quarta-feira, 31 de março de 2010

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Mulher zangada é fogo!... (?)

EFEMÉRIDE – Maria Ruth dos Santos Escobar, actriz e produtora cultural luso-brasileira, nasceu no Porto em 31 de Março de 1936. Ela é uma das personalidades mais notáveis do teatro brasileiro, empreendedora de muitos projectos culturais especialmente comprometidos com a vanguarda artística.
Nascida em Portugal, Ruth Escobar foi para o Brasil em 1951. Anos depois, casou-se com o filósofo e dramaturgo Carlos Henrique Escobar e, em 1958, partiram para a França, onde Ruth fez cursos de interpretação. Ao voltar ao Brasil, montou uma companhia própria, a “Novo Teatro”, em parceria com o director Alberto D'Aversa. Após algumas experiências no palco, como “Mãe Coragem e Seus Filhos” (1960) de Bertolt Brecht e “Males da Juventude” (1961) de Ferdinand Bruckner, protagonizou em 1962 “Antígone América”, texto do marido.
Em 1964 decidiu fundar um teatro popular e, para isso, fez adaptar um autocarro que se transformou em palco, levando espectáculos à periferia de São Paulo, iniciativa intitulada “Teatro Popular Nacional”. Esta actividade durou até 1965. Em 1964 inaugurara também a sua própria casa de espectáculos, orientada para a vanguarda artística.
Uma iniciativa ousada seguiu-se, em 1968, com a ida para o Brasil do franco-argentino Victor Garcia, convidado para a montagem de “Cemitério de Automóveis”, adaptação do próprio Garcia para a obra de Fernando Arrabal, encenada anteriormente em Dijon (1966) e em Paris (1968). Uma antiga garagem foi totalmente remodelada e a encenação destacou Ruth Escobar como actriz e produtora de grande projecção.
O seu prestígio aumentou, em 1969, com a produção de “O Balcão” de Jean Genet, com uma deslumbrante encenação de Victor Garcia. A produção arrebatou todos os prémios importantes e Ruth Escobar foi agraciada com um Troféu de Personalidade do Ano.
Em 1972 “A Viagem”, adaptação cénica dos Lusíadas, de Luís de Camões, teve na sua estreia a presença do então primeiro-ministro de Portugal, Marcelo Caetano.
Nos anos seguintes, centralizou no seu teatro importantes manifestações contra o regime militar brasileiro, inclusive a fundação do “Comité da Amnistia Internacional”.
Com o “1º Festival Internacional de Teatro” em 1974, Ruth Escobar deu outro passo ambicioso: apresentar periodicamente em São Paulo o melhor da produção teatral mundial. No mesmo ano, “Autos Sacramentales” de Calderón de la Barca, triunfou na Bienal de Veneza, com actuações também em Londres e em Portugal.
Em 1976, outro projecto de fôlego - a “Feira Brasileira de Opinião” - reuniu textos dos mais destacados dramaturgos da época, mas foi proibida pela Censura, o que a obrigou a arcar com os prejuízos da montagem, entretanto já começada. Nesse ano organizou com grande êxito o “2º Festival Internacional”.
Em 1977 resolveu voltar à cena, interpretando Ilídia de “A Torre de Babel” e levando a São Paulo o autor Fernando Arrabal para a dirigir.
Entre as grandes atracções do “3º Festival Internacional”, em 1981, estavam vários grupos famosos de teatro, incluindo “A Comuna” de Portugal.
Nos anos 1980 Ruth Escobar afastou-se parcialmente do teatro, sendo eleita deputada estadual em duas legislaturas e dedicando-se a projectos comunitários.
Em 1987, Ruth Escobar lançou “Maria Ruth - Uma Autobiografia”, contando parte da sua vida, na qual a produção cultural se mistura indissoluvelmente com a sua actuação social, voltada sobretudo para o inconformismo com as regras estabelecidas.
Em 1990 voltou aos palcos com “Relações Perigosas”, de Heiner Müller. A partir de 1994 voltou a organizar os Festivais Internacionais de Teatro.

terça-feira, 30 de março de 2010

EFEMÉRIDEEm 30 de Março de 1922, iniciou-se a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, concluída com sucesso pelos portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, no contexto das comemorações do Primeiro Centenário da Independência do Brasil.
A histórica viagem iniciou-se em Lisboa às 16:30h, empregando um hidroavião monomotor Fairey F III-D MkII, especialmente concebido para a viagem, equipado com um motor Rolls-Royce e baptizado “Lusitânia”.
Sacadura Cabral exercia as funções de piloto e Gago Coutinho as de navegador. Este último havia criado, e utilizaria durante a viagem, um “horizonte artificial” adaptado a um sextante, a fim de medir a altura dos astros, invenção que revolucionou a navegação aérea na época.
A primeira etapa foi concluída sem incidentes, no mesmo dia, em Las Palmas, nas Canárias, embora tenha sido notado por ambos um excessivo consumo de combustível.
No dia 5 de Abril, partiram rumo à Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, cobrindo 850 milhas. Aqui se demoraram doze dias para reparações nos flutuadores, tendo partido do porto da Praia, na Ilha de Santiago, rumo ao Arquipélago de São Pedro e São Paulo, já em águas brasileiras, onde amararam, no dia 18. O mar revolto, entretanto, causou danos ao “Lusitânia”, que perdeu um dos flutuadores. Foram recolhidos por um cruzador da Marinha Portuguesa, que os conduziu a Fernando de Noronha. Apesar de exaustos pelo voo de 1 700 quilómetros e pelo incidente, comemoraram a chegada com precisão àqueles rochedos em pleno Atlântico Sul, apenas com recurso ao método de navegação criado por Gago Coutinho.
Com a opinião pública portuguesa e brasileira envolvida no feito, o Governo Português enviou outro hidroavião “Fairey”, baptizado “Pátria”, a partir de Fernando de Noronha, utilizando o navio brasileiro “Bagé”, que chegou no dia 6 de Maio. Tendo o hidroavião sido desembarcado, montado e revisto, descolaram finalmente em 11 de Maio. Entretanto, nova fatalidade lhes aconteceria quando, tendo voltado e sobrevoando o arquipélago de São Pedro e São Paulo para reiniciar o trecho interrompido, uma pane no motor obrigou-os a amarar de emergência, tendo permanecido nove horas na situação de náufragos, até serem resgatados pelo cargueiro inglês “Paris City”.
Reconduzidos a Fernando de Noronha, aguardaram até 5 de Junho, quando lhes foi enviado um novo “Fairey F III-D”, baptizado “Santa Cruz” pela esposa do então Presidente do Brasil, Epitácio Pessoa. Transportado de Portugal pelo navio “Carvalho Araújo”, foi posto nas águas do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, tendo levantado voo rumo ao Recife, com escalas em Salvador, Porto Seguro, Vitória e daqui para o Rio de Janeiro, então Capital Federal, onde, em 17 de Junho de 1922, poisou em frente da Ilha das Enxadas, na baía de Guanabara.
Aclamados como heróis em todas as localidades brasileiras onde tinham amarado, eles tinham concluído com êxito não apenas a primeira travessia do Atlântico Sul, mas pela primeira vez na História da Aviação, tinha-se viajado sobre o Oceano Atlântico apenas com o auxílio da navegação astronómica a partir de um hidroavião.
Embora a viagem tenha consumido setenta e nove dias, o tempo de voo foi de apenas sessenta e duas horas e vinte e seis minutos, tendo percorrido um total de 8 383 quilómetros. A viagem serviu de inspiração para os raides posteriores de Sarmento de Beires, João Ribeiro de Barros e Charles Lindbergh, todos em 1927.

segunda-feira, 29 de março de 2010

EFEMÉRIDEAlain Oulman, compositor e editor francês, grande responsável por alguns dos maiores sucessos de Amália Rodrigues, faleceu em Paris no dia 29 de Março de 1990. Nascera na Cruz Quebrada, nos arredores de Lisboa, em 15 de Junho de 1928. Foi também editor do livro "Portugal Bâillonné" (Portugal Amordaçado) de Mário Soares, publicado em Paris durante a ditadura do Estado Novo.
Tinha por origem uma família judaica tradicional, que se tinha instalado em Portugal há vários anos. O pai era um industrial e a mãe era filha do conhecido editor Calmann-Lévy.
Viveu apaixonado pelos livros, pela música e pela voz de Amália. Foi apresentado à famosa fadista em 1962, por Luís de Macedo, diplomata em Paris, durante umas férias na Praia do Lizandro, perto da Ericeira.
O álbum “Busto”, editado em 1962, marcou o início de colaboração de Alain Oulman com Amália. Foi ele quem a encorajou a cantar grandes poetas portugueses, como Luís de Camões, David Mourão-Ferreira, Alexandre O'Neill e Manuel Alegre. Alain Oulman é também considerado o principal responsável por uma profunda alteração na música e nos arranjos musicais que a acompanhavam.
Oulman, com músicas suas em sucessivos discos, soube transformar Amália Rodrigues, cuja popularidade já era incontestada desde o final da Segunda Guerra Mundial, numa diva internacional.
Oulman, pessoa de esquerda, foi perseguido e preso pela PIDE em 1966. Amália tudo fez para o apoiar quando da prisão. Acabou por ser deportado para França, em 1968, fixando-se em Paris e trabalhando na editora do seu avô.
Foi Oulman quem fez a música para “Meu Amor é Marinheiro”, com base em “A Trova do Amor Lusíada”, que Manuel Alegre escreveu quando esteve preso em Caxias.
No disco “Com Que Voz”, gravado em 1969 mas editado apenas no ano seguinte, Amália cantou poetas como Cecília Meireles, Alexandre O'Neill, David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, Camões, Ary dos Santos e Pedro Homem de Mello. O disco receberia o “IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana” (1971), o “Grande Prémio da Cidade de Paris” e o “Grande Prémio do Disco de Paris” (1975).
Após o 25 de Abril de 1974, Alain Oulman tomou a defesa de Amália, quando esta foi acusada de colaboração com o regime salazarista, escrevendo cartas para os jornais “República” e “O Século”.As gravações de vários ensaios, que foram encontrados nas residências dos herdeiros de Oulman e do editor discográfico Rui Valentim de Carvalho, foram publicadas numa edição que juntou os álbuns “Busto” e “For Your Delight”.

domingo, 28 de março de 2010

EFEMÉRIDESergei Vasilievich Rachmaninoff, compositor, pianista e maestro russo, morreu em Beverly Hills, na Califórnia, em 28 de Março de 1943. Nascera em Semyonovo, perto de Novgorod, em 1 de Abril de 1873.
É considerado um dos pianistas mais influentes do século XX. Os seus trejeitos técnicos e rítmicos são lendários e as suas mãos largas eram capazes de cobrir um intervalo de uma 13ª no teclado (um palmo esticado de cerca de 30 centímetros). Ele possuía também a habilidade de executar composições complexas à primeira audição.
Algumas das suas sinfonias e trabalhos orquestrais, canções e músicas de coral, são reconhecidas como obras-primas ao lado dos trabalhos para piano, que são mais populares.
A maioria das suas peças está carregada de melancolia, um estilo romântico tardio, lembrando Tchaikovsky, embora apareçam fortes influências de Chopin e de Liszt.
Os seus pais eram pianistas amadores e ele teve as primeiras lições de piano com a mãe; entretanto, os pais não notaram qualquer talento extraordinário em Sergei. Por causa de problemas financeiros, a família mudou-se para São Petersburgo, onde Rachmaninoff estudou no Conservatório da cidade, antes de ir para Moscovo, onde continuou os estudos de piano.
Logo em jovem, começou a mostrar grande habilidade nas suas composições. Ainda era estudante, quando escreveu uma ópera de um acto, Aleko, que lhe rendeu uma medalha de ouro em composição. As suas primeiras peças sérias para piano foram compostas e executadas também enquanto estudante, aos treze anos. Em 1892, aos 19 anos, completou o seu Concerto para Piano No. 1, do qual faria uma revisão em 1917.
O Concerto para Piano No. 2 foi dedicado ao Dr. Dahl, psicólogo que o estava a tratar de uma depressão. A peça foi bem recebida logo na estreia, em que o próprio Rachmaninoff foi o solista, e continua a ser hoje uma das suas composições mais populares.
Após várias apresentações, foi oferecido a Rachmaninoff o cargo de maestro do Teatro Bolshoi em 1904, embora razões políticas o tivessem levado a pedir a demissão em 1908, após o que foi para a Itália. Passou os três Invernos seguintes em Dresden, na Alemanha, trabalhando intensivamente como compositor.
Fez as suas primeiras apresentações nos Estados Unidos como pianista em 1909, num evento para o qual compôs o Concerto para Piano Nº 3. Estas apresentações bem-sucedidas fizeram dele uma figura popular na América.
Após a Revolução Russa de 1917, que significou o fim da velha Rússia, Rachmaninoff juntamente com a esposa e as duas filhas deixou São Petersburgo e foi para Estocolmo, fixando-se depois na Dinamarca.
Partiu para Nova Iorque em 1 de Novembro de 1918, o que marcou o início do período americano da sua vida. Após a partida de Rachmaninoff, a sua música foi banida na União Soviética até 1933. Ele, pelo seu lado, sentiu que, ao abandonar a Rússia, deixara para trás grande parte da sua inspiração.
Compôs também canções para voz e piano, baseadas em peças de Tolstoy, Pushkin, Goethe, Victor Hugo e Tchékhov, entre outros.
O declínio da sua produção foi dramático. Entre 1892 e 1917 (vivendo principalmente na Rússia), escrevera trinta e nove composições. Entre 1918 e a sua morte em 1943, enquanto viveu nos Estados Unidos, completou apenas seis.
Em 1931, juntamente com outros exilados russos, ajudou a fundar uma escola de música em Paris, que posteriormente ficaria com o seu nome, o “Conservatoire Rachmaninoff”.
Sentiu-se doente durante uma tournée em 1942, sendo-lhe diagnosticado um melanoma maligno num pulmão.
Ele e a esposa (que era sua prima) tornaram-se cidadãos americanos em 1943. O seu último recital teve lugar em 17 de Fevereiro desse ano, no Alumni Gymnasium da Universidade de Tennessee em Knoxville, tocando profeticamente a “Sonata No. 2 em Si Bemol Menor” de Chopin, que contém a famosa marcha fúnebre.
Em 1923 Rachmaninoff rendera-se igualmente ao pioneirismo da aviação, ao estudar os desenhos de Igor Sikorsky e, de acordo com o filho deste, doou-lhe uma avultada quantia dizendo: «eu acredito em você, confio em você, pague-me de volta somente quando puder, vá, comece a fazer os seus aviões!».
Na Alemanha produziu-se uma vodka chamada "Rachmaninoff", em homenagem ao compositor.

sábado, 27 de março de 2010

EFEMÉRIDEAffonso Romano de Sant'Anna, escritor brasileiro, nasceu em Belo Horizonte no dia 27 de Março de 1937. Nos anos 1950 e 1960 participou em movimentos vanguardistas de poesia.
Em 1962 licenciou-se em Letras e, três anos mais tarde, publicou o seu primeiro livro de poesia “Canto e Palavra”.
Em 1965 leccionou Literatura Brasileira na Universidade de Los Angeles e, em 1968, participou no Programa Internacional de Escritores da Universidade de Iowa, que juntou 40 escritores de todo o mundo.
Em 1969 doutorou-se pela Universidade Federal de Minas Gerais e, um ano depois, organizou um curso de pós-graduação em literatura brasileira na PUC do Rio de Janeiro. Foi director do Departamento de Letras e Artes da PUC-RJ, de 1973 a 1976, organizando a “Expoesia”, evento que reuniu 600 poetas com a finalidade de fazer um balanço da poesia brasileira.
Ministrou cursos na Alemanha (Universidade de Colónia), nos Estados Unidos (Universidade do Texas), na Dinamarca (Universidade de Aarhus), em Portugal (Universidade Nova) e em França (Universidade de Aix-en-Provence).
A sua tese de doutoramento abordou uma análise da poética de Carlos Drummond de Andrade, trabalho que lhe rendeu quadro prémios no Brasil.
Foi cronista no “Jornal do Brasil” (1984-1988) e do jornal “O Globo” (1988-2005). Colaborou também em “Senhor”, “Veja”, “Isto é”, “Jornal de São Paulo” e “Manchete”. Actualmente escreve para os jornais “Estado de Minas” e “Correio Brasiliense”.
Ao longo da sua carreira tem recebido vários prémios, de que se podem salientar: “Prémio Pen-Club”, “Prémio União Brasileira de Escritores”, “Prémio Estado da Guanabara”, “Prémio Mário de Andrade” do Instituto Nacional do Livro, “Prémio do Governo do Distrito Federal” e “Prémio da Associação Paulista de Críticos de Arte” pelo conjunto da sua obra.
Fez parte dos júris de vários prémios internacionais, como o Prémio Camões (Portugal) e o Prémio Rainha Sofia (Espanha).
Recebeu bolsas de estudo de diversas instituições em vários países, tais como: “Ford Foundation”, “Guggenheim” e “Gulbenkian”.
Nos tempos da última ditadura militar, Affonso Romano de Sant'Anna publicou corajosos poemas nos principais jornais do país, não nos suplementos literários mas nas páginas de política. Poemas como “Que país é este?” (traduzido para espanhol, inglês, francês e alemão), foram transformados em posters e colocados aos milhares em escritórios, sindicatos, universidades e bares.
Nessa época, escreveu também uma série de poemas para a televisão (Globo). Esses poemas eram transmitidos no horário nobre, noticiário nocturno, e atingiam uma audiência de 60 milhões de pessoas.
Como presidente da Biblioteca Nacional - a oitava biblioteca do mundo, com oito milhões de volumes - levou a cabo entre 1990 e 1996 a modernização tecnológica da instituição, informatizando-a, ampliando os seus edifícios e lançando programas de alcance nacional e internacional.
Criou o “Sistema Nacional de Bibliotecas”, que reúne 3 000 instituições e o “Programa de Promoção da Leitura”, que contou com mais de 30 mil voluntários e se estabeleceu em 300 municípios. Em 1991 lançou o programa “Uma biblioteca em cada município”.
Dinamizou igualmente, na Biblioteca Nacional, programas de tradução de autores brasileiros, bolsas para escritores jovens e encontros internacionais com agentes literários. O seu trabalho à frente da Biblioteca Nacional possibilitou que o Brasil fosse o “país tema” da Feira de Frankfurt em 1994, da Feira de Bogotá em 1995 e no Salão do Livro de Paris em 1998.
Lançou a revista “Poesia Sempre”, de circulação internacional, tendo organizado números especiais sobre a América Latina, Portugal, Espanha, Itália, França e Alemanha.
Foi secretário-geral da Associação das Bibliotecas Nacionais Ibero-Americanas (1995-1996), que reúne 22 instituições e desenvolve um amplo programa de integração cultural no continente americano.
Tem participado em dezenas de encontros internacionais de poesia. Esteve no Festival Internacional de Poesia Pela Paz, na Coreia (2005), realizou uma série de leituras de poemas no Chile, por ocasião do centenário de Neruda (2004), esteve na Casa de Bertold Brecht em Berlim (1994), no Encontro de Poetas de Língua Latina no México (1987) e no Encontro de Escritores Latino-Americanos em Israel (1986).
Diversos dos seus textos foram adaptados ao teatro, ballet e música e tem diversos CD gravados com a sua voz e na voz de outros actores.
A sua obra tem sido tema de teses de mestrados e doutoramentos no Brasil e no estrangeiro. Recebeu várias condecorações: Ordem do Rio Branco, Medalha Tiradentes, Medalha da Inconfidência e Medalha Santos Dumont.

sexta-feira, 26 de março de 2010

EFEMÉRIDE Raymond Thornton Chandler, escritor norte-americano, autor sobretudo de romances policiais, morreu em La Jolla no dia 26 de Março de 1959. Nascera em Chicago, em 23 de Julho de 1888.
Depois do divórcio dos pais em 1895, passou os primeiros anos de vida na Irlanda e a juventude em Londres, onde frequentou o Dulwich College, com o apoio financeiro de um tio materno, advogado de sucesso. Em Londres publicou os seus primeiros escritos, ensaios e poesia, enquanto trabalhava como freelancer no “The Westminster Gazette” e no “The Spectator”.
Voltou aos Estados Unidos em 1912, onde se formou e trabalhou como contabilista. Em 1917, alistou-se no Exército Canadiano e combateu em França. Após o armistício mudou-se para Los Angeles, onde iniciou um caso amoroso com uma mulher já divorciada duas vezes, pianista dezassete anos mais velha do que ele, com quem veio a casar em 1924. Por essa altura, Chandler possuía dupla nacionalidade, americana e britânica. Em 1932 Chandler ocupou a vice-presidência da “Dabney Oil Syndicate”, uma empresa petrolífera em Signal Hill, mas acabou por perder este emprego bem remunerado devido a problemas de alcoolismo.
A Grande Depressão pôs fim à sua carreira de negócios. No princípio dos anos 1930 publicou histórias policiais no “Black Mask Magazine”. Escreveu em 1939 “À Beira do Abismo”, o seu primeiro romance policial, apresentando o detective Philip Marlowe, herói de mais seis romances.
Em resultado dos seus lucros em Inglaterra, acabou por ter problemas com o fisco e renunciou à cidadania britânica em 1948. Ainda assim, realizou o seu sonho de levar sua esposa a Inglaterra em 1952. Cissy morreu em 1954 e Chandler, emocionalmente arrasado e a sofrer de uma dolorosa doença nervosa, voltou a refugiar-se no álcool. A sua escrita sofreu bastante, tanto em qualidade como em quantidade, e acabou por tentar o suicídio em 1955. Voltou aos Estados Unidos, onde faleceu de pneumonia em 1959.
Algumas das suas obras foram levadas ao cinema com grande êxito. Chandler escreveu também os argumentos dos filmes “Double Indemnity” e “A Dália Azul”. Foi co-autor de “Strangers on a Train”, um filme de Alfred Hitchcock. Os argumentos de Chandler, bem assim como a adaptação dos seus romances ao grande ecrã nos anos 1940, tiveram grande influência no chamado “film noir” americano, em virtude do seu estilo que foi largamente seguido e adoptado.

quinta-feira, 25 de março de 2010

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Strip no Iraque - Tudo normal até...

EFEMÉRIDEMirita Casimiro, de seu verdadeiro nome Maria Zulmira Casimiro de Almeida, actriz portuguesa, morreu em Cascais no dia 25 de Março de 1970. Nascera em Viseu, em 10 de Outubro de 1914.
Oriunda de uma família ligada à tauromaquia, estreou-se em Lisboa na revista “Viva a Folia”, no Teatro Maria Vitória. Artista de opereta, interpretou um papel de travesti na peça “João-ninguém”. Actuou no Teatro Variedades em 1933, com o espectáculo de enorme êxito “Olaré Quem Brinca”. Frequentemente, nas comédias em que participou, interpretava canções tradicionais da Beira Alta, envergando trajes típicos e utilizando a pronúncia de Viseu.
Estreou-se no cinema em 1937 com “Maria Papoila”, sob a direcção de Leitão de Barros.
Casou-se com o actor Vasco Santana em 1941, formando com ele uma dupla de enorme êxito. Anos mais tarde, após uma polémica separação, instalou-se no Brasil (1956), onde trabalhou mas sem obter grande popularidade. Voltou a Portugal em 1964 e integrou o elenco do Teatro Experimental de Cascais, afastando-se do teatro popular. Interpretou, sob a direcção de Carlos Avilez, a peça de Garcia Lorca “A Casa de Bernarda Alba” (1966) e, seguidamente, “A Maluquinha de Arroios” (1966) de André Brun e “O Comissário de Polícia” (1968) de Gervásio Lobato.
Em 1968 sofreu um grave acidente de viação no Porto. Impossibilitada de voltar aos palcos, morreu aos 55 anos na sua residência em Cascais. Foi dado o seu nome ao Teatro Municipal desta vila. Na cidade de Viseu, o seu nome é também recordado numa sala de espectáculos - o Auditório Mirita Casimiro.

quarta-feira, 24 de março de 2010

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Lágrima de Preta - António Gedeão

EFEMÉRIDE Olive Emilie Albertina Schreiner, escritora, militante política, pacifista e feminista sul-africana, nasceu em Basutolândia no dia 24 de Março de 1855. Faleceu em 11 de Dezembro de 1920.
Era filha de um pastor metodista alemão e de uma missionária. Tinha seis anos quando o pai foi colocado nos territórios orientais da colónia do Cabo. Implicado em tráficos com os indígenas, acabou por ser excluído da sua ordem missionária. Lançou-se então em vários negócios mas sem sucesso, o que fez com que a família ficasse na miséria.
Em 1867, Olive foi enviada para casa do irmão mais velho, que era “mestre de escola” em Cradock. Aqui recebeu a instrução primária.
Tendo muito cedo renegado a fé religiosa dos pais, não se sentia à vontade no ambiente austero e puritano em que vivia. Quando o irmão partiu para tentar a sua sorte nos campos diamantíferos de Griqualand, Olive instalou-se em Barkly East, onde encontrou Willie Bertram que a iniciou nos princípios filosóficos de Herbert Spencer, aos quais aderiu.
Durante vários anos, ocupou as funções de governanta de crianças, tendo voltado a viver uns tempos com os pais e depois com os irmãos.
Em 1874 descobriu que era asmática. Começou a escrever mas, por necessidades económicas, continuou a trabalhar como governanta.
Em 1880, tendo já economizado bastante dinheiro, partiu para Edimburgo, na Escócia, onde exerceu a profissão de enfermeira. No ano seguinte, instalou-se em Southampton na Inglaterra. Tentou seguir estudos de Medicina, mas em virtude da sua saúde, teve de renunciar e concentrar-se unicamente na escrita para ganhar a vida.
Em 1883, sob o pseudónimo de Ralph Iron, publicou a história de uma plantação africana, redigida no seguimento de dois romances semi-autobiográficos que só seriam publicados depois da sua morte. A obra teve um sucesso imediato. Nos sete anos seguintes, Olive conquistou um lugar importante na vida literária e política da Inglaterra. Convivendo com numerosos socialistas e livres-pensadores, aderiu a uma organização progressista (a “Fellowship of the New Life”) e ao movimento feminista onde, em companhia sobretudo de Eleanor Marx, filha de Karl Marx, tomou a defesa das operárias exploradas, das prostitutas e das mulheres vítimas de violência ou abandonadas na miséria.
Em 1886 fixou-se no continente europeu e viajou pela França, Suíça e Itália, antes de voltar a Inglaterra.
Em 1889, regressou à África do Sul onde se implicou na vida política. Começou por ser favorável a Cecil John Rhodes, tornando-se depois uma sua temível adversária. Escreveu numerosos textos polémicos, onde criticava nomeadamente a anexação da futura Rodésia do Sul por Cecil Rhodes e pelos seus partidários. Foi durante estas actividades que encontrou Samuel Cronwright, um agricultor que partilhava os mesmos pontos de vista progressistas, tanto quanto a Rhodes como aos direitos dos indígenas da África do Sul. Casaram-se em 1894.
Em 1898, o casal instalou-se em Joanesburgo, no Transval, onde continuou as suas actividades políticas e pacifistas. Em 1907 lutou para que fossem dados os mesmos direitos políticos aos negros e às mulheres, defendendo a justiça social e reivindicando a igualdade dos sexos.
Os últimos anos da sua vida foram marcados pela doença e pela solidão. Em 1913 deslocou-se ainda a Inglaterra para seguir tratamento médico. Quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu, Olive iniciou uma obra sobre o conflito, inspirada na sua correspondência com Gandhi. Este livro (“The Dawn of Civilisation”) foi o último que escreveu e foi publicado pouco antes da sua morte, ocorrida durante o sono.

terça-feira, 23 de março de 2010

EFEMÉRIDE – Wernher Magnus Maximilian von Braun, engenheiro e cientista alemão, uma das figuras principais no desenvolvimento de foguetes na Alemanha e nos Estados Unidos, nasceu em Wirsitz, Prússia, no dia 23 de Março de 1912. Faleceu em Alexandria, nos EUA, em 16 de Junho de 1977.
Foi pioneiro da astronáutica nos anos 1930, pondo-se ao serviço do regime nazi para obter os fundos necessários ao prosseguimento das suas pesquisas.
Antes e durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou no programa alemão de foguetes, alcançando progressos consideráveis. Em 1937, foi nomeado director do Centro de Experimentação de Peenemünde, como responsável do aperfeiçoamento do V-2, primeiro míssil balístico, que seria utilizado cerca de 4 000 vezes principalmente em Inglaterra, na Bélgica e nos Países Baixos (anos 1944 e 1945). O seu fabrico fez mais mortos (cerca de 10 000 prisioneiros judeus perderam a vida) que a sua utilização como arma.
No Outono de 1944, a derrota alemã era já evidente para os meios científicos germânicos. Von Braun sabia que não poderia continuar as pesquisas a não ser noutro país. As SS estavam encarregadas de evitar a fuga de cérebros alemães e tinham ordens para eliminar os que tentassem desertar. Nos últimos dias de Abril de 1945, von Braun conseguiu, ferido e com uma grande parte da sua equipa de engenheiros e de técnicos de alto nível (cerca de cem pessoas), escapar à perseguição dos comandos SS, depois de se ter escondido em diversas grutas. A fuga foi possível graças ao contacto estabelecido entre o seu irmão Magnus e o soldado raso Schweikert, que participava numa patrulha avançada americana. Entrou nos EUA através do programa secreto “Operação Paperclip”.
Para recuperar o avanço adquirido pela URSS no desenvolvimento de mísseis balísticos, von Braun foi nomeado responsável do Projecto de Mísseis Guiados do exército americano em Fort Bliss no Texas.
Em 1950 foi nomeado director técnico do Redstone Arsenal em Huntsville (Alabama). Von Braun esteve na origem do primeiro míssil balístico guiado do exército americano, que seria utilizado em 1961 para o lançamento dos primeiros astronautas americanos. Nomeado director de pesquisas da Agência para os Mísseis Balísticos em 1956, assegurou o aperfeiçoamento dos Pershing e dos Jupiter.
No meio da década de 1950 colaborou com Walt Disney em vários filmes educativos, que tinham por tema o programa espacial americano, e que se destinavam a popularizar o sonho da aventura espacial. Os filmes atraíram a atenção não só do público americano, mas também dos responsáveis do programa similar soviético...
O presidente Eisenhower, artesão da vitória aliada mas profundamente pacifista, não colocava a astronáutica nas suas prioridades e foi o lançamento do primeiro satélite artificial Sputnik e do primeiro homem no espaço (Gagarine) que veio dar a von Braun a oportunidade de realizar os seus sonhos de exploração espacial. Foi assim que teve um papel decisivo no lançamento do primeiro satélite artificial americano (Explorer 1 em 1958).
Em 1960 entrou na NASA, que tinha sido criada dois anos antes, tornando-se director do Centro Espacial de Voo Marshall de 1960 à 1970, onde dirigiu os programas de voos tripulados Mercury, Gemini e Apollo. Ele foi o pai do foguete Saturno V, que levou os astronautas dos EUA à Lua.
Naturalizou-se cidadão norte-americano em 1955, sendo respeitado como um dos heróis do programa espacial dos Estados Unidos.
Em 1972, deixou a NASA para se tornar director-adjunto da empresa Fairchild Engine & Airplane Corporation. Em 1975 recebeu a Medalha Nacional da Ciência, morrendo dois anos depois, vítima de cancro no fígado.

segunda-feira, 22 de março de 2010

EFEMÉRIDE Guilherme da Silva Braga, tribuno e poeta português, nasceu no Porto em 22 de Março de 1845. Faleceu na mesma cidade no dia 26 de Julho de 1874.
Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, Guilherme Braga foi redactor-chefe da “Gazeta Democrática”. Colaborou em diversas revistas e jornais, tais como “Giralda”, “Diário da Tarde”, “Nacional” e “Luta”. Correspondeu-se com Victor Hugo e traduziu o “Atala” de François-René de Chateaubriand.
A sua obra poética foca constantemente o tema obsessivo da morte, pressentida dia-a-dia, expressa de forma tão coloquial que chega a lembrar Cesário Verde. Cultivou igualmente a temática social e humanitária, e o lirismo amoroso de tonalidade parnasiana.
Nos seus versos, Guilherme Braga era violento contra os falsos ministros da religião, entusiasta apaixonado pela liberdade e tinha grande sensibilidade e ternura ao descrever as alegrias do lar. Era casado com Maria Adelaide Braga, que sucumbiu dois meses depois do falecimento do marido.
Morreu com apenas 29 anos de idade, vítima de tuberculose, já depois de ter perdido quatro filhos.
Deixou publicado: “Eccos d'Aljubarrota”, 1868; “O Mal da Delfina”, 1869; “Heras e Violetas”, 1869; “Os Falsos Apóstolos”, 1871 e “O Bispo”, 1974.

domingo, 21 de março de 2010

EFEMÉRIDE – Modest Petrovich Mussorgsky, compositor russo, conhecido pelas suas composições sobre a história da Rússia medieval, nasceu em Karevo, na província de Pskov, em 21 de Março de 1839. Morreu em São Petersburgo no dia 28 de Março de 1881. Foi membro do Grupo dos Cinco, um grupo de compositores e ardentes defensores da música nacional russa, ao lado dos músicos Balakirev, Borodin, César Cui e Rimsky-Korsakov.
Aos seis anos, começou a ter aulas de piano com a mãe, que era professora. Aos dez, ingressou na Escola de Cadetes da Guarda de São Petersburgo.
Em 1856, no regimento de Preobrazhensky, conheceu Balakirev, com o qual aprendeu a técnica musical. Nos dois anos seguintes, travou conhecimento com vários intelectuais russos. Deixou a vida militar em 1858, após sofrer uma crise nervosa.
Inicialmente, a música de Mussorgsky estava muito ligada à de Balakirev e à música estrangeira, como por exemplo na ópera “Édipo em Atenas”. Esta influência foi-se dissipando aos poucos, à medida que se tornou autodidacta
Com a morte de sua mãe, em 1865, o alcoolismo passou a fazer parte da sua vida. Em 1867 compôs a peça orquestral “Uma noite no monte Calvo”.
Aos 29 anos começou a compor “Boris Godunov”, a sua ópera mais conhecida e uma das peças mais importantes da história da música russa, baseada na obra de Pushkin e na história de Karamzin. A estreia ocorreu no Teatro Maryinsky em 1873.
Após 1874 a qualidade das suas músicas começou a decair, embora algumas peças dessa época ainda sejam notáveis, como “Khovanshchina”, uma ópera em que predominam os motivos líricos. A suite para piano “Quadros de uma Exposição” foi inspirada numa mostra de desenhos de Viktor Hartmann e orquestrada anos mais tarde por Maurice Ravel.
Nos anos que se seguiram, o alcoolismo intensificou-se e foi perdendo amigos e parentes. É dessa época, o ciclo “Canções e danças da morte”, de sabor exótico e oriental.
Em 1880 foi demitido do posto administrativo que ocupava num serviço governamental. Internado num hospital em 1881, Modest Mussorgsky morreu de excessos alcoólicos uma semana após completar 42 anos de idade. Está enterrado no Cemitério Tikhvine do Mosteiro Aleksandr Nevsky em São Petersburgo.

sábado, 20 de março de 2010

EFEMÉRIDEAndrée Chedid, romancista, novelista, dramaturga e poetisa francesa, de origem libanesa cristã, nasceu no Cairo em 20 de Março de 1920.
Tendo feitos os seus estudos em escolas francesas, ingressou depois na Universidade Americana do Cairo. Foi em inglês que escreveu os primeiros poemas. O seu sonho era ser dançarina. Casou-se com um médico aos 22 anos e, em 1942, foi viver para o Líbano com o marido.
Em 1946 instalou-se definitivamente em Paris, onde começou a publicar os seus poemas. A sua obra é um questionamento contínuo sobre a condição humana e os laços entre o Homem e o Mundo. Celebra a vida que tanto ama, tendo simultaneamente uma viva consciência da sua precariedade. O seu estilo, muito trabalhado, caracteriza-se por uma grande fluidez. Evoca o Oriente e os seus perfumes com grande sensualidade.
Em 2009 foi condecorada com o grau de Grande Oficial da Legião de Honra Francesa. Ocupa um lugar de relevo entre os autores franceses contemporâneos. As suas obras têm-lhe valido importantes prémios literários, de que se destacam o “Prémio Goncourt de Poesia” (2002), o “Grande Prémio da Société des Gens de Lettres” e o “Prémio Mallarmé”.

sexta-feira, 19 de março de 2010

CONTROLO PARENTAL

Tente ver este vídeo até ao fim. Vá insistindo até acabar:

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EFEMÉRIDEHerman José von Krippahl, humorista, cantor, actor e entertainer português, nasceu em Lisboa no dia 19 de Março de 1954.
Filho de pai alemão e de mãe portuguesa, aos quatro anos de idade já protagonizava filmes do pai, cineasta amador. Aos cinco anos foi para o jardim infantil “Kindergarten”.
Estudava no Colégio Alemão, quando comprou a sua primeira viola-baixo. Seria através da música, que Herman enveredou pela vida artística.
Aos 18 anos fez as primeiras aparições na televisão em “No Tempo Em Que Você Nasceu”, integrando o grupo residente “In-Clave”, dirigido pelo maestro Pedro Osório. Foi também nessa altura que a PIDE lhe fez um ultimato - ou se naturalizava português e cumpria o serviço militar, ou teria que ir para a Alemanha. Herman José optou pela nacionalidade alemã e pensou matricular-se num Curso Superior em Munique.
Graças ao 25 de Abril de 1974, acabou por permanecer em Portugal e, em Outubro desse ano, estreou-se no teatro, contracenando com Ivone Silva, José de Castro e João Lagarto, no Teatro ABC. A peça era “Uma no Cravo, Outra na Ditadura”, assinada por José Carlos Ary dos Santos, César de Oliveira e Rogério Bracinha. Nicolau Breyner levou-o a estrear-se na televisão em 1975, participando na rábula “Sr. Feliz e Sr. Contente”.
Não abandonou a música e, em 1977, editou “Saca o Saca-Rolhas”, que alcançou um Disco de Ouro. Durante cinco anos percorreu o país em espectáculos, onde contava anedotas, cantava, inventava personagens e improvisava. Em 1980, “A Canção do Beijinho” foi também Disco de Ouro. Nesse mesmo ano, com a criação do personagem Tony Silva, conquistou o grande público n’ “O Passeio dos Alegres”, emitido aos domingos na RTP.
Em 1983, ano da sua participação no Festival da Canção com “A Cor do Teu Batom”, o programa televisivo “O Tal Canal” consagrou o seu humor, num dos trabalhos com maior êxito por si desempenhado. A mesma equipa regressou em “Hermanias” (1984).
Humor de Perdição” (1987) envolveu-o numa polémica, após a proibição por parte do Conselho de Administração da RTP das entrevistas históricas, rubrica permanente do programa, sendo a série suspensa precisamente quando estava para ser transmitida a “entrevista” à Rainha D. Isabel. Data também de 1987, a participação num filme: “O Querido Lilás” de Artur Semedo.
Desenvolveu nos anos 1980 intensa actividade radiofónica em várias emissoras. Só regressou à televisão em 1990, com “Casino Royal”, uma mistura de teatro e de variedades. Ainda no início da década de 1990 foi apresentador dos concursos “Com a Verdade M' Enganas” e “Roda da Sorte”. Seguidamente, apresentou “Parabéns” (1993), um espaço talk-show, onde levou várias personalidades, entre outras, Mário Soares e Roger Moore.
Em 1996 deixou “Parabéns”, após a censura da rubrica “Última Ceia”. Regressou com “Herman Enciclopédia” no ano seguinte.
Em 2000 mudou-se para a SIC, apresentando aos domingos o talk-showHermanSIC”, em que mantinha uma equipa de actores residentes, constituída por Maria Rueff, Joaquim Monchique, Ana Bola, Maria Vieira, Manuel Marques e Vítor de Sousa.
Em 2007 foi-lhe atribuído um Globo de Ouro, troféu que recebeu doze vezes, tornando-se assim um dos artistas mais agraciados com este prémio.
Foi depois para a TVI, onde apresentou “Nasci P'ra Cantar”, entre Julho e Setembro de 2009, altura em que o seu contrato com a TVI terminou. Em Julho de 2009, lançara o álbum “Adeus, vou ali e já venho”, com músicas inéditas.
Herman é um dos proprietários do Teatro Tivoli na Avenida da Liberdade em Lisboa.

quinta-feira, 18 de março de 2010

EFEMÉRIDETatiana Belinky, escritora russa, radicada há mais de oitenta anos no Brasil, nasceu em São Petersburgo no dia 18 de Março de 1919. É uma das mais importantes escritoras infanto-juvenis contemporâneas.
Chegou com a família ao Brasil quando tinha apenas dez anos, fugindo das perseguições aos judeus. Por essa época já Tatiana falava, além do russo, também o alemão e o letão.
Aos dezoito anos, após concluir um curso preparatório, começou a trabalhar como secretária bilingue de português e inglês. Aos vinte anos ingressou no curso de Filosofia da Faculdade São Bento, mas abandonou-o em seguida, para se casar com o médico e educador Júlio Gouveia (1940).
Em 1948, começou a trabalhar em adaptações e traduções e na criação de peças infantis para a prefeitura de São Paulo, em parceria com o marido. Em 1952 encenaram “Os Três Ursos” para a TV Tupi, que teve grande sucesso. O êxito desta peça foi decisivo para a carreira de Tatiana. O casal foi convidado para ter um programa fixo na televisão. Fizeram a primeira adaptação de “O Sítio do Picapau Amarelo” de Monteiro Lobato. O trabalho na Tupi continuou até 1966. Entretanto, Tatiana Belinky tornou-se presidente da Comissão Estadual de Teatro de São Paulo.
Em 1972 passou a trabalhar na “TV Cultura” e em grandes jornais paulistas, como a “Folha de São Paulo”, o “Jornal da Tarde” e “O Estado de São Paulo”, escrevendo artigos, crónicas e críticas de literatura infantil.
Em 1987 publicou o seu primeiro livro: “Limeriques”. A partir daí, Tatiana passou a trabalhar intensamente em novas obras, tendo publicado até hoje mais de cem livros. Recebeu vários prémios literários, entre eles o célebre “Prémio Jabuti” em 1989.
Traduziu também, para a língua portuguesa, cerca de oitenta livros de literatura juvenil russa, alemã, inglesa e francesa.
Além de prémios literários, foi premiada igualmente em teatro e pelas suas traduções. Parou a actividade de tradutora em 1994, mas tem continuado a escrever, tendo publicado nestes últimos anos diversos livros de crónicas e memórias.

quarta-feira, 17 de março de 2010

EFEMÉRIDERudolf Khametovich Nureyev, bailarino soviético, nasceu em Irkutsk no dia 17 de Março de 1938. Faleceu em Levallois-Perret, perto de Paris, em 6 de Janeiro de 1993.
Foi um dos mais celebrados bailarinos do século XX e o primeiro homem a ser considerado “super-estrela” do mundo da dança, desde Nijinsky. A sua técnica era exemplar. Foi um dos melhores intérpretes do repertório clássico, mas demonstrou igualmente o seu talento na dança contemporânea.
Em 17 de Junho de 1961, quando estava em tournée com o Ballet Kirov em Paris, pediu asilo em França. Posteriormente, naturalizou-se austríaco.
Igualmente coreógrafo, foi Director de Dança da Ópera de Paris de 1983 a 1989. Foi também um dos primeiros dançarinos a interessar-se de novo pelo repertório barroco.
Em 1989, dançou na União Soviética pela primeira vez desde que a abandonara. Fez a sua última aparição pública em Outubro de 1992, como Director, na estreia parisiense de uma nova produção de “La Bayadère”.
Antes da fuga para o Ocidente, tornara-se amigo inseparável de Kremke, dançarino da Alemanha de Leste, naquele que terá sido o seu primeiro romance homossexual. Kremke encorajou-o a sair da União Soviética mas, posteriormente, não se juntou em Paris a Nureyev, como estava previsto, por pressão de sua mãe, que queria que ele terminasse o curso de dança. Num espaço de dias o Muro de Berlim foi erguido, isolando Berlim Oriental do resto da Europa Ocidental e separando Nureyev do seu primeiro amor.
Quando a Sida apareceu em França por volta de 1982, Nureyev não tomou quaisquer precauções e foi infectado pelo VIH. Durante vários anos negou o facto.
Quando em 1990 ficou doente de forma mais evidente, dizia estar com outras doenças. Entretanto, tentava vários tratamentos experimentais que nem sequer tornaram mais lento o definhamento do seu corpo.
Teve por fim de afrontar a realidade. Na época, a sua coragem suscitou a admiração mesmo dos seus detractores. A sua decadência física fazia-o sofrer, mas ele continuava a bater-se e a mostrar-se ao público. Durante a sua última aparição, foi aplaudido de pé durante intermináveis minutos.
O Ministro da Cultura Francês entregou-lhe a mais importante recompensa cultural, fazendo-o Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. Morreu alguns meses mais tarde, com 54 anos, sendo enterrado no cemitério russo de Sainte-Geneviève-des-Bois, no sul de Paris.

terça-feira, 16 de março de 2010

EFEMÉRIDE - António Thomaz Botto, poeta modernista português, faleceu no Rio de Janeiro em 16 de Março de 1959. Nascera em Concavada, Abrantes, no dia 17 de Agosto de 1897.
A sua obra mais conhecida, e também a mais polémica, é o livro de poesia “Canções” que, pelo seu carácter abertamente homossexual, causou grande agitação nos meios religiosamente conservadores da época. Foi amigo pessoal de Fernando Pessoa, que o traduziu em 1930 para inglês. Homossexual assumido, apesar de casado, a sua obra reflecte muito da sua orientação sexual. Morreu em 1959 no Brasil, para onde se tinha exilado para fugir às perseguições homofóbicas de que era vítima. Os seus restos mortais foram trasladados para Lisboa em 1966.
Em 1908 a sua família mudara-se para Alfama em Lisboa, onde António Botto cresceu no ambiente popular e típico deste bairro, que muito influenciou a sua obra. Recebeu pouca educação formal, trabalhou em livrarias, onde travou conhecimento com muitas das personalidades literárias da época, e foi funcionário público. Em 1924/25 trabalhou em Santo António do Zaire e Luanda, na então colónia de Angola.
Tinha um sentido de humor sardónico e incisivo, uma mente e língua perversas e irreverentes, e era um conversador brilhante e inteligente. Era amigo do seu amigo, mas ferozmente ruim se sentia que alguém antipatizava com ele ou não o tratava com a admiração incondicional que ele julgava merecer. Este seu feitio criou-lhe muitos inimigos.
Era visitante regular dos bairros boémios de Lisboa e das docas marítimas onde desfrutava a companhia dos marinheiros, que foram tantas vezes tema da sua poesia.
Em Novembro de 1942 foi demitido do seu emprego no Arquivo Geral de Identificação, entre outras razões por «dirigir galanteios e frases de sentido equívoco a um seu colega, denunciando tendências condenadas pela moral social». Ao ler o anúncio publicado no Diário do Governo, Botto ficou profundamente desmoralizado e comentou com ironia: «Sou o único homossexual reconhecido no País...».
Para sobreviver passou a escrever artigos, colunas e críticas literárias em jornais, e publicou vários livros, entre os quais “Os Contos de António Botto” e “O Livro das Crianças”, uma bela colecção de contos, que seria oficialmente aprovada como leitura escolar na Irlanda, sob o título “The Children’s Book”, traduzida por Alice Lawrence Oram. Tudo isto se revelou insuficiente. A sua saúde deteriorou-se, devido à sífilis terciária que ele recusava tratar, e o brilho da sua poesia começou a desvanecer-se. Era alvo de troça quando entrava nos cafés, livrarias e teatros. Cansou-se de viver em Portugal e, em 1947, decidiu emigrar para o Brasil. Para juntar dinheiro para a viagem, organizou recitais de poesia em Lisboa e no Porto, que resultaram em grandes sucessos, com elogios por parte de vários intelectuais e artistas, entre os quais Amália Rodrigues, João Villaret e Aquilino Ribeiro. Em Agosto desse ano partiu finalmente para o Brasil, acompanhado de sua mulher.
No Brasil residiu em São Paulo até 1951, mudando-se depois para o Rio de Janeiro. Sobreviveu, escrevendo artigos e colunas em jornais portugueses e brasileiros, participando em programas de rádio e organizando récitas de poesia em teatros, associações, clubes e, por fim, em botequins.
A sua vida foi-se degradando de dia para dia e acabou por viver na mais profunda miséria. A sua megalomania agravada pela sífilis era gritante. Não parava de contar histórias delirantes das visitas que André Gide lhe teria feito em Lisboa ( «Se não foi o Gide, então foi o Marcel Proust...»), de ser o maior poeta vivo e de ser o dono de São Paulo.
Em 4 de Março de 1959, ao atravessar a Avenida Copacabana, no Rio de Janeiro, foi atropelado por um automóvel do governo, morrendo doze dias mais tarde.
O espólio literário de António Botto foi enviado do Brasil para Portugal pela sua viúva Carminda Rodrigues. Um parente doou-o em 1989 à Biblioteca Nacional.

segunda-feira, 15 de março de 2010

EFEMÉRIDE Joaquim António Portugal Baptista de Almeida, o mais internacional dos actores portugueses, nasceu em Lisboa no dia 15 de Março de 1957. Naturalizou-se norte-americano em Outubro de 2005.
Abandonou o Curso de Teatro na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, partindo para os Estados Unidos, onde recebeu formação no “The Lee Strasberg Theatre and Film Institute” em Nova Iorque. Trabalhou em teatro nas “Produções de Shakespeare” em Nova Iorque. Actuou também noutras peças, como “Bodas de Sangue” de Federico Lorca e “O Conde de Monte Cristo” de Alexandre Dumas.
Com cerca de 60 interpretações no cinema, Joaquim de Almeida, fluente em sete línguas, contracenou com nomes sonantes do cinema mundial, participando em produções dos EUA, Brasil, México, Argentina, etc.. Actuou ao lado de Michael Caine, Richard Gere, Isabelle Huppert, Harrison Ford, Antonio Banderas e Marcello Mastroianni, entre outros.
De realçar as suas interpretações em “Good Morning, Babylon” (1987) e “The Soldier” (1982).
Retrato de Família”, de Luís Galvão Telles (1991), valeu-lhe o Prémio de Melhor Actor no Festival de Cinema do Cairo.
Em Portugal, com “Tentação” (1998) do realizador Joaquim Leitão, ganhou um Globo de Ouro na categoria de Melhor Actor. Foi dirigido também por Leonel Vieira, António Pedro Vasconcelos, Maria de Medeiros, Fernando Lopes e Teresa Villaverde. Fez várias séries para televisão nos Estados Unidos.

domingo, 14 de março de 2010

EFEMÉRIDEFrancisco José Viegas, escritor e jornalista português, nasceu em Vila Nova de Foz Côa no dia 14 de Março de 1962.
Viveu, até aos oito anos, na aldeia de Pocinho. Quando os pais, professores primários, se mudaram para Chaves, foi para lá, a fim de frequentar o ensino secundário. Mais tarde licenciou-se em Estudos Portugueses, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e leccionou Linguística na Universidade de Évora, de 1983 a 1987. Homem religioso, abandonou o catolicismo da sua tradição familiar e converteu-se ao judaísmo.
Com uma intensa actividade jornalística na rádio e na televisão, fez parte da redacção de vários órgãos de informação: “Jornal de Letras”, “Expresso”, “Semanário”, “O Jornal”, “Se7e”, “Diário de Notícias”, “O Independente”, “Record”, “Visão” e “Elle”, entre outros. Foi director da “LER”, da “Grande Reportagem” e da “Gazeta dos Desportos”. Entre 2006 e 2008 foi director da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, funções que abandonou para regressar à direcção da “LER”.
Na televisão, foi autor e apresentador dos programas: “Escrita em Dia”, “Falatório”, “Ler Para Crer”, “Prazeres”, “Um Café no Majestic”, “Primeira Página” e “Livro Aberto”. Apresentou na rádio “Escrita em Dia”. É autor do blogue “Origem das Espécies”.
Publicou obras de poesia, romances, contos, peças de teatro e relatos de viagens. Em 2006, “Longe de Manaus” (romance policial) recebeu o “Grande Prémio de Romance e Novela”, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores. Tem também publicado na imprensa crónicas assinadas com o heterónimo António Sousa Homem, algumas delas já reunidas em livro.

sábado, 13 de março de 2010

In memoriam de Rosa Lobato Faria (20.04.1932/02.02.2010)

EFEMÉRIDE João Braz Machado, poeta, jornalista e escritor português, nasceu em São Brás de Alportel no dia 13 de Março de 1912. Faleceu em Portimão, em 22 de Junho de 1993.
Foi viver para Silves ainda criança, fixando-se em Portimão aos 25 anos de idade. Estudou Jornalismo. Começou a escrever poemas aos 11 anos, ganhando o seu primeiro prémio de poesia aos 13. Foi eleito, por várias vezes, “Príncipe dos Poetas Algarvios”, obtendo a consagração máxima em 1951, quando foi aclamado “Príncipe dos Poetas Portugueses”, nos Jogos Florais Nacionais.
Versos seus foram declamados por João Villaret e Natália Correia, entre outros. Como jornalista, foi fundador e director de “A Rajada”, tendo colaborado nos jornais “Ala Esquerda”, “Vibração”, “Espectáculo”, “Artes e Letras”, “Diário de Lisboa”, “Diário Ilustrado” e “Correio do Sul”, entre outros.
Foi eleito membro da Associação Internacional de Poetas de Cambridge e galardoado com o Diploma de Mérito Municipal pela Câmara Municipal de Portimão em 1992.
O seu nome figura na toponímia da cidade de Portimão e, desde 2005, existe uma estátua sua, em bronze, na zona ribeirinha da cidade.
João Braz trabalhou com igual talento vários géneros poéticos, não dispensando porém a musicalidade da poesia rimada. A sua produção literária alargou-se ainda ao Teatro, a Revistas, Autos e Contos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

EFEMÉRIDE Liza May Minnelli, actriz, cantora e dançarina norte-americana, nasceu em Los Angeles no dia 12 de Março de 1946. É filha do realizador Vincente Minnelli e da actriz e cantora Judy Garland.
Liza Minnelli fez a sua primeira aparição no cinema, com apenas dois anos e meio, na cena final do filme de Judy Garland “In the Good Old Summertime”. Com dezasseis anos, foi para Nova Iorque por sua conta, para iniciar a carreira artística, estreando-se na Broadway em “Best foot forward” Em 1964, a mãe convidou-a para participarem juntas num espectáculo em Londres, que teve grande êxito.
Liza, aos 23 anos, foi nomeada para um Oscar, pelo seu papel em “The Sterile Cuckoo”. Seguiram-se outros papéis dramáticos e, em 1972, conquistou o Oscar pela actuação na longa-metragem “Cabaret”. Tornou-se assim a única titular de um Oscar, cujos pais também tinham ganho o mesmo prémio. “Cabaret“ foi um dos grandes sucessos de bilheteira em Hollywood e lançou Liza como um dos maiores ícones do cinema mundial.
Foi simultaneamente capa das revistas “Time” e “Newsweek”. Além de “Cabaret”, uma das suas interpretações mais conhecidas foi “New York, New York”, do musical de mesmo nome.
Em 1974 participou como narradora do filme “Isto é o espectáculo”, com Fred Astaire e Gene Kelly. Gravou com Frank Sinatra o CD “Duets” e Sammy Davis Jr juntou-se a eles para uma série de concertos e espectáculos na televisão, que tiveram grande sucesso (1980).
Nos últimos anos, a sua carreira tem estado voltada mais para o teatro e para a música. Grande amiga de Charles Aznavour, que ela considera como seu mentor, tem interpretado as suas canções nos Estados Unidos. Em 1992 fez uma série de concertos com o cantor francês, nos dois lados do Atlântico (Palais des Congrès em Paris e Carnegie Hall em Nova Iorque). No mesmo ano participou num gigantesco concerto de caridade, realizado no mítico estádio de Wembley, em memória de Freddie Mercury, acompanhando os membros que restavam dos “Queen” na célebre canção “We are the champions”.
Em 1997, sofreu uma cirurgia nas cordas vocais, aproveitando o tempo para assistir a todos os filmes do pai. Isso levou-a a entrar num espectáculo na Broadway intitulado “Minnelli on Minnelli”.
Já nos anos 2000 fez várias tournées pela Europa e pela América. Por ocasião da morte de Michael Jackson, homenageou o cantor em diversas manifestações. Tem participado activamente na luta contra a Sida e actua frequentemente em França para angariação de fundos para a associação “Care”.
Em 1991 a Câmara de Comércio de Los Angeles recompensou-a com uma estrela no “Passeio da Fama”, pela sua carreira artística. Liza Minnelli foi casada (e divorciada) quatro vezes.

quinta-feira, 11 de março de 2010

EFEMÉRIDETorquato Tasso, poeta italiano, contemporâneo de Ariosto, nasceu em Sorrento no dia 11 de Março de 1544. Morreu em Roma, em 25 de Abril de 1595.
Ficou conhecido sobretudo pelo poema “Jerusalém libertada”, no qual descreve os combates imaginários entre cristãos e muçulmanos, no fim da primeira cruzada, durante o cerco de Jerusalém. É um dos clássicos renascentistas.
Após abandonar os estudos de jurisprudência, que iniciara em Pádua, entrou em 1565 para a corte dos “Estenses”, onde passou sete anos sem ocupação fixa. Nessa época já tinha planeado e estava a escrever o seu célebre poema, terminado apenas em 1575.
Afligido, entretanto, por muitos escrúpulos de ordem estética e especialmente religiosa, foi sempre adiando a publicação da obra. Agravando-se o seu estado de espírito, Tasso começou a dar mostras de descontrolo mental e a mania de perseguição não tardou em torná-lo perigoso. Esteve várias vezes recolhido em conventos e manicómios e foi, numa dessas ocasiões, que lhe roubaram os manuscritos do poema, publicando-o sem sua autorização.
O poema suscitou vivas polémicas, que ainda mais agravaram o estado de Tasso. Doente e na miséria, passou a mendigar protecção e favores ora numa corte, ora noutra, recebendo já no último ano da sua vida, a graça de uma pensão papal. Em 1593 fez ainda aparecer o seu poema revisto, sob o título de “Jerusalém conquistada”.

quarta-feira, 10 de março de 2010

EFEMÉRIDEFernando Baptista de Seixas Peyroteo, futebolista português, nasceu em Humpata, Angola, no dia 10 de Março de 1918. Faleceu em Lisboa, em 28 de Novembro de 1978. Formou com Jesus Correia, Vasques, Travassos e Albano, os famosos “Cinco Violinos” do Sporting Clube de Portugal.
Desde muito cedo se revelou um bom marcador de golos no Sporting de Luanda. Com 19 anos chegou a Lisboa, mas não assinou logo contrato. Deu porém a sua palavra de honra em como jogaria no Sporting, sem ter sequer discutido questões monetárias. Apesar de abordado por um clube do norte, julga-se que o F. C. do Porto, e também pelo Benfica, Peyroteo não aceitou pois estava verbalmente comprometido com o Sporting.
Estreou-se com a camisola do sportinguista em Setembro de 1937, num Torneio no Campo das Salésias defrontando o Benfica, jogo que venceu por 5-3 com dois golos de sua autoria. Neste seu primeiro ano no Sporting, Peyroteo ajudou o clube a conquistar mais um Campeonato de Portugal, tendo contribuído depois decisivamente para a conquista de 5 Campeonatos Nacionais e 4 Taças de Portugal.
Peyroteo foi por seis vezes o melhor marcador do campeonato nacional, prova em que apontou 331 golos em 197 jogos, uma média fantástica de 1,6 golos por jogo, média ainda hoje não superada por nenhum jogador do mundo em jogos a contar para os respectivos campeonatos nacionais.
Realizou 393 jogos com a camisola “leonina” (1937-1949), tendo marcado 635 golos. Ao longo da sua carreira disputou 432 jogos marcando 700 golos.
Os 43 golos que marcou no Campeonato Nacional de 1947/48 só vieram a ser ultrapassados por outro sportinguista: Yazalde que, em 1973/74, marcou 46. Foi internacional vinte vezes, marcando catorze golos.
Peyroteo terminou a sua carreira aos 31 anos, depois de um curto ano ao serviço de “Os Belenenses”. Faleceu, vítima de ataque cardíaco, aos 60 anos de idade.

terça-feira, 9 de março de 2010

EFEMÉRIDEJohn Dennis Profumo, conhecido informalmente como Jack Profumo, político britânico, faleceu em Londres no dia 9 de Março de 2006. Nascera, também na capital inglesa, em 30 de Janeiro de 1915.
Profumo ficou conhecido pelo alegado envolvimento num escândalo com uma prostituta, o “Profumo Affair” (1963). Abandonou então a vida política, o que contribuiu para a queda do Governo conservador de Harold Macmillan no ano seguinte.
Em Julho de 1960, Profumo entrara para o Governo britânico, sendo nomeado Ministro da Guerra e tornando-se membro do Conselho Privado.
Em Janeiro de 1961, numa festa no domicílio do Visconde Astor em Cliveden, encontrou Christine Keeler, uma call girl com a qual teve uma breve relação de algumas semanas. Rumores sobre esta ligação foram postos a circular. Christine Keeler teve igualmente uma relação com Yevgeny Ivanov, Adido principal da Marinha na Embaixada Soviética. Num contexto de suspeição de espionagem, o “caso Profumo” começou a tomar uma dimensão nacional.
Em Dezembro de 1962, uma cena de tiros em Londres, que envolveu dois homens que tinham contactos com Christine Keeler, levou a imprensa a pesquisar a vida dela. Os jornalistas encontraram rapidamente as ligações com Profumo e Ivanov. Porém, a tradição britânica que consistia em respeitar a vida privada dos políticos foi mantida até Março de 1963. Foi então que George Wigg (Partido Trabalhista) interpelou a Câmara dos Comuns sobre os problemas de segurança nacional causados pela suposta ligação de Profumo com Christine. Profumo admitiu a relação, mas refutou sempre a acusação de eventuais indiscrições. Pediu no entanto a demissão do Governo, da Câmara dos Comuns e do Conselho Privado.
Profumo passou a trabalhar como voluntário numa organização de beneficência de Londres. Contribuiu para a angariação de fundos importantes, graças aos seus talentos de político. Continuou este trabalho durante o resto da vida. Estas actividades ajudaram a restabelecer a sua reputação. Nomeado Comendador da Ordem do Império Britânico em 1975, vinte anos mais tarde foi mesmo convidado por Margaret Thatcher para o seu 70º aniversário. Profumo nunca mais falou do assunto até ao fim dos seus dias, mesmo quando o filme “Scandal” e a publicação das memórias de Christine Keeler vieram desenterrar o seu passado.

segunda-feira, 8 de março de 2010

No Dia da Mulher

MULHER DE TALENTO (conto)

Era o último dia de aulas antes da Páscoa. A professora dirigia-se às suas alunas:
- Quando voltarem, depois das férias, vão trazer-me uma pequena composição contando a história de uma “mulher de talento”. Ao texto que eu considerar melhor ou mais original atribuirei uma obra de uma conhecida escritora portuguesa.
As miúdas entreolharam-se, meio atrapalhadas, sem saber o que dizer nem o que haveriam de escrever.
- Não se assustem, pois vou distribuir uma pequena lista onde poderão escolher entre vários nomes. Há para todos os gostos. Escritoras, Cientistas, Santas, Feministas, Desportistas, Políticas, Rainhas… Portuguesas e estrangeiras. Para conhecerem as respectivas vidas podem consultar enciclopédias que tenham lá em casa ou mesmo a Internet. Neste último caso não se limitem a copiar. Tomem conhecimento e utilizem as vossas próprias palavras, simples mas contando o essencial. Se alguém tiver dificuldades para estas pesquisas, fale-me após a aula, pois arranjarei modo de poderem vir aqui à Escola e terão tudo o que for necessário na Biblioteca.
A campainha tocou. As crianças arrumaram as coisas nas mochilas, levantaram-se e começaram a sair, recebendo a folha prometida e despedindo-se da professora, com votos de “Feliz Páscoa”.

Chuviscava um pouco, mas até sabia bem pois o tempo estava abafado. Sofia encaminhou-se para casa. Não era muito longe. Não tinha nenhuma enciclopédia, mas a mãe comprara-lhe um computador no mês anterior. Para evitar a despesa, porém, ainda não tinha ligação à Internet. Com a ajuda da mãe ou de alguma amiga, haveria de resolver o problema.
Quando chegou a casa, trocou impressões com a mãe. Olharam para a folhita amarrotada, que Sofia tirou no bolso e leram alguns nomes conhecidos, outros nem tanto: Florbela Espanca, Madame Curie, Joana d’Arc, Maria Lamas, Rosa Mota, Maria de Lurdes Pintasilgo, Rainha Santa Isabel e tantas outras. Nenhum dos nomes lhes despertou demasiada atenção.
- Mãe, vamos jantar e amanhã decidirei. Estou cansada, mas parece-me que até já tenho uma ideia!
No dia seguinte, bastante cedo, mal a mãe saiu para o trabalho, Sofia tomou banho, comeu o pequeno-almoço e sentou-se em frente do computador. Escreveu, apagou, emendou, tornou a escrever… Só deu por ser hora de almoço quando a mãe meteu a chave à porta.
- Mãezinha, já fiz praticamente o trabalho. Só mais umas emendas e estará pronto. Mas é surpresa. Quando recomeçarem as aulas, eu mostro-te.

A escola voltou a alegrar-se com o bulício das jovens. O toque da campainha fez parar as brincadeiras e todas se dirigiram para as respectivas salas de aula.
- Fizeram todas o trabalho que eu pedi? – Perguntou com um sorriso a professora Marília.
- Sim!!! Responderam em uníssono.
- Então, cada uma vai ler a sua história e eu vou tomando notas.
Quando chegou a vez de Sofia, esta levantou-se e, com voz a princípio tímida e depois um pouco mais solta, começou a ler: «Maria do Rosário vivia em Olhão, numa comunidade de pescadores. Cedo perdeu o pai e, meses mais tarde, a mãe. Ajudou a criar os três irmãos mais novos com o apoio da sua velha avó, que vivia de um rendimento mínimo que recebia desde a morte do seu homem, tragado pelas ondas do mar, que tão pródigo é a dar peixe, mas que por vezes tão impiedoso é a ceifar vidas. Mais tarde, foi servir para a casa de uma família abastada. Sendo uma bela moçoila, muitos eram os pretendentes, embora ela não fosse muito dada a namoricos. Até que um dia conheceu Isidoro, empregado nos Caminhos-de-Ferro. Amor à primeira vista e casamento meses depois.
Ficou grávida e o marido pediu-lhe para que ela trabalhasse apenas em casa para não se esforçar muito.
Uma noite, no regresso de um dia de trabalho, Isidoro despistou-se e embateu violentamente contra um camião
TIR que vinha em sentido contrário. Esteve alguns dias em coma e não sobreviveu.
Maria do Rosário quase perdeu o interesse pela vida, mas lembrando-se do fruto que trazia no ventre, foi pedir trabalho aos antigos patrões. Num esforço quase sobre-humano inscreveu-se também numa escola para adultos com o intuito de tirar pelo menos a instrução primária e poder assim arranjar um emprego melhor e mais seguro.
Entretanto a criança nasceu. Era uma menina. Teve de ficar em casa, pois não tinha dinheiro para pagar a uma ama. Agarrou-se aos livros e continuou a estudar. Propuseram-lhe um emprego como “auxiliar” no Hospital. O ordenado mais a pequena pensão do marido chegavam para pôr a menina numa creche enquanto ia trabalhar e, poupando, ainda poderia pagar a uma ama durante umas horas para poder continuar a estudar à noite. Conseguiu completar o 9º ano de escolaridade e obteve a transferência para os Serviços Administrativos do Hospital.
A filha continuava a estudar. Maria do Rosário prometeu a si mesma que a filha haveria de ter os estudos que ela não conseguira ter. O talento não se mede apenas em descobertas, em obras-primas ou em resultados desportivos. Maria do Rosário tivera o sublime talento de saber ser Mulher e ser Mãe!
»
Lidas estas palavras, Sofia começou a soluçar, escondendo a cara entre as mãos. Emocionada também, a professora perguntou-lhe quem era afinal esta Maria do Rosário.
- É a minha mãe, senhora professora!
As alunas, num gesto nunca antes visto, levantaram-se e aplaudiram com as lágrimas nos olhos. O prémio já tinha dona.

Quando chegou a casa, a mãe perguntou-lhe com ansiedade:
- Quem ganhou, minha filha?
- Ganhámos as duas, mãezinha! Eu ganhei este livro e tu… ganhaste o título da “Mãe Mais Talentosa do Mundo”!
Ficaram abraçadas longos minutos, misturando lágrimas, beijos e murmúrios.

Gabriel de Sousa

NB - Menção Honrosa nos 38ºs Jogos Florais Internacionais de Nossa Senhora do Carmo - 2008 (Fuseta)

EFEMÉRIDEFátima Lopes, estilista portuguesa, nasceu no Funchal em 8 de Março de 1965.
Desde criança revelou grande interesse pelo mundo da moda e, durante a adolescência, insatisfeita com a roupa que era vendida no Funchal, começou a criar roupas para si própria. Graças à sua fluência em línguas estrangeiras, trabalhou no Funchal como guia turística de uma agência de viagens.
Em 1990 mudou-se para Lisboa com o objectivo de seguir a carreira de estilista. Abriu, com uma amiga, uma loja chamada “Versos”, onde vendia essencialmente roupa de criadores internacionais. Em 1992 o nome da loja mudou para “Fátima Lopes”. Em Setembro do mesmo ano, participou num espectáculo de moda realizado num convento de Lisboa, onde as suas criações foram muito bem acolhidas.
Em 1994 mostrou as suas roupas pela primeira vez no “Salon du Prêt-à-Porter Féminin” em Paris. No ano seguinte participou no grande evento de moda nacional, o “Portugal Fashion”. Entre 1996 e 1998 começou a desenhar também sapatos e carteiras, quer para o público feminino, quer para homens.
Em 1996 abriu a sua primeira loja internacional, situada na capital parisiense. Desde 1999 tem participado duas vezes por ano no Salão da Moda de Paris, sendo actualmente a única portuguesa a estar presente. Em 2000 causou grande atenção mediática por desfilar na capital francesa o mais caro biquíni do mundo, em ouro e diamantes, avaliado em cerca de um milhão de dólares.
Em 2002 foi convidada pela Mattel para criar uma boneca Barbie, tendo decidido reproduzir na boneca o biquíni de ouro e diamantes que usara em Paris. Em 2003 abriu a sua primeira loja de roupa nos Estados Unidos da América, situada em Los Angeles.
Fátima Lopes tem defendido publicamente a utilização de peles verdadeiras na indústria da moda, o que tem originado vários protestos por parte dos defensores dos direitos dos animais.

domingo, 7 de março de 2010

EFEMÉRIDEAlessandro Francesco Tommaso Manzoni, romancista e poeta, um dos mais importantes nomes da literatura italiana, nasceu em Milão no dia 7 de Março de 1785. Faleceu na mesma cidade em 22 de Maio de 1873.
Depois do divórcio dos pais em 1792, fez os seus estudos em instituições religiosas de Lugano, Merate e Milão. Após a morte do pai foi viver para Paris com a mãe, na companhia da qual passou a frequentar salões literários parisienses. Assim se relacionou com ideólogos, que representavam o movimento filosófico mais importante da época. Em 1801 escreveu o poema “O Triunfo da Liberdade” onde desenvolveu ideias jacobinas.
Casou-se em 1808 com Henriette Blondel. Em 1810, refugiou-se numa igreja quando de um movimento da multidão, ocasionado pela explosão de uma bomba à passagem de Napoleão I. Julgando ter perdido a mulher, encontrou-a no entanto mais tarde. Vendo aí um sinal divino, converteu-se ao catolicismo. Nesse mesmo ano voltou para Itália.
Escreveu “Hinos” entre 1812 e 1815 e o seu melhor drama (“Adelchi”) entre 1820 e 1821, obras que se inspiravam já no romantismo.
A sua obra-prima, “I promessi sposi”, traduzida para português com o título “Os noivos”, foi escrita entre 1821 e 1842. Terminou a primeira versão deste romance histórico em 1823 mas, insatisfeito, reescreveu-o por duas vezes.
Dedicou-se depois ao estudo e à elaboração de ensaios críticos, históricos e morais. Metade da sua vida foi marcada por lutos sucessivos. A morte da primeira esposa Henriette em 1833 foi seguida do falecimento de vários dos seus filhos e de sua mãe. Em 1837 casou-se em segundas núpcias com Teresa Borri, de quem ficaria viúvo anos mais tarde. A morte do filho mais velho em 1873 foi o drama que precipitou o seu fim.
A Itália homenageou-o, sendo o seu enterro acompanhado até ao cemitério de Milão pelos príncipes reais, por várias personalidades do Estado e por um imenso cortejo de anónimos. Giuseppe Verdi compôs um Requiem em sua memória, em 1874.

sábado, 6 de março de 2010

EFEMÉRIDERichard Douglas Fosbury, conhecido como Dick Fosbury, atleta norte-americano que revolucionou o salto em altura, criando e aperfeiçoando a técnica de saltar em rolamento dorsal, nasceu em Oregon, Portland, no dia 6 de Março de 1947.
Dick Fosbury experimentou pela primeira vez esta nova técnica aos 16 anos. Ele não gostava do estilo predominante, o “método straddle”, e utilizara até então o ultrapassado “salto de tesoura”.
Depois de se formar na Medford High School em 1965, inscreveu-se na Universidade do Estado de Oregon.
Fosbury venceu em 1968 o Campeonato da NCAA com 2,19 m usando a sua nova técnica e ficou seleccionado para os Jogos Olímpicos com um salto de 2,21 m.
Nos Jogos Olímpicos de 1968 no México, ganhou a medalha de ouro, estabelecendo um novo recorde olímpico com 2,24 m e mostrando o potencial da sua técnica. Apesar das reacções terem sido cépticas no início, o "Salto Fosbury" tornou-se rapidamente popular.
Quatro anos depois, nas Olimpíadas de Munique, 28 dos 40 competidores utilizaram já a nova técnica. Nos Jogos Olímpicos de 1980, 13 dos 16 finalistas olímpicos utilizaram-na também. Dos 36 medalhados, de 1972 a 2000, 34 utilizaram o "Salto Fosbury". Actualmente continua a ser a técnica mais popular.
Fosbury, depois de ter obtido o diploma de engenheiro, pôs fim prematuramente à sua carreira atlética que, para ele, não era mais que um passatempo,
Graças ao seu estilo, o recorde mundial passaria rapidamente de 2,28 (com o russo Valery Brumel) para 2,45 m (com o cubano Javier Sotomayor).
Esta técnica também só foi possível ser desenvolvida com a presença de colchões para a queda, que substituíram as antigas caixas de areia. Com efeito, o saltador cai desamparado depois de passar a fasquia, o que seria muito perigoso se não tivesse havido esta importante alteração.
Com uma vida profissional bem sucedida, Dick continuou sempre a praticar desportos: ciclismo, montanhismo, esqui, etc. Em 2008 foi-lhe diagnosticado um linfoma e foi operado a um tumor ao nível da coluna vertebral. Fez quimioterapia e, em Março de 2009, pôde anunciar que a doença estava em remissão.

sexta-feira, 5 de março de 2010

EFEMÉRIDEPedro da Cunha Pimentel Homem de Mello, poeta, professor e folclorista português, faleceu no Porto em 5 de Março de 1984. Nascera na mesma cidade em 6 de Setembro de 1904.
Oriundo de uma família fidalga, foi desde muito cedo imbuído de ideais monárquicos, católicos e conservadores. Foi sempre um sincero amigo do povo e a sua poesia é disso reflexo. O pai pertenceu ao círculo íntimo do poeta António Nobre.
Estudou Direito na Universidade de Coimbra, acabando por se licenciar em Lisboa (1926). Exerceu a advocacia, foi subdelegado do Procurador da República e, posteriormente, professor de português em duas escolas técnicas do Porto, tendo sido director da Escola Mouzinho da Silveira.
Foi um entusiástico estudioso e divulgador do folclore português, criador e patrocinador de diversos ranchos folclóricos minhotos, tendo sido, durante os anos 1960 e 1970, autor e apresentador de um popular programa na RTP sobre esta temática.
Colaborou no Movimento da Revista “Presença”. Apesar de bem acolhida por numerosos críticos, a sua vastíssima obra poética, em que tentou conciliar a expressão metafórica elaborada com a tradição popular, o paganismo com a formação católica, e a expressão do corpo - às vezes erótica - com valores religiosos, está injustamente votada ao esquecimento. Entre os seus poemas mais famosos, destacam-se “Povo que Lavas no Rio” e ”Havemos de Ir a Viana”, imortalizados por Amália Rodrigues. Escreveu igualmente várias obras sobre folclore e danças populares.

quinta-feira, 4 de março de 2010

EFEMÉRIDEMiriam Makeba, de seu verdadeiro nome Uzenzile Makeba Qgwashu Nguvama, cantora sul-africana, também conhecida como "Mama Afrika", grande activista pelos direitos humanos e contra o apartheid, nasceu em Joanesburgo no dia 4 de Março de 1932. Faleceu em Castel Volturno, Itália, em 10 de Novembro de 2008.
Aos vinte anos, tomava conta de crianças e lavava táxis para conseguir sustentar a família. Começou a sua carreira como cantora, em grupos vocais dos anos 1950, interpretando uma mistura de blues americanos e ritmos tradicionais da África do Sul. No fim da década, já vendia bastantes discos, mas recebia muito pouco pelas gravações e nem um cêntimo de royalties, o que lhe trouxe o desejo de emigrar a fim de poder fazer da música a sua profissão.
O seu momento decisivo aconteceu em 1960, quando participou no documentário anti-apartheid “Come Back, Africa”, a cuja apresentação compareceu, no Festival de Veneza. A recepção que teve na Europa e as condições que enfrentava na África do Sul fizeram com que Miriam resolvesse não regressar ao país, o que causou a anulação do seu passaporte sul-africano.
Foi para Londres, onde se encontrou com o cantor e actor negro norte-americano Harry Belafonte, que se tornou o responsável pela entrada de Miriam no mercado americano. Através de Belafonte, também um grande activista pelos direitos civis nos Estados Unidos, Miriam gravou vários discos de grande popularidade. A sua canção “Pata Pata” foi um enorme sucesso mundial. Em 1966, os dois ganharam o Prémio Grammy na categoria de música folk, com o disco “An Evening with Belafonte/Makeba”.
Em 1963, depois de um testemunho veemente sobre as condições dos negros Sul-Africanos, perante o Comité das Nações Unidas contra o Apartheid, os seus discos foram banidos da África do Sul pelo governo racista; o seu direito de regresso ao lar e à sua nacionalidade foram recusados, tornando-se apátrida.
Os problemas nos Estados Unidos começaram em 1968, quando se casou com o activista político Stokely Carmichael, um dos idealizadores do chamado Black Power e porta-voz dos Panteras Negras, levando ao cancelamento dos seus contratos de gravação e das suas digressões artísticas. Por este motivo, o casal mudou-se para a Guiné, onde se tornaram amigos do Presidente Sékou Touré. Nos anos 1980, Makeba chegou a ser delegada da Guiné junto da ONU, que lhe atribuiu o “Prémio da Paz Dag Hammarskjöld”. Separada de Carmichael desde 1973, continuou a vender discos e a fazer espectáculos em África, na América do Sul e na Europa.
Em 1975, participou nas cerimónias da independência de Moçambique, onde lançou a canção “A Luta Continua” (slogan da Frelimo), apreciada até aos nossos dias.
A morte da sua filha única em 1985 levou-a a mudar-se para a Bélgica, onde se fixou. Dois anos depois, voltou triunfalmente ao mercado norte-americano.
Com o fim do apartheid e a revogação das respectivas leis, Miriam Makeba pôde regressar finalmente à sua pátria em 1990, a pedido do presidente Nelson Mandela, que a recebeu pessoalmente. Na África do Sul, participou em dois filmes de sucesso sobre a época do apartheid.
Agraciada em 2001 com a “Medalha de Ouro da Paz Otto Hahn”, «por relevantes serviços pela paz e pelo entendimento mundial», Miriam continuou a actuar em todo mundo e, em 2005, anunciou uma digressão de despedida com vários meses de duração.
Em 9 de Novembro de 2008, durante um concerto em Nápoles, de apoio a Roberto Saviano, autor de um livro sobre a Camorra e que era perseguido por esta organização mafiosa, sofreu um ataque cardíaco, morrendo no hospital durante a madrugada seguinte.

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