quinta-feira, 30 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEDorival Caymmi, cantor, compositor, tocador de violão, pintor e actor brasileiro, nasceu em Salvador da Baia no dia 30 de Abril de 1914. Faleceu no Rio de Janeiro em 16 de Agosto de 2008, com 94 anos, vítima de doença oncológica.
As suas composições inspiraram-se sobretudo nos costumes e tradições do povo baiano. Também influenciado pela música negra, tinha um estilo de compor e cantar muito peculiar, com letras espontâneas, sensuais e melódicas.
Poeta popular, compôs obras inesquecíveis como Saudade de Baia, Samba da Minha Terra, Modinha para Gabriela, Saudade de Itapuã, O Dengo que a Nega Tem, Rosa Morena, etc. Escreveu igualmente baladas dedicadas aos pescadores baianos, entre as quais se destacam “Promessa de Pescador” e “O Vento”.
Caymmi era descendente de italianos pelo lado do pai. O seu bisavô fora para o Brasil trabalhar na reparação do Elevador Lacerda na Baia. Ainda criança, ouvia o pai, funcionário público e músico amador, a tocar piano, violão e bandolim. A mãe, dona de casa, também cantava mas no lar. Ouvindo igualmente velhas gravações, foi crescendo nele a vontade de compor.
Com treze anos apenas, interrompeu os estudos e começou a trabalhar como auxiliar na redacção do jornal O Imparcial. Com o encerramento do jornal, em 1929, tornou-se vendedor de bebidas.
Em 1930 escreveu “No Sertão”, a sua primeira música, e aos vinte anos estreou-se como cantor e tocador de violão na Rádio. Em 1935, começou a apresentar o musical “Caymmi e Suas Canções Praieiras”. Com 22 anos, venceu, como compositor, um concurso de músicas de carnaval com o samba “A Baia também dá”.
Um director da Rádio Clube da Baia incentivou-o a seguir uma carreira no sul do país. Em 1938 Dorival viajou para o Rio de Janeiro, com o intuito de conseguir um emprego como jornalista e realizar o curso preparatório de Direito. Foi apresentado ao director da Rádio Tupi e actuou nesta rádio cantando duas composições, embora ainda sem contrato. Saiu-se tão bem que começou a cantar dois dias por semana, além de participar no programa “Dragão da Rua Larga”. Neste programa, interpretou “O Que é Que a Baiana Tem”, canção que contribuiu para a carreira internacional de Cármen Miranda.
Dele disse Tom Jobim: «Dorival é um génio. Se eu pensar em música brasileira, sou obrigado a pensar nele. É uma pessoa incrivelmente sensível, uma criação incrível. Isto sem falar no pintor, porque o Dorival também é um grande pintor».
Contemporâneo e por vezes rival de Ary Barroso, foi toda a vida amigo do escritor Jorge Amado. Nos anos 1960 muitas das suas canções foram interpretadas pelo pioneiro da bossa nova João Gilberto, que o considerava seu ídolo. Influenciou também diversos cantores, entre os quais se salientam Caetano Veloso e Gilberto Gil.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEAlbert Hofmann, cientista químico suíço, conhecido como o "pai" do LSD, faleceu em Burg im Leimental no dia 29 de Abril de 2008, vítima de ataque cardíaco. Nascera em Baden, em 11 de Janeiro de 1906.
Começou por tirar um curso comercial mas, em 1925, iniciou os estudos de Química na Universidade de Zurique, licenciando-se quatro anos mais tarde com notas excepcionais.
Interessou-se igualmente pela Biologia e Zoologia, trabalhando depois durante mais de quarenta anos na empresa farmacêutica Sandoz em Basileia.
Quando em 1943 estava a trabalhar na síntese dos derivados do ácido lisérgico, uma substância que impede o sangramento excessivo após os partos, descobriu acidentalmente os efeitos do LSD, quando um pouco da substância foi absorvido pela pele, de forma não intencional, e se viu obrigado a interromper o seu trabalho devido aos sintomas alucinatórios que estava a sentir. Chegado a casa, fechando os olhos, teve visões intensas, caleidoscópicas e coloridas durante cerca de duas horas. No dia seguinte fez uma experiência propositada, que descreveu pormenorizadamente por escrito.
A substância passou a ser depois utilizada na medicina, como recurso psicoterapêutico e para tratamento do alcoolismo e de disfunções sexuais.
Hofmann, após a droga se ter popularizado anos mais tarde para fins não medicinais, referia-se ao LSD como «o seu filho problemático». Também dizia que «tinha produzido a substância como um remédio. Não era culpa sua se as pessoas abusavam dela e a utilizavam para outros fins». Com efeito o LSD esteve então muito em voga como droga e foi também utilizado pela CIA, em experiências que ele próprio apelidou de criminosas.
Em 2001, Albert Hofmann recebeu o doutoramento “honoris causa” da Universidade de Genebra. Morreu aos 102 anos.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEPedro Miguel Carreiro Resendes, mais conhecido por Pauleta, ex-jogador português de futebol, nasceu em Ponta Delgada, nos Açores, em 28 de Abril de 1973. Jogou durante vários anos na Selecção Portuguesa.
Pauleta foi o primeiro internacional que nunca jogou no principal campeonato português (Primeira Liga). Foi um dos mais produtivos artilheiros da selecção nacional, sendo mesmo o recordista de golos, ao ultrapassar com 47 a marca de 41 pertencente a Eusébio. Foi igualmente o melhor marcador da história do Paris Saint-Germain com 109 golos.
O seu instinto de goleador, combinado com um toque de bola habilidoso com ambos os pés, um impressionante jogo aéreo e uma excelente mobilidade fizeram dele um dos melhores jogadores portugueses.
O primeiro clube com o qual Pauleta assinou um contrato profissional foi o U. Micaelense (1995), onde alinhou por uma época, mudando-se depois para o Grupo Desportivo Estoril Praia, onde viria a apontar 19 golos (1995/1996).
Em 1996, os golos continuaram a fluir, depois da transferência para a U.D. Salamanca. Pauleta voltou a marcar por 19 vezes, ajudando o clube a subir ao escalão máximo do futebol espanhol em 1998.
No ano de 1998 transferiu-se para o “Deportivo da Corunha”, onde esteve dois anos ao serviço da turma galega, apontando 33 golos e sagrando-se Campeão Espanhol em 2000. Ganhou igualmente a Super-Taça espanhola.
Em 2000 Pauleta passou para o Bordéus (2002/2003), estreando-se com três golos diante do Nantes. No total, apontou 65 golos no campeonato francês, em 98 jogos com a camisola do Bordéus, e foi duas vezes eleito “Futebolista do Ano”. Venceu a Taça da Liga Francesa em 2002.
Na temporada 2003/04 ingressou no Paris Saint-Germain, assinando um contrato de três anos por onze milhões de Euros. Pauleta ajudou os parisienses a conquistar o seu primeiro troféu em seis anos, ao apontar o único golo na final da Taça de França, diante do Châteauroux. No campeonato, o "Ciclone dos Açores" (alcunha porque ficou também conhecido) demonstrou a eficácia habitual, assinando 18 golos em 37 jogos, tendo o PSG terminado a época na segunda posição. Voltou a ganhar a Taça de França (2006) e a Taça da Liga Francesa (2008)
Em 2008, Pauleta anunciou oficialmente o final da sua carreira, em entrevista a uma rádio portuguesa e ao diário francês Le Parisien.
Colabora actualmente com o seu último clube, numa “célula de recrutamento” responsável pelo visionamento de jogadores a evoluir na península ibérica e susceptíveis de interessarem ao PSG. Foi nomeado oficialmente “embaixador do Paris Saint-Germain”.
Em Janeiro de 2009 Pauleta recebeu do jornal “A Bola”, a “Bola de Prata de Honra” pelo conjunto da sua carreira, troféu excepcional concedido apenas aos maiores jogadores e treinadores, de Luís Figo a Cristiano Ronaldo, passando por Eusébio, Luiz Felipe Scolari e Rui Costa.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDESamuel Finley Breese Morse, inventor e pintor norte-americano, nasceu em Charlestown, no Massachusetts em 27 de Abril de 1791. Morreu em Nova Iorque no dia 2 de Abril de 1872. Tornou-se mundialmente célebre pelas suas invenções: o “código morse” e um “telégrafo eléctrico”.
Aos quatro anos de idade demonstrava grande interesse pelo desenho e, aos catorze, já ganhava o próprio dinheiro fazendo desenhos dos amigos e de pessoas da sua cidade.
Estudou na Universidade de Yale (Connecticut), tendo-se licenciado em 1811. Ainda em tempo de estudos, Morse escreveu uma carta aos pais dizendo que queria ser pintor. Os pais, preocupados com o futuro do filho, preferiram que ele fosse vendedor de livros numa editora de Boston. Assim, Morse passou a vender livros de dia e a pintar à noite. Ante a insistência do artista, os pais decidiram mandar o filho para Londres para que estudasse artes na Royal Academy. Em 1813 recebeu a Medalha de Oiro de Escultura da Sociedade das Artes Adelphi.
Ao voltar aos Estados Unidos, casou-se e teve três filhos. Morse lutava com dificuldades, uma vez que não havia muitos interessados em retratos. Em 1825, após o falecimento da esposa, voltou à Europa, levando os filhos e uma cunhada.
Em 1825, de novo em Nova Iorque, fundou uma sociedade artística que, em breve, se transformaria na Academia Nacional de Desenho da qual foi presidente durante 16 anos.
Em 1829 viajou pela Europa durante três anos, sobretudo por França e Itália, para estudar belas-artes.
A partir de 1832 ensinou pintura e escultura na Universidade de Nova Iorque, atingindo a fama de excelente retratista. Foi no navio “Sully”, que o levou de novo aos Estados Unidos, que ele concebeu a ideia do telégrafo eléctrico durante uma conversa com o geólogo Charles Thomas Jackson. Três anos depois realizou, com meios parcos, a primeira maqueta do telégrafo. Com a ajuda de outros dois professores procurou depois concretizar a ideia.
Em 1838 desenvolveu o código que o tornou célebre e tentou, sem sucesso, interessar nele o Congresso americano. Voltou-se à Europa, onde não obteve melhores resultados.
Em 1840 registou a patente e dois anos depois foi construída uma linha telegráfica submarina ligando as duas margens do porto de Nova Iorque. Devido à sua obstinação conseguiu finalmente obter do Congresso uma ajuda de 30 000 dólares para estabelecer uma linha telegráfica entre Baltimore (Maryland) e Washington (DC).
O génio de Morse foi conceber uma máquina simples, prática, eficaz, barata, rudimentar e sobretudo convencer (não sem dificuldades) os seus contemporâneos a realizar uma experiência suficientemente espectacular. Em 1844 foi assim transmitida a primeira mensagem entre o “Capitólio” e o depósito de caminhos-de-ferro de Baltimore. Em 1846 o telégrafo de Morse começou a ser desenvolvido por sociedades privadas.
Se a máquina veio a ser destronada pelos telégrafos automáticos, telex, etc., o código, composto de dois sinais (curtos e compridos), é ainda utilizado na actualidade pelos militares e pelos radioamadores devido à sua resistência aos ruídos parasitas. O código morse está para as transmissões como a bicicleta para os automóveis: a viatura mais potente pode ficar bloqueada num engarrafamento, enquanto o ciclista passa sempre…

domingo, 26 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEWilliam "Count" Basie, pianista, organista, compositor e chefe de orquestra de jazz norte-americano, faleceu em Hollywood no dia 26 de Abril de 1984. Nascera em Red Bank, Nova Jersey, em 21 de Agosto de 1904.
Foi autor de temas, como "One O'clock Jump" e "Jumpin' at the Woodside", que foram executados respectivamente por Duke Ellington e Benny Goodman, com as suas orquestras.
Foi chamado de "Count" (Conde em português), considerando a sua importância entre os grandes mestres da época do Swing: Benny Goodman era o Rei, Duke Ellington o Duque, etc..
William Basie recebeu lições de piano da sua mãe quando era ainda muito jovem, embora tivesse primeiro demonstrado interesse pelos instrumentos de precursão. Aprendeu depois órgão com Fats Waller.
Fez parte de várias bandas, actuou em teatros e tocou órgão para acompanhar a exibição de filmes mudos.
Em 1928 o baixista Walter Page convidou-o para fazer parte dos “Blue Devils”, ele aceitou e desde essa época tornou-se conhecido como Count Basie. Fez várias tournées antes de voltar a Kansas City para retomar a sua carreira de organista.
Mais tarde criou um grupo “explosivo” que seria conhecido por “The Count Basie and His Barons of Rhythm”. A popularidade desta banda aumentou dia a dia e foram convidados para fazer a sua primeira gravação em Nova Iorque (1937).
Durante os anos 1940 o grupo foi reconhecido internacionalmente, mesmo quando a guerra lhe provocou problemas financeiros. À excepção dos anos 1950, em que Basie fez algumas tournées com um quinteto, ele continuou a ser chefe de orquestra do grupo até 1970. Introduziu como novidade os “duelos” entre solistas, mormente entre os seus dois saxofonistas que tinham estilos opostos.
No meio dos anos 1970 a sua saúde começou a deteriorar-se, em 1976 foi vítima de uma crise cardíaca e oito anos depois morreu de doença oncológica.

sábado, 25 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDE Albert Uderzo, desenhador francês, famoso sobretudo por ter criado, em parceria com René Goscinny, as aventuras de Astérix, nasceu em Fismes no dia 25 de Abril de 1927.
Filho de imigrantes italianos, desejou em criança vir a ser mecânico de aviões, embora já mostrasse algum talento para as artes.
Durante a 2ª Guerra Mundial deixou Paris e foi para a Bretanha, onde trabalhou numa quinta e ajudou o seu pai num negócio de mobílias. Ao mesmo tempo, descobriu a banda desenhada com a figura de Mickey Mouse. Empregou-se depois numa editora e aprendeu as bases do ofício de desenhador. Até ao fim dos anos 1940 trabalhou para vários jornais e revistas.
Alguns anos mais tarde, quando foi necessário escolher uma localização para a aldeia de Astérix, René Goscinny deixou essa decisão para Uderzo, que não teve dúvidas em escolher a Bretanha.
Uderzo iniciou a sua carreira de artista em Paris, logo a seguir à guerra, criando vários personagens de banda desenhada.
Conheceu Goscinny em 1951 e tornaram-se grandes amigos, decidindo trabalhar juntos na sucursal da empresa belga World Press. Em 1959, Goscinny tornou-se editor e Uderzo director artístico da revista para crianças “Pilote”. Esta revista publicou “Astérix” pela primeira vez e foi um sucesso em França. Paralelamente, Uderzo trabalhou com Jean-Michel Charlier, na série “Michel Tanguy”, mais tarde chamada “As Aventuras de Tanguy e Laverdure”.
Em 1961, após dois anos de publicação na revista Pilote, as histórias de Astérix foram editadas individualmente em livro. A primeira chamava-se “Astérix, O Gaulês”. Em 1967, depois do sucesso do álbum, ambos os autores decidiram dedicar-se em exclusividade a este personagem. Em 1974 criaram os Estúdios Idéfix para controlar a sua adaptação ao cinema (desenhos animados).
Mesmo depois da morte prematura de Goscinny, em 1977, Uderzo continuou a ilustrar os livros de Astérix, obtendo as maiores tiragens da história da banda desenhada europeia.
Uderzo foi capaz de desenhar estilos muito diferentes, do realismo de “Tanguy e Laverdure” à caricatura de “Astérix”.
Foi nomeado Cavaleiro da Legião de Honra em 1985, vivendo actualmente em Neuilly-sur-Seine.
Duas curiosidades: porque é daltónico, não distinguindo o vermelho do verde, os seus desenhos foram coloridos durante vários anos pelo irmão Marcel; Uderzo nasceu com seis dedos em cada mão e foi operado com a idade de um mês, para corrigir a anomalia.
Trinta e Cinco Anos de Liberdade, muito combatida mas sempre renovada!!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEHenrique de Borgonha, conde de Portucale desde 1093, morreu em Astorga no dia 24 de Abril de 1112 e está sepultado na Sé de Braga. Nascera no ano 1066.
Conhecido geralmente por Conde D. Henrique, é tratado por D. Henrique I de Portugal por alguns historiadores, que o consideram o primeiro Chefe de Estado Português.
Sendo o filho mais novo, D. Henrique tinha poucas possibilidades de alcançar fortuna e títulos por herança, aderindo por isso à reconquista aos mouros da Península Ibérica. Ajudou o rei Afonso VI de Leão e Castela a conquistar o reino da Galiza, que compreendia aproximadamente a moderna Galiza e o norte de Portugal. Recebeu em casamento, como recompensa pelos seus serviços, a filha ilegítima do monarca, Teresa de Leão.
Alguns anos mais tarde, Afonso VI deu-lhe o Condado Portucalense, território que era até ao momento dependente do reino da Galiza, passando Henrique a prestar-lhe vassalagem directa. O rei de Leão e Castela pretenderia assim limitar o poder do conde Raimundo de Borgonha, casado com Urraca de Leão e Castela, colocando um território seu vassalo a servir de tampão entre a Galiza e os reinos dos mouros.
Henrique teve vários filhos com Teresa, mas só o mais novo sobreviveu à infância: D. Afonso Henriques, que sucedeu ao pai e se tornou no segundo conde de Portucale em 1112.
O jovem D. Afonso Henriques, no entanto, pretendia ser mais do que conde. Em 1128 rebelou-se contra a mãe, que pretendia manter-se no governo do condado e eventualmente reunir-se ao reino de Galiza. Em 1139 Afonso declarou-se independente de Leão e proclamou-se 1.º Rei de Portugal. Foi reconhecido oficialmente por Leão e Castela em 1143 e pelo papado em 1179.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEHalldór Kiljan Laxness, de seu verdadeiro nome Halldór Guðjónsson, escritor islandês famoso, nasceu em Reiquiavique no dia 23 de Abril de 1902. Faleceu em 8 de Fevereiro de 1998.
Passou a infância na quinta do pai, na localidade de Laxness, nome que ele utilizaria depois no seu pseudónimo literário.
Tinha apenas catorze anos quando escreveu o primeiro artigo, publicado no jornal “Morgunblaðið” e assinado como “H.G.”. Não muito mais tarde, publicou novo artigo, já com o seu nome, no mesmo jornal. Aos dezassete anos publicou o primeiro romance : “A criança e a natureza”.
Viajou muito através da Europa (Escandinávia, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, etc.).
Durante a sua carreira escreveu 51 romances, poesias, muitos artigos na imprensa, livros de viagens, peças de teatro e contos.
Em 1923, Laxness converteu-se ao catolicismo (acrescentando ao seu nome o apelido Kiljan em honra de um santo islandês), experiência que relatou em “O grande tecelão de Caxemira” (1927). Estudou teologia em Itália, no mosteiro de Clairvaux. A leitura de escritores surrealistas e de Proust influenciaram bastante a sua obra.
Viajou até aos Estados Unidos e Canadá e tornou-se amigo do romancista Upton Sinclair. Regressado à Islândia, os seus livros passaram a reflectir preocupações sociais. Aderiu ao comunismo, escrevendo “O livro do povo” (1929) e “Poemas” (1930).
Em 1948 escreveu a obra "Estação atómica", em que criticou as bases aéreas americanas existentes no seu país.
Foi igualmente jornalista e traduziu vários escritores, entre eles Voltaire e Hemingway.
Publicou grandes romances de inspiração histórica, que são considerados as suas obras-primas. Fez várias viagens à União Soviética e, tomando consciência dos erros de Estaline, afastou-se do comunismo.
Ganhou o Prémio Nobel de Literatura em 1955. Em 1952 ganhara o Prémio Internacional da Paz.
Em 1995, atingido pela doença de Alzheimer, passou a viver num Lar para Reformados e morreu em 1998 com 95 anos.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEGeorg Stiernhielm, linguista e poeta sueco, considerado como o “pai da poesia sueca”, morreu em 22 de Abril de 1672. Nascera em Svartskär no dia 7 de Agosto de 1598.
Começou os seus estudos em Västerås, na Suécia, e mais tarde prosseguiu-os na Alemanha e nos Países Baixos.
Foi pioneiro de estudos linguísticos, que gozaram de grande prestígio entre os seus contemporâneos.
Foi o primeiro a escrever poemas em língua sueca, segundo a métrica dos poetas antigos. O seu poema mais conhecido é “Hércules”, uma epopeia em hexâmetros. Escreveu também diversos poemas em latim.
Originalmente o seu nome era Jöran Olofsson, mas quando a rainha Cristina o tornou nobre, mudou-lhe o nome para Georg Stiernhielm.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEDaniel Defoe, comerciante, político, jornalista e escritor inglês, autor do romance “Robinson Crusoe”, morreu em Ropemaker’s Alley, Moorfields, perto de Londres, no dia 21 de Abril de 1731. Nascera em Stoke Newington, também próximo de Londres, em 10 de Outubro de 1660.
Depois de terminados os estudos, Defoe tornou-se comerciante, embora a sua tendência para a especulação não o tenha favorecido nesta carreira. Fez várias incursões pela política, mas acabou por se dedicar exclusivamente à literatura.
Defoe escreveu vários panfletos importantes, muitos deles favoráveis a Guilherme III. Para além disso, fundou e incrementou o jornal periódico “The Review” praticamente sozinho.
Tornou-se famoso graças a “Robinson Crusoe”, livro escrito em 1719. Neste romance, Defoe narra a história do único sobrevivente de um naufrágio, que o deixou numa ilha aparentemente deserta.
Com “Moll Flanders”, em 1722, Daniel Defoe continuou a narrar as vidas de personagens solitárias e em crise. Uma outra sua obra significativa é “A Journal of the Plague Year”, também de 1722, na qual construiu um enredo à volta de uma epidemia de peste, com um realismo admirável.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDE - Nelson Évora, atleta português de origem cabo-verdiana, nasceu na Costa do Marfim em 20 de Abril de 1984.
É especialista no triplo salto, embora também salte em comprimento.
Representa o Sport Lisboa e Benfica, tendo defendido as cores portuguesas em muitas provas internacionais.
No triplo salto, conquistou um título mundial (Osaka 2007) e uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim (2008).
Foi campeão europeu de juniores no triplo salto e comprimento em Tampere, na Finlândia (2003).
As suas melhores marcas são:
- 1,97 m em altura (Espinho, 2000);
- 8,10 m em comprimento (Milão, 2007);
- 8,08 m em pista coberta (Espinho, 2006);
- 17,74 m em triplo salto (Osaka, 2007);
- 17,19 m em pista coberta (Moscovo, 2006).

domingo, 19 de abril de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEDuarte Pacheco, engenheiro, presidente de câmara e ministro português, nasceu em Loulé no dia 19 de Abril de 1899. Morreu em Setúbal, na sequência de um desastre de automóvel, em 16 de Novembro de 1943.
Em 1923 formou-se, com 19 valores, em Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico de Lisboa, onde foi depois professor de matemática e director.
No ano de 1928, sob sua orientação, deu-se início à construção dos novos edifícios do Instituto Superior Técnico, construindo-se aquele que viria a ser o primeiro Campus Universitário português. Nesse mesmo ano, Duarte Pacheco tornou-se Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, sendo depois convidado para Ministro, passando a ocupar a pasta da Instrução Pública.
Mais tarde, abandonou as funções ministeriais e regressou ao I.S.T., onde permaneceu até 1932, altura em que voltou a ser convidado para o governo por Salazar, assumindo então a pasta de Ministro das Obras Públicas e Comunicações.
Em 1933 iniciou uma profunda modernização dos serviços dos Correios e Telecomunicações por todo o país. Nesse mesmo ano, nomeou uma Comissão Técnica para estudar e elaborar um plano que pudesse levar à construção de uma ponte sobre o rio Tejo, ligando Lisboa, pela zona do Beato, até ao Montijo. Chegou mesmo, no ano de 1934, a propor a construção de uma ponte rodo-ferroviária, em Conselho de Ministros.
Em 1936 foi afastado do Governo e regressou ao I.S.T.. Dois anos depois assumiu de novo a presidência da Câmara Municipal de Lisboa para, mais tarde, voltar a ser nomeado Ministro das Obras Públicas e Comunicações.
Foi autor de projectos dos "Bairros Sociais" de Alvalade, Encarnação, Madre de Deus e Caselas, em Lisboa. Mandou construir a primeira auto-estrada Lisboa -Vila Franca de Xira, pioneira da A1, e projectou a actual Avenida de Roma, em Lisboa, da forma como ainda hoje permanece, do ponto de vista imobiliário.
Ao longo da sua carreira, quer como professor ou estadista, Duarte Pacheco promoveu e revolucionou o sistema rodoviário de Portugal, mandando executar também inúmeras construções de obras públicas, tais como a marginal Lisboa - Cascais, o Estádio Nacional e a Fonte Luminosa, em Lisboa. Foi sua criação igualmente o Parque de Monsanto e contribuiu para a construção do Aeroporto de Lisboa.
Era hábil, forte e audaz a fintar os constrangimentos e os esquemas asfixiantes do regime, conseguindo revolucionar e modernizar o País em diversas áreas, em contradição com a época ditatorial e arcaica em que viveu.
Foram publicados dois livros sobre a sua vida e a sua obra no cinquentenário do seu falecimento (1993).

sábado, 18 de abril de 2009

Recordando "Abril"

Um dos inconvenientes das tatuagens...
EFEMÉRIDEHaile Gebrselassie, corredor etíope de longa distância, considerado um dos maiores fundistas de todos os tempos, nasceu em Asella no dia 18 de Abril de 1973.
Haile é bicampeão olímpico, diversas vezes recordista mundial dos 5 000 e 10 000 metros em pista e actual recordista da maratona, feito conseguido pela segunda vez consecutiva na Maratona de Berlim (2h 3m 59s, em 2008). Bateu cerca de trinta recordes mundiais e foi o primeiro corredor a baixar dos 27 minutos nos 10 000 metros.
É conhecido como o "Imperador" no mundo do atletismo, em alusão ao imperador etíope Haile Selassie e também ao seu domínio nas provas de fundo nos últimos quinze anos.
Foi medalha de ouro dos 10 000 m nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996 e de Sidney em 2000. Oito vezes campeão mundial em distâncias de 1 500 até 10 000 metros, foi o maior corredor de fundo do mundo, em pista, nos anos 90, digno sucessor do também etíope, recordista mundial, campeão olímpico e lendário maratonista Abebe Bikila.
Em 1999 desempenhou o seu próprio papel no filme “Endurance” que conta a sua luta pela vitória olímpica nas Olimpíadas de Atlanta.
Em 2008, recebeu em Paris o Grande Prémio da Academia dos Desportos.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Recordando "Abril"
Sem legenda...

EFEMÉRIDESoror Juana Inés de la Cruz, religiosa católica, poetisa e dramaturga espanhola/mexicana, morreu na Cidade do México em 17 de Abril de 1695. Nascera em San Miguel Nepantla, em 12 de Novembro de 1651. É uma das poetizas de língua espanhola com maior renome.
Era filha de mãe crioula solteira e de um militar/aventureiro espanhol. Aprendeu a ler aos três anos, escreveu o seu primeiro poema aos sete e, tendo descoberto a biblioteca do seu avô materno, apaixonou-se pelos livros. Leu os clássicos gregos e romanos e diversos livros de teologia. Aprendeu português por conta própria, assim como latim, escutando às escondidas as aulas que eram dadas à sua irmã. Iniciou-se também na matemática, na música, na filosofia, na astronomia e na teologia.
Quis entrar na Universidade e pensou vestir-se de homem para o poder fazer. Finalmente concluiu que era menos disparatado tornar-se religiosa. Depois de uma tentativa fracassada nas Carmelitas, cujas regras eram de tal modo rígidas que a deixaram doente, ingressou na Ordem das Jerónimas, cuja disciplina era menos austera. Tinha uma cela de dois andares. Ali passou a sua vida, a escrever versos sacros e profanos, canções religiosas e de Natal, autos sacramentais e duas comédias de “capa e espada”. Também administrou o convento, com sucesso.
Escreveu sobre temas centrados na liberdade, o que era um prodígio para a época. No seu poema "Homens Estúpidos", ela defendeu o direito da mulher a ser respeitada como ser humano e criticou o sexismo da sociedade do seu tempo, em que os homens condenavam a prostituição, ao mesmo tempo que se aproveitavam da sua existência. Soror Juana pode ser considerada, com justiça, a primeira feminista das Américas.
Pouco antes da morte, foi obrigada pelo confessor a desfazer-se da sua biblioteca e da sua colecção de instrumentos musicais e científicos. A Inquisição estava bastante activa naquela época. Morreu aos quarenta e três anos, durante uma epidemia de febre pestilenta.
A melhor biografia de Juana de la Cruz foi escrita por Octavio Paz, escritor mexicano laureado com o Prémio Nobel de Literatura em 1990.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Recordando "Abril"

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EFEMÉRIDETristan Tzara, pseudónimo de Samuel Rosenstock, poeta e ensaísta romeno, de língua francesa e romena, nasceu em Moineşti no dia 16 de Abril de 1896. Faleceu em Paris no dia de Natal de 1963.
O seu pseudónimo significaria, em tradução livre, "Triste Terra" - e teria sido adoptado para protestar contra o tratamento de que eram alvo os judeus na Roménia. A família Rosenstock fazia parte de um grupo de 800 000 judeus a quem o código civil em vigor na época interditava a cidadania romena.
Educado sem dificuldades materiais, graças ao pai que tinha um lugar de relevo numa empresa de exploração petrolífera, Samuel seguiu um curso de Cultura Francesa numa escola privada, começou a interessar-se pela Literatura no Liceu Saint-Sava, inscrevendo-se depois no Liceu Milhai-Viteazul, na área científica, tendo obtido aqui o diploma de fim de estudos. Era um bom aluno e os professores notavam a sua abertura de espírito e uma curiosidade infatigável.
Juntamente com um colega, fundou em 1912 a revista "Simbolul", começando a publicar os seus primeiros poemas. Matriculou-se mais tarde na Universidade de Bucareste, em Matemáticas e Filosofia (1914). Participou na fundação do Movimento Dada em 1916.
A atmosfera provinciana de Bucareste aborrecia Tzara, que sonhava com outros horizontes. Contra a vontade do pai, foi para a Suíça, país neutro que acolhia a juventude da Europa que recusava a guerra.
Juntamente com outros intelectuais, abriu o “Cabaret Voltaire”, transformando-o num café literário e artístico, cujas paredes estavam cobertas de pinturas, dando-lhe uma atmosfera simultaneamente íntima e opressiva. O sucesso foi imediato. À noite, cantava-se e recitava-se. Havia a noite russa, a noite francesa, enfim, a noite de cada nacionalidade ali presente…
Os poetas contemporâneos vêem em Tzara o líder da “Arte Nova”. Além de vários livros de poemas, escreveu “Sete Manifestos Dada” (1924) que é uma recolha de manifestos lidos ou escritos entre 1916 e 1924.
Juntamente com os seus amigos André Breton e Louis Aragon, lançou-se depois numa grande variedade de actividades destinadas a chocar o público e a destruir as estruturas tradicionais da linguagem. Durante muito tempo tentou reconciliar o Surrealismo com o Comunismo. Aderiu ao Partido Comunista em 1936, antes de se juntar à Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Recordando "Abril"

«As aparências iludem»...
EFEMÉRIDE Claudia Cardinale, actriz de cinema italiana, nasceu em Tunis no dia 15 de Abril de 1938. De seu verdadeiro nome Claude Josephine Rose Cardin, era filha de pais sicilianos que viviam então na capital tunisina. A sua língua materna foi o francês, só tendo começado a dominar o italiano na idade adulta. Em alguns filmes italianos foi mesmo dobrada, pois falava a língua com sotaque francês.
Depois de uma viagem a Veneza, durante a Bienal, viagem que tinha recebido como prémio ao ser eleita “a mais bela italiana de Tunis”, começou a interpretar pequenos papéis em alguns filmes, conduzida pelo produtor Franco Cristaldi, com quem viria a casar-se em 1966.
Nos anos 1960 apareceu em filmes italianos de sucesso, como “O Leopardo” e “Rocco e seus irmãos” (1963), de Luchino Visconti, e “8 ½” de Federico Fellini (1968). Contracenou com Alain Delon e Jean-Paul Belmondo o que a tornou muito popular junto do público francês.
A sua carreira não se desenvolveu nos circuitos norte-americanos, porque nunca se interessou verdadeiramente em deixar a Europa. Mesmo assim fez vários filmes em Hollywood, entre os quais “O Mundo do Circo” (1964), “A Pantera Cor-de-rosa” (1964) e “The Hell With Heroes” (1968).
Os filmes “Oito e meio” e a “Pantera Cor-de-rosa” trouxeram-lhe o sucesso internacional.
Pode afirmar-se que “CC” entrou em mais filmes de qualidade do que os seus contemporâneos. Algumas das suas actuações são consideradas memoráveis, como “Vagas Estrelas da Ursa Maior”, de Visconti, onde interpreta uma sobrevivente do Holocausto que desenvolve uma relação incestuosa com o irmão, e “La Storia”, de Luigi Comencini, com a sua interpretação de uma viúva durante a Segunda Guerra Mundial.
Claudia Cardinale é uma liberal com fortes convicções políticas de esquerda. Envolveu-se na defesa dos direitos das mulheres e dos homossexuais, orgulhando-se da sua origem árabe e intervindo em numerosas causas humanitárias.
A partir dos anos 1990 passou a dedicar-se mais ao teatro e à escrita. Em 1993 foi membro do júri para a selecção oficial das longas-metragens no Festival de Cannes.
Em 1999 a UNESCO designou-a Embaixadora da Boa Vontade. Nos anos 2000 pisou os palcos de Paris para interpretar duas peças teatrais.
Escreveu a autobiografia “As minhas estrelas” em 2005. Em 2009 publicou “Minha Tunísia”, um belo livro de fotos, relembrando a sua infância em Tunis.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Recordando "Abril"

Há sempre trabalhos mais "penosos"...
EFEMÉRIDERobert Doisneau, um dos mais populares fotógrafos franceses do pós-guerra, nasceu em Gentilly, Val-de-Marne, em 14 de Abril de 1912. Faleceu em Montrouge no dia 1 de Abril de 1994.
Era um apaixonado por retratos de rua, registando a vida social parisiense. É famosa a sua fotografia "O Beijo do Hôtel de Ville" (Paris, 1950).
Estudou Artes Gráficas na École Estienne, onde obteve o diploma de gravador e litógrafo em 1929. Um ano mais tarde integrou o Atelier Ullmann, como fotógrafo publicitário. Em 1932 vendeu a sua primeira reportagem fotográfica que foi difundida pela Excelsior. No mesmo ano, a Renault contratou-o como fotógrafo industrial, despedindo-o mais tarde por falta de assiduidade. Sem emprego, tentou tornar-se “fotógrafo de imprensa independente” (o que hoje se chama freelancer).
Durante a Segunda Guerra Mundial conheceu Charles Rado, fundador da agência Rapho que o admitiu em 1946. Começou então a produzir e a realizar reportagens fotográficas sobre os mais diversos assuntos: a actualidade parisiense, a vida provinciana e acontecimentos no estrangeiro (URSS, Estados Unidos, Jugoslávia…). Algumas das suas reportagens apareceram em revistas de renome como: Life, Paris Match, Réalités, Point de Vue, Regards, etc.
Doisneau publicou uma trintena de álbuns, entre os quais “Os arredores de Paris” com textos de Blaise Cendrars. Trabalhou também para a revista Vogue de 1949 até 1952.
O seu trabalho foi recompensado várias vezes: Prémio Kodak em 1947 e Prémio Niepce em 1956. Em 1960, organizou uma exposição no Museu de Arte Contemporânea de Chicago. Recebeu o “Grande Prémio Nacional de Fotografia” em 1983 e o Prémio Balzac em 1986.
Em 1992, fez uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Oxford. Foi a sua última exposição, porque morreria dois anos depois.
Os seus trabalhos tinham frequentemente um certo humor, mas igualmente nostalgia, ironia e ternura. Fotografou Paris como ninguém. As suas ruas e os seus habitantes: artesãos, bares, vagabundos, meninos de rua, casais amorosos, bateleiros, etc. Registou, durante perto de meio século, milhares de retratos do povo parisiense.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Recordando "Abril"

Tubarão esperto...

EFEMÉRIDEJean-Marie Gustave Le Clézio, escritor de língua francesa e de dupla nacionalidade (francesa e mauriciana), nasceu em Nice no dia 13 de Abril de 1940. Assina os seus livros como J.M.G. Le Clézio e recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 2008.
É filho de um cirurgião das Ilhas Maurícias e de uma prima francesa, ambos oriundos de uma família bretã que emigrou para as Maurícias no século XVIII.
Durante a Segunda Guerra Mundial a família ficou separada, pois o pai estava na Nigéria a servir o exército britânico como cirurgião e a mãe e os filhos estavam em Nice. Após a guerra, quando Jean-Marie tinha 8 anos, a família reuniu-se finalmente naquele país africano.
Le Clézio estudou na Universidade de Bristol, tendo-se licenciado em Literatura Francesa no Institut d’Études Littéraires de Nice. Viveu vários anos entre Bristol e Londres, fixando-se por fim nos Estados Unidos onde se tornou professor.
Ficou famoso aos 23 anos, com o seu primeiro romance “O Interrogatório”, que foi seleccionado para o Prémio Goncourt e obteve o Prémio Renaudot.
Desde então, publicou cerca de quarenta livros, incluindo contos, romances, ensaios, duas traduções sobre a mitologia indígena americana, inúmeros comentários e prefácios, assim como algumas participações em obras colectivas.
Em 1967 fez o serviço militar na Tailândia como cooperante, mas foi expulso por ter denunciado a prostituição infantil. Foi transferido para o México, onde estudou na Universidade Mexicana. De 1970 a 1974 partilhou a vida dos índios Emberás e Waunanas no Panamá.
A sua carreira literária pode ser dividida em dois grandes períodos. De 1963 a 1975 explorou temas como a loucura, a linguagem e a escrita, dedicando-se à experimentação formal na sequência do que faziam alguns escritores contemporâneos. No final dos anos 1970 o seu estilo sofreu uma mudança radical, abandonando a experimentação e tornando os seus romances menos atormentados. Passou a abordar outros temas, como a infância, a adolescência e as viagens, o que lhe trouxe uma maior popularidade. Em 1980, Le Clézio foi o primeiro vencedor do recém-criado Prémio Paul Morand, com o livro “Deserto”.
Em 1994, num inquérito realizado pela revista francesa “Lire”, 13% dos leitores consideraram-no o maior escritor francês vivo.
Le Clézio fez um mestrado, com uma tese sobre Henri Michaux na Universidade de Aix-en-Provence (1964), e doutorou-se em 1983, com uma tese sobre a história do México, no Instituto de Estudos Mexicanos de Perpignan. Ensinou nas Universidades de Banguecoque, México, Boston, Austin e Albuquerque.
Casado com uma marroquina desde 1975, reparte agora a sua vida entre Albuquerque, Maurícias, Paris e Nice. Foi promovido a Oficial da Legião de Honra Francesa em 1 de Janeiro de 2009.
Le Clézio é um dos autores de língua francesa mais traduzidos no mundo : em alemão, inglês, chinês, coreano, dinamarquês, espanhol, grego, italiano, japonês, português, russo, turco e catalão.

domingo, 12 de abril de 2009

Recordando "Abril"

No "reino dos canibais": - Vingança ou tempero??...
EFEMÉRIDEMaria de Montserrat Viviana Concepción Caballé i Folc, mais conhecida como Montserrat Caballé, famosa soprano espanhola, nasceu em Barcelona no dia 12 de Abril de 1933.
De origem muito humilde, foi-lhe difícil concluir o curso de canto no Conservatório Superior de Liceu, bem assim como aprofundar os seus estudos musicais.
O início da sua carreira foi muito modesto também, até que decidiu ir para a Suíça, onde fez parte da Ópera de Basileia (1957/1959). Estreou-se com um repertório pouco usual nas cantoras espanholas, que incluía Mozart e Strauss. Dois anos mais tarde foi contratada para a companhia permanente da Ópera de Bremen (1959-1962).
A sua verdadeira estreia mundial aconteceu na noite de 20 de Abril de 1965 no Carneggie Hall, em Nova Iorque, quando teve que substituir inesperadamente outra cantora, na ópera Lucrezia Borgia de Donizetti. A sua actuação mereceu 25 minutos de aplausos no final da representação. A partir daquele momento, Caballé ficou conhecida como uma das grandes divas da ópera mundial. Todos os locais onde ela actuava tinham lotações esgotadas para assistir às suas performances. Gravou mais de 130 álbuns.
Em 1988, juntamente com Freddie Mercury, do grupo de rock britânico Queen, gravou a canção Barcelona, maravilhosa união de vozes de uma cantora de ópera com um cantor de rock, sendo considerado um dos melhores trabalhos de ambos. Logo a seguir fizeram uma tournée que foi filmada em Ibiza.
Em 1992 cantou na abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona, sem a presença de Freddie Mercury, que falecera no ano anterior ao evento. Ela, no entanto, fez um dueto virtual com ele, facto que a emocionou muito, o mesmo acontecendo com o público. Este dueto virtual repetiu-se em 1999, antes da final da Champions League, entre o Manchester United e o Bayern de Munique, realizada em Barcelona.
Após a reforma, ainda participou em organizações caritativas, foi Embaixadora da Boa Vontade da UNESCO e criou uma Fundação para ajudar as crianças necessitadas de Barcelona. Montserrat fala perfeitamente Castelhano e Catalão, como línguas maternas, e também Alemão, Francês, Inglês e Italiano. Vive actualmente na sua terra natal.

sábado, 11 de abril de 2009

Recordando "Abril"

Mais uma razão...



EFEMÉRIDEBento de Góis, religioso e explorador português, faleceu em Suzhou, na China, em 11 de Abril de 1607. Nascera em Vila Franca do Campo, Açores, nos fins de Julho de 1562. Foi baptizado em 9 de Agosto de 1562 com o nome de Luís Gonçalves.
Foi o primeiro europeu a percorrer o caminho terrestre da Índia até à China, através da Ásia Central. Esta longa viagem, uma das maiores explorações da história da humanidade, demonstrou que o reino de Cataio e o da China eram afinal o mesmo, o que alterou significativamente a concepção do mundo na época.
Tornara-se soldado por volta dos vinte anos de idade, tendo sido destacado em 1583 para a Índia. De acordo com a lenda, nessa época levava uma vida boémia. Porém, após ter tido uma visão, decidiu ingressar na Companhia de Jesus, o que fez em Fevereiro de 1584, no Colégio dos Jesuítas em Goa. Dois anos mais tarde, abandonou temporariamente o Colégio e viajou pela Pérsia, Arábia, Sri Lanka e muitos outros reinos da Ásia. Em 1588 regressou a Goa, ao Colégio dos Jesuítas, e mudou o seu nome para Bento de Goes.
Em 1594 integrou uma expedição dos Jesuítas à corte do Grão-Mogol Akbar, o Grande, em Lahore, passando a ter com este uma grande amizade. De tal modo que o convenceu a estabelecer tréguas com os portugueses.
Em Setembro de 1602 partiu de Goa, com um grupo restrito, em busca do lendário Grão-Cataio, reino onde se afirmava existirem comunidades cristãs. A viagem era muito extensa (mais de 6 mil quilómetros), teria uma longa duração (mais de três anos) e eram muitos os obstáculos que se deparavam ao longo do percurso, sobretudo em virtude dos frequentes conflitos na região, da profusão de reinos e estados e da existência de grandes montanhas e desertos. Para além disso, a maior parte do percurso era feito através de territórios sob domínio muçulmano que nutriam especial animosidade para com os cristãos.
No princípio de 1606 Bento de Góis chegou a Sochaw (agora denominada Jiuquan), junto da Muralha da China, uma cidade próxima de Dunhuang na província de Gansu. Góis provou assim que o reino de Cataio e o reino da China eram afinal o mesmo, tal como a cidade de Khambalaik, de Marco Polo, era efectivamente a cidade de Pequim.
Doente (possivelmente por ter sido atacado ou assaltado e ferido) e com poucos meios de subsistência, comunicou-o em carta ao padre Matteo Ricci, residente em Pequim, que lhe enviou o padre João Fernandes, um jesuíta de origem chinesa, para o trazer. Contudo, quando este alcançou Bento de Góis já ele estava moribundo.
Bento de Góis, que possuía um notável conhecimento da cultura e costumes de vários reinos da Ásia e falava diversos idiomas como o Persa e o Turco, registou a sua viagem num diário. No entanto, por ele também registar as dívidas que terceiros lhe deviam. o diário foi rasgado em inúmeros pedaços pouco antes da sua morte. O padre João Fernandes e o arménio Isaac, que acompanhou o missionário na longa viagem desde Goa, reuniram fragmentos do que sobrou desse diário e de outros documentos, que entregaram posteriormente ao padre Matteo Ricci. Este padre, através da escassa documentação, dos relatos do arménio Isaac que o acompanhou sempre ao longo da “Grande Odisseia” e de algumas cartas que Bento de Góis lhe tinha enviado anteriormente, escreveu, entre 1608 e 1610, uma narrativa daquela viagem. Esta foi considerada por muitos historiadores como não inferior à empreendida por Marco Polo séculos antes.
A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo homenageou-o em 1907, atribuindo o seu nome ao maior largo da vila, onde também se encontra uma estátua em bronze inaugurada em 1962. A figura de Bento de Góis tem sido subestimada a nível nacional.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muito mais...