sábado, 30 de junho de 2012

EFEMÉRIDEMiguel Ângelo Leonardo Vítor, futebolista português que joga habitualmente a defesa central, nasceu em Ponte do Rol, Torres Vedras, no dia 30 de Junho de 1989.
Iniciou-se como júnior no Sport Lisboa e Benfica, tendo-se estreado na equipa principal em Agosto de 2007, para colmatar as lesões dos defesas habitualmente titulares da equipa. No jogo de estreia, contra o Vitória de Guimarães, a equipa não sofreu golos e o jogador foi muito aplaudido pelos adeptos benfiquistas.
Depois de um empréstimo ao Clube Desportivo das Aves, voltou a integrar o plantel do Benfica. Na época 2010/2011 esteve emprestado ao clube inglês Leicester City.
Em representação do Benfica, conquistou as Taças da Liga de 2008/2009, 2009/2010 e 2011/2012 e foi Campeão de Portugal em 2009/2010. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

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Como explicar a um vendedor turco que o bikini é pequeno.,..

La Pire Haleine du Monde

O pior hálito do Mundo
EFEMÉRIDEMoïse Antonin Kapenda-Tshombe, político congolês, morreu na Argélia em 29 de Junho de 1969. Nascera no Musumba, ex Congo Belga, em 10 de Novembro de 1919.
Estudou numa escola de missionários americanos e, mais tarde, especializou-se em contabilidade. Na década de 1950, dirigiu uma cadeia de lojas no Katanga e entrou para a política, fundando o partido CONAKAT, que defendia a independência da província do Katanga.
Nas eleições legislativas de 1960, este partido assumiu o poder no Katanga. Tshombe declarou a secessão da província, do resto do Congo, em 11 de Julho. Houve graves distúrbios étnicos e os katangueses expulsaram os imigrantes de etnia luba, que haviam sido trazidos pela administração colonial belga para trabalharem nas minas. Houve muitas mortes.
Cristão e pró-ocidental, Tshombe foi eleito presidente do Katanga em Agosto de 1960, anunciando que «se separava do caos» (referindo-se aos distúrbios ocorridos no país, após a proclamação da independência). Alguns analistas crêem que Tshombe proclamou esta secessão por não ter sido incluído no governo de Lumumba. Como pretendia manter relações privilegiadas com a Bélgica e em especial com a União Mineira do Alto Katanga, Tshombe solicitou ao governo belga ajuda para constituir e treinar um exército katanguês. A França, também desejosa de aproveitar os minerais, enviou como reforço o mercenário Bob Denard e alguns dos seus homens. O primeiro-ministro Patrice Lumumba e o seu sucessor Cyrille Adoula pediram então a intervenção de forças das Nações Unidas. A ONU respondeu favoravelmente.
Quando Lumumba, depois das tensões com Kasavubu e Mobutu, foi enviado como emissário ao Governo do Katanga em Janeiro de 1961, foi preso, torturado e executado. Supõe-se que o próprio Tshombe terá assistido, com os seus ministros, à execução. As Nações Unidas demoraram dois anos a retomar o controlo do Katanga para o governo congolês.
Em 1963, a tomada do Katanga por parte das forças das Nações Unidas obrigou Moïse Tshombe a exilar-se, primeiro na Rodésia do Norte (actual Zâmbia) e depois em Espanha.
Em 1964, regressou ao Congo para fazer parte de um governo de coligação como primeiro-ministro. Decidiu expulsar de Kinshasa os congoleses de Brazzaville (as duas capitais estão frente-a-frente, os seus habitantes estão bastante misturados e falam as mesmas línguas). Esta decisão foi revogada, um ano depois, pelo presidente Kasavubu. Em 1966, Mobutu, que tinha sido expulso um ano antes, acusou Tshombe de traição, pelo que este teve de fugir novamente para Espanha.
Em 1967, foi condenado à pena capital à revelia. Em Junho, um avião em que viajava foi sequestrado e desviado para a Argélia, onde ficou preso no domicílio até à sua morte em 1969, vítima de ataque cardíaco.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

EFEMÉRIDERuslana Sergeevna Korshunova, modelo cazaque de etnia russa, morreu em Nova Iorque em 28 de Junho de 2008. Nascera em Almaty, então na República Socialista Soviética Cazaque (hoje Cazaquistão), em 2 de Julho de 1987.
Descendente de russos, falava fluentemente russo, inglês e alemão. Foi descoberta em 2003, quando a revista “All Ásia” publicou uma reportagem sobre o Clube de Língua Alemã de Almaty, onde Ruslana estudava. A sua fotografia, que ilustrava o artigo, chamou a atenção de Carrelyn Watts da agência IMG models, que a localizou e contratou. Tinha na época apenas 15 anos.
Ruslana trabalhou para as agências IMG Models (Nova Iorque, Paris, Londres e Milão), Beatrice Models (Milão), Traffic Models (Barcelona), Marilyn Models e iCasting Moscow. Foi fotografada para as capas da “Elle” (França) e da “Vogue” (Polónia, Rússia e Itália). Pousou igualmente para: Blugirl by Blumarine, Clarins, Ghost, Kenzo Accessories, Marithé & François Girbaud, Max Studio, Moschino, Old England, Pantene Always Smooth, Paul Smith e Vera Wang. Fez publicidade para os perfumes de Nina Ricci.
Morreu após uma queda do 9º andar de um edifício na zona financeira de Manhattan. Algumas testemunhas disseram tê-la visto saltar. Segundo a polícia, não havia sinais de violência no seu apartamento.
Uma das suas amigas, que falou ao “The New York Post”, disse que Ruslana tinha acabado de voltar de um trabalho em Paris, parecia estar feliz e não havia razão aparente para que cometesse o suicídio. Entretanto, Ruslana escrevera três meses antes numa rede social: «Estou tão perdida. Será que ainda me vou encontrar?». Segundo algumas fontes, uma agência de prostituição mafiosa tê-la-ia perseguido e ameaçado, o que poderia explicar o suicídio.
Vladislav Novgorodtsev, seu empresário pessoal, descreveu a jovem modelo como amargurada, solitária e com saudades de casa. Confessara-lhe estar apaixonada por um jovem moscovita, mas que nada poderia advir deste relacionamento porque ele era casado. Ruslana também estava a ter problemas financeiros e pediu 400 dólares emprestados a amigos, dez dias antes de pular para a morte. Quase todo o dinheiro ganho por Ruslana, principalmente do trabalho como modelo em desfiles, era enviado para a mãe. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

EFEMÉRIDEManuel Ventura Cajuda de Sousa, ex jogador e actual treinador de futebol português, nasceu em Olhão no dia 27 de Junho de 1951.
Como jogador, passou pelo Sambrazence (1970/1971) e Olhanense (1971/1976), tendo-se destacado ao serviço do Farense (1976/1983), clube onde terminou a sua carreira e se iniciou como treinador-adjunto. Trabalhou ao lado do búlgaro Stojczo Mładenow e do espanhol Paco Fortes.
Como treinador principal começou no Torreense, passando pelas seguintes equipas: Portimonense, Olhanense, Louletano, Elvas, Braga, Marítimo, Naval 1º de Maio, Zamalek (Egipto), Belenenses, Beira-Mar, Vitória de Guimarães, Al Sharjah (Emiratos Árabes Unidos) e União de Leiria.
Conquistou alguns títulos e levou várias equipas à Taça UEFA. O seu filho, João Cajuda, é actor. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

EFEMÉRIDEFrancisco Pizarro González, um dos mais famosos conquistadores espanhóis, morreu em Lima no dia 26 de Junho de 1541. Nascera em Trujillo, em 16 de Março de 1476. Ficou na História como o conquistador do Peru e por ter subjugado o Império Inca.
Filho bastardo, foi abandonado nas escadarias da igreja de Trujillo e mais tarde reconhecido pelo pai, capitão dos tercios. Incumbido de trabalhos de pecuária durante a sua juventude, o pai acabou por o mandar para Itália a fim de aprender as artes militares. O primeiro registo oficial que menciona Pizarro é a documentação da expedição de Vasco Núñez de Balboa ao Panamá em 1513, em que Pizarro era ainda um pequeno e obscuro oficial.
Desde aí, começou o engajamento de Pizarro na conquista de territórios situados nas cercanias das primeiras colónias espanholas na América Central.
Em 1524, já com 48 anos, juntou-se a um oficial chamado Diego de Almagro, que com ele partilhava a condição de bastardo. Ambos arquitectaram planos, depois de ouvirem as narrativas de Pascual Andagoya. Este, embora voltasse ferido e sem riquezas, teria obtido a informação de um nativo que, apontando para o sul, lhe dissera que conhecia o «Pirú, reino onde se come e se bebe em vasilhas de ouro».
Pizarro aproximou-se então do padre Hernando de Luque, homem da confiança de um rico comerciante da Colômbia, e por seu intermédio obteve o patrocínio para a planeada conquista do Peru.
Em Novembro de 1524, fizeram-se ao mar com oitenta homens e quatro cavalos. Desta primeira expedição nada surtiu, a não ser o facto de terem baptizado de Baia da Fome o lugar onde desembarcaram e de onde partiram pela costa, sem nada obter a não ser combates com os nativos, num dos quais Almagro perdeu um olho.
Regressando sem riquezas nem glórias, foram necessárias muitas negociações para o financiamento de uma nova expedição, que foi minuciosamente contratada por escrito, prevendo a conquista do Peru ainda desconhecido e a partilha das suas riquezas.
Em Novembro de 1526, Pizarro voltou ao mar em dois barcos com cento e sessenta homens e alguns cavalos e, dessa vez, desembarcou na foz do Rio San Juan na costa da actual Colômbia, onde ficou com a maior parte da sua guarnição, enquanto Almagro voltava ao Panamá com uma das embarcações para ir buscar mais reforços. Um outro barco, sob o comando do piloto Bartolomeu Ruiz, atravessou entretanto o equador, indo cerca de 700 km para sul, onde teve o primeiro contacto com a civilização Inca: uma grande jangada impulsionada por uma vela quadrada, na qual havia homens e mulheres bem vestidos com túnicas de lã e que usavam ornatos feitos do tão ambicionado ouro. Três índios foram aprisionados para servirem posteriormente de intérpretes.
Bartolomeu Ruiz voltou e juntou-se a Pizarro. Pouco tempo depois, regressou Almagro com um reforço de 90 soldados. Entretanto, Pizarro já havia perdido muitos soldados devido à fome e a doenças. Um estado de desânimo e de revolta tinha-se instalado. Traçando com a sua espada uma linha na areia, desafiou todos a passarem para o lado dele, onde poderiam encontrar a luta e a morte mas também a fama e a fortuna. Apenas onze espanhóis e um grego se juntaram a ele. Os outros voltaram para o Panamá.
Pizarro e os seus homens esperaram sete meses numa ilhota ao largo da costa, até que o governador do Panamá lhe enviou um barco com novos recrutas. Navegaram então durante mais de 25 dias, ainda para sul, até ao golfo de Guayaquil, onde um dos índios lhes explicou que se tratava do porto inca mais setentrional. Não houve lutas e foram ali deixados alguns espanhóis, para melhor conhecer a região. Pizarro prosseguiu ainda mais para sul, onde a sua embarcação foi confrontada com um grande número de jangadas repletas de guerreiros incas. Trocando informações com os nativos, Pizarro mostrou as suas armaduras, arcabuzes e vinho enquanto os nativos falavam abertamente da sua civilização, admitindo a existência de ouro, prata e pedras preciosas. Algumas semanas depois, Pizarro voltava ao Panamá com artefactos de metal e tecidos finos indígenas, bem assim como vários jovens índios destinados ao serviço de intérpretes. Eram provas mais que suficientes para fundamentar nova expedição.
Prosseguindo nos seus objectivos, Pizarro voltou a Espanha e, diante da corte de Carlos V, fez a apologia dos esplendores do Peru. Em Julho de 1529, foi assinada a “Capitulación”, documento que autorizava Pizarro a conquistar e explorar as riquezas do Peru e o nomeava governador e capitão-geral.
Em 1530, Pizarro rumou mais uma vez para o sul. Fundou, em Setembro de 1532, o primeiro estabelecimento hispânico na costa do Peru, denominado San Miguel de Piura. Formou então uma força de conquista com sessenta e dois cavaleiros e cento e seis infantes, com a qual entrou continente adentro à conquista do Império Inca. Em Novembro, chegaram a Cajamarca onde, deixando o exército fora da cidade, Pizarro se fez convidar com uma pequena comitiva para um jantar com o imperador Atahualpa, durante o qual foi aniquilada a sua guarda de honra, tendo sido feito prisioneiro o próprio imperador.
No ano seguinte, Pizarro invadiu Cuzco com tropas indígenas e derrubou o Tahuantinsuyu (Império Inca). Julgando que a capital estava ainda muito distante, no planalto, Pizarro fundou a Ciudad de los Reyes, futura Lima, em Janeiro de 1535. Prosseguiu depois uma árdua campanha, pois as forças incas tentaram retomar Cuzco. Sendo derrotadas por Almagro, este julgou-se no direito de guardar o território para si, gerando uma acesa disputa com Pizarro. Este derrotou-o e mandou-o executar em 1538, na cidade de Ute. Em Junho de 1541, partidários de Almagro assassinaram por sua vez Pizarro, pondo fim a uma brilhante carreira de aventuras e pioneirismo. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

EFEMÉRIDEIngeborg Bachmann, ensaísta, romancista e poetisa austríaca, nasceu em Klagenfurt no dia 25 de Junho de 1926. Morreu em Roma, em 17 de Outubro de 1973. Estudou Direito, Letras e Filosofia nas Universidades de Innsbruck, Graz e Viena.
Em 1948, na capital austríaca, conheceu e apaixonou-se por Paul Celan, poeta surrealista e refugiado judeu, passando cerca de dois meses juntos. Continuaram depois, à distância, um relacionamento amoroso que muito influenciou a produção poética de ambos.
Em 1950, doutorou-se em Filosofia com a tese “A Recepção Crítica da Filosofia Existencialista de Martin Heidegger”. O seu interesse pela linguística levou-a a estudar Ludwig Wittgenstein, sobre quem publicou um ensaio. Após a sua formatura, trabalhou como guionista e editora na Rádio austríaca Rot-Weiss-Rot.
Em 1952, conheceu Hans Werner Henzel, jovem compositor musical, e partiu com ele para Itália, onde permaneceram quatro anos. Apesar da relação fraternal que os unia, em virtude da homossexualidade de Henzel, chegaram a pensar no casamento.
Em 1958, conheceu em Frankfurt o escritor Max Frisch, com quem foi morar em 1960. Dividiam o seu tempo entre Frankfurt e Roma e, dois anos depois, a relação chegou ao fim.
Como muitos dos escritores de língua alemã do pós-guerra, Ingeborg começou a sua carreira de poetisa no Grupo 47, um movimento de vanguarda alemão, que dominou as letras germânicas desde a sua fundação em 1947 até à sua dissolução em 1966. Como os outros integrantes do grupo, Ingeborg procurava uma renovação da linguagem, «que tinha sido conspurcada pelos nazis». A sua poesia elegante, mas com tons sombrios, mostra a influência da antiguidade clássica, do surrealismo e de escritores como Rainer Maria Rilke.
Em 1959, inaugurou a cadeira de Poética, como professora convidada da Universidade de Frankfurt.
A partir de 1960, deixou de escrever poesia e dedicou-se à prosa, procurando temas políticos e sociais. Poucos destes trabalhos foram publicados antes da sua morte. Em 1964, recebeu o Prémio Georg-Büchner, o mais importante das letras alemãs, como reconhecimento pelo conjunto da sua obra poética.
Ingeborg Bachmann morreu num hospital de Roma, com graves queimaduras pelo corpo, três semanas depois de um incêndio no seu quarto de hotel. A verdadeira causa, que chegou a supor-se ser um cigarro não apagado, nunca foi completamente esclarecida, aventando-se também a hipótese de suicídio. Desde 1977, é organizado em Klagenfurt um concurso literário que homenageia o seu nome.

domingo, 24 de junho de 2012

Chimamanda Adichie: O perigo da história única

Para ver e reflectir...
EFEMÉRIDEClaude Henri Jean Chabrol, realizador de cinema, produtor, actor, cenarista e guionista francês, nasceu em Paris no dia 24 de Junho de 1930. Morreu na mesma cidade em 12 de Setembro de 2010, vítima de problemas respiratórios.
Foi ele que iniciou a Nova Vaga Francesa, percorrendo com humor mais de meio século de carreira, independente de qualquer escola, crítico apreciado e engraçado, apreciador da boa cozinha e do bom vinho.
Desde os 4 anos de idade, começou a frequentar as salas de cinema parisienses. O pai, membro da Resistência, enviou-o para a casa da avó paterna, durante a Segunda Guerra Mundial.
De volta a Paris após a Libertação, Chabrol começou a estudar Letras e Direito. Depois, sob influência do pai, que era farmacêutico, começou a estudar Farmácia mas sem convicção. Abandonou os estudos após ter repetido várias vezes o primeiro ano.
Atraído pela 7ª arte, entrou em 1955 na 20th Century Fox, como adido de imprensa, fazendo ao mesmo tempo crítica de cinema ao lado de François Truffaut, seu colega nos “Cahiers du cinéma”. Publicou em 1957, com Éric Rohmer, um livro sobre Alfred Hitchcock, o mestre do suspense que conseguiu impor o seu estilo ao sistema de Hollywood.
Casou com Agnès, uma mulher rica, que o ajudou a financiar a criação da sua empresa de produção. Começou com um filme de curta-metragem “Le Coup du berger”, com o actor Jean-Claude Brialy. Em 1959, realizou o seu primeiro filme, “Le Beau Serge”, que se tornou o manifesto inicial da Nouvelle Vague.
Divorciou-se cinco anos depois, para casar com a actriz Stéphane Audran, de quem se separou em 1980. Durante este período, tornou-se um especialista na análise da burguesia francesa, criticando com veemência o conformismo que servia para dissimular vícios e ódios. Quer no domínio da comédia ou no filme policial, Claude Chabrol nunca deixou de atacar a hipocrisia, as baixezas e a estupidez humana. Compôs assim um retrato descomprometido da França dos anos 1970, áspero e corrosivo, onde predominam os filmes “La Femme infidèle”, “Juste avant la nuit” e “Les Biches”.
No final da década de 1970, deu uma reviravolta e optou por assuntos mais ecléticos. O seu encontro com a jovem Isabelle Huppert, em 1978, foi decisivo. O filme ‘’Violette Nozière’’, sobre a envenenadora parricida que causou escândalo nos anos 1930, acrescentou uma dimensão suplementar à galeria de monstros até então filmados por Chabrol (que já havia adaptado um acontecimento sangrento no filme “Landru”). Formou uma parceria extremamente eficaz com Isabelle Huppert, abordando temas policiais (“Rien ne va plus”), adaptações literárias (“Madame Bovary”) e filmes políticos (“L'Ivresse du pouvoir”), culminando com o irreverente “La Cérémonie” de 1995, adaptação do romance de Ruth Rendell, “L'analphabète”. Numa inesperada abordagem do fantástico, realizou em 1976 “Alice ou la dernière fugue” com Sylvia Kristel, um género que só abordou nesta ocasião.
Em 1983, casou-se pela terceira vez, então com Aurore Pajot, que se tornou a sua guionista predilecta.
Chabrol recebeu, como recompensa da sua obra excepcional, o Prémio René-Clair da Academia Francesa em 2005 e o Grande Prémio da Sociedade dos Actores e Compositores Dramáticos em 2010.
Foi sepultado no célebre Cemitério Père-Lachaise, depois de ter sido velado por amigos e parentes na Cinemateca Francesa.

sábado, 23 de junho de 2012

EFEMÉRIDEMaureen Paula O'Sullivan, actriz irlandesa, morreu em Scottsdale, no Arizona, em 23 de Junho de 1998. Nascera em Boyle, Irlanda, no dia 17 de Maio de 1911.
Estudou num colégio religioso de Dublin e no Convento do Sagrado Coração em Roehampton, nos arredores de Londres, onde foi colega da futura actriz Vivien Leigh. Frequentou uma escola de boas maneiras em França, voltando a Dublin para trabalhar junto da população mais pobre.
Iniciou-se no cinema em 1929, com pequenos papéis. Em 1931, obteve o papel feminino principal nos filmes do Tarzan. Ela foi a célebre Jane dos seis primeiros filmes do Tarzan interpretados por Johnny Weissmuller. Protagonizou ao todo cerca de setenta películas durante a sua carreira.
Tarzan, o Homem Macaco”, inspirado no livro de Edgar Rice Burroughs, filme de 1932 sob a direcção de W. S. Van Dyke, marcou também a estreia no cinema de Johnny Weissmuller, um famoso campeão de natação com 24 anos. Foi o primeiro filme falado do Tarzan.
Maureen O’Sullivan casou em 1936 com o realizador e produtor australiano John Farrow, sendo mãe de sete filhos entre os quais a também actriz Mia Farrow. Enviuvou em 1963, só se voltando a casar vinte anos depois, numa ligação que duraria até à sua morte.
Faleceu aos 87 anos devido a complicações decorrentes de uma cirurgia ao coração. Tem uma estrela com o seu nome no Hollywood Walk of Fame

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Portugal 1x0 Republica Checa relato Antena1 golo de Ronaldo

O golo do nosso contentamento!
EFEMÉRIDESoraia Chaves, actriz e modelo portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 22 de Junho de 1982.
É modelo desde os catorze anos, sendo agenciada pela Loft Models. Em 2006, esteve em Ribiera Maya, no México, tendo sido fotografada para um catálogo de moda.
O filme “O Crime do Padre Amaro” (2006), que marcou a sua estreia no cinema, fez com que fossem aproveitados da melhor forma os seus dotes físicos, em cenas de nudez e de sexo algo arrojadas, o que lhe deu fama e chamou a atenção para esta nova faceta da sua vida. Venceu o Globo de Ouro de Melhor Actriz em 2007, pelo seu desempenho em “Call Girl”.
Desde 2006 até agora, tem entrado em várias telenovelas e séries. Assinale-se, a título de exemplo, “A Vida Privada de Salazar” (SIC, 2009), “Rosa Fogo” (SIC, 2011) e “Dancing Days (SIC, 2012). No cinema, há que salientar também: “Arte de Roubar” (2008), “A Bela e o Paparazzo” (2009), “Cidade Neutra” (2010) e “A Flor Mais Bela” (2011). 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

EFEMÉRIDEAntónio Teixeira Lopes, escultor português, morreu em São Mamede de Ribatua, Alijó, em 21 de Junho de 1942. Nascera em Vila Nova de Gaia no dia 27 de Outubro de 1866.
Era filho do ceramista e escultor José Joaquim Teixeira Lopes e irmão do arquitecto José Teixeira Lopes, que foi seu colaborador em muitos trabalhos.
Os primeiros anos de vida decorreram na oficina do pai, o que fez dele um potencial artista. Em 1882, ingressou na Academia Portuense de Belas Artes, tendo como professor o mestre Soares dos Reis.
Depois de terminar o curso em 1884, foi para Paris com a finalidade de ampliar os seus conhecimentos. Ingressou na École des Beaux-Arts, obtendo vários prémios e menções honrosas. Nos anos seguintes, continuou a apresentar os seus trabalhos em exposições, tanto em Portugal como em França.
Em 1893, casou com Adelaide Fontes, casamento que durou apenas um dia, após o qual devolveu a esposa à família. Mais tarde, a partir de 1903, desenvolveu uma relação mais feliz com Aurora, a sua principal modelo.
O sucesso alcançado pelas suas obras permitiu-lhe contactar e conviver com a nobreza, nomeadamente com o rei D. Carlos e o seu irmão D. Afonso, e com a duquesa de Palmela, camareira de D. Amélia, que lhe encomendou uma escultura da Rainha Santa, destinada a Santa Clara-a-Nova de Coimbra.
Em 1895, com projecto do irmão, construiu o seu próprio atelier em Vila Nova de Gaia, onde é hoje a Casa-Museu Teixeira Lopes e onde está preservada uma parte significativa das suas obras.
Expôs em 1900 na Exposição Universal de Paris, tendo obtido um Grande Prémio e sendo distinguido com o grau de Cavaleiro da Legião de Honra.
António Teixeira Lopes é o autor das três imponentes portas de bronze da Igreja de Nossa Senhora da Candelária, na cidade do Rio de Janeiro, ali colocadas em 1901.
Foi professor da Escola de Belas Artes do Porto, onde regeu durante muitos anos a cadeira de escultura.
Retratou vários temas religiosos e históricos em barro, mármore e bronze. De entre a sua vasta obra, destacam-se “A Infância de Caim”, “A Viúva”, “A História”, “Baco” (Praça da República, no Porto) e “A Estátua de Eça de Queiroz” (Largo Barão de Quintela, em Lisboa).

quarta-feira, 20 de junho de 2012

EFEMÉRIDEErrol Leslie Thomson Flynn, actor australiano, naturalizado norte-americano em 1942, nasceu em Hobart no dia 20 de Junho de 1909. Morreu em Vancouver, em 14 de Outubro de 1959.
Frequentou a Sydney Church of England Grammar School, de onde foi expulso por lutar e alegadamente ter tido relações sexuais com uma funcionária da lavandaria da escola. Tal como nos seus filmes, a vida de Errol Flynn foi uma grande aventura. Foi expulso de vários colégios que frequentou na Austrália e em Inglaterra, conseguiu o primeiro emprego numa companhia de navegação em Sydney e trabalhou numa repartição do governo. Aos 20 anos, comprou um velho barco que baptizou de “Sirocco”, empreendendo uma viagem de sete meses para a Nova Guiné. Esta aventura serviria de assunto para o seu primeiro livro, “Beam Ends”, publicado em 1937. Estabeleceu-se numa plantação de tabaco em Laioki e passou a escrever alguns artigos para o “Sydney Bulletin”.
Ao ver fotografias suas, o realizador e produtor australiano Charles Chauvel ofereceu-lhe um papel no filme “In the Wake of the Bounty” de 1933.
Flynn rumou depois para o Reino Unido e entrou para a Northampton Repertory Company, no Royal Theatre, onde actuou durante sete meses adquirindo experiência teatral. Em Teddington, trabalhou para a Warner Brothers, protagonizando “Murder at Monte Carlo” de 1935. A Warner ofereceu-lhe um contrato e Flynn partiu para os Estados Unidos.
A primeira oportunidade de Flynn foi em “The Case of Curious Bride” de 1935. Flynn apareceu apenas em duas cenas, sem pronunciar uma única palavra. Terminado o filme, iniciou um romance com a actriz francesa Lili Damita, com quem se casou.
Com o advento dos filmes de aventuras, a Warner Brothers comprou os direitos de “Captain Blood” e o realizador Michael Curtiz resolveu fazer um teste com Flynn, que acabou por ganhar o papel. Ao seu lado, uma outra novata, Olivia de Havilland. O filme marcou o início da colaboração Curtiz-Flynn, que se estenderia por dez filmes até 1941.
Em 1938, “As Aventuras de Robin Hood”, com uma interpretação inesquecível de Errol Flynn, marcou de maneira indelével a sua carreira.
Após uma vida aventureira, com dezenas de filmes e muitos sucessos, os anos 1950 viram o início do seu declínio artístico.
Voltou a Hollywood, ressurgindo ainda em vários filmes entre 1957 e 1959. Faleceu aos 50 anos, vítima de ataque cardíaco e de problemas relacionados com o alcoolismo e o uso de drogas.
Boémio, Flynn casou-se três vezes, teve várias namoradas e quatro filhos. Foi acusado de estupro em 1942 e foi levado a julgamento, sem ter sido condenado mas vendo abalada a sua popularidade.
Um dos seus filhos (Sean), fotojornalista, desapareceu juntamente com outros jornalistas em 1970, durante a guerra do Vietname. Presume-se que tenha sido capturado e morto, quando da invasão do Camboja.
Errol Flynn escreveu ainda um romance de aventuras, “Showdown”, editado em 1946. A sua autobiografia, “My Wicked, Wicked Ways”, foi publicada logo após a sua morte e contém histórias deliciosas e humorísticas da vida em Hollywood.

terça-feira, 19 de junho de 2012

EFEMÉRIDEJoaquim Machado de Castro, escultor português, nasceu em Coimbra no dia 19 de Junho de 1731. Morreu em Lisboa, em 17 de Novembro de 1822. Foi um dos escultores com maior influência na Europa do século XVIII e princípio do século XIX. Para além de fazer as esculturas, descrevia-as em pormenor por escrito. Destaca-se a longa análise que fez sobre a estátua de D. José I, que se situa na Praça do Comércio em Lisboa: “Descripção analytica da execução da estátua equestre, Lisboa 1810”. Na introdução desta obra, Machado de Castro comentou igualmente outras estátuas equestres situadas em diversas praças europeias.
O pai, também escultor, reconhecendo-lhe bastantes aptidões, mandara-o aprender gramática latina com os padres jesuítas. Ao mesmo tempo que o jovem exercitava o espírito com o estudo dos livros, aprendia em casa com o pai os processos de moldar e exercitava-se na arte da escultura. Na escola e na oficina, Machado de Castro espantava todos com os seus rápidos e prodigiosos progressos. Iam crescendo também as suas ambições e aspirações. Aos 15 anos já sonhava ir a Roma, para ver, admirar e estudar as obras dos grandes génios.
Veio para Lisboa aos 15 anos, com a finalidade de encontrar um artista que o dirigisse e encaminhasse. Chegando à fala com Nicolau Pinto, escultor em madeira, pediu-lhe licença para frequentar o seu atelier e começou logo a auxiliar o mestre nos seus trabalhos. O mestre ficou de tal modo maravilhado com a sua habilidade, que não tardou em pedir-lhe para modelar várias imagens. O jovem aprendiz apresentou modelos tão perfeitos, que Nicolau Pinto não hesitou em tomá-los para si, copiando-os em madeira. Em pouco tempo, o discípulo tornou-se superior ao mestre. Pensou então encontrar alguém com quem pudesse aprender mais. Lembrou-se do hábil escultor em pedra José de Almeida, que estudara em Roma e era considerado o primeiro escultor português dessa época. Procurou-o e foi bem recebido. Machado de Castro começou a executar várias obras, que desde logo impressionaram o público. A estátua que existe no pórtico da Igreja de S. Pedro de Alcântara foi um dos seus primeiros trabalhos. O povo aglomerava-se para admirar a produção artística do notável escultor.
Tendo consciência do seu valor artístico, foi apresentar-se nas obras da grandiosa Basílica de Mafra, onde estavam muitos artistas de merecimento, que tinham à frente o professor e ilustre estatuário romano Alexandre Giusti. Em 1756, foi nomeado ajudante do professor romano, situação em que se manteve durante vários anos.
Estava ainda em Mafra, entregue ao estudo e ao trabalho, quando em Outubro de 1760 recebeu uma carta convidando-o para entrar num concurso para a execução da estátua de D. José I. Em Lisboa, o arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos entregou-lhe dois desenhos, iguais aos que tinham sido dados ao seu competidor, que era um escultor italiano. Machado de Castro dedicou-se ao trabalho, começando a fazer o seu modelo de cera.
Concluído o primeiro modelo com as alterações que entendeu, foi avisado para comparecer no paço, juntamente com o seu competidor, que levou dois modelos, um conforme as instruções que também lhe haviam sido dadas e outro da sua lavra. O rei, comparando os trabalhos apresentados, decidiu-se por Machado de Castro, dirigindo-lhe palavras muito lisonjeiras. No dia seguinte, recebeu o aviso oficial de que estava encarregado da obra e que a aprontasse o mais breve possível. Começou a fazer o segundo modelo em barro, que devia servir de guia ao modelo grande. Com o talento de que era dotado, corrigiu algumas coisas do primeiro modelo, para que a obra ficasse como ele ambicionava. Recebeu ordem em Julho de 1771 para a execução do modelo em grande. A obra foi terminada no curto espaço de 5 meses, tempo verdadeiramente prodigioso. Em Outubro de 1774 a grandiosa estátua foi fundida. A inauguração do colossal monumento realizou-se em Junho de 1775, aniversário natalício de el-rei D. José I.
Além desta sua obra-prima, há a registar outras de sua autoria, como a “Fé suplantando a heresia”, que se pôde admirar no frontispício do Palácio da Inquisição e que hoje não se sabe onde está; e a estátua de Neptuno do antigo chafariz do Loreto, que se encontra actualmente no Museu Arqueológico do Carmo.
D. Maria I, quando construiu o Convento da Estrela, encarregou-o de todas as esculturas e baixos-relevos. Neste edifício desempenhou as mesmas funções que, em Mafra, tinham cabido ao seu professor e amigo Alexandre Giusti.
Três belas estátuas de sua autoria encontram-se no vestíbulo do Palácio da Ajuda. Uma estátua de D. Maria I, em mármore de Carrara, está à entrada da Biblioteca Nacional de Lisboa. Foi igualmente o autor de vários túmulos e compôs um grande presépio para o Convento da Estrela, outro para D. Maria I, outro para D. Carlota Joaquina, outros para os príncipes e outro ainda que pode ser visto na Sé de Lisboa.
Era um orador erudito. As suas obras literárias, tanto em prosa como em verso, e os seus vastos conhecimentos, levaram-no à honra de ser eleito, em Fevereiro de 1814, sócio correspondente da Academia Real das Ciências. Alguns anos mais tarde, esta Academia ofereceu-lhe a Medalha de Ouro com que costumava premiar os homens de mérito.
El-Rei D. José I tinha-o nomeado escultor da Casa Real e Obras Públicas, cargo que desempenhou igualmente nos reinados de D. Maria I e de D. João VI. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

EFEMÉRIDE Mísia, de seu verdadeiro nome Susana Maria Alfonso de Aguiar, cantora portuguesa, considerada uma das mais importantes fadistas actuais, nasceu no Porto em 18 de Junho de 1955. Filha de pai português e de mãe catalã, Mísia trouxe uma nova forma de cantar à música tradicional portuguesa.
Canta em português, francês, napolitano, catalão e espanhol, misturando tendências, culturas e sons.
Tanto menos Tanto mais” foi considerado um dos Melhores Discos de 1995 pelos órgãos de informação franceses “Le Monde”, “L’Express” e “Libération”. Em Portugal, o “Público” considerou “Garras dos Sentidos” um dos 100 Melhores Discos do Século XX (1998).
Em 2004, o Ministro da Cultura Francês nomeou-a Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras (em 2011, receberia o grau de Oficial). Recebeu também a Grande Medalha de Vermeil, outorgada pelo Presidente da Câmara de Paris.
Em 2005, foi distinguida com a Ordem do Mérito de Portugal, quando da sua actuação no Teatro Nacional D. Maria II em Lisboa.
Em 2007, fez oito concertos acústicos “Lisboarium”, no Théâtre des Bouffes du Nord, em Paris. Cantou “Os Sete Pecados Capitais” (ballet) no Centro Cultural de Belém e “Maria de Buenos Aires” de Astor Piazzolla no Teatro Nacional de São Carlos. No mesmo ano, apresentou “Saudades Sinfónicas” no Victoria Hall em Genebra, num espectáculo onde se misturavam os mais belos fados com fragmentos musicais provenientes de outras culturas.
Em 2008, participou na abertura do prestigioso festival Grec’08 de Barcelona, na “História do Soldado” de Stravinski e na Gala do Centenário da Salle Caveau em Paris.
Em 2009, cantou “Brahms, la viola e la voce del Fado” em Veneza. Publicou igualmente um novo álbum duplo (“Ruas”) e protagonizou um dos papéis principais no filme italo-americano de John Turturro “Passione”.
Em 2010, trabalhou num projecto artístico (“Our Chopin's Affair”) para a celebração do Ano de Chopin. Foi igualmente co-presidente do festival canadiano “Montréal en Lumière”.
Em 2011, foi convidada por duas vezes pelo Presidente da República Portuguesa para cantar no Palácio Nacional de Belém, quando do Dia Internacional da Poesia e no 101º aniversário da proclamação da República.
Criou, com o maestro Fabrizio Romano, o show “Delikatessen” e participou num espectáculo de Christina Pluhar na Trienal de Ruhr em 2011.
Paralelamente, Mísia tem percorrido o mundo com “Senhora da Noite”, um espectáculo que está também gravado em CD.

domingo, 17 de junho de 2012

EFEMÉRIDEAntónio de Lima Fragoso, compositor, musicólogo e pianista português, nasceu em Pocariça, Cantanhede, no dia 17 de Junho de 1897. Morreu na mesma localidade em 13 de Outubro de 1918.
Cedo revelou a sua extraordinária vocação para a música e, aos oito anos, começou a ter lições de piano. Depois de terminar a instrução primária, foi para o Porto onde, de 1907 a 1914, concluiu o Curso Geral dos Liceus e os dois primeiros anos do Curso Superior de Comércio, tendo durante esse período prosseguido os seus estudos musicais.
Aos 16 anos, publicou e apresentou em público a sua primeira composição, “Toadas da minha aldeia”, que foi muito bem acolhida pela crítica. Ingressou depois no Conservatório Nacional de Música, em Lisboa, estudando harmonia e piano. Em Julho de 1918, concluiu o curso de piano com a classificação máxima. Em Outubro do mesmo ano, faleceu precocemente – aos 21 anos -vitimado pela gripe pneumónica que, nessa época, ceifou muitos milhares de vidas em toda a Europa.
Deixou mais de cem composições musicais, de reconhecido valor, já nesse tempo muito apreciadas mesmo nos centros musicais europeus.
Entre outras obras, destacam-se os seus “Prelúdios para piano”, “Danças Portuguesas”, “Lieder” para canto, as suas peças de câmara e, como peça culminante da sua obra instrumental, o belo “Nocturno” para orquestra.
António de Lima Fragoso ignorava regras e renegava disciplinas de escola, surgindo como o fruto revolucionário de uma arrebatada predestinação, um caso de intuição sem igual na história da música portuguesa.
Ainda em vida, mas sobretudo depois da sua morte, foi alvo de numerosas homenagens em Portugal e no estrangeiro. Manuela Paraíso descreveu o seu estilo musical como «tendo notáveis influências de Chopin e Debussy», acrescentando no entanto que «a sua música tinha uma identidade muito própria». Hoje, a Associação António Fragoso existe para divulgar o seu trabalho, promovendo gravações e performances das suas obras.

sábado, 16 de junho de 2012

EFEMÉRIDEJean Bruno Wladimir François-de-Paule Le Fèvre d'Ormesson, romancista, filósofo e cronista francês, nasceu em Paris no dia 16 de Junho de 1925.
Jean d’Ormesson passou parte da sua juventude na Baviera, na Roménia e no Brasil. O pai, André Lefèvre, Marquês de Ormesson, era um diplomata francês que foi embaixador em vários países.
Ingressou com 19 anos na École Normale Supérieure. Licenciou-se em Letras e História, sendo depois admitido como agregado de Filosofia. Foi Secretário-geral do Conselho Internacional de Filosofia e Ciências Humanistas na UNESCO em 1950, antes de se tornar seu Presidente em 1992. Em Outubro de 1973, foi eleito membro da Academia Francesa. Com a morte de Claude Lévi-Strauss em Outubro de 2009, tornou-se o decano da Academia.
Foi o grande artesão da entrada na Academia de Marguerite Yourcenar, a primeira mulher a consegui-lo (1980).
Em 1962, casou-se com Françoise Béghin, filha de um magnata do açúcar e da imprensa e prima do cineasta Louis Malle.
Foi adjunto do chefe de redacção, membro do comité de redacção (desde 1971) e depois chefe de redacção da revista “Diogène” (Ciências Humanas). Várias vezes conselheiro em gabinetes ministeriais, foi igualmente membro de diversas delegações francesas em conferências internacionais, nomeadamente na Assembleia-geral das Nações Unidas em 1948. Assegurou a direcção do jornal francês “Le Fígaro” de 1970 a 1979.
Publicou numerosos romances e continua a colaborar regularmente na rubrica “Debates e Opiniões” do jornal “Le Figaro”.
A sua biografia foi publicada em 2009, sob o título “Jean d’Ormesson ou l'élégance du bonheur”. Foi distinguido com o grau de Cavaleiro da Legião de Honra em 2010.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

EFEMÉRIDEClaude Brasseur, de seu verdadeiro nome Claude Pierre Espinasse, actor francês, protagonista de mais de 90 filmes, muitos deles com sucesso internacional, nasceu em Neuilly-sur-Seine no dia 15 de Junho de 1936. Foi seu padrinho o célebre escritor americano Ernest Hemingway.
Filho de um casal de actores, cedo encontrou a sua vocação, entrando para o Conservatório onde cursou Artes Dramáticas. Iniciou-se no teatro em 1955, na peça “Judas” de Marcel Pagnol, dando os primeiros passos no cinema no ano seguinte, na película “Encontro em Paris”.
Paralelamente à sua carreira no cinema, trabalhou também na televisão, participando em numerosos telefilmes e séries, nomeadamente em “Les Nouvelles Aventures de Vidocq”, de 1971 a 1973.
Foi seleccionado para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1964 em Innsbrück, com a equipa francesa de bobsleigh. Um grave acidente nos treinos, porém, impediu-os de participar.
Para além da representação, Brasseur notabilizou-se igualmente no desporto automóvel, tendo inclusivamente participado, como co-piloto de Jacky Ickx, na edição de 1983 do rali Paris-Dakar, de que saíram vencedores. Entrou em vários ralis, ao volante de um Simca 1000 Rallye, fazendo parte da equipa Star Racing.
Recebeu o César de 1977 para o Melhor Actor Secundário e o de Melhor Actor em 1980, tendo sido igualmente nomeado em 1979 e 1993. Presidiu à cerimónia da entrega dos Césares em 2007. 
Austeridade... E será que as funerárias fazem descontos estilo Pingo Doce?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

EFEMÉRIDEDalton Jérson Trevisan, escritor brasileiro, famoso pelos seus livros de contos e por viver quase em reclusão, nasceu em Curitiba no dia 14 de Junho de 1925. É avesso a entrevistas e em expor-se a órgãos de comunicação social, criando uma atmosfera de mistério em torno do seu nome. Por esse motivo recebeu a alcunha de “Vampiro de Curitiba”, título de um dos seus livros. Assina apenas “D. Trevis” e nunca recebe a visita de estranhos.
Trevisan trabalhou durante a juventude numa fábrica de vidros familiar (hoje falida) e chegou a exercer a advocacia durante 7 anos, depois de se formar pela Faculdade de Direito do Paraná. Quando era estudante de Direito, Trevisan começou a publicar os seus contos em modestos folhetos.
Liderou o grupo literário que publicou, entre 1946 e 1948, a revista “Joaquim”. O nome, segundo ele, era «uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil». Nela foi publicado o material dos seus primeiros livros de ficção. A revista tornou-se porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas. Reuniu ensaios de António Cândido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux e poemas, até então inéditos, de Carlos Drummond de Andrade. A revista publicou igualmente traduções de Joyce, Proust, Kafka, Sartre e Gide.
Em 1954, escreveu o “Guia Histórico de Curitiba”, “Crónicas da Província de Curitiba” e “O Dia de Marcos”, edições populares à maneira de folhetos de feira. Inspirado nos habitantes da cidade, criou personagens e situações em que as tramas psicológicas e os costumes são contados numa linguagem concisa e popular, que valoriza os incidentes do quotidiano sofrido e angustiante. Publicou também “Novelas Nada Exemplares” (1959) e ganhou o Prémio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Como era de esperar, enviou um representante para o receber.
Escreveu depois “Morte na Praça” (1964), “Cemitério de Elefantes” (1964) e “O Vampiro de Curitiba” (1965). Isolado dos meios intelectuais e concorrendo sob pseudónimo, Trevisan conquistou o primeiro lugar no I Concurso Nacional de Contos do Estado do Paraná, em 1968. Publicou seguidamente “A Guerra Conjugal” (1969), obra posteriormente levada ao cinema, “Crimes da Paixão” (1978) e “Lincha Tarado” (1980). Em 1994, publicou “Ah, é?”, obra-prima do estilo minimalista.
Foi escolhido por unanimidade como vencedor do Prémio Camões de 2012, ano em que também recebeu o Prémio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra.
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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Já faltou mais...
EFEMÉRIDEKenenisa Bekele, atleta etíope, recordista mundial dos 5 000 e 10 000 m, campeão olímpico em Atenas (2004) e em Pequim (2008) e um dos maiores corredores de longa distância de todos os tempos, nasceu em Bekoji no dia 13 de Junho de 1982.
Maior vencedor da história do Campeonato Mundial de Cross-Country entre 2003 e 2009, nunca foi derrotado nos 10 000 metros em pista. É detentor de cinco recordes mundiais, três dos quais em pista coberta.
Descoberto e aconselhado pelo seu ídolo e mentor Haile Gebrselassie, em Agosto de 2001, com 19 anos, bateu o recorde mundial de juniores dos 3 000 m numa competição realizada em Bruxelas. Nos anos seguintes, venceu todas as provas de cross-country do Campeonato Mundial desta modalidade, tanto na distância curta de 4 km como na longa de 12 km, um facto inédito. Em 2004, bateu os recordes mundiais dos 5 000 e 10 000 m em pista, dos 5 000 m em pista coberta e ganhou a medalha de ouro nos 10 000 e a de prata nos 5 000 m dos Jogos Olímpicos de Atenas.
Famoso pela aceleração que consegue imprimir nas voltas finais das provas de pista, Bekele terminou o ano de 2004 como a maior estrela do atletismo da Etiópia e sucessor de Gebrselassie. O começo de 2005 foi no entanto trágico para ele, com a morte da sua noiva de 18 anos, vítima de ataque cardíaco quando treinavam lado a lado. Nas semanas seguintes, guardou um luto psicológico que ficou demonstrado nas pistas, com derrotas consecutivas em várias provas. As vitórias só voltaram no fim de Março, quando conquistou novamente o Mundial de Cross-Country. Em meados de Agosto, ganhou a medalha de ouro dos 10 000 m nos Mundiais de Atletismo (Helsínquia).
No dia 26 de Agosto de 2005, em Bruxelas, estabeleceu novo recorde mundial dos 10 000 m, com 26m17s, e no fim do ano foi eleito pela segunda vez consecutiva como Atleta do Ano pela revista especializada norte-americana “Track & Field News”.
Em Março de 2006, venceu os 3 000 m do Campeonato Mundial de Atletismo de Pista Coberta em Moscovo, tornando-se o único atleta da história do atletismo a ser simultaneamente campeão olímpico, campeão mundial, campeão mundial de cross-country e campeão mundial em pista coberta.
Em 2007, depois de perder pela primeira vez uma prova de cross-country, após 27 vitórias consecutivas, sagrou-se bicampeão dos 10 000 m nos Mundiais de Osaka. Em Novembro, casou-se com uma estrela do cinema etíope.
O seu grande ano no atletismo, porém, foi 2008, com a sua dupla vitória nos Jogos Olímpicos em Pequim. Em 2004, em Atenas, depois de vencer os 10 000 m e ser o franco favorito para os 5 000, perdera a prova para o marroquino El Guerrouj, que venceu a prova praticamente na linha de chegada. Em Pequim, a sua frustração de quatro anos foi recompensada. Depois de vencer os 10 000 m, estabelecendo novo recorde olímpico, ganhou os 5 000 m, também com novo recorde. Foi a primeira vez que os 5 000 m foram corridos nos J.O. em menos de treze minutos (12m57s). Com a vitória na dobradinha 5 000/10 000 m, igualou os cinco homens que anteriormente tinham conseguido o mesmo feito: Paavo Nurmi, Emil Zatopek, Vladimir Kuts, Lasse Viren e Miruts Yifter. Em 2009, em Berlim, conquistou a honra de ser o único dos seis a conseguir também as medalhas de ouro daquelas provas num Campeonato Mundial de Atletismo.
Apesar da carreira extraordinária que construiu no atletismo internacional, Bekele nunca teve a grande atenção dos media nem do público. O seu temperamento tímido e a sua aversão por entrevistas, são certamente a razão. O seu amigo jamaicano Usain Bolt, grande velocista, com um feitio totalmente oposto, carisma popular e temperamento extrovertido, declarou que «Kenenisa nunca teve o reconhecimento e a atenção que merece».

terça-feira, 12 de junho de 2012

EFEMÉRIDE – José Manuel Nobre Perdigão Queiroga, realizador de cinema português, nasceu em Évora no dia 12 de Junho de 1916. Morreu na Azambuja em 8 de Maio de 1980.
Estudou técnica cinematográfica, especializando-se nos campos da fotografia e da montagem. Entre 1936 e 1943, começou a trabalhar como assistente de operador em diversas produções. Depois, em plena Segunda Guerra Mundial, foi para os Estados Unidos, onde teve a oportunidade de trabalhar no sector de montagem dos estúdios da Paramount. Regressou a Portugal em 1946, na época forte do Estado Novo, começando a preparar o que viria a ser a sua primeira longa-metragem e um grande êxito do cinema português de então: “Fado — História duma Cantadeira” (1947), protagonizado por Amália Rodrigues. Cultivou o melodrama e produziu e realizou numerosos documentários, muitos deles fazendo de certo modo a apologia do regime.
Em 1951 realizou “Madragoa”, sobre conflitos de classe, e “Sonhar é Fácil”, cujo enredo, apontando a certa altura para a criação duma cooperativa popular, suscitou alguma controvérsia, levando mesmo um crítico a escrever, em tom depreciativo, que o filme «puxava para o socialismo».
A apologia dos valores simples da vida pontuou a generalidade dos seus filmes, nomeadamente em “Os Três da Vida Airada” (1952), “Planície Heróica” (1953), “O Milionário” (1962) e “Parque das Ilusões” (1963).
Em 1960, mereceu destaque a sua adaptação do clássico de Júlio Dinis “As Pupilas do Senhor Reitor”, por se tratar do primeiro filme português em cinemascópio.
Como produtor, teve papel importante na difusão de actualidades (“Imagens de Portugal”) que precediam, nessa época, a projecção de filmes nas salas de cinema de todo o país. Dedicou-se também à publicidade.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

EFEMÉRIDEJoão Silva Abranches Garcia, montanhista português, nasceu em Lisboa no dia 11 de Junho de 1967.
Tornou-se o décimo alpinista do mundo a ascender às 14 montanhas com mais de 8000 metros existentes no planeta, todas sem recurso a oxigénio artificial e sem carregadores de altitude. Em Abril de 2010, atingiu o cume do Annapurna (8091 metros), a última que lhe faltava. A ascensão que lhe trouxe mais fama foi a escalada do Everest (8848 metros), tendo sido o primeiro português a alcançar o seu cume, em 1999.
João Garcia iniciou a prática de montanhismo quando, em 1983, apenas com 16 anos de idade, se deslocou de bicicleta durante quatro dias à Serra da Estrela e aí, no Clube de Montanhismo da Guarda (CMG), começou a praticar a escalada em rocha. No ano seguinte, iniciou-se na prática de escalada em neve e gelo. Em 1985, acompanhou o CMG numa expedição aos Alpes, tendo subido pela primeira vez ao Monte Branco (4807 m). Nos anos seguintes, ascendeu a vários cumes alpinos.
Simultaneamente, foi atleta de competição no triatlo, desporto que lhe possibilitava adquirir a preparação física necessária para o montanhismo. Em 1990, foi seleccionado para uma comissão de serviço de três anos no Quartel Supremo das Forças Aliadas na Bélgica.
Em 1993, iniciou a sua actividade como “himalaísta”, integrando uma expedição internacional polaca à montanha Cho Oyu (8201 m) no Tibete. A ascensão, coroada de sucesso, foi realizada por uma nova via e sem uso de oxigénio artificial. A partir daí, ascendeu a inúmeros cumes, entre os quais as restantes treze das 14 montanhas com mais de 8000 metros. A ascensão ao cume do Everest (8850 m), em Maio de 1999, realizada pela face norte e, como sempre, sem recurso a oxigénio artificial, levou à morte do seu colega de escalada e grande amigo, o belga Pascal Debrouwer, que caiu numa ravina durante a descida, e valeu a João Garcia o internamento num hospital de Saragoça, em Espanha, onde lhe amputaram alguns dedos das mãos e dos pés, recebendo igualmente um implante no nariz devido às queimaduras provocadas pelo gelo.
Em Maio de 2006, atingiu com o alpinista equatoriano Iván Vallejo o cume do Kanchenjunga. No mesmo ano, liderou uma expedição 100% portuguesa ao Shishapangma (8046 m), que integrou, para além de João Garcia, os alpinistas Bruno Carvalho, Hélder Santos, Rui Rosado e Ana Santos. O jornalista Aurélio Faria acompanhou grande parte da expedição, como tem sido habitual nos últimos anos. O cume foi atingido no dia 31 de Outubro por João Garcia, Bruno Carvalho e Rui Rosado. Durante a descida, Bruno Carvalho faleceu após uma queda.
Em Julho de 2007, completou com sucesso mais uma etapa do projecto “À conquista dos Picos do Mundo”, atingindo o cume do K2 integrado num grupo de várias expedições que uniram esforços para realizar a ascensão. O K2, devido à instabilidade climática e à dureza da própria subida, é possivelmente o maior desafio na carreira de qualquer alpinista, chegando a haver anos em que não se regista qualquer subida com sucesso. Em Maio de 2009, completou os “Big Five”, como são conhecidas – na gíria dos alpinistas – as cinco montanhas mais altas do planeta (Everest, K2, Kanchenjunga, Lhotse e Makalu). 
João Garcia é, actualmente, o único português “cameraman” de altitude e de condições extremas, tendo já realizado vários documentários sobre as suas expedições, que têm sido transmitidos pelas televisões portuguesas. É também autor dos livros “A Mais Alta Solidão”, que já vendeu mais de 30 mil exemplares, e “Mais Além – Depois do Everest”.
Em Janeiro de 2009, foi lançado o filme “João Garcia sur la route des 14”, com realização de Johan Perrier, que relata o projecto “À conquista dos Picos do Mundo” e o seu desejo de conquistar as 14 montanhas mais altas do planeta. João Garcia foi “embaixador” da prevenção contra a SIDA de 2006 a 2009. Em 10 de Junho de 2010, recebeu das mãos do Presidente da República, a Comenda da Ordem Honorífica Portuguesa do Mérito.

domingo, 10 de junho de 2012

EFEMÉRIDEGustavo Courbet, pintor realista francês, nasceu em Ornans no dia 10 de Junho de 1819. Morreu em La Tour-de-Peilz, Suíça, em 31 de Dezembro de 1877. Foi um pintor de paisagens campestres e marítimas, onde o romantismo e a idealização da época foram substituídos por uma representação da realidade, fruto da observação directa.
Depois de frequentar um seminário e um colégio, começou a ter aulas de pintura e, em 1839, iniciou os estudos de Direito em Paris. Finalmente, decidiu estudar desenho e pintura por iniciativa própria, começando a copiar os grandes mestres expostos no Louvre. As suas primeiras obras foram uma série de auto-retratos. Em 1844, expôs pela primeira vez no Salão de Paris e, dois anos mais tarde, apresentou os quadros “Enterro em Ornans” e “O Atelier do Artista”, que lhe custaram críticas severas e a recusa de os expor no Salão de Paris devido aos temas demasiadamente prosaicos. Courbet não se deu por vencido e construiu um pavilhão perto do Salão, onde expôs quarenta e quatro das suas obras, que chamou de realistas, fundando assim este movimento.
O público não viu com satisfação esta nova estética das classes trabalhadoras. Enquanto isso, Courbet reunia-se para partilhar opiniões com os seus amigos, entre eles o notável teórico anarquista Proudhon, o escritor Baudelaire, o compositor Hector Berlioz e o caricaturista Daumier. Já se discutiu muito sobre os motivos que terão levado Courbet a escolher os trabalhadores como tema. De facto, os homens dos seus quadros não expressam nenhuma emoção e mais parecem fazer parte de uma paisagem do que ser seus personagens. Courbet manteve-se nesta fase realista, muito longe do colorismo romântico, aproximando-se, em compensação, do realismo tenebroso espanhol do barroco, com uma profusão de pretos, ocres e castanhos, banhados por uma patina cinza.
Por volta de 1850, o realismo de Courbet foi-se apagando e deu lugar a uma pintura de formas voluptuosas e conteúdo erótico, de figuras femininas no estilo de Ingres, mas mais despidas. Seguiu-se uma série de naturezas-mortas, quadros de caça e paisagens marinhas que confirmaram a sua capacidade criativa e uma técnica impecável.
As suas ideias republicanas e socialistas fizeram-no recusar a Legião de Honra proposta por Napoleão III. Depois da proclamação da República em 1870, foi nomeado presidente da Comissão de Museus, delegado das Belas-Artes e presidente da efémera Federação dos Artistas. Foi depois acusado de ter danificado a Coluna Vendôme, que ele pretendia colocar noutro local, o que o levou a exilar-se na Suíça, após uma pena de prisão de seis meses. Em Paris, o seu atelier foi leiloado para custear parte da restauração da coluna.
Courbet continuou a pintar, abordou a escultura e prosseguiu a exposição e a venda das suas obras. Recebeu encorajamento do estrangeiro. Em 1873, expôs 34 quadros em Viena, à margem da Exposição Universal, e foi convidado para expor as suas obras em Londres e nos Estados Unidos da América.
Em solidariedade com os seus compatriotas exilados da Comuna de Paris, recusou voltar a França sem que fosse decretada uma amnistia geral.

sábado, 9 de junho de 2012

EFEMÉRIDEJosé Gomes Ferreira, poeta português, nasceu no Porto em 9 de Junho de 1900. Morreu em Lisboa no dia 8 de Fevereiro de 1985.
Quando tinha quatro anos de idade, a família mudou-se para a capital. O pai, Alexandre Ferreira, era um empresário que se fixou na actual zona do Lumiar, em Lisboa, tendo doado as suas propriedades para a construção da Casa de Repouso dos Inválidos do Comércio. José Gomes Ferreira estudou nos Liceus de Camões e de Gil Vicente, onde teve o primeiro contacto com a poesia.
A sua consciência política começou a florescer muito cedo, sobretudo por influência do pai (democrata republicano). Licenciou-se em Direito (1924), tendo trabalhado posteriormente como cônsul na Noruega. Paralelamente, seguiu uma carreira como compositor, chegando a ter a sua obra “Suite Rústica” tocada em público pela orquestra de David de Sousa.
Regressou a Portugal em 1930 e dedicou-se ao jornalismo, colaborando nas seguintes publicações: “Presença”, “Seara Nova”, “Descobrimento”, “Imagem”, “Sr. Doutor” e “Gazeta Musical e de Todas as Artes”.
Iniciou-se na poesia com o poema “Viver sempre também cansa”, publicado na revista “Presença” em 1931. Foi só em 1948 que começou a publicação metódica dos seus trabalhos, com “Poesia I” e “Homenagem Poética a António Gomes Leal” (colaboração).
Ganhou em 1961 o Grande Prémio da Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, com “Poesia III”.
Esteve presente em todos os grandes momentos “democráticos e antifascistas” durante a ditadura salazarista, tendo colaborado com a sua canção “Não fiques para trás, ó companheiro” num álbum de canções revolucionárias compostas por Fernando Lopes Graça.
Em 1978, o seu filho Raul Ferreira foi o autor do projecto da Escola Secundária de Benfica em Lisboa, que viria a chamar-se mais tarde Escola Secundária de José Gomes Ferreira em sua homenagem.
Tornou-se Presidente da Associação Portuguesa de Escritores em 1978 e foi candidato por Lisboa em 1979 na lista da APU (Aliança Povo Unido), para as eleições legislativas desse ano. Aderiu ao PCP (Partido Comunista Português) em Fevereiro do ano seguinte. Foi condecorado pelo Presidente da República Ramalho Eanes como grande oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada, recebendo posteriormente o grau de grande oficial da Ordem da Liberdade.
No ano em que foi homenageado pela Sociedade Portuguesa de Autores (1983), foi submetido a uma delicada intervenção cirúrgica, vindo a falecer dois anos depois. Em 1990, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Jorge Sampaio, descerrou uma lápide de homenagem ao escritor, na Avenida Rio de Janeiro, sua última residência. Na ocasião, discursou o escritor, pintor e amigo de José Gomes Ferreira, Mário Dionísio.
No ano do Centenário do nascimento do Poeta (2000), a Videoteca da Câmara Municipal de Lisboa produziu um documentário biográfico sobre José Gomes Ferreira, intitulado “Um Homem do Tamanho do Século”, exibido na RTP 2 e na RTP Internacional. Foi realizado por António Cunha (director da Videoteca), com uma magnífica interpretação do actor João Mota, dizendo diversos poemas de José Gomes Ferreira. Também a pianista Gabriela Canavilhas participou no documentário, interpretando uma peça musical praticamente inédita, composta por Gomes Ferreira para piano.

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