músicos da URSS.
Em 1950, apenas com 23 anos, recebeu a mais alta distinção civil da União Soviética. Estreou várias obras para violoncelo dos principais compositores do seu tempo, como Prokofiev, Shostakovich, Khatchatourian e Bernstein. Foi professor nos Conservatórios de Leninegrado e de Moscovo.
A sua carreira internacional começou em 1964, dando um concerto na República Federal Alemã.
Em 1974, Rostropovich saiu da então URSS para o exílio, devidamente autorizado, em virtude de ter dado o seu apoio a vários dissidentes, como o escritor Soljenitsyne, laureado com o Prémio Nobel, e Andreï Sakharov. Em 1978 veria a sua cidadania Soviética revogada, devido à sua oposição ao regime. Voltou ao país, já na Era de Mikhail Gorbachov, que assinara um decreto para o reabilitar (1990).
De 1977 a 1994 dirigiu a Orquestra Sinfónica Nacional (Washington), fundando e dirigindo vários festivais de música.
Recebeu inúmeras distinções: Grande Oficial da Legião de Honra de França, Cavaleiro da Ordem do Império Britânico, membro da Academia das Artes e das Ciências dos Estados Unidos, da Academia Real da Grã-Bretanha e da Academia Real da Suécia. Foi Doutor Honoris Causa em cerca de quarenta Universidades. Em 1998 tornou-se Embaixador da Boa Vontade para a UNESCO e deu o seu apoio a vários projectos de educação e cultura.

sábado, 26 de abril de 2008

EFEMÉRIDE Augusto Roa Bastos, escritor paraguaio, morreu em Assunção no dia 26 de Abril de 2005, em consequência de uma queda no seu apartamento. Nascera em Iturbe, em 13 de Junho de 1917. Foi jornalista e escreveu poesias, contos, peças de teatro e romances.
Entre 1932 e 1935, participou na “Guerra del Chaco”, entre a Bolívia e o Paraguai, com apenas 15 anos. Devido à perseguição da ditadura, foi obrigado a exilar-se na Argentina em 1947, onde publicou o seu primeiro livro. Para sobreviver exerceu várias profissões entre elas a de carteiro. Mais tarde faria cenários para cinema, seria compositor de peças para teatro, jornalista e professor de várias universidades. Nos anos 1970, devido a nova ditadura, exilou-se em França onde ensinou, em Toulouse, literatura hispano-americana e a língua guarani.
Em 1974, publicou o seu principal livro “Yo el supremo”, uma das obras-primas da literatura hispânica.
Em 1982, numa breve visita ao seu país, perdeu a nacionalidade paraguaia, sendo-lhe concedida a cidadania espanhola no ano seguinte.
Recebeu vários prémios, como reconhecimento pela sua obra: "Concours International de Romans Losada” em 1959, o “Prémio do Memorial da América Latina” em 1988 e o “Prémio Miguel de Cervantes” em 1989. Algumas das suas obras estão traduzidas em cerca de 25 línguas.
Nunca aderiu a nenhum partido, mas tomou sempre a defesa das classes mais desfavorecidas do seu país.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

EFEMÉRIDEEmilio Salgari, escritor italiano, morreu em Turim no dia 25 de Abril de 1911. Nascera em Verona, em 21 de Agosto de 1862.
Foi autor de romances e contos de aventuras que têm despertado o interesse e o entusiasmo de sucessivas gerações de jovens. Vários foram adaptados ao cinema e à televisão.
Nos últimos quinze anos da sua vida, escreveu cerca de 200 novelas que decorrem sobretudo em regiões exóticas como a Malásia, as Antilhas e as Bermudas. Podia pensar-se que os seus livros eram o resultado de viagens que ele tivesse feito ao estrangeiro. Não foi porém o caso, pois Salgari apenas efectuou uma viagem no mar Adriático, quando frequentou um curso que lhe poderia ter dado a profissão de capitão da marinha. As suas grandes fontes de inspiração foram simplesmente os relatos de viajantes, aventureiros e exploradores da sua época.
Apesar de tudo o que escreveu, nunca atingiu um desafogo económico que lhe tivesse permitido viver sem dificuldades. Passou os últimos anos da sua vida sem recursos, acabando por se suicidar.
Um dos seus principais heróis foi Sandokan, presente em muitas das suas obras, como “Sandokan Vence o Tigre da Índia”, “Sandokan na Ilha de Bornéu”. “Sandokan Reconquista Mompacém” e “Sandokan, Soberano da Malásia”.
Utilizou ainda outros personagens, com igual êxito, em “Os Pescadores de Pérolas”, “O Corsário Negro”, “Os Últimos Corsários”, “O Capitão Tormenta”, “O Tesouro dos Incas”, “O Escravo de Madagáscar” e “A Heroína de Cuba”.
Um dos seus livros, também deveras interessante, “As Maravilhas do Ano 2000”, fez sonhar durante muitas décadas como seria o ano que marcava o fim do milénio. A maioria das previsões foi ultrapassada como por exemplo a velocidade das viagens aéreas, mas outras como a transmissão directa de notícias através da televisão revelaram-se verdadeiras. Uma curiosidade deste livro consiste no facto da narrativa terminar em Lisboa, local onde as suas personagens, vindas do passado, não conseguem aguentar o novo ritmo da vida. Lembre-se que, na época em ele escreveu este livro, a electricidade dava ainda os primeiros passos havendo, como hoje noutras novidades tecnológicas, quem alertasse para os perigos eminentes que daí poderiam advir para a saúde.

O Rei dos Patinadores

quinta-feira, 24 de abril de 2008

No “Vinte Cinco de Abril
Deu-se voz às multidões.
Houve canções, mais de mil
A cantar nos corações.

Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDEAbel Acácio de Almeida Botelho, militar, diplomata, romancista, contista, dramaturgo e poeta português, morreu em 24 de Abril de 1917 na Argentina, onde estava desde 1911 como ministro da República Portuguesa. Nascera em Tabuaço, Beira Alta, no dia 23 de Setembro de 1855. Foi por influência sua que a Argentina foi o primeiro país a reconhecer o regime republicano em Portugal. A Abel Botelho se ficou a dever também o projecto da bandeira da República Portuguesa, em que o verde representa a esperança e o vermelho o sangue derramado pelo povo em muitas lutas travadas.
Estudou no Colégio Militar entre 1867 e 1872, continuando os estudos na Escola Politécnica.
A sua carreira literária começou em 1885 com o livro de poesia “Lira Insubmissa”. Escreveu muitas peças de teatro, como: “Germano", drama em cinco actos, em verso, “Jacunda”, “Claudina”, estudo sobre uma neurótica, “Vencidos da Vida”, “Parnaso” e “Fruta do Tempo”. Os temas eram geralmente controversos, decorrentes do Naturalismo que ele professava. Colaborou em vários jornais e revistas: O Século, O Dia, A Ilustração, a Revista Literária e O Repórter, que chegou a dirigir.
Representante em Portugal do realismo extremo, conhecido por Naturalismo, escreveu O Barão de Lavos (1891) e O Livro de Alda (1898), os dois primeiros livros da série Patologia Social, com que pretendia criticar os vícios da sociedade. “O Barão de Lavos” terá sido mesmo o primeiro livro escrito sobre a homossexualidade e a pedofilia em Portugal. Outras obras romanescas do ciclo “Patologia Social” foram: Amanhã (1901), Fatal Dilema (1907) e Próspero Fortuna (1910).
No que respeita à carreira de militar, começou como simples soldado e chegou a Coronel, tendo exercido a chefia do Estado-maior da Primeira Divisão Militar de Lisboa.
Pertenceu a várias associações, tais como a Academia das Ciências, a Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses, de Lisboa e do Porto, a Associação da Imprensa e a Sociedade de Geografia de Lisboa.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

EFEMÉRIDEArtur de Sacadura Freire Cabral, oficial da Marinha Portuguesa e piloto que realizou a primeira travessia aérea do Atlântico Sul juntamente com Gago Coutinho em 1922, nasceu em Celorico da Beira no dia 23 de Maio de 1881. Desapareceu algures no mar do Norte, em 15 de Novembro de 1924, quando voava de Amesterdão para Lisboa num “Fokker 4146” que se despenhou. O corpo nunca foi encontrado.
Frequentou a Escola Naval com classificações brilhantes, sendo o primeiro do seu curso. Esteve dois anos em Moçambique e Angola, onde realizou trabalhos hidrográficos. Foi por essa altura que conheceu Gago Coutinho. Juntos, desempenharam missões geodésicas e geográficas, durante as quais Sacadura Cabral revelou as suas capacidades como geógrafo e astrónomo, além dos seus inegáveis dotes de programador e estratega.
Obteve o brevet de piloto em França na Escola Militar de Chartres, especializou-se em hidroaviões na Escola de Aviação Marítima de Saint Raphael e foi um dos instrutores iniciais da Escola Militar de Aviação. Dirigiu também os Serviços de Aeronáutica Naval e foi comandante de esquadrilha na Base Naval de Lisboa.
Quando o governo decidiu enviar uma esquadra de aviação para cooperar com o exército na região do Niassa, em Moçambique, na defesa deste território contra os ataques dos Alemães, Sacadura Cabral foi encarregue de adquirir em França o material necessário. Tornou-se, então, o responsável pela primeira unidade de aviação constituída em Portugal.
Apoiando-se na sua coragem, inteligência e poder de persuasão, celebrizou-se a nível mundial, apesar das insuficiências técnicas da época. Realizou várias travessias aéreas memoráveis. Em 1921 realizou a viagem Lisboa - Madeira, juntamente com Gago Coutinho e Ortins de Bettencourt, que serviu de ensaio para a grande aventura do ano seguinte, que o levaria até ao Rio de Janeiro. Foi Sacadura Cabral que projectou a viagem e a expôs a Gago Coutinho que se sentiu assim motivado para adaptar à navegação aérea o clássico sextante da navegação marítima.
A travessia iniciou-se em 30 de Março de 1922 com o hidroavião “Lusitânia”. Primeira escala nas Canárias, a que se seguiram São Vicente em Cabo Verde e os arquipélagos de São Pedro e São João. Aqui, já em território brasileiro, ao amarar, viram uma onda arrancar um dos flutuadores, o que provocou o afundamento do aparelho. O governo português enviou então um novo hidroavião, o “Fairey 16”, cujo motor se avariou no percurso até à ilha de Fernando Noronha. Três dias depois, partiram para a etapa final. Em 17 de Junho, chegaram por fim à baía de Guanabara, terminando a aventura no Rio de Janeiro. Apesar de todos os percalços, esta viagem constituiu um marco importante na aviação mundial e confirmou a eficácia do sextante aperfeiçoado por Gago Coutinho, que permitia a navegação astronómica com uma precisão nunca antes conseguida.
Nunca fui senão uma coisa: português - e é isto que quero continuar a ser e serei. O meu maior desejo é que me deixem voltar à obscuridade de onde saí e que, tranquilamente, me seja permitido continuar a exercer a profissão a que me dediquei” - declarou Sacadura Cabral ao regressar do Brasil.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Novo modo de martelar pregos. Tente imitar!!

EFEMÉRIDEAnne-Louise Germaine Necker, baronesa de Staël-Holstein, conhecida como Madame de Staël, romancista e ensaísta suíça, nasceu em Paris no dia 22 de Abril de 1766, tendo falecido em 14 de Julho de 1817.
Foi famosa a sua tertúlia literária, que reunia alguns dos grandes nomes da vida cultural e política parisiense, nas vésperas da revolução francesa.
A sua reputação literária afirmou-se sobretudo com três ensaios: “Cartas sobre as obras e o carácter de Jean-Jacques Rousseau” (1788), “Influência das paixões sobre a felicidade dos indivíduos e das nações” (1796) e “A Literatura considerada nas suas relações com as instituições sociais” (1800).
Expulsa por Napoleão Bonaparte, que a considerava uma temível intriguista, instalou-se no castelo familiar de Coppet, aproveitou para viajar e escreveu três livros entre 1802 e 1813.
Regressada a Paris, publicou “Reflexões sobre o Processo da Rainha”, em que tomou a defesa de Maria Antonieta e expressou as suas ideias sobre as misérias da condição feminina. Começaria então o seu verdadeiro exílio, vendo-se obrigada a partir. Tencionava fixar-se em Inglaterra, mas passou primeiro pela Rússia, ficando em São Petersburgo onde foi acolhida pelo poeta Pushkin. Foi depois para Estocolmo, onde se tornou a inspiradora de uma aliança anti Napoleão, adquirindo assim uma estatura política. Chegou finalmente a Inglaterra, onde foi encontrar o futuro rei Luís XVIII, em quem ela via um soberano capaz de realizar a monarquia constitucional.
De volta a França, Madame de Staël recebeu reis, ministros e generais. A Europa tinha conhecido até então poucas rainhas mas muitas cortesãs, que tinham por vezes mais poder que os próprios reis. Ela, porém, já tinha pouco tempo para viver. Morreu tempos depois, após uma paralisia a ter prostrado durante um baile.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

EFEMÉRIDE Nina Simone, de seu verdadeiro nome Eunice Kathleen Waymon, grande pianista, cantora e compositora americana, morreu em Carry-le-Rouet, em França, no dia 21 de Abril de 2003. Nascera em Tryon, Carolina do Norte, em 21 de Fevereiro de 1933. Aos dez anos deu o primeiro concerto público na Biblioteca da sua terra natal. O nome artístico foi adoptado aos 20 anos, para poder cantar Blues em cabarés de Nova Iorque, Filadélfia e Atlantic City, às escondidas dos pais.
Nina Simone também se destacou e foi perseguida por ser negra e por combater publicamente o racismo. O seu envolvimento era tal, que cantou no funeral de Martin Luther King. Foi casada com um polícia, igualmente seu empresário, que lhe batia.
Abarcou vários estilos, desde o Gospel, passando pelo Soul, Blues, Folk e Jazz. Foi uma das primeiras artistas negras a entrar na prestigiada “Juilliard School of Music” de Nova Iorque. A sua canção “Mississippi Goddamn” tornou-se um hino dos activistas negros. O seu primeiro disco, com catorze faixas, foi gravado num único dia e constituiu um grande sucesso.
Em 1978 foi presa (mas rapidamente libertada) por recusar pagar os seus impostos, como protesto pela intervenção americana no Vietname.
Em 1987 a sua canção “My Baby Just Cares For Me » foi utilizada como publicidade do célebre perfume Chanel nº 5. Foi viver para França a partir de 1993. O seu último show ocorreu em 1997 no Metropolitan de Nova Iorque.

domingo, 20 de abril de 2008

EFEMÉRIDE Abraham "Bram" Stoker, escritor irlandês, morreu em Londres, no dia 20 de Abril de 1912. Nascera em Clontarf, nos arredores de Dublin, em 8 de Novembro de 1847. Ficou a ser conhecido em todo mundo por ter escrito “Drácula”, considerada a principal obra sobre o mito literário do homem-vampiro.
Teve várias doenças durante a infância até aos oito anos e, quando estava acamado, a mãe contava-lhe muitas histórias, sobretudo lendas sobrenaturais irlandesas, o que marcou a sua vida e a sua obra.
Aos 16 anos ingressou no Trinity College de Dublin e nesse mesmo ano escreveu o seu primeiro ensaio. Em 1866, foi contratado para trabalhar no castelo de Dublin. Licenciou-se em matemática, com louvor, em 1870 e, cinco anos depois, obteve um mestrado. Foi crítico de teatro, a título gracioso, no jornal Dublin Eventing Mail, o que lhe facilitou a convivência nos meios culturais londrinos. Em 1875 publicou o primeiro livro “The Chain”.
Conheceu entretanto o influente actor Henry Irving, de quem se tornou amigo e que o convidou para administrar o Royal Lyceum Theatre de Londres.
Após escrever vários romances, publicou em 1897 “Drácula”, livro que levou dez anos a escrever. Stoker era uma perfeccionista e esta sua obra tão depressa parece um romance, como um estudo etnológico, histórico, geográfico ou folclórico.
Em 1905 morreu o seu amigo Irving e Stoker sofreu um derrame cerebral. Continuou porém a escrever e, em 1911, publicou o seu último livro “O Monstro Branco”.
Dez anos após a sua morte estreou-se o filme ”Nosferatu”, primeira adaptação cinematográfica do romance “Drácula”.

sábado, 19 de abril de 2008

Responsabilidades...

EFEMÉRIDEJosé Joaquim de Campos Leão, conhecido como Qorpo Santo, escritor brasileiro, nasceu na vila de Triunfo, Rio Grande do Sul, em 19 de Abril 1829. Morreu em Porto Alegre, no dia 1 de Maio de 1883, vítima de tuberculose.
Mudou-se para Porto Alegre com onze anos, já órfão de pai, para continuar os estudos. Anos mais tarde, concorreu ao Magistério Público, que passou a exercer em 1851.
Em 1857, foi para Alegrete, fundando um colégio, adquirindo respeitabilidade como figura pública, escrevendo para jornais e ocupando mesmo alguns cargos políticos.
Em 1861, de regresso a Porto Alegre, enveredou pela carreira de professor e começou a escrever “Ensiqlopédia ou seis mezes de huma enfermidade”. Manifestaram-se, nesta época, os primeiros sinais de transtornos psíquicos. Foi afastado do ensino e interditado judicialmente a pedido da própria família. Qorpo Santo não aceitou este enquadramento psiquiátrico e recorreu a especialistas do Rio de Janeiro, que não confirmaram o diagnóstico anterior. O estigma, no entanto, estava lançado e ele passou a sentir-se cada vez mais isolado. Escrevia febrilmente, sem quase parar, e constituiu uma tipografia própria para publicar os seus livros.
A obra de Qorpo Santo só foi redescoberta em 1960. Alguns críticos consideraram-no então como um percursor das modernas tendências teatrais. Outros consideraram-no como autor surrealista. Outros ainda limitaram-se a considerá-lo como um louco.
A sua ortografia escandalizava os leitores, que ficavam sempre na dúvida se ele escrevia tantos erros propositadamente, por desconhecimento, por provocação ou simplesmente por loucura.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

EFEMÉRIDEAlbert Einstein, físico alemão, depois apátrida, suíço e finalmente suíço-americano, faleceu em Princeton, no dia 18 de Abril de 1955, vítima da ruptura de um aneurisma. Nascera em Ulm, em 14 de Março de 1879. Ganhou o Prémio Nobel da Física em 1921, como consagração da sua correcta explicação do efeito fotoeléctrico. O seu trabalho teórico possibilitou o desenvolvimento da energia atómica, embora ele não o tivesse previsto à partida. Em virtude da formulação da teoria da relatividade, Einstein tornou-se famoso em todo o mundo. A sua popularidade excedeu quaisquer expectativas: "Einstein" tornou-se quase um sinónimo de génio, sendo eleito pela revista Time como a "Personalidade do Século".
Aos quinze anos, juntou-se à família que se tinha mudado para Itália com a finalidade de abrir um negócio no sector eléctrico. Já neste período, escreveu o seu primeiro trabalho científico “A Investigação do Estado do Éter em Campos Magnéticos”.
Em 1895 decidiu entrar na universidade, antes mesmo de terminar o ensino secundário, fazendo exames de admissão na Universidade Federal Suíça em Zurique, mas reprovou na parte de Humanidades. Foi então para a cidade de Aarau, no cantão suíço de Argóvia, para terminar o curso secundário, o que aconteceu no ano seguinte.
Em 1896, com dezassete anos, renunciou à cidadania alemã com o intuito de evitar o serviço militar e pediu a naturalização Suiça. Não deixaria mais de ser cidadão suíço, mesmo depois de receber a naturalização americana.
Cursou o ensino superior na Suíça, onde mais tarde foi docente, continuando a publicar artigos científicos em revistas da especialidade. Obteve o doutoramento em 1905, ano em que escreveu quatro dos mais importantes artigos científicos da física do século XX. Por esta razão se diz que 1905 foi o "Annus Mirabilis" (Ano Miraculoso) de Einstein. Num dos trabalhos deduziu a famosa relação entre a massa e a energia: E = mc2. Esta equação esteve na base de construção das bombas nucleares.
Em 1914, pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, Einstein instalou-se em Berlim onde foi nomeado director do Instituto Kaiser Wilhelm de Física e professor da Universidade de Berlim.
Em Novembro de 1915, Einstein apresentou perante a Academia Prussiana das Ciências uma série de conferências onde explicou a sua teoria da relatividade geral.
O seu pacifismo e a sua origem judaica tornaram-no impopular entre os nacionalistas alemães. Depois de se ter tornado mundialmente famoso, o ódio para com ele tornou-se ainda mais forte.
Em 1921, Einstein acompanhou uma delegação Sionista à Palestina, onde foi proposto um Estado baseado no modelo suíço, onde muçulmanos e judeus pudessem viver em paz. Participou também numa campanha de angariação de fundos para a Universidade Hebraica de Jerusalém que, segundo ele, deveria possibilitar estudos aos judeus de todo o mundo sem serem vítimas de discriminação.
Em 1933, Hitler chegou ao poder na Alemanha. Einstein, como judeu, encontrava-se em perigo. Foi avisado por amigos de que havia planos para o seu assassinato e foi aconselhado a fugir. Einstein renunciou mais uma vez à cidadania alemã. Em Outubro de 1933, partiu do porto de Southampton num navio que o levaria para os Estados Unidos da América, nunca mais tendo voltado a viver na Europa.
Em 1941 foi iniciado nos Estados Unidos o Projecto Manhattan, o desenvolvimento de uma bomba atómica. Albert Einstein escrevera uma carta ao Presidente Roosevelt, dizendo ser necessária e urgente a organização de experiências de grande envergadura para o seu estudo e realização. Conhecia o risco para o mundo desta descoberta, mas sabia igualmente que os sábios alemães se encarniçavam sobre o mesmo problema e tinham todas as possibilidades de o resolver. «Assumira as suas responsabilidades», apesar de ser profundamente pacifista. Mais tarde mostrar-se-ia arrependido de ter escrito aquela carta. Em 1945, reformou-se da carreira universitária.
Em 1952, Ben-Gurion, primeiro-ministro de Israel, convidou Albert Einstein para presidente do Estado de Israel. Einstein agradeceu mas recusou, alegando que não estava à altura do cargo.
Uma semana antes de sua morte escreveu a sua última carta, endereçada ao filósofo Bertrand Russell, concordando em que o seu nome figurasse numa petição exortando todas as nações do Mundo a abandonar as armas nucleares.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

EFEMÉRIDEKaren Christentze Dinesen, baronesa von Blixen-Finecke, conhecida literariamente por Karen Blixen e também pelos pseudónimos “Isak Dinesen” e “Pierre Andrézel”, escritora dinamarquesa, nasceu em Rungstedlund, no dia 17 de Abril de 1885. Faleceu na mesma localidade, em 7 de Setembro de 1962.
O pai, que era militar, suicidou-se quando ela tinha apenas dois anos, provavelmente atormentado pelo facto de sofrer de sífilis, doença quase tão grave e estigmatizante naquela época como hoje é a Sida. A mãe ficou só e com cinco filhos para criar. Pôde mantê-los graças a ajudas familiares, proporcionando-lhes mesmo estudos em boas escolas na Suiça.
Karen começou a escrever pequenas histórias aos 22 anos. Em 1914, casou-se com um primo e foram viver no Quénia, onde geriram uma plantação de café perto de Nairobi. O marido passava longos períodos afastado de casa, em safaris e campanhas militares. Entre 1915 e 1916, Karen contraiu também sífilis, provavelmente do marido, embora alguns dissessem que ela poderia ter herdado a doença de seu pai. Divorciou-se anos mais tarde e, após outro casamento, enviuvou e voltou à Dinamarca. Era mantida em vida graças a tratamentos com metais pesados (mercúrio).
Ainda em África, escrevera o seu primeiro livro “A vingança da verdade”, publicado em 1926. Após o regresso à Dinamarca, publicou “Sete contos góticos” em 1934 sob o pseudónimo de Isak Dinesen. O terceiro livro e o mais conhecido mundialmente foi “A fazenda africana”, publicado em 1937 e baseado na sua vivência em África. O sucesso alcançado notabilizou-a como escritora, tendo sido premiada com o “Prémio Tagea Brandt Rejselegat” em 1939. Em 1985, por ocasião do centenário do seu nascimento, este último livro foi adaptado ao cinema, com o título de “África Minha”, obtendo enorme êxito em todo o mundo.
Durante a 2ª Guerra Mundial, Karen escreveu “Contos de Inverno”, publicado em 1942, e o romance “As vingadoras angélicas”, sob o pseudónimo de Pierre Andrézel (1944).
A partir de 1950, a sua saúde deteriorou-se e, em 1955, foi-lhe retirado um terço do estômago devido a uma úlcera. Impossibilitada de se alimentar normalmente, morreu aos 77 anos de idade, de má nutrição e pesando apenas 35 quilos.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Campanha "Use Cinto de Segurança" no Chile

NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

 Sou a favor do novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa, porque:
- Ele se limita a unificar a grafia de várias palavras, com cedências das partes envolvidas;

- Respeita e mantém os vocábulos próprios do Português utilizado em cada país de língua portuguesa. E como são ricos os Brasileiros, com muito mais neologismos e o aportuguesamento de palavras estrangeiras…

- Obviamente, mantém-se o direito à oralidade diferente em cada um dos países de língua portuguesa. Pois se essa diferença existe mesmo no interior de cada um deles.

- Finalmente, ele levará por certo a um dicionário único da língua portuguesa, o que obstará a que duas escritoras portuguesas digam na televisão, como fizeram há dias, que utilizam dicionários diferentes: Maria Alzira Seixas tem na mesa de trabalho um dicionário “Brasileiro” e Lídia Jorge tem na mesinha de cabeceira um “Português”.

Levou-se anos sem nada fazer. Agora, passadas cerca de duas décadas, aparecem os iluminados «que não estão de acordo, que sugerem a não ratificação, que querem a formação de comissões para estudar aprofundadamente o assunto, etc. etc.». Isto é mesmo um hábito português!


Gabriel de Sousa
EFEMÉRIDEYasunari Kawabata, primeiro escritor japonês a ser laureado com o Prémio Nobel da Literatura (1968), morreu em Zuschi, no dia 16 de Abril de 1972. Nascera em Osaka, Honshu, em 14 de Junho de 1899.
Quando criança mostrara interesse em ser pintor, mas cedo optou pela literatura, após publicar nalguns jornais e revistas vários contos, quando frequentava o liceu.
Kawabata teve uma infância trágica: órfão aos três anos, perdeu a avó com sete, a irmã com nove e o avô com catorze.
Depois do Liceu, estudou Literatura na Universidade Imperial de Tóquio e fundou, juntamente com um amigo, o jornal de letras “Bungei Jidai”. Aliás, pela vida fora, foi criando várias outras revistas, só ou em parceria. Começou a ganhar notoriedade após a licenciatura, sendo reconhecido no mundo das letras, em 1926, com “A Dançarina de Izu” - uma história que gira à volta do erotismo no amor juvenil.
O seu primeiro romance “Terra de Neve” foi publicado em 1935 e colocou-o desde logo entre os escritores japoneses mais importantes e promissores, sendo hoje considerado uma das suas obras-primas. Continuou a escrever depois da 2ª Guerra Mundial, publicando então o seu melhor romance, segundo opinião dele próprio(“Meijin” em 1951). Muitos dos seus livros são inspirados por factos reais, às vezes autobiográficos.
Foi presidente do Pen Club japonês durante muitos anos. No discurso de aceitação do Prémio Nobel, condenou a prática do suicídio, vindo a praticá-lo quatro anos mais tarde. Visitou a Europa pela primeira vez em 1957 em representação do Pen Clube, o que lhe permitiu encontrar vários escritores ocidentais.
Ao longo da vida, recebeu inúmeros prémios e consagrações no Japão e no estrangeiro e um dos seus livros foi considerado o melhor livro do ano (“Nuvem de pássaros brancos”). Foi nomeado para à Academia das Artes, tendo publicado também várias obras sob a forma de folhetins.
Na década de 60, foi hospitalizado em virtude de uma over-dose dos soníferos que tomava regularmente, ficando em coma durante dez dias. Logo que se restabeleceu, abraçou diversas causas pela paz no Mundo e em 1965, por cansaço, pediu a demissão de presidente do Pen Clube.
Em 1965 publicou o seu último livro “Tristeza e Beleza” e, no ano seguinte, foi hospitalizado em virtude de uma grave crise hepática. Em 1969 foi nomeado Doutor Honoris Causa pela Universidade do Hawaii e Membro de Honra da Academia das Artes e das Letras do Estados Unidos.
Aos 72 anos, utilizando gás, pós fim à vida, discretamente, na solidão de um pequeno apartamento à beira-mar, que lhe servia de escritório secundário. Não deixou nem explicações nem testamento. O seu túmulo encontra-se no cemitério de Kamakura.
Nos anos 1980/1984 foi publicada no Japão a sua obra integral em 37 volumes.

Um azar nunca vem só...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Quando o Chefe telefona à 6ª Feira dizendo que está doente...

EFEMÉRIDEJean Genet, romancista, poeta e dramaturgo francês, morreu em Paris, no dia 15 de Abril de 1986. Nascera, também em Paris, em 19 de Dezembro de 1910. Filho de pai desconhecido e abandonado pela mãe após o nascimento, foi enviado para uma família de adopção em Morvan, na Borgonha, pois era comum naquela época colocar em regiões rurais as crianças abandonadas na capital. Esta família proporcionou-lhe uma ama, a educação primária e um ambiente agradável.
Jean foi aparentemente feliz, bom aluno e fez parte de um coro, mas era reservado e taciturno. Obteve as melhores notas da sua comuna no final da instrução primária. Datam desta época os primeiros sinais da sua inclinação sexual.
Cometeu o primeiro roubo aos dez anos e abandonou a família adoptiva aos treze. Seguiu uma formação de tipógrafo mas fugiu de novo. Passou parte da juventude em reformatórios e prisões, onde afirmou a sua homossexualidade.
Reencontrou a liberdade aos dezoito anos e alistou-se na Legião Estrangeira. Assim tomou contacto com a África do Norte e com o Próximo Oriente, regiões que o marcaram. Regressado a Paris, viveu de pequenos expedientes e voltou a ser preso. Na prisão, escreveu os primeiros poemas e esboçou os primeiros romances. Perfeccionista e insatisfeito, tinha dificuldade em acabar qualquer trabalho literário, fazendo emendas sucessivas e quase infinitas.
Os seus primeiros livros foram censurados sob a acusação de pornografia. Enquanto ia escrevendo a sua obra, levava uma vida marcada por escândalos, roubos e rixas. Dois dos seus primeiros trabalhos, “Nossa Senhora das Flores” e “O Milagre da Rosa”, chamaram a atenção de Jean Cocteau, mas acabaria por ficar famoso através da influência de Jean-Paul Sartre. Foi amigo de importantes personalidades culturais e políticas, como Jacques Derrida, Michel Foucault, Alberto Moravia, Igor Stravinski, Pierre Boulez, Simone de Beauvoir, Alberto Giacometti, Henri Matisse, Georges Pompidou e François Mitterrand.
Depois do suicídio de um de seus amantes e do amigo e tradutor Bernard Frechtman, ele próprio tentou matar-se. Atravessou a década de "60" vivendo do sucesso dos seus livros. A partir dos anos 70 e até à sua morte, engajou-se na defesa de trabalhadores imigrantes em França, assumindo a causa dos palestinos e envolvendo-se com líderes de movimentos norte-americanos, como os Panteras Negras e os Beatnicks. Foi o primeiro ocidental a penetrar em Chatila, depois dos massacres perpetrados pelas milícias cristãs, aliadas do exército israelita. A este propósito escreveu o seu livro político mais importante “Quatro horas em Chatila”. Publicou também “Diário de um Ladrão”, autobiografia, onde conta as suas aventuras e desventuras pela Europa e as suas paixões e sentimentos.
Genet habitou quase sempre em quartos de hotéis, a maioria das vezes perto de gares, viajando sempre com uma pequena mala cheia de cartas de amigos e de manuscritos. Os seus combates políticos ocuparam-no até ao fim da vida, tomando sistematicamente o partido dos oprimidos, dos fracos e dos pobres.
Numa noite de Abril de 1986, já com uma doença oncológica na garganta, caiu num quarto de hotel parisiense e morreu. Foi enterrado, a seu pedido, num pequeno cemitério espanhol em Marrocos.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

As aparências iludem...

PIADA (MAS SEM GENERALIZAR…)
 
Millôr Fernandes, desenhista, humorista, dramaturgo, escritor e tradutor brasileiro, lançou um desafio através da pergunta:
- Qual a diferença entre Político e Ladrão?Chamou-lhe a atenção a resposta de um leitor:
«Caro Millôr, após longa pesquisa cheguei a esta conclusão: a diferença entre o ladrão e o político é que um eu escolho, o outro é que me escolhe. Estou certo?». Fábio Viltrakis, Santos-SP.
Eis a réplica do Millôr:
«Puxa, Viltrakis, você é um génio… Foi o único que conseguiu achar uma diferença! Parabéns».
EFEMÉRIDEAlexandre Jardin, escritor e cineasta francês, nasceu em Neuilly-sur-Seine, no dia 14 Abril 1965.
Escreveu aos vinte anos o seu primeiro livro, “Bille en tête”, que obteve o “Prémio Primeiro Romance” em 1986.
Licenciou-se em Ciências Políticas, mas tem consagrado toda a sua vida à Literatura e ao Cinema. Realizou vários filmes, um deles sendo a adaptação cinematográfica do seu primeiro livro, e foi cronista no jornal “Figaro”.
Em 1988, recebeu o prestigioso Prémio Fémina com o livro “A Zebra”, obra que foi adaptada ao cinema quatro anos mais tarde. Em 1992 publicou “O Pequeno Selvagem”, livro traduzido em português, cuja leitura se recomenda.
Foi igualmente crítico literário num canal de televisão. Em 1999 esteve na origem da criação da “Associação Ler e Fazer Ler”. Em 2002 criou a “Associação Mil Palavras” em que voluntários reformados tentam criar hábitos de leitura nas prisões.
Em 2004 escreveu uma série de livros destinados a adolescentes: “Les Coloriés”. O seu último livro foi “Cada Mulher é um Romance”, publicado em 1 de Abril de 2008. Publica ao ritmo aproximado de um livro cada dois anos. Quando não está a escrever nenhum romance, desempenha as funções de jornalista.

domingo, 13 de abril de 2008

Querem, podem e mandam... mas...

EFEMÉRIDEJerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido Comunista Português desde Novembro 2004, nasceu em Pirescouxe, Santa Iria de Azóia, no dia 13 de Abril de 1947.
Oriundo de uma família humilde, teve a vida normal de uma família operária com dificuldades económicas, em que as crianças «não tinham sequer tempo para serem meninos». Jerónimo foi trabalhar para uma fábrica aos catorze anos.
Logo que se tornou operário metalúrgico (afinador de máquinas), empregou-se na “MEC”, estudando à noite até completar o 4º ano do Curso Industrial.
Iniciou a sua actividade antifascista como dirigente da Sociedade 1º de Agosto Santairiense, centrando a sua actividade em eventos culturais e no teatro (anos 1960).
Entre 1969 e 1971 cumpriu o serviço militar no Regimento de Lanceiros 2 e na Guiné. Em 1973 fez parte da lista vencedora das eleições no Sindicato dos Metalúrgicos de Lisboa.
Aderiu ao PCP em Abril de 1974, a seguir à Revolução dos Cravos, passando a fazer parte do seu Comité Central a partir de 1979 e da Comissão Política em 1992.
Foi eleito várias vezes deputado ao Parlamento, de 1975 a 1993, e de novo a partir de 2002. Durante alguns anos, continuou a trabalhar na MEC a meio-tempo, rumando a Lisboa depois do almoço para as sessões do Parlamento. Um funcionário do “Palácio de São Bento” cumprimentou-o uma vez por «Senhor Doutor» ao que ele respondeu que não era doutor. Logo o dito funcionário emendou: «Desculpe Senhor Engenheiro». Hábitos de tempos antigos onde só “engenheiros e doutores” podiam chegar a deputados…
Foi candidato à Presidência da República em 1996, tendo desistido a favor do candidato socialista, Jorge Sampaio, que venceria as eleições contra o candidato mais à direita.

sábado, 12 de abril de 2008

EFEMÉRIDE Lucius Annaeus Séneca, filósofo, dramaturgo e homem de Estado romano, morreu em Roma, no dia 12 de Abril de 65 d.C.. Nascera em Córdova (hoje em Espanha), em data imprecisa, entre o ano 4 a.C. e 1 d.C..
A sua obra literária e filosófica é considerada como modelo dos Pensadores Estóicos, durante o Renascimento, tendo inspirado o desenvolvimento da Tragédia na Europa.
Tinha como origem uma família ilustre, em que o pai era um eloquente orador e homem muito rico. Ainda criança, Séneca foi enviado para Roma afim de estudar Oratória e Filosofia. Tendo adoecido em virtude do rigor dos estudos, passou uns tempos no Egipto e só voltou a Roma por volta do ano 31. Iniciou então uma carreira de orador e advogado, chegando a ser Senador.
Em 41, envolveu-se numa ligação amorosa com uma sobrinha do imperador Cláudio, que o levou a ser desterrado na Córsega (hoje em França). No exílio, Séneca dedicou-se aos estudos e escreveu vários dos seus principais tratados filosóficos.
Por influência de Agripina, voltou a Roma em 49 para ser o preceptor do seu filho, o jovem Nero, que o elevou a Pretor em 50.
Assim que Cláudio morreu, em 54, o escritor vingou-se dele com um escrito que foi considerado uma obra-prima das sátiras romanas (“Transformação em abóbora do divino Cláudio”).
Quando Nero se tornou imperador, Séneca foi o seu principal conselheiro, sobretudo nos primeiros cinco anos, e tentou orientá-lo para uma política justa e humanitária. Muitos dos discursos de Nero eram mesmo escritos por Séneca. Durante algum tempo, exerceu influência benéfica sobre o jovem, mas aos poucos foi forçado a adoptar atitudes de complacência.
Em 58, foi difamado por P. Suillius que lhe criticava a sua imensa fortuna (300 milhões de sestércios), mas o facto não teve consequências.
Retirou-se da vida pública em 64, tendo escrito ainda alguns textos importantes. No ano 65, foi acusado de ter participado numa conspiração para assassinar Nero. Sem julgamento, foi obrigado a cometer o suicídio, cortando os pulsos na presença dos amigos, com a mesma serenidade que defendia nas suas obras filosóficas. O corpo foi cremado sem quaisquer cerimónias fúnebres, segundo os desejos expressos quando ainda era rico e poderoso.
Apesar de ter sido contemporâneo de Cristo, Séneca não fez qualquer relato significativo dos fenómenos milagrosos que anunciavam o despoletar de uma poderosa nova religião.
Séneca via no cumprimento do dever um serviço à humanidade. Procurava aplicar a sua filosofia à prática. Deste modo, apesar de ser rico, vivia modestamente. Bebia apenas água, comia pouco e dormia sobre um colchão duro. Séneca, que não via nenhuma contradição entre a sua filosofia estóica e a sua riqueza material, dizia que «um sábio não estava obrigado à pobreza, desde que o seu dinheiro tivesse sido ganho de forma honesta. No entanto, deveria ser capaz de abdicar dele.».

sexta-feira, 11 de abril de 2008

EFEMÉRIDEJoseph Carey Merrick, conhecido como "O Homem Elefante", morreu em Londres, no dia 11 de Abril de 1890. Nascera em Leicester, na Inglaterra, em 5 de Agosto de 1862. Tornou-se tristemente famoso em virtude das terríveis deformações do corpo, que lhe começaram a aparecer aos vinte e um meses de idade, quando uma excrescência lhe deformou a boca. Aos cinco anos, no seguimento de uma queda, passou igualmente a coxear.
A mãe morreu quando ele tinha onze anos. O pai voltou a casar-se, mas a madrasta não queria aquela criança monstruosa. Aos doze anos, acabada a escolaridade e por pressão dela, viu-se obrigado a procurar trabalho. Empregou-se numa fábrica de charutos, mas o aumento das deformações obrigaram-no a deixar o emprego. Para ganhar a vida, andou a vender coisas de porta em porta. Em breve teve de parar igualmente com esta actividade e o pai expulsou-o de casa. Refugiou-se uns tempos em casa de um tio, acabando por entrar em 1879 num hospício para pobres. Em 1882, os médicos conseguiram retirar-lhe parte da saliência que lhe deformava o lábio superior e que tinha a aparência de uma tromba.
Não se sabe exactamente do que ele sofria, mas julga-se que seria uma variação do Síndrome de Proteus, o caso mais grave conhecido até ao momento.
Em 1884, deixou o hospício e propôs a um empresário a sua apresentação como “fenómeno” num Teatro de Variedades. A proposta foi aceite e foram organizadas várias exibições. Este género de espectáculo era particularmente frequentado por estudantes de medicina e um deles assinalou a sua existência ao cirurgião Frederic Treves. Este pediu a cedência de Merrick para uma observação mais detalhada e depois apresentou-o à comunidade científica, como um caso de deformação congénita.
As exibições foram entretanto proibidas na Grã-Bretanha por serem consideradas imorais. Continuou então a exibir-se noutros países, especialmente na Bélgica, acabando por ver todo o seu dinheiro roubado por um empresário. Voltou a Inglaterra e, em Liverpool, reencontrou o doutor Treves que o tomou a cargo. Viveu o fim da sua vida, sem lhe faltar nada, como residente permanente num hospital de Londres.
Joseph Merrick morreu aos 28 anos, sufocado durante o sono pelo peso da sua própria cabeça.
Sobre a sua vida, foi feita uma peça de teatro, representada em vários países e transformada depois em série de televisão, e igualmente um filme. Em 1998, um compositor e chefe de orquestra francês escreveu também a ópera “Joseph Merrick, o Homem Elefante”.
Segundo uma história que ele próprio contava, durante uma parada nas ruas de Leicester, sua mãe, então grávida, escorregou e quase foi pisada por um elefante que fazia parte do cortejo. Joseph atribuía a este incidente a causa das suas malformações...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

EFEMÉRIDEEmiliano Zapata, um dos principais líderes da Revolução Mexicana de 1910 contra Porfirio Díaz e da guerra civil que se seguiu à queda e exílio deste ditador, morreu no dia 10 de Abril de 1919. Nascera em San Miguel Anenecuilco, no México, em 8 de Agosto de 1879. É considerado um dos heróis nacionais mexicanos.
Porfirio Díaz manteve-se no poder desde 1876, dando a amigos e associados os cargos mais importantes do país, de tal modo que todas as terras se concentravam na posse de poucas famílias. A família de Zapata, apesar de não ser rica, mantinha-se independente, nunca tendo sido realmente ameaçada pela pobreza. O próprio Emiliano tinha reputação de andar sempre muito bem vestido e de não faltar a nenhuma tourada nem rodeio. Havia porém uma simpatia e admiração recíproca entre ele e os habitantes da sua terra natal. Apesar de não ser indígena puro, pois tinha antepassados espanhóis e, por isso, era considerado mestiço, cedo se envolveu em lutas a favor dos indígenas. Durante muitos anos manteve-se firme na defesa dos direitos deles, ajudando-os na recuperação de antigos títulos de propriedade e fazendo pressões sobre o governo local. Desanimado porém com a falta de acções do governo e com os privilégios dados aos fazendeiros ricos, Zapata começou a fazer uso da força armada.
Em 1910, importantes agitações sociais levaram à formação de grupos guerrilheiros. Zapata assumiria um papel importante, tornando-se general de um exército formado em Morelos (Exército Libertador do Sul). Derrubado Díaz em 1911, graças sobretudo às rebeliões promovidas a sul por Zapata e a norte por Pancho Villa, o seu sucessor não viria no entanto a concretizar as promessas feitas em relação à reforma agrária e às eleições.
Zapata mobilizou de novo o exército de libertação. Várias figuras se revezaram entretanto à frente do país, nenhuma merecendo no entanto a confiança dos revolucionários. Uma delas (Carranza) ofereceu mesmo uma recompensa pela cabeça de Zapata. O general Guajardo convidou-o então para um encontro, fingindo simpatizar com a sua causa. Quando se encontraram, Guajardo disparou diversas vezes sobre ele e seguidamente entregou o seu corpo em troca da recompensa oferecida.
As conquistas sociais de Zapata foram desaparecendo aos poucos e, só em 1934, o presidente Cardenas conseguiu promover uma reforma agrária.
Segundo a lenda, Zapata ter-se-ia “casado” 27 vezes. Não deixou nada escrito e raramente saiu do Estado de Morelos. Pensa-se que nunca teria visto sequer o mar que banha o México. Se bem que fosse “General” nunca quis usar farda.
O seu nome foi depois utilizado como “bandeira”, ao longo do século XX, pelos presidentes mexicanos sucessivos, infelizmente muitas das vezes para enganar os camponeses, que continuavam a acalentar o sonho de serem donos das suas terras.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

EFEMÉRIDEAdriano Maria Correia Gomes de Oliveira, músico português e um dos mais importantes cantores do fado de Coimbra, nasceu em Avintes, no dia 9 de Abril de 1942. Morreu na mesma localidade, em 16 de Outubro de 1982. Fez parte de uma geração de compositores e cantores de cariz político, que lutaram contra a ditadura de Salazar com as chamadas “canções de intervenção”.
Tirou o curso liceal no Porto. Em Avintes, iniciou-se no teatro amador e foi um dos fundadores da União Académica de Avintes. Em 1959 foi para Coimbra estudar Direito.
Foi solista no Orfeão Académico de Coimbra e fez parte do Grupo Universitário de Danças e Cantares e do Círculo de Iniciação Teatral da Académica de Coimbra. Tocou guitarra no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica. Gravou o seu primeiro disco em 1960 (Noite de Coimbra).
Foi militante do Partido Comunista a partir do início dos anos 60, participando nas greves académicas de 1962 e concorrendo às eleições da Associação Académica.
Quando lhe faltava apenas uma disciplina para finalizar o curso de Direito, trocou Coimbra por Lisboa, onde veio trabalhar no Gabinete de Imprensa da Feira das Indústrias. Foi igualmente produtor da Editora Orfeu.
Em 1969, editou mais um disco, “O Canto e as Armas”, inteiramente com canções do poeta Manuel Alegre. Neste mesmo ano, ganhou o Prémio Pozal Domingues.
Esteve sem gravar qualquer disco durante quatro anos, pois recusou submeter-se à Censura Oficial. Em 1975, com Portugal já a viver em liberdade, lançou "Que Nunca Mais", disco que levou a revista inglesa Music Week a elegê-lo como "Artista do Ano".
Fundou a Cooperativa Cantabril e publicou o seu último álbum, "Cantigas Portuguesas", em 1980. Em 1982, num sábado de Outubro, morreu nos braços da mãe, vitimado por uma hemorragia esofágica.

terça-feira, 8 de abril de 2008

EFEMÉRIDE D. Pedro I, oitavo rei de Portugal, nasceu em Coimbra, no dia 8 de Abril de 1320. Morreu em Estremoz, em 18 de Janeiro de 1367. Mereceu os cognomes de O Justiceiro, O Cruel, O Cru ou O Vingativo, pela energia posta em vingar o assassínio de Inês de Castro, a sua amada. Reinou desde 1357 até morrer.
Pedro ficou conhecido pela sua relação com Inês de Castro, a aia galega da sua mulher Constança, que acabou assassinada por ordem do rei, seu pai, em 1355. Pedro nunca lhe perdoou. Uma vez coroado rei, em 1357, anunciou o casamento com Inês, realizado em segredo antes da sua morte, e a sua vontade de a ver reconhecida como Rainha de Portugal. Não existem quaisquer registos desta união, duvidando-se mesmo da sua veracidade.
Dois dos assassinos de Inês, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves, foram capturados e executados com brutalidade. A um foi-lhe arrancado o coração pelo peito e a outro pelas costas.
Segundo a tradição, Pedro teria feito desenterrar o corpo de Inês, coroando-a como Rainha de Portugal e obrigando os nobres a procederem à cerimónia do beija-mão real ao cadáver, sob pena de morte. Seguidamente, encomendou dois ricos túmulos, que foram colocados nas naves laterais do Mosteiro de Alcobaça para que, no “Dia do Juízo Final”, os eternos amantes, então ressuscitados, pudessem ver-se imediatamente…
Como rei, D. Pedro I foi um bom administrador, corajoso na defesa do País contra a influência do Papa e justo na defesa das camadas menos favorecidas da população, motivos pelos quais era extremamente popular.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Porque será que nos rimos sempre da desgraça alheia?

EFEMÉRIDEVilma Espín Guillois, uma das primeiras cubanas a obter a licença de engenheira química, revolucionária, esposa de Raul Castro, actual Presidente Cubano, nasceu em Santiago de Cuba, no dia 7 de Abril de 1930. Faleceu em Havana, em 18 de Junho de 2007, vítima de doença prolongada. O seu funeral, estritamente familiar e sem nenhuma cerimónia particular, realizou-se a seu pedido para as montanhas da Sierra Maestra. Teve quatro filhos e sete netos. Uma das filhas, Mariela Castro, lidera actualmente o Centro Nacional Cubano para a Educação Sexual.
Nascida numa rica família cubana, filha de uma senhora de origem francesa e de um advogado da Bacardi, principal destilaria de rum antes da revolução, estudou engenharia química no Massachusetts Institute of Technology em Bóston, antes de conhecer, em Havana, o líder revolucionário Frank País. O encontro marcou-a de tal modo que aceitou tornar-se líder revolucionária na província Oriente, actuando como mensageira entre o “Movimento no Interior” e o “Movimento 26 de Julho” de Fidel Castro, que se deslocara para o México para planear a futura invasão. Foi no México que Vilma conheceu Raul Castro. Assistiu os revolucionários na Sierra Maestra, depois dos membros do “Movimento 26 de Julho” terem reentrado em Cuba a bordo do iate Granma. Ela e Raul Castro casaram-se em Janeiro de 1959, depois da fuga do ditador Fulgêncio Baptista.
Vilma foi presidente da Federação das Mulheres Cubanas por si fundada em 1960. Esta Federação é uma reconhecida ONG que representa mais de quatro milhões de mulheres. Bateu-se pela igualdade dos sexos e contra o analfabetismo e a má nutrição das crianças, criando igualmente uma rede de creches. Foi membro do Conselho de Estado, assim como do Comité Central e do Gabinete Político do Partido Comunista. Foi igualmente deputada, chefiando várias delegações em diversos congressos e conferências no Chile, no México, em Copenhaga, em Nairobi e em Pequim.
Em 1992, denunciou publicamente a repressão e a discriminação de que os homossexuais eram vítimas. Vilma Espín é uma das três grandes figuras femininas da Revolução Cubana, juntamente com Celia Sanchez e Haydée Santamaria.

domingo, 6 de abril de 2008

Programa Jô Soares - "A Mulher Trompette"

Sexo fraco... (às vezes)

Cuidado!! (ainda te aleijas...)

Assim também eu conseguia...

EFEMÉRIDE Stanislas de Guaita, poeta e ocultista francês, nasceu em Lorraine, no dia 6 de Abril de 1861. Morreu em 19 de Dezembro de 1897, intoxicado com estupefacientes, tinha apenas 36 anos.
Originário de uma família nobre da Lombardia, Itália, que se estabelecera em França em 1800, tinha o título de Marquês.
Cedo se começou a interessar pelas tradições, pelo misticismo cristão, pelos grandes mistérios e pela língua hebraica.
Escreveu um Tratado de Ciências Malditas, em três volumes: O Templo de Satã, A Chave da Magia Negra e O Problema do Mal.
Em 1888 fundou, juntamente com Péladan, a Ordem Cabalística da Rosa-Cruz.
Entre os seus poemas mais famosos, salienta-se: Os pássaros de passagem (1881), Musa Negra (1883) e Rosa Mística (1885).
Em colaboração com um secretário e amigo, Oswald Wirth, criou um Tarot que ainda hoje é utilizado sob o nome “Tarot de Wirth”.

sábado, 5 de abril de 2008

O jeitinho de certos papás... Apreciem a cena do pó de talco...

EFEMÉRIDE Herbert von Karajan, de seu verdadeiro nome Heribert Ritter von Karajan, um dos maiores maestros do pós-guerra, nasceu em Salzburgo, na Áustria, no dia 5 de Abril de 1908. Faleceu em Anif, perto da sua cidade natal, em 16 de Julho de 1989. Dirigiu durante 34 anos a Orquestra Filarmónica de Berlim, tendo pedido a demissão justamente no ano em que morreu.
Aos oito anos começou a estudar no Conservatório Mozarteum, onde se manteve durante uma década, sendo encorajado a especializar-se na regência de orquestras.
Estreou-se em 1933 no Festival de Salzburgo e, em 1934, regeu pela primeira vez a Orquestra Filarmónica de Viena.
Em 1937, estreou-se na Filarmónica de Berlim e na Ópera Estatal da mesma cidade, assinando também um contrato com a Deutsche Grammophon, onde fez a sua primeira gravação, a que se seguiu cerca de um milhar doutras.
Em 1948 foi contratado como Maestro permanente da Orquestra Filarmónica de Londres.
Em 1955, foi escolhido para Director Artístico vitalício da Filarmónica de Berlim. De 1956 a 1964 dirigiu a Ópera Estatal de Viena. Foi também conselheiro da Orquestra de Paris de 1969 até 1971.
Actuou uma vez em Lisboa, em 1968, no Coliseu dos Recreios, à frente da Orquestra Filarmónica de Berlim, na 12ª edição do Festival Gulbenkian de Música.
A interpretação oficial da introdução instrumental da “Ode da Alegria”, adoptada em 1972 pelo Conselho da Europa como Hino da União Europeia, foi confiada a Herbert von Karajan, que realizou para tal três arranjos: um para piano, outro para instrumentos de sopro e um terceiro para orquestra sinfónica.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Patinagem no gelo... com final inesperado

EFEMÉRIDEIsidore Lucien Ducasse, que ficou conhecido como Conde de Lautréamont, poeta franco-uruguaio, nasceu em Montevideu, no dia 4 de Abril de 1846. Morreu em Paris, em 24 de Novembro de 1870. O seu poema mais conhecido, com sessenta estrofes, “Os Cantos de Maldoror” (1868) é considerado uma obra fundamental no campo da literatura fantástica e um dos percursores do surrealismo.
Julga-se que o seu pseudónimo provenha do nome de um romance de Eugène Sue, “Latréaumont”, se bem que com uma ligeira diferença na grafia.
Sobretudo os críticos, mas também os leitores em geral, dividem-se ao apreciar a obra deste autor. Para uns, ele foi um génio da literatura universal; para outros, foi um louco. O que não há dúvida é que ele se tornou uma referência e um “autor de culto” para muitos intelectuais.
Poucas informações chegaram até aos nossos dias acerca da sua vida. Sabe-se que a mãe era francesa e morreu quando ele tinha onze meses. Com treze anos esteve a estudar em França num colégio interno. Em 1867 viajou para o Uruguai, mas voltou a Paris instalando-se num hotel. Escreveu igualmente dois fascículos: Poesias I e Poesias II em 1870. Morreu com 24 anos, por “causa desconhecida” segundo a certidão de óbito.
Em 1977 foram descobertos alguns manuscritos seus redigidos em língua espanhola o que leva a crer que utilizava correntemente esta língua, embora a sua obra tenha sido toda escrita em francês.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Proibido usar calções neste hotel israelita...

"Fado Falado" - declamado por João Villaret

Trabalho de Parto (Publicidade muito imaginativa)

Mulher Ideal... Que exagero...

EFEMÉRIDEMarlon Brando, actor de cinema norte-americano, nasceu em Omaha, no dia 3 de Abril de 1924. Faleceu em Los Angeles, em 1 de Julho de 2004, vítima de fibrose pulmonar. É considerado um ícone da sétima arte. A sua presença extraordinária, a sua voz fanhosa e o seu olhar hipnótico contribuíram decisivamente para o êxito dos filmes em que actuou.
Expulso da escola que frequentou em jovem, a família mandou-o para a Academia Militar Shattuck em Fairbault. Nesta localidade tornou-se notado em actividades teatrais e a mãe incentivou-o a interessar-se pela carreira de actor. Foi para Nova Iorque com as duas irmãs: uma queria ser pintora, outra actuava já na Broadway e Marlon Brando, entretanto, estudou em várias escolas de teatro. Começou a chamar a atenção dos especialistas em 1947, com a sua actuação na peça de Tennessee Williams “Um Eléctrico Chamado Desejo”. A peça foi mesmo filmada, mas o filme só foi lançado anos mais tarde, motivo pelo qual “Espíritos Indómitos”, produzido em 1950, é considerado o seu primeiro filme.
Marlon Brando foi-se tornando num símbolo sexual e num ídolo da juventude da sua época, marcando também uma geração de artistas, de James Dean a Elvis Presley, passando por Paul Newman e Steve McQueen. Influenciou igualmente alguns actores da geração seguinte (Al Pacino, Jack Nicholson, Robert De Niro e Dustin Hoffman).
Foi nomeado sete vezes para os “Óscares”, tendo ganho o primeiro com o filme “Há Lodo no Cais”.
Na década 60 participou em várias manifestações a favor dos Direitos Civis e dos Direitos dos Indígenas.
Nos anos 1970 atingiu o auge da sua fama com vários filmes, como “O Padrinho” e “Último Tango em Paris”. Em 1973, quando lhe foi concedido o Óscar pelo filme “O Padrinho”, enviou uma rapariga índia à Academia para discursar em seu nome, protestando contra a forma como os Estados Unidos discriminavam os nativos.
Nos anos 80 interrompeu a sua carreira e retirou-se para uma ilha que tinha comprado em 1966 na Polinésia Francesa. Engordou imenso e vestia-se segundo a indumentária local.
Retomou episodicamente a carreira em 1989 devido a dificuldades económicas. Apesar disso, fez um filme sobre a discriminação racial na África do Sul, doando tudo o que ganhou a várias Associações Anti Apartheid.
Ao todo fez mais de quarenta filmes e foi considerado o Melhor Actor nos “Globos de Ouro” de 1954 e 1972, no Festival de Cannes de 1952 e no Festival de Tóquio em 1989. Fez o seu último filme em 2001 (“The Score”).
Casou-se três vezes, teve seis filhos e adoptou outros três.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Os problemas que uma borboleta pode causar...

EFEMÉRIDE Hans Christian Andersen, poeta e escritor dinamarquês, sobretudo de histórias infantis, nasceu em Odense, no dia 2 de Abril de 1805. Faleceu em Copenhaga, em 4 de Agosto de 1875. Escreveu peças de teatro, canções, histórias e contos de fadas pelos quais é mundialmente conhecido.
Entre os contos de Andersen, destacam-se: O Patinho Feio, A Caixinha de Surpresas, Os Sapatinhos Vermelhos, O Soldadinho de Chumbo e A Pequena Sereia, entre dezenas doutros.
H. C. Andersen nasceu no seio de uma família dinamarquesa muito pobre. Toda a família vivia e dormia num único quarto. O pai, que adorava o filho, fomentou-lhe a imaginação e a criatividade, ensinando-o a ler, contando-lhe histórias e, fabricando-lhe mesmo um teatrinho de marionetas. Morreu quando Andersen tinha onze anos e este foi obrigado a abandonar a escola. Em 1819, saiu de casa e foi para Copenhaga, com o objectivo de se tornar cantor de ópera. As suas atitudes pouco comuns depressa o isolaram, sendo considerado como um louco. Apesar da sua voz não ter sido apreciada, foi admitido no Teatro Real como aprendiz de actor e bailarino, escrevendo também algumas peças. O rei Frederico IV interessou-se por ele e enviou-o para uma escola de Gramática. Em 1828 ingressou na Universidade e, quando os amigos pensavam que as excentricidades de Andersen iam dar maus resultados, começou a obter assinalável êxito com os seus livros, mesmo a nível internacional, tendo feito igualmente várias viagens que lhe deram muitas ideias para algumas obras que escreveu.
Foram contudo os contos de fadas que o tornaram famoso porque, na época, eram raros os livros dedicados especificamente às crianças. Através deles, tentava também transmitir padrões de comportamento, confrontando os poderosos com os desprotegidos, os fortes com os fracos e os exploradores com os explorados. Defendia igualmente direitos iguais para todos. As últimas descobertas da ciência apareceram já nas suas obras: os caminhos-de-ferro, a iluminação pública, a telegrafia, etc. Apesar de tudo, diz-se que ele não teria a intenção de escrever expressamente para as crianças, mas que desejava afirmar-se como romancista, poeta e dramaturgo. Os leitores e a crítica tiveram no entanto a última palavra e Andersen foi imortalizado como um dos melhores escritores de livros infantis.
Continuou a escrever até 1872, ano em que, pelo Natal, uma queda da própria cama o deixou incapacitado para o resto da vida. Escrevera ao todo 156 histórias, quando se extinguiu tranquilamente no Verão de 1875.

terça-feira, 1 de abril de 2008

EFEMÉRIDE José Rodrigues dos Santos, jornalista e escritor português, nasceu na Beira, Moçambique, no dia 1 de Abril de 1964. Veio para Lisboa após a separação dos pais, aos nove anos, mas as dificuldades económicas da mãe levaram-no a ir para junto do pai, em Penafiel. Este, porém, não se adaptando à nova vida em Portugal, partiu com ele para Macau.
J. R. dos Santos participou naquele território na elaboração de um jornal escolar, cujo conteúdo chamou a atenção dos responsáveis da rádio local. Foi assim que, com apenas dezassete anos, se iniciou no jornalismo ao serviço da Rádio Macau. Dois anos mais tarde, regressou a Portugal para frequentar o curso de Comunicação Social em que se licenciou, doutorando-se alguns anos mais tarde. Candidatou-se a um estágio na BBC e foi aceite, sem no entanto lhe ser dada qualquer ajuda financeira. Investiu então parte da herança do pai, entretanto falecido, em três meses de experiência profissional na Inglaterra.
De volta a Portugal, recebeu o “Prémio Ensaio do Clube Português de Imprensa” em 1986 e o “Prémio de Mérito Académico” do American Club of Lisbon em 1987. Foi convidado pela BBC para trabalhar em Londres, onde ficou até 1990. Ingressou então na Rádio Televisão Portuguesa, onde passou a apresentar os “Noticiários”. Cobriu o início da Primeira Guerra do Golfo durante dez horas seguidas. De 1993 a 2001 foi colaborador permanente da CNN americana. Desde 1991 que apresenta o “Telejornal”, intervalando com várias reportagens no exterior, em cenários de guerra. É professor da Universidade Nova de Lisboa, tendo sido por duas vezes Director da Informação da RTP.
Ganhou ainda o “Grande Prémio de Jornalismo” em 1994, o “Best News Breaking Story of the Year” em 1994, o “Best News Story of the Year for the Sunday” em 1998 e o “Contributor Achievement Award” em 2000.
Paralelamente foi escrevendo ensaios e romances com assinalável êxito. Como romancista tornou-se mesmo um dos escritores portugueses contemporâneos a alcançar maior número de vendas.
Em 2005, uma das principais editoras dos Estados Unidos da América interessou-se pela publicação do romance "O Codex 632". Outro acordo foi feito com uma empresa de Los Angeles ligada às principais produtoras de Hollywood, para adaptar esta mesma obra ao cinema. Publicou até agora quatro ensaios e cinco romances.

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