segunda-feira, 31 de agosto de 2009

EFEMÉRIDE Georges Braque, pintor e escultor francês que, juntamente com Pablo Picasso, iniciou o Cubismo, faleceu em Paris no dia 31 de Agosto de 1963. Nascera em Argenteuil, em 13 de Maio de 1882.
Estudou na Escola de Belas Artes, entre 1897 e 1899, iniciando a sua actividade na empresa de pintura decorativa de seu pai.
A maior parte da adolescência foi passada em Le Havre, mas no ano de 1899 mudou-se para Paris onde frequentou as aulas de um mestre decorador. Obteve o “certificado de artesão” em 1901. Frequentou depois a Academia Humbert. Em 1906, no “Salão dos Independentes”, expôs as suas primeiras obras num estilo com formas simples e cores puras (Fauvismo).
Em 1907 ficou impressionado com a exposição dos quadros de Paul Cézanne no Salão de Outono. Depois, conheceu Picasso com quem se passou a dar quase diariamente. O pintor espanhol estava a pintar então “Les Demoiselles d’Avigon”. Foi para Braque uma revelação. Com estas influências e o interesse pelas artes primitivas, a sua orientação artística transformou-se completamente. Um crítico comparou a sua pintura a um amontoado de pequenos cubos. O nome estava inventado e, de 1909 a 1912, Braque e Picasso elaboraram as teorias do Cubismo.
Paralelamente, Braque continuou a pintar paisagens influenciado por Cézanne, paisagens que acabou por abandonar para se dedicar a naturezas mortas. O começo da I Grande Guerra Mundial interrompeu a colaboração com Picasso. Braque foi mobilizado e ferido gravemente na cabeça em 1915, tendo sido agraciado com a Cruz de Guerra e a Legião de Honra. Durante dois anos, devido ao ferimento, esteve afastado da pintura.
Prosseguiu depois a sua obra na mesma perspectiva do Cubismo, fazendo-o evoluir no entanto para formas menos angulares e para tons mais coloridos e mais próximos da realidade.
Entre 1952 e 1953 decorou o tecto da sala etrusca do Louvre, tornando-se o primeiro pintor vivo a ser exposto neste museu.
Braque é reconhecido internacionalmente como um dos maiores pintores do século XX.

domingo, 30 de agosto de 2009

Foram casquinhas de noz
Ao outro lado do mar
Mil mundos dentro de nós
Outros tantos por achar

Gabriel de Sousa

NB – Menção Honrosa no I Concurso Literário da Associação Nacional de Poetas e Prosadores - 2009
EFEMÉRIDE Mary Wollstonecraft Godwin Shelley, de nacionalidade britânica, romancista, contista, dramaturga, ensaísta, biógrafa e autora de descrições de viagens, nasceu em Somers Town no dia 30 de Agosto de 1797. Faleceu em Belgravia, em 1 Fevereiro de 1851, vítima de um tumor cerebral.
Editou e promoveu igualmente os trabalhos do seu marido, o poeta Percy Bysshe Shelley. Os pais eram filósofos. A mãe morreu quando ela tinha dez dias de vida. O pai deu-lhe uma boa e informal educação, encorajando-a a aderir às suas teorias políticas liberais.
Em 1814, Mary conheceu o seu futuro marido, um dos seguidores políticos do pai. Partiram para França, juntamente com a sua irmã adoptiva, e viajaram pela Europa. Regressados a Inglaterra, Mary ficou grávida de Percy, que era casado. Durante dois anos, ela e Percy enfrentaram o ostracismo, as dívidas e a morte da filha prematura. Casaram-se em 1816, após o suicídio da primeira mulher de Percy Shelley.
Em 1816, o casal passou o Verão com Lord Byron e outros escritores, próximo de Genebra. Foi aí que Mary começou a engendrar a sua novela “Frankenstein”.
Os Shelleys deixaram a Grã-Bretanha em 1818 e foram para Itália, onde o segundo e o terceiro filhos morreram antes do nascimento do seu último e único filho sobrevivo. Em 1822 o marido afogou-se quando o seu barco se afundou durante uma tempestade na Baía de La Spezia. Um ano depois, Mary Shelley voltou a Inglaterra, devotando-se desde então à educação do filho e à sua carreira como escritora profissional.
A última década da sua vida foi marcada pela doença, provavelmente causada pelo tumor cerebral que a iria fazer sucumbir aos 53 anos de idade. Até aos anos 1970, Mary Shelley foi conhecida sobretudo pelos seus esforços em publicar os trabalhos do marido e pela novela “Frankenstein”, que continua a ser lida mundialmente e a inspirar muitas peças de teatro e alguns filmes. Só mais tarde, e paulatinamente, a totalidade da sua valiosa obra começou a ser desvendada, conhecida e devidamente apreciada.

sábado, 29 de agosto de 2009

EFEMÉRIDEMaurice Polydore Marie Bernard Maeterlinck, poeta, dramaturgo e ensaísta belga de língua francesa, principal expoente do teatro simbolista, nasceu em Gand no dia 29 de Agosto de 1862. Faleceu em Nice, em 5 de Maio de 1949.
Iniciou os seus estudos no Colégio Jesuíta Santa Bárbara e estudou depois Direito na Universidade de Gand. Em 1885 publicou os seus primeiros poemas, de inspiração parnasiana, na revista literária e artística “Jeune Belgique”.
Em 1886 mudou-se para Paris, onde estabeleceu relações com escritores que muito o viriam a influenciar. Um deles, Villiers, deu-lhe a conhecer toda a profundidade do idealismo germânico (Hegel, Schopenhauer). Nessa mesma época, Maeterlinck estudou Ruysbroeck, um místico flamengo do século XIV. Tudo isto o fez descobrir os recursos intuitivos do mundo literário alemão, muito distante do racionalismo predominante na literatura francesa.
Com esse espírito e influenciado por Novalis entrou em contacto com o romantismo de Iéna, autor de "August et Friedrich von Schlegel" e da revista "l’Atthenäum", precursor directo do simbolismo. Nas obras que Maeterlinck publicou entre 1889 e 1896, reflecte-se claramente esta influência alemã.
Recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1911 e foi lido e apreciado por notáveis personalidades históricas, tais como o poeta alemão Rainer Maria Rilke, a bailarina americana Isadora Duncan, o filósofo e matemático britânico Bertrand Russell, o novelista americano Henry Miller, a poetisa brasileira Cecília Meireles, a escritora belga Marguerite Yourcenar e a primeira ministra indiana Indira Gandhi.
Em 1939 foi para os Estados Unidos da América, onde passou todo o período da Segunda Grande Guerra Mundial. Voltou para França em 1947, morrendo dois anos depois na sua casa de Nice. No ano anterior publicara “Bulles bleues”, livro onde evocou recordações da sua infância.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

EFEMÉRIDESatoshi Tajiri, conhecido como criador da série de jogos electrónicos Pokémon, nasceu em Machida, Japão, no dia 28 de Agosto de 1965.
Quando era criança, vagueava nos arredores de Tóquio por florestas e vales à procura de insectos, para coleccionar e trocar com os amigos. Mais tarde, nos anos 1970, aqueles campos desapareceram para dar lugar a apartamentos e a parques de estacionamento, mas a recordação havia de perdurar.
Começou a sua carreira nos jogos de vídeo, testando-os para uma revista. Em 1982, com alguns amigos, decidiu criar uma empresa, que viria a chamar-se “Game Freak”.
Tornou-se muito conhecido, escrevendo dois livros. No final dos anos 80, a “Game Freak” estava em pleno desenvolvimento e mudou-se para um local situado justamente no prédio da Nintendo. Satoshi Tajiri imaginou, entretanto, criar um jogo, onde se capturariam insectos como ele fizera em menino. Inspirando-se na colecção de insectos da sua adolescência, desenvolveu a ideia. Satoshi adorava recolher informações, estatísticas e características de vários heróis. Juntando o que se lembrava dos seus tempos de criança, inventou um jogo de vídeo que viria a despertar imenso entusiasmo no público juvenil.
A Nintendo gostou da ideia de Satoshi, que começou a criar os cenários e os personagens. Ele e a sua equipa trabalharam no projecto mais de cinco anos. Pokémon Red & Green (no ocidente Red & Blue) foram lançados em 1996 no Japão e, no fim do mesmo ano, tinham sido vendidas mais de oito milhões de cópias, sem sequer ter sido feita publicidade.
Pensaram depois criar o desenho animado Pokémon, pois se o jogo tivera tal êxito, o desenho também teria… Foi um sucesso e hoje Satoshi Tajiri é um homem milionário, que recebe ainda parte dos lucros das empresas “Game Freak” e “Nintendo”.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Humor negro...
(clicar para aumentar imagem)
EFEMÉRIDE Tiziano Vecelli (conhecido em português por Ticiano), um dos principais pintores da Escola de Veneza no Renascimento e que antecipou diversas características do Barroco e até do Modernismo, morreu em Veneza no dia 27 de Agosto de 1576, provavelmente vítima de peste. Nascera em Pieve di Cadore entre 1488 e 1490.
Reconhecido pelos seus contemporâneos como «o sol entre as estrelas», Ticiano foi um dos mais versáteis pintores italianos, tão bom em retratos como em paisagens, temas mitológicos ou religiosos.
Se tivesse morrido mais novo, teria ficado conhecido como um dos mais influentes artistas do seu tempo, mas como viveu quase um século, mudando drasticamente o seu modo de pintar ao longo da vida, vários críticos têm dificuldade em acreditar que se trata do mesmo artista. O que une as duas partes da sua obra é o profundo interesse pela cor, com uma modulação policromática que não tem precedentes na arte ocidental.
Por volta dos dez anos de idade foi levado para Veneza pelo irmão, também pintor, para ser aprendiz de Sebastiano Zuccato, célebre pelos seus mosaicos. Após quatro ou cinco anos, passou para o estúdio de Gentile Bellini, naquele tempo o mais notável artista da cidade.
Um fresco de “Hércules” no palácio Morosini é tido como um dos seus primeiros trabalhos, assim como “A Virgem e a Criança” no belvedere Viena, e “A Visitação de Maria e Isabel” no convento de Santo André, hoje na Academia de Veneza. Ticiano formou uma parceria com o pintor Giorgione e, assim, é difícil distinguir os trabalhos iniciais. O primeiro reconhecidamente só dele é um pequeno “Ecce Homo”.
O talento de Ticiano sobressaiu nos frescos que pintou em 1511 para a Igreja das Carmelitas em Pádua, alguns preservados, como o “Encontro no Portão Dourado” e três cenas da vida de Santo António. Em 1513 voltou a Veneza e, três anos mais tarde, tornou-se Superintendente de serviços do governo. Instalou-se num atelier no Grande Canal e trabalhou para cinco Doges sucessivos.
Após a morte de Giorgione (1510) e de Bellini (1516), Ticiano foi durante sessenta anos o líder absoluto, o mestre oficial e o pintor laureado da República de Veneza.
O artista libertou-se das tradições da sua juventude, procurando personagens mais complexos e, pela primeira vez, tentou um estilo monumental. Em 1518 produziu para o altar de uma igreja “A Consumação da Madona”, hoje na Academia Veneziana, numa escala tão grande como a Itália nunca vira.
Em 1521 Ticiano, que estava no auge da sua fama, fez um “São Sebastião” para o legado papal em Bréscia, a que se seguiu um período muito produtivo. Muitas das suas obras porém foram destruídas, completa ou parcialmente, em guerras e incêndios.
Ticiano tinha mostrado, desde o início da sua carreira, ser um mestre em retratos. Assim, pintou inúmeros príncipes, doges, cardeais, monges e artistas, tendo muito sucesso em extrair de cada fisionomia os traços que a caracterizavam. Como retratista, Ticiano é comparável a Rembrandt e a Velásquez.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009


inRevista da Ibéria” de Agosto.
Como é o meu caso, e para evitar mal-entendidos, eu traduzo:
APELIDOS COM A PREPOSIÇÃO “DE
Quando entre o nome dado na “pia baptismal” e o apelido há um “de” e se menciona a pessoa apenas pelo apelido não se deve suprimir o “de”.

Eu, portanto, a exemplo do que já acontecia em francês, serei em espanhol “Señor De Sousa”. E esta hein? (Como vêem, em Português, não tem nada a ver com o nome de pila...)
EFEMÉRIDEJulio Florencio Cortázar, escritor argentino, nasceu em Bruxelas no dia 26 de Agosto de 1914. Faleceu em Paris, em 12 de Fevereiro de 1984.
Filho de pais argentinos, nasceu na embaixada da Argentina em Ixelles, distrito de Bruxelas, na Bélgica. Os pais separaram-se já ele tinha quatro anos, sendo criado pela mãe, por uma tia e por uma avó. Passou a maior parte da infância em Banfield, na Argentina, e não era uma criança totalmente feliz, apresentando uma quase permanente tristeza. Era doente e passava muito tempo na cama, lendo livros que a mãe seleccionava. Muitos dos seus contos são autobiográficos, como “Bestiário”, “Final del juego”, “Los venenos” e “La Señorita Cora”, entre outros.
Licenciou-se em Letras (1935) na "Escuela Normal de Profesores Mariano Acosta" e por essa época começou a praticar pugilismo.
Em 1938 editou “Presencia”, um livro de poemas assinado com o pseudónimo "Julio Denis". Leccionou nalgumas cidades do interior, foi professor de literatura na "Facultad de Filosofía y Letras de la Universidad Nacional de Cuyo", mas renunciou ao cargo quando Perón assumiu a presidência da Argentina. Empregou-se na Câmara do Livro em Buenos Aires e fez algumas traduções.
Em 1951, aos 37 anos, por não concordar com a ditadura na Argentina, partiu para Paris, de onde tinha recebido uma bolsa do governo francês para estudar durante dez meses. Acabou por se instalar definitivamente na capital francesa. Trabalhou durante muitos anos como tradutor da Unesco e viveu em Paris até à sua morte.
Cortázar vivia com a mulher em condições económicas difíceis, quando surgiu a oportunidade de traduzir a obra completa, em prosa, de Edgar Allan Poe, para a Universidad de Puerto Rico. Este trabalho foi considerado pelos críticos como a melhor tradução da obra do escritor.
Em 1963 visitou Cuba, convidado pela Casa de las Américas, para fazer parte do júri de um concurso literário. Intensificou-se neste período o seu fascínio pela política, comprometendo-se com a libertação da América Latina dos regimes ditatoriais. No mesmo ano viu um livro seu traduzido para inglês. Em 1962 lançara “Historias de Cronopios y Famas” e o ano de 1963 marcou o lançamento de “Rayuela”, que foi o seu grande sucesso.
Em Novembro de 1970 viajou até ao Chile, onde se solidarizou com o governo de Salvador Allende.
Em 1973 recebeu o “Prémio Médicis” com o seu “Libro de Manuel” e destinou os direitos autorais para ajudar os presos políticos na Argentina. Em 1974 foi membro do Tribunal Bertrand Russell II, reunido em Roma para examinar a situação política na América Latina, em particular as violações dos Direitos Humanos.
Em 1976 viajou para a Costa Rica e fez uma viagem clandestina à Nicarágua de apoio aos Sandinistas.
Em Agosto de 1981 sofreu uma hemorragia gástrica. Em 1983, tendo voltado a democracia à Argentina, Cortázar fez uma última viagem à sua pátria, onde foi recebido calorosamente pelos admiradores, que o paravam na rua e lhe pediam autógrafos, em contraste com a indiferença das autoridades oficiais. Depois de visitar vários amigos, regressou a Paris onde já tinha adquirido a nacionalidade francesa.
Sofrendo de leucemia, foi contaminado pelo vírus da Sida quando duma transfusão sanguínea, morrendo no ano seguinte.
É considerado um dos autores mais inovadores e originais de seu tempo, mestre do conto curto e da prosa poética, comparável a Jorge Luis Borges e a Edgar Allan Poe.
Cortázar inspirou um grande número de cineastas, entre eles o italiano Michelangelo Antonioni, cuja longa-metragem “Blow-up” foi baseada no seu conto “As Babas do Diabo”.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

EFEMÉRIDEEduardo Prado Coelho, escritor e professor universitário português, faleceu em Lisboa no dia 25 de Agosto de 2007, vítima de doença cardíaca. Nascera, também na capital portuguesa, em 29 de Março de 1944.
Era licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, onde também se doutorou em 1983, com uma tese a que deu o título de “A Noção de Paradigma nos Estudos Literários”. Foi Assistente naquela faculdade durante treze anos (1970-1983). Em 1984 passou para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde foi Professor Associado no Departamento de Ciências da Comunicação.
Em 1975/1976 foi Director-Geral de Acção Cultural no Ministério da Cultura, criado com a Revolução de Abril. Em 1988, rumou a Paris para ensinar no Departamento de Estudos Ibéricos da Universidade de Sorbonne. Entre 1989 e 1998 foi Conselheiro Cultural na Embaixada de Portugal em Paris. Foi Comissário para a Literatura e o Teatro da Europália Portuguesa (1990). Colaborou, na área de colóquios, na "Lisboa Capital Europeia da Cultura 94". Em 1997, tornou-se director da delegação em Paris do Instituto Camões. Regressou a Portugal em Outubro de 1998, tendo voltado a ser professor na Universidade Nova de Lisboa. Foi o comissário da participação portuguesa no “Salon du Livre” de 2000.
Colaborou amplamente em jornais e revistas e publicou uma crónica semanal no jornal “Público”, desde a fundação do jornal até à data da sua morte. Publicou vários livros, em que se destacam um longo estudo de teoria literária (“Os Universos da Crítica”), vários livros de ensaios (“O Reino Flutuante”, “A palavra sobre a palavra”, “A letra litoral”, “A mecânica dos fluidos”, “A noite do mundo” e dois volumes de um diário (“Tudo o que não escrevi”).
Publicou nos seus últimos anos de vida “Diálogos sobre a fé” (com D. José Policarpo) e “Dia Por Ama” (com Ana Calhau), sendo “Nacional e Transmissível” (2006) o seu último livro editado.
Em 1996, recebeu o “Grande Prémio de Literatura Autobiográfica” da “Associação Portuguesa de Escritores” e, em 2004, o “Grande Prémio de Crónica João Carreira Bom”. Foi premiado, também em 2004, com o “Prémio Arco-íris” da “Associação ILGA Portugal”, pelo seu contributo na luta contra a discriminação e a homofobia.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

EFEMÉRIDEPaulo Coelho, romancista, compositor, filósofo, artista plástico e actor brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro em 24 de Agosto de 1947.
Oriundo de uma família da classe média católica, aos sete anos ingressou no Colégio Jesuíta de San Ignacio no Rio.
Desde muito novo, gostava de escrever e mantinha um diário. No colégio, participava em concursos de poesia e em cursos de teatro. No entanto, o pai queria que ele fosse engenheiro e a mãe não o estimulava para seguir a carreira de escritor. As zangas com os pais eram constantes e Paulo teve muitas crises de depressão e raiva na adolescência, tendo sido internado três vezes numa clínica de repouso, onde foi tratado por psicólogos.
Na década de 1960 entrou para o teatro, como director e actor, criando peças de teatro experimental e de vanguarda. No início da década seguinte, em 1970, integrou o movimento hippy, ao mesmo tempo que tomava contacto com o mundo das drogas e do ocultismo. Profissionalmente, exerceu a função de jornalista em publicações ditas alternativas, como as revistas "A Pomba" e "2001". Em 1972 conheceu Raul Seixas, então executivo da gravadora CBS. Os dois tornaram-se parceiros em diversas músicas que viriam a exercer influência no rock brasileiro. Compôs para diversos intérpretes, tais como Elis Regina e Rita Lee.
O seu fascínio pela busca espiritual tem origem na época em que, como hippy, viajou pelo mundo. Resultou também numa série de experiências em sociedades secretas, religiões orientais, etc.
Editou o seu primeiro livro em 1982, “Arquivos do Inferno”. Lançou o seu segundo livro “O Manual Prático do Vampirismo” em 1985, mas mandou-o recolher, considerando o trabalho de má qualidade. Segundo as suas próprias palavras «O mito é interessante, mas o livro é péssimo».
Em 1986 Paulo Coelho fez a viagem de peregrinação pelo Caminho de Santiago. Percorreu quase 700 quilómetros a pé, do sul da França até à cidade de Santiago de Compostela, na Galiza, experiência que relatou detalhadamente no livro “O Diário de um Mago”, publicado em 1987. No ano seguinte, publicou “O Alquimista”, que se transformaria no livro brasileiro mais vendido de todos os tempos, não só no Brasil mas também noutros 18 países, tendo atingido mais de 41 milhões de exemplares.
Como escritor, apesar das críticas, tem ocupado as primeiras posições no ranking dos livros mais vendidos a nível mundial. Vendeu, até hoje, um total de 100 milhões de livros, em mais de 150 países, tendo as suas obras sido traduzidas para 66 idiomas e sendo o autor de língua portuguesa mais vendido de todos os tempos, ultrapassando mesmo Jorge Amado.
Paulo Coelho escreveu a maioria dos seus livros no seu apartamento na Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, e possui uma casa para descanso, em França, na região dos Altos Pirenéus (Saint-Martin).
Causou grande surpresa a sua eleição para a Academia em 2002. A Instituição tinha a tradição de rejeitar autores de sucesso, ditos "populares", e dela tinham ficado excluídos escritores como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Mário Quintana, etc.
Apesar da sua popularidade, Paulo Coelho é alvo de severas críticas de vários segmentos da sociedade, que abarcam tanto o mérito espiritual como o valor literário da sua obra. Algumas opiniões desaprovam os seus livros e qualificam-nos como "literatura esotérica de auto-ajuda". Muitos de seus textos possuem mesmo erros de concordância e gramaticais, muitas vezes corrigidos em edições posteriores ou nas traduções para outros idiomas. A falta de fidelidade quanto aos factos torna-se evidente quando cotejados com situações verídicas. A crítica também contesta o seu ingresso na Academia Brasileira de Letras.
Em Setembro de 2007, a ONU nomeou-o Mensageiro da Paz. «Aceito com gosto esta responsabilidade e comprometo-me a fazer o máximo para melhorar o futuro desta e das próximas gerações», declarou ao saber da sua nomeação. Os Mensageiros da Paz são designados pessoalmente pelo secretário-geral das Nações Unidas, tendo em conta o seu trabalho em campos como as artes plásticas, a literatura e o desporto, e o seu compromisso de colaborar com os objectivos da ONU.

domingo, 23 de agosto de 2009

EFEMÉRIDEPaulo Menotti Del Picchia, poeta, romancista, cronista, ensaísta, jornalista e pintor modernista brasileiro, faleceu em São Paulo no dia 23 de Agosto de 1988. Nascera na mesma cidade em 20 de Março de 1892. Foi deputado em várias legislaturas.
Filho de imigrantes italianos, Menotti Del Picchia foi também advogado, tabelião, agricultor e industrial, entre outras funções assumidas durante a sua vida. Estudou em Campinas e licenciou-se em Ciências e Letras em Pouso Alegre. Cursou depois Direito na Faculdade de São Paulo.
O primeiro livro que publicou, ainda estudante, foi “Poemas do vício e da virtude” em 1913. Trabalhou em vários jornais, alguns dos quais dirigiu. Fundou o jornal “A Noite”.
Juntamente com Oswald de Andrade, Mário de Andrade e outros jovens artistas e escritores paulistas, participou na Semana de Arte Moderna (1922) no Teatro Municipal de São Paulo. Em 1943, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Entre as suas principais obras salienta-se “Moisés” e “Juca Mulato” (1917), “Máscaras” (1920) e “Salomé” (1940).
Quando faleceu, o seu corpo foi velado na Academia Paulista de Letras, da qual também era membro. Foi igualmente presidente da secção paulista da Associação dos Escritores Brasileiros.
Em sua homenagem, foram fundados na cidade de Itapira, para onde se mudou aos cinco anos de idade, o Parque Juca Mulato e a Casa Menotti Del Picchia (1983). Na cidade de São Paulo existe também uma Praça Juca Mulato, inaugurada em 1978.
A sua vida já foi retratada no cinema e na televisão, respectivamente com "O Homem do Pau-Brasil" (1982) e "Um Só Coração" (2004).
Em 1982 foi proclamado Príncipe dos Poetas Brasileiros, sucedendo a Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Olegário Mariano. Em 1984, recebeu o Prémio Moinho Santista de Poesia.

sábado, 22 de agosto de 2009

Recordando "Abril"
(Finalizo hoje a publicação desta recolha de autocolantes, pertencentes ao meu espólio de recordações, em que tentei recordar o 25 de Abril de 1974 e os anos que se lhe seguiram.
Propositadamente, publiquei poucos do PCP - Partido Comunista Português, porque sendo este o meu Partido de sempre não quis tornar a rubrica facciosa nem “massacrar” os visitantes do blog… G. de S.)
EFEMÉRIDEAlfredo da Silva, industrial português e um dos maiores empresários do Portugal de então, faleceu em Sintra no dia 22 de Agosto de 1942. Nascera em Lisboa, em 30 de Junho de 1871. Fundou um vasto “império” que abrangeu empresas emblemáticas, como a Companhia União Fabril (CUF), a Tabaqueira, o Estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos (depois Lisnave), a Carris, o Banco Totta e a Companhia de Seguros Império.
Filho de um comerciante com recursos, foi estudar para França até à morte do pai, o que o obrigou a regressar. Matriculou-se no Curso Superior de Comércio. Em 1890, com apenas 19 anos, tornou-se gestor da herança da família. Três anos mais tarde, já era administrador da Companhia Aliança Fabril (CAF) e do Banco Lusitano. Aos 26 anos, concebeu um projecto audacioso: a fusão da sua empresa, a CAF, com a CUF. Era uma questão de sobrevivência: ambas as companhias viviam em grandes dificuldades. Em 22 de Abril de 1898 foi formalizada a constituição da nova CUF, que passou a produzir sabões, velas e óleos vegetais e viria a tornar-se um gigante da indústria, ao iniciar em Portugal a produção de adubos em grande escala.
Em 1907 a Companhia União Fabril estava em plena expansão e era necessário encontrar um local para instalar novas unidades fabris. Alfredo da Silva escolheu o Barreiro. A pequena vila à beira do Tejo nunca mais viria a ser a mesma. De resto a empresa veio a espalhar várias fábricas pelo país, empregando 16 mil pessoas ao todo. O lema da Companhia União Fabril era "O que o País não tem, a CUF cria".
Alfredo da Silva foi vítima de dois atentados fracassados o que o levou a exilar-se em Espanha e França, gerindo a CUF à distância.
Foi eleito deputado em 1906 antes de apoiar Sidónio Pais e de conquistar um lugar na Câmara Corporativa em 1935. Em 1936 foi adjudicada a concessão do Estaleiro da Rocha Conde de Óbidos à CUF: foi a revolução na construção naval em Portugal e o embrião da Lisnave.
Alfredo da Silva, graças ao seu poder económico e ao sentido do negócio, podia por vezes interessar-se por empreendimentos diferentes da sua mais habitual actividade industrial. Exemplo disso foi a aquisição do Cineteatro Éden, que nem sequer tinha a intenção de explorar como tal. Mais tarde vendeu-o com grande lucro.
Salazar considerava o empresário demasiado independente para o seu gosto… Assim, existiram dois projectos que Alfredo da Silva nunca conseguiu realizar: o primeiro, em 1926, quando tentou avançar com a constituição da Companhia Portuguesa de Rádio Marconi. O outro, nos anos 1930, quando tentou, em concurso, que fosse arrendada à CUF a concessão da Linha de Caminho de Ferro Sul-Sueste, pertença dos Caminhos-de-Ferro do Estado.
Após a sua morte, a CUF passou para o comando do Grupo Mello, composto pelo genro Manoel de Mello e os filhos Jorge de Mello e José de Mello.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEUsain St. Leo Bolt, atleta jamaicano, campeão olímpico e detentor dos recordes mundiais dos 100 m, 200 m e da estafeta 4 x 100 m, nasceu em Trelawny no dia 21 de Agosto de 1986. Nos 100 m bateu o recorde mundial por três vezes, com 9,72s no Reebok Grand Prix de Nova Iorque em 2008; 9,69s na final Olímpica de Pequim no mesmo ano e obtendo agora 9,58s nos Mundiais de Berlim.
Nos 200 m bateu, nas Olimpíadas de Pequim, o recorde mundial com 19,30s, superando a antiga marca do ex-atleta norte-americano Michael Johnson que era de 19,32s.
Fazendo equipa com Asafa Powell, Michael Frater e Nesta Carter, nos J. O. de Pequim, conquistou também o título na estafeta 4x100 m, batendo o antigo recorde mundial (37,40s) que era dos Estados Unidos e vigorava há 15 anos, com 37,10s.
Tornou-se o primeiro atleta a vencer os 100, 200 e a estafeta 4x100 nos mesmos Jogos Olímpicos, desde Carl Lewis em 1984, e o primeiro a consegui-lo batendo os respectivos recordes mundiais.
Começou por gostar mais de jogar cricket, mas foi o próprio treinador que, adivinhando nele um prodígio, o convenceu a dedicar-se ao atletismo.
Aos quinze anos ganhou uma medalha de ouro e duas de prata nos Mundiais de Juniores, realizados em Kingston, capital da Jamaica. Os seus resultados valeram-lhe desde logo os apelidos de "Homem Mais Rápido do Mundo" e de “Relâmpago Bolt”.
Em Mundiais de Seniores ganhou até agora uma medalha de ouro (Berlim, 2009) e duas de prata (Osaka, 2007).
Em Maio de 2009 declarou em Manchester, depois de um meeting de atletismo: «O meu objectivo é transformar-me numa lenda e estou trabalhando no duro para o conseguir».
Na recente final dos Mundiais de Berlim, em que bateu o recorde mundial dos 100 metros, correu-os à média de 37,58 km/h com uma velocidade máxima de 44,72 km/h entre os 60 e os 80 metros. As suas passadas médias são de 2,50 m, chegando a 2,70 m nas maiores. Assim, ele corre os cem metros em 40 0u 41 passadas, contra as 45 que são o “normal” nesta distância.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Recordando "Abril"
(Maqueta feita na época pelo autor desta recolha de autocolantes. A foto é do cockpit de um Concorde.)

Será mais seguro... (humor negro)
(Clicar na imagem para a aumentar)
EFEMÉRIDE Dina Mangabeira, de seu verdadeiro nome Bernarda Carvalho de Rezende, escritora brasileira de Minas Gerais, nasceu em Bocaiúva no dia 20 de Agosto de 1923. Faleceu em Belo Horizonte, em 11 de Fevereiro de 2000, vítima de doença cancerosa.
O nome "Mangabeira", dado à família, surgiu porque o seu avô paterno industrializava o leite de mangabas dos muitos mangabais que arrendava em fazendas do norte de Minas e da Bahia, para vender a fábricas de borracha.
Mudando-se aos dois anos de idade com os seus pais e irmãos para Montes Claros, Dina fez ali os seus estudos.
Leccionou de 1945 até 1948, ano em que, por ocasião do casamento, deixou o magistério a fim de cuidar dos filhos e dedicar-se à literatura.
Dina mudou-se para Belo Horizonte já depois dos cinquenta anos de idade, quando o marido pediu transferência do banco onde trabalhava.
Lia muito e tinha sempre à mão uma caneta e um papel para anotar as suas ideias. Em 1981 começou a enviar artigos para os jornais de Montes Claros e Belo Horizonte e nunca mais parou. À medida que os seus artigos foram conhecidos, foi convidada para ingressar na Academia Feminina Mineira de Letras e para participar na Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. Começou então a publicar os seus livros e a ser incluída em várias antologias e trabalhos colectivos.
O Governo do Estado de Minas Gerais outorgou-lhe a Medalha Santos Dumont, para consagrar a sua vida literária.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Recordando "Abril"

Só um copo...
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EFEMÉRIDEMaria de Medeiros Esteves Vitorino d'Almeida, actriz e realizadora portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 19 de Agosto de 1965. É considerada a melhor actriz portuguesa de cinema da sua geração. Foi recentemente nomeada "Embaixatriz da UNESCO para a Paz".
Filha do maestro António Vitorino de Almeida, tem uma irmã também actriz (Inês de Medeiros) e é neta materna da escritora juvenil e autora radiofónica Odette de Saint-Maurice.
Passou a infância na Áustria, regressando o Portugal após o 25 de Abril de 1974. Depois da juventude em Lisboa, onde estudou no Liceu Francês, instalou-se em Paris.
Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Sorbonne, frequentando depois a Escola Nacional Superior de Artes e Técnicas de Teatro e o Conservatório Nacional das Artes de Paris, onde se formou como actriz.
Iniciou a sua carreira primeiro no Teatro e depois no Cinema, sendo reconhecida como a mais internacional das actrizes portuguesas.
Consolidou a sua actividade cinematográfica com duas películas americanas: “Henry e June”, de Philip Kaufman (1990) e “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino (1994), onde actuou ao lado de Bruce Willis e John Travolta. Salientam-se ainda as suas interpretações em “A Divina Comédia”, de Manoel de Oliveira (1991); “Huevos de Oro”, de Bigas Lunas (1993); “Três Irmãos”, de Teresa Villaverde (1994), que lhe valeu os Prémios de Melhor Actriz no Festival de Veneza e no Festival de Cancun; “Adão e Eva”, de Joaquim Leitão (1995) que lhe trouxe um Globo de Ouro na categoria de Melhor Actriz; e “O Xangô de Baker Street”, de Miguel Faria Jr. Terá feito no total cerca de 80 filmes, incluindo as curtas-metragens.
No ano de 2000 realizou “Capitães de Abril”, sobre o 25 de Abril de 1974 em Portugal, seleccionado para o Festival de Cannes e premiado no Festival de São Paulo no Brasil.
Maria de Medeiros fala fluentemente seis idiomas.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Recordando "Abril"
Leitinho...
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EFEMÉRIDEJosé Tomás de Sousa Martins, médico e professor catedrático de Medicina, faleceu em Alhandra no dia 18 de Agosto de 1897. Nascera na mesma localidade em 7 de Março de 1843.
Licenciado em Farmácia e Medicina, trabalhou intensamente, na maioria dos casos de forma gratuita, sobretudo no combate à tuberculose. Orador brilhante, dotado de humor e inteligência, homem de actividade inesgotável e praticante incansável da caridade junto dos mais desfavorecidos, exerceu uma forte influência sobre os colegas de profissão, os alunos e os pacientes que tratou. Esta influência perpetuou-se no tempo, tendo a figura de Sousa Martins assumido contornos de santo laico, num culto actual, bem visível nos ex-votos colocados em torno da sua estátua no Campo de Santana, em Lisboa, e no cemitério de Alhandra, onde está sepultado.
Filho de um carpinteiro e de uma doméstica, pertencia a uma família com escassos recursos económicos. Viveu a infância em Alhandra, onde completou o ensino primário, então os únicos estudos possíveis naquela vila. Ficou órfão do pai aos 7 anos.
Aos doze foi aconselhado pela mãe a partir para Lisboa, onde um seu tio materno se tinha estabelecido como farmacêutico na Rua de São Paulo. Ficou instalado em casa do tio, trabalhando como aprendiz na farmácia, ao mesmo tempo que frequentava o Liceu Nacional de Lisboa. Em 1 de Abril de 1856 iniciou oficialmente funções como praticante de botica na Farmácia Ultramarina. Tornou-se exímio manipulador de produtos naturais e adquiriu uma experiência que depois muito valorizou como médico e professor de Medicina.
Terminado o curso liceal, concluiu em 1861 os estudos preparatórios da Escola Politécnica, ingressando seguidamente no curso de Medicina da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e, no ano seguinte, no curso de Farmácia, onde os conhecimentos que adquirira enquanto praticante de farmácia o ajudaram a terminar em 1864, com 21 anos de idade, o curso de farmacêutico com excelente classificação. Após a conclusão do curso de Farmácia, decidiu continuar os estudos e concluiu, em 1866, com apenas 23 anos, o curso de Medicina, apresentando como tese de licenciatura um trabalho intitulado “O Pneumogástrico Preside à Tonicidade da Fibra Muscular do Coração”.
Em 13 de Julho de 1864 foi eleito sócio efectivo da Sociedade Farmacêutica Lusitana, assumindo em pouco tempo um papel relevante na vida da instituição, elaborando ao longo da década seguinte múltiplos relatórios e pareceres e publicando vários artigos no Jornal da Sociedade Farmacêutica, órgão oficial daquela associação. Foi durante mais de uma década vogal da Comissão de Saúde Pública da Sociedade, tendo um papel relevante na regulação de diversas práticas farmacêuticas potencialmente perigosas para a saúde pública. Em 4 de Agosto de 1874 foi feito membro benemérito da Sociedade, com fundamento na maneira brilhante como desempenhara o difícil e honroso encargo de representar Portugal num congresso realizado em Viena, sobre assuntos relacionados com quarentenas e medidas sanitárias. Em 1867 foi feito sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Em 1868 foi nomeado, após concurso público, para o cargo de demonstrador da Secção Médica da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Nesse mesmo ano foi eleito sócio da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, iniciando uma carreira ligada ao ensino e investigação na área da Medicina.
No desenvolvimento dessa carreira, em 1872 foi nomeado lente da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e em 1874 médico extraordinário do Hospital de São José.
Como médico e professor, dava grande importância à componente psicológica e de relacionamento humano na prática médica. A sua actividade no Hospital de São José e, em particular, a importante acção filantrópica que exercia a favor dos doentes mais pobres, afirmou-o como um dos médicos portugueses mais prestigiados. Ganhou enorme renome na luta contra a tuberculose, que então atingia proporções epidémicas em Lisboa, renome reforçado ao liderar a expedição científica à Serra da Estrela e ao defender a construção naquelas montanhas de sanatórios destinados à climoterapia daquela doença.
Adoeceu quando se encontrava de serviço em Veneza (1897), regressando a Lisboa muito debilitado. Diagnosticada tuberculose, partiu para a Serra da Estrela à procura de alívio. Aparentemente convalescido, veio para Alhandra, onde se instalou numa quinta, propriedade de amigos, tentando recuperar. A doença agravou-se e, aos 54 anos, tuberculoso terminal e sofrendo de lesão cardíaca, Sousa Martins suicidou-se com uma injecção de morfina. Pouco antes, havia confidenciado a um amigo: «Um médico ameaçado de morte por duas doenças, ambas fatais, deve eliminar-se a si próprio».
O principal hospital da cidade da Guarda tem o nome de Hospital Sousa Martins, em homenagem ao seu trabalho pioneiro sobre a tuberculose e a climoterapia, que conduziu à promoção da Serra da Estrela como área propícia à instalação de sanatórios para o tratamento dos doentes.
O Dr. Sousa Martins foi também um adepto do Espiritismo e muitos dos seguidores dessa crença atribuem-lhe curas milagrosas por intermédio das suas comunicações mediúnicas.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDE Vidiadhar Surajprasad Naipaul, escritor britânico, nasceu em Trindade-e-Tobago (Chaguanas) no dia 17 de Agosto de 1932.
Foi laureado com o Prémio Nobel de Literatura em 2001. De família indiana, assina os seus livros como V. S. Naipaul. Radicou-se em Inglaterra em 1950, para onde foi estudar. Licenciou-se em Letras na University College de Oxford. Enveredou depois pelo jornalismo, colaborando em várias revistas e assegurando uma rubrica de crítica literária na BBC.
Dedicou-se mais tarde aos romances e às novelas. Os seus primeiros livros desenrolam-se nas Antilhas. Depois da publicação do “Massagista Místico” em 1957 e da recolha de novelas “Miguel Street” em 1959, que revelou o seu talento de humorista e de “pintor” do quotidiano, conheceu um enorme sucesso com “Uma Casa para o Senhor Biswas” em 1961, romance biográfico inspirado pela figura de seu pai.
Escritor cosmopolita, Naipaul alargou em seguida os seus horizontes geográficos, evocando os efeitos perversos do colonialismo e do nacionalismo no terceiro-mundo.
O autor relatou as suas impressões de viagem em “Índia - um milhão de revoltas” (1990) e fez uma análise crítica do integralismo muçulmano, nos países não árabes como a Indonésia, o Irão, a Malásia e o Paquistão, em “Among the Believers” (1981) e “Beyond Belief” (1998).
Muitas vezes as suas obras deixaram desesperados os “terceiro-mundistas” que o acusavam de pessimismo. São agora numerosos os que reconhecem o seu carácter premonitório. Ele limita-se a dizer que apenas «observava e recolhia opiniões».
Naipaul recebeu vários prémios literários, entre os quais o “Hawthornden Prize” em 1964, o “Booker Prize” em 1971 e o “T.S. Eliot Award for Creative Writing” em 1986. É Doutor honoris causa de várias universidades.

domingo, 16 de agosto de 2009

Recordando "Abril"

no comments...
EFEMÉRIDEJohn Stith Pemberton, médico, farmacêutico e inventor norte-americano, criador da fórmula de uma bebida que se encontra hoje à venda em quase todo o mundo, faleceu em 16 de Agosto de 1888. Nascera em Knoxville, no Condado de Crawford, no dia 8 de Janeiro de 1831.
Com 19 anos, licenciou-se em medicina no Medical College of Georgia, recebendo igualmente qualificação para farmácia.
Paralelamente à sua carreira de médico e cirurgião, utilizava ervas e plantas para a confecção de remédios. Assim, criou pílulas para o fígado, licor de gengibre, pomadas para dermatologia, produtos para a coloração dos cabelos e xaropes para a tosse, asma e pulmões.
Farmacêutico e químico de grande talento, continuou a sua vida activa após a reforma médica, tornando-se um empresário respeitado e abrindo várias farmácias e boticas de produtos naturais.
Após voltar da Guerra Civil como um herói, assumiu uma nova paixão: criar uma bebida refrescante. Num dia de Maio de 1886, do interior do seu laboratório, saía o primeiro lote de uma bebida que viria a ficar conhecida mundialmente por “Coca-Cola”.

sábado, 15 de agosto de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEGrazia Deledda, escritora e poeta da Sardenha, vencedora do Prémio Nobel de Literatura em 1926, faleceu em Roma no dia 15 de Agosto de 1936. Nascera em Nuoro, Itália, em 27 de Setembro de 1871.
Com Giovanni Brotzu, Antonio Gramsci e Emilio Lussu, Grazia Deledda está entre os Sardos mais importantes do século XX.
Autodidacta, ela nem sequer terminou a instrução primária. Fiel à sua personalidade, recebeu o Prémio Nobel sem um sorriso.
Nos seus livros, que na maioria se desenrolam na parte mais profunda da Sardenha, encontramos a descrição de um mundo agrário e pastorício, que era governado por uma lei antiga e não escrita chamada “Balentia”.
As suas obras tratam de temas fortes como o amor, a dor e a morte, que alimentam os sentimentos do pecado e da fatalidade.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Recordando "Abril"
EFEMÉRIDE John Galsworthy, romancista e dramaturgo inglês, Prémio Nobel de Literatura em 1932, nasceu em Kingston Hill no dia 14 de Agosto de 1867. Faleceu em Londres, em 31 de Janeiro de 1933.
Tendo por origem uma família desafogada, estudou Direito em Oxford, licenciou-se em 1890, mas nunca praticou a profissão. A amizade que o ligava a Joseph Conrad atraiu-o para a literatura.
A sua primeira peça de teatro, “The Silver Box” (1906), foi um sucesso. Seguiu-se “The Man of Property” (1906), primeiro livro da trilogia “Forsyte”.
Publicou muitos outros romances e peças de teatro, mas a sua obra mais conhecida é a saga dos “Forsyte”, uma série de romances publicados entre 1906 e 1921, que constitui um verdadeiro fresco da sociedade britânica.
Em 1933 um tumor no cérebro levou-o, quando teria ainda muito para legar à literatura mundial.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDEAntónio Sebastião Ribeiro de Spínola, político e militar português, décimo quinto Presidente da República, (o primeiro após o 25 de Abril de 1974), faleceu em Lisboa no dia 13 de Agosto de 1996, vítima de uma embolia pulmonar. Nascera em Estremoz, em 11 de Abril de 1910.
Foi nomeado governador militar da Guiné-Bissau em 1968, e de novo em 1972, no auge da Guerra Colonial. Neste último cargo, ganhou grande prestígio ao respeitar a individualidade das etnias guineenses e ao associar autoridades tradicionais à Administração. Ao mesmo tempo continuava a guerra por todos os meios ao seu dispor, que iam da diplomacia secreta (encontro com Senghor presidente do Senegal) até incursões armadas a países vizinhos (ataque dos Comandos a Conakri).
Em Novembro de 1973, regressado à metrópole, foi convidado por Marcello Caetano, para Ministro do Ultramar, cargo que recusou, por não aceitar a intransigência governamental face às colónias.
Em 17 de Janeiro de 1974, foi nomeado vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, por sugestão de Costa Gomes, cargo de que foi afastado em Março. Pouco tempo depois, mas ainda antes da Revolução dos Cravos, publicou “Portugal e o Futuro”, livro em que defendia a ideia de uma solução para o problema colonial português que não passasse pela continuação da guerra.
Em 25 de Abril de 1974, como representante do Movimento das Forças Armadas, recebeu do Presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, a rendição do Governo.
Instituída a Junta de Salvação Nacional (que passou a deter as principais funções de condução do Estado), à qual presidia, foi escolhido pelos seus camaradas para exercer o cargo de Presidente da República, cargo que ocupou até à sua renúncia em 30 de Setembro de 1974, data em que foi substituído pelo general Costa Gomes.
Descontente com o rumo dos acontecimentos em Portugal após o 25 de Abril (designadamente pela profunda viragem à esquerda, à qual eram afectos grande número de militares, e a perspectiva de independência plena para as colónias), tentou intervir activamente na política para evitar a aplicação completa do programa revolucionário. A sua demissão da Presidência da República, após um golpe falhado em 28 de Setembro de 1974 (em que apelara para uma “maioria silenciosa” para se fazer ouvir contra a radicalização política que se vivia), e o seu envolvimento na tentativa de golpe de estado de direita do 11 de Março de 1975 (e fuga para Espanha e depois para o Brasil) são disso exemplos. Neste último ano presidiu ao Exército de Libertação de Portugal (ELP), uma organização terrorista de extrema-direita.
Não obstante tudo isto, a sua importância no início da consolidação do novo regime democrático foi reconhecida em 5 de Fevereiro de 1987, pelo então Presidente Mário Soares, que o designou chanceler das antigas ordens militares portuguesas, tendo-o também condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada (a maior insígnia militar portuguesa).

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDECantinflas, nome artístico de Fortino Mario Alfonso Moreno Reyes, célebre actor e humorista mexicano, nasceu na Cidade do México no dia 12 de Agosto de 1911. Morreu, também na capital mexicana, em 20 de Abril de 1993.
Nasceu numa família muito humilde e tinha doze irmãos. Teve uma adolescência marcada pela pobreza, o que o levou a começar a trabalhar muito cedo, primeiro como engraxador e depois como aprendiz de toureiro, motorista de táxi e pugilista.
A sua vida mudaria porém quando, aos vinte anos, trabalhando como empregado num teatro popular, teve a oportunidade de substituir o apresentador do espectáculo, que tinha adoecido. Ao inverter frases, trocar palavras e abusar do improviso, Cantinflas, conquistou o público.
Dos mais de 40 filmes que fez, a maior parte foi produzida pela sua própria companhia.
Em Hollywood entrou apenas em dois filmes, salientando-se “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, um sucesso de bilheteira e vencedor do Oscar de melhor filme em 1957. A sua carreira durou até a década de 80. A crítica, no entanto, considera que os seus melhores filmes foram feitos nos anos 1940/50. Entre os seus trabalhos mais elogiados deste período estão: “Os Três Mosqueteiros” (1942); “O Circo” (1943); '”O Super sábio”, “O Mágico” (1948); “O Bombeiro Atómico “ (1950) e “Se Eu Fosse Deputado”.
Recebeu o Globo de Ouro de melhor actor com “A Volta ao Mundo em 80 Dias” em 1957.
Muitos críticos comparam Cantinflas a Charlie Chaplin que, aliás, o reconhecia como «o homem mais cómico do mundo».

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Recordando "Abril"

Humor negro

EFEMÉRIDE Pedro Nunes, matemático e cosmógrafo português, faleceu em Coimbra no dia 11 de Agosto de 1578. Nascera em Alcácer do Sal, em 1502.
Dedicou-se também aos problemas matemáticos da cartografia, sendo ainda o inventor de vários aparelhos de medida, incluindo o nónio (nonius - o seu apelido em latim).
Em 1537 traduziu para português o “Tratado da Esfera de Sacrobosco”, os capítulos iniciais das “Novas Teóricas dos Planetas de Purbáquio” e o livro primeiro da “Geografia de Ptolomeu”.
Em 1544 foi-lhe confiada a cátedra de matemática da Universidade de Coimbra, a maior distinção que se podia conferir naquela época a um matemático.
Subsistem ainda hoje dúvidas sobre a origem familiar de Pedro Nunes. Judeu ou não, o certo é que os seus netos Matias Pereira e Pedro Nunes Pereira foram presos e condenados pela Inquisição, acusados de serem judeus.
A infância de Pedro Nunes é pouco conhecida. Sabe-se que estudou na Universidade de Salamanca, talvez de 1521 a 1522, e na Universidade de Lisboa (que mais tarde veio a ser a Universidade de Coimbra) onde fez a sua graduação em medicina em 1525. No século XVI, a medicina usava a astrologia e assim ele também aprendeu astronomia e matemática. Pedro Nunes continuou os seus estudos em medicina, mas leccionou igualmente várias disciplinas na Universidade de Lisboa, incluindo moral, filosofia, lógica e metafísica. Quando, em 1537 a universidade voltou para Coimbra, ele foi para lá ensinar matemática, cargo que manteve até 1562. Esta era uma nova disciplina na Universidade de Coimbra e foi criada com o intuito de fornecer as instruções técnicas necessárias para a navegação, que se tornara bastante importante em Portugal, num período em que o domínio do comércio marítimo era essencial para o país.
Além de se dedicar ao ensino, foi nomeado “Cosmógrafo Real” em 1529 e “Cosmógrafo - mor”, de 1547 até à sua morte.
Em 1531, o Rei D. João III encarregou Pedro Nunes da educação dos seus irmãos mais novos, Luís e Henrique. Anos depois, foi também responsável pela educação do neto do rei (e futuro rei), Sebastião.
Pedro Nunes viveu num período de transição, onde a ciência mudou de uma índole teórica (e onde o principal papel dos cientistas era comentar os trabalhos dos autores precedentes), para a efectivação de dados experimentais, ambos como forma de informação e como método de confirmar as teorias existentes. Nunes foi acima de tudo um dos últimos grandes comentadores, como mostra o seu primeiro trabalho publicado, mas também reconhecia a importância da experimentação.
Pedro Nunes estava ciente de que o conhecimento científico devia ser partilhado. Assim, o seu trabalho original era impresso em três línguas diferentes: Português, Latim e Espanhol, o que foi considerado surpreendente por alguns historiadores, dado que Espanha era então o principal adversário de Portugal no domínio marítimo.
Foi ele o primeiro a perceber porque é que um navio que mantivesse uma rota fixa não conseguiria navegar através de uma circunferência, o caminho mais curto entre dois pontos na terra, mas deveria antes seguir uma rota em espiral chamada loxodrómica. A posterior invenção dos logaritmos permitiram a Leibniz estabelecer a respectiva equação algébrica.
No seu Tratado em defesa da carta de marear, Nunes argumentou que uma carta náutica deveria ter circunferências paralelas e meridianos desenhados como linhas rectas. Ele também se mostrava capaz de resolver todos os problemas que isto causava, uma situação que durou até Mercator desenvolver a “projecção de Mercator”, o sistema que é usado até hoje.
Pedro Nunes dedicou-se igualmente ao estudo matemático de máquinas simples (plano inclinado, roda, alavanca…).
Foi um dos maiores vultos científicos do seu tempo, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento da navegação, essencial para as descobertas portuguesas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDE - José Antonio Domínguez Banderas, actor e realizador espanhol de cinema, nasceu em Málaga no dia 10 de Agosto de 1960.
Filho de um policia e de uma professora, começou por se dedicar ao futebol, pensando tornar-se profissional, mas uma fractura num pé levou-a a abandonar este sonho e a enveredar pela carreira artística, inscrevendo-se na Escola de Arte Dramática de Málaga e integrando o Teatro Nacional de Espanha aos 21 anos.
Amigo pessoal do cineasta Pedro Almodôvar, entrou a partir de 1982 em vários dos seus filmes, como “Matador”, “Ata-me”, “Mulheres à beira de um ataque de nervos” e “A lei do desejo”.
Só depois de actuar em diversos filmes europeus é que se estreou em películas norte-americanas. Chegou a Hollywood sem saber uma palavra de inglês, mas rapidamente aprendeu a língua, chegando mais tarde a emprestar mesmo a sua voz para filmes de desenhos animados.
A sua consagração deu-se com o filme “Evita”, em que contracenou com Madonna, actriz que afirmara um dia «ser capaz de tudo para o conquistar». Seguiram-se vários filmes de sucesso, como a “Máscara de Zorro”, ao lado de Catherine Zeta-Jones.
O primeiro filme que realizou foi “Loucos do Alabama” em 1999. É casado com a também actriz Melanie Griffith (segundo casamento),
Ganhou o prémio de “Melhor Actor” no European Film Awards (1998) e no Festival de Valladolid (1990).

domingo, 9 de agosto de 2009

Recordando "Abril"
EFEMÉRIDESharon Marie Tate, actriz norte-americana e uma das mulheres mais bonitas de Hollywood na década de 1960, morreu de maneira trágica, grávida de oito meses, brutalmente assassinada pela "família" Manson, em Bel-Air no dia 9 de Agosto de 1969. Nascera em Dallas, em 24 de Janeiro de 1943.
Aos seis meses, ganhou o seu primeiro concurso de beleza, sendo coroada Miss Tiny Tot em Dallas, Texas, sua cidade natal. Os seus primeiros trabalhos na vida artística foram como modelo de comerciais, em editoriais de moda e em capas de revista, tornando-se uma das cover-girls mais conhecidas do país.
Sharon começou a chamar a atenção do mundo do cinema com a sua actuação em “Não Faça Onda”, de 1967, uma comédia com Tony Curtis e Claudia Cardinale. O seu corpo perfeito e o seu lindo rosto levaram-na depois a estrela principal da comédia de humor negro “A Dança dos Vampiros”, de Roman Polansky, cineasta polaco com quem se viria a casar em 1968, formando um dos casais mais charmosos e populares do meio artístico nos Estados Unidos e na Europa, com os seus passos perseguidos pela imprensa de todo o mundo.
Sharon Tate começara a atingir o super-estrelato no final dos anos 1960, depois de ser uma das protagonistas da película “O Vale das Bonecas” e do último filme da série Matt Helm, com Dean Martin. Uma carreira e uma vida que foram interrompidas pelo seu brutal assassínio e de mais três amigos, dentro de sua própria casa, por integrantes da “família” Manson, comandada pelo psicopata Charles Manson, enquanto o seu marido se encontrava na Europa, produzindo um novo filme.
Sharon estava então grávida de oito meses do seu primeiro filho. O seu assassinato foi considerado uma das maiores tragédias ocorridas na sociedade e na história criminal americana.
Charles Manson, o mentor da chacina, e os assassinos Charles, Susan e Patricia foram condenados à morte, pena comutada em 1972 pelo estado da Califórnia em prisão perpétua. Todos estão presos até hoje, tendo sido negadas todas as petições de liberdade condicional.
Sharon suplicou a Charles Manson e ao seu grupo que poupassem a vida do bebé, mas eles não tiveram nenhuma piedade e apunhalaram-na 16 vezes antes de a enforcar. O nome “pig” (porco) foi escrito com o sangue das vítimas na porta de entrada.
Duas citações de Sharon Tate para meditar : «A minha vida inteira foi decidida pelo destino…» e «A beleza é uma coisa que se vê. O amor é uma coisa que se sente».

sábado, 8 de agosto de 2009

Recordando "Abril"

EFEMÉRIDE Ronnie Biggs, de seu verdadeiro nome Ronald Arthur Biggs, salteador inglês célebre por ter participado em 8 de Agosto de 1963 no roubo de 125 sacos cheios de dinheiro (68 milhões de dólares ao câmbio actual), do comboio postal Glasgow - Londres, nasceu em Lambeth no dia 8 de Agosto de 1929, completando hoje oitenta anos.
Foi detido no ano seguinte ao assalto. Julgado e condenado a 30 anos de prisão, escapou da penitenciária em 1965, escalando o muro com uma escada feita de cordas. Fugiu para Paris, onde adquiriu um passaporte falso e fez uma cirurgia plástica. Em 1970, mudou-se para Adelaide, na Austrália. Trabalhou na montagem de cenários para televisão, até que um repórter o reconheceu. Fugiu então para Blackburn North em Melbourne, permanecendo ali durante algum tempo antes de viajar para o Brasil, deixando para trás a esposa e os dois filhos.
Em 1974, foi encontrado pelo jornal Daily Express no Rio de Janeiro. Um repórter recebera informações acerca do seu paradeiro e os detectives da Scotland Yard foram no seu encalço. No entanto Biggs não podia ser extraditado, pois na época não havia acordos recíprocos nem tratados assinados entre o Brasil e o Reino Unido. Ainda por cima, a então namorada brasileira de Biggs estava grávida, situação que impedia a sua expulsão, segundo a lei do Brasil. A sua situação de foragido também não lhe permitia trabalhar legalmente, mas não o impedia de tirar proveito do azar da Scotland Yard. Repentinamente, chávenas, t-shirts e outros objectos com a figura de Biggs estampada começaram a surgir em pontos turísticos do Rio. Por alguns dólares, qualquer um poderia almoçar e bater um papo com o charmoso anti-herói.
Em 1981, Biggs foi sequestrado por uma gang de aventureiros, que o levou até Barbados esperando receber uma recompensa da polícia britânica. O plano foi desmascarado e Biggs fez uso de brechas na lei para ser mandado de regresso ao Brasil.
Acabou por se tornar de certo modo uma celebridade. Diz-se que voltou várias vezes a Inglaterra, durante a realização de um documentário sobre o assalto, sempre disfarçado.
Após a tentativa de extradição, gravou “Mailbag Blues”, uma narrativa musical da sua vida, que ele pretendia usar como banda sonora de um filme.
O filho de Biggs com Raimunda de Castro, Michael Biggs, seguiu uma carreira musical, tornando-se membro do grupo infantil “Turma do Balão Mágico” e ajudando à sobrevivência do pai. Pouco tempo depois, no entanto, o grupo terminou, deixando pai e filho novamente em delicada situação financeira.
Em 2001 declarou ao jornal “The Sun” que estava disposto a voltar para a sua terra natal, mesmo sabendo que seria detido logo que desembarcasse em Inglaterra. Biggs voltou efectivamente a Inglaterra, sendo imediatamente preso. A viagem, num jacto fretado, foi paga pelo “The Sun”, que teria pago igualmente mais de 44,000 libras, além das despesas relativas à viagem, em troca da exclusividade pela história.
Após diversos apelos e petições para a sua libertação (baseados na saúde frágil de Biggs, que sofreu dois ataques cardíacos e vários derrames), terem sido negados pela justiça britânica, o seu advogado anunciou em 2008 que, por ter cumprido um terço da sua condenação, Biggs teria direito à liberdade condicional. O pedido foi no entanto recusado, pois Biggs não mostrava arrependimento pelos seus crimes. Em 28 de Julho último, foi internado com uma pneumonia grave e anteontem, 6 de Agosto de 2009, o Ministro da Justiça da Inglaterra concedeu-lhe finalmente a liberdade devido ao seu débil estado de saúde.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Recordando "Abril"
EFEMÉRIDE Oliver Hardy, de seu verdadeiro nome Norvell Hardy, comediante norte-americano, faleceu em Hollywood no dia 7 de Agosto de 1957, vítima de trombose cerebral. Nascera em Harlem, Georgia, em 18 de Janeiro de 1892. Os pais eram descendentes de ingleses e de escoceses. O nome Oliver era o de seu pai, que morreu quando ele tinha apenas dois anos de idade.
Educado pela mãe, seguiu uma escolaridade normal apaixonando-se simultaneamente pelo canto lírico. No entanto, a ideia de se tornar profissional de canto não o encantava sobremaneira. Prosseguiu os estudos e obteve o licenciamento como advogado, profissão que nunca chegou a exercer.
Em 1910 “descobriu” o cinema e abriu mesmo uma sala de projecção. Em 1913/1914 tornou-se actor. Fez muitos filmes, ainda mudos, e à noite cantava em cabarets. Na mesma época entrou para a Maçonaria.
O papel mais relevante de Oliver Hardy foi o de “Bucha”, em numerosos filmes da série Bucha e Estica (Laurel & Hardy). Fez mais de quatrocentas películas, curtas e longas-metragens, das quais cerca de duzentas com Stan Laurel, que conhecera em 1926 e que faleceu poucos tempo depois dele, inconsolável com a morte do seu companheiro e amigo.
Em 1951 foi produzido o último filme (“Utopia”), que marcou a despedida desta célebre dupla cómica. Oliver Hardy foi casado três vezes, não tendo deixado descendentes.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

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Aposentado da Aviação Comercial, gosto de escrever nas horas livres que - agora - são muito mais...