sexta-feira, 31 de julho de 2015

31 DE JULHO - FRANCISCO JOSÉ

EFEMÉRIDEFrancisco José Galopim de Carvalho, cantor português, morreu em Lisboa no dia 31 de Julho de 1988. Nascera em Évora, em 16 de Agosto de 1924.
Iniciou a sua carreira no liceu onde estudava, quando se apresentou na festa de finalistas realizada no Teatro Garcia de Resende. Os seus colegas inscreveram-no depois num programa da rádio que existia na altura, dirigido por Igrejas Caeiro.
Voz romântica por excelência, Francisco José foi uma das revelações do Centro de Preparação de Artistas da Rádio da Emissora Nacional e um dos nomes mais populares da canção ligeira dos anos 1950. Dois dos seus maiores sucessos foram “Olhos Castanhos” (1951) e “Guitarra Toca Baixinho” (1973).
Profissionalizou-se aos 24 anos de idade, tendo interrompido o curso de Engenharia, quando estava no terceiro ano. A maior parte da sua carreira artística foi passada no Brasil, para onde embarcou em 1954.
Até 1960, actuou essencialmente para a comunidade portuguesa radicada no Brasil e só em 1961 conseguiu gravar um primeiro disco, uma nova versão de “Olhos Castanhos” que atingiu um sucesso sem precedentes, vendendo um milhão de cópias. Em pouco tempo, Francisco José tornou-se uma vedeta no Brasil e o artista português mais popular de sempre naquele país, onde residiu quase ininterruptamente até aos anos 1980.
No entanto, vinha regularmente a Portugal onde, em 1964, foi protagonista de um “incidente”, ao revelar – em directo e num programa de variedades – que os artistas portugueses eram mal pagos pelas suas participações em programas televisivos, enquanto os artistas internacionais recebiam pequenas fortunas. Não voltou a actuar na televisão portuguesa até 1980.
Regressado definitivamente a Portugal, lançou em 1983 o seu último disco, “As Crianças Não Querem a Guerra”. Faleceu cinco anos depois. Era irmão do famoso geólogo Galopim de Carvalho, conhecido pela sua acção em defesa dos vestígios de dinossáurios.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

MANUEL FREIRE - "Ei-los que partem"


FRANCISCO JOSÉ - "Olhos Castanhos"

30 DE JULHO - EUNICE MUÑOZ

EFEMÉRIDEEunice do Carmo Muñoz, considerada unanimemente uma das melhores actrizes portuguesas de todos os tempos, nasceu em Moura no dia 30 de Julho de 1928.
Oriunda de uma família de actores, estreou-se em 1941, na peça “Vendaval” com a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro, sediada no Teatro Nacional D. Maria II. O seu talento foi reconhecido e admirado de imediato por Palmira Bastos, Raul de Carvalho, João Villaret e pela própria Amélia Rey Colaço, o que lhe permitiu uma rápida integração na Companhia. Em 1943, contracenou com Palmira Bastos em “Riquezas da Sua Avó”, uma comédia espanhola aportuguesada por Ascensão Barbosa, José Galhardo e Alberto Barbosa. Seguiu-se, no ano seguinte, “Labirinto” de Manuel Pressler. No Verão desse ano, protagonizou a opereta “João Ratão”, ao lado de Estêvão Amarante. Continuou a coleccionar sucessos, tendo trabalhado ao lado de Maria Lalande e Irene Isidro (“Raparigas Modernas” de Leandro Torrado) e sendo ainda dirigida por Maria Matos em “A Portuguesa” de Carlos Vale.
Já aluna da Escola de Teatro do Conservatório Nacional, celebrizou-se com “A Casta Susana” de Georg Okonkowikski. Terminou o Conservatório com 18 valores e popularizou-se no palco do Teatro Variedades, com Vasco Santana e Mirita Casimiro, na peça “Chuva de Filhos” de Margaret Mayo.
Em 1946, estreou-se no cinema, aparecendo no filme de Leitão de Barros “Camões”. Com esta interpretação, Eunice ganhou o Prémio do Secretariado Nacional de Informação para a Melhor Actriz Cinematográfica do Ano. “Um Homem do Ribatejo” (1946) de Henrique Campos e “Os Vizinhos do Rés-do-Chão” (1947) de Alejandro Perla, foram os trabalhos que se seguiram. Em 1947, casou-se pela primeira vez, com o arquitecto Rui Ângelo de Oliveira do Couto, de quem teve uma filha.
Em 1948, voltou ao Teatro Nacional para protagonizar “Outono em Flor” de Júlio Dantas. Seguiu-se “Espada de Fogo” de Carlos Selvagem, que foi mais um grande êxito.
Trabalhou novamente no cinema, em “A Morgadinha dos Canaviais” de Caetano Bonucci e Amadeu Ferrari (1949), adaptado do romance homónimo de Júlio Dinis. Participou ainda em “Ribatejo” de Henrique Campos.
Voltou aos palcos em 1950, com a comédia “Ninotchka” de Melchior Lengyel, contracenando com Igrejas Caeiro, Maria Matos e Vasco Santana. Em 1951, ingressou na Companhia do Teatro Ginásio, dirigida por António Pedro. Dessa época, salienta-se “A Loja da Esquina” de Edward Percy. Passou pelo Teatro da Trindade e, depois, retirou-se durante quatro anos da actividade teatral, com grande espanto dos jornais, dos críticos e do público. A sua reaparição deu-se com “Joana D'Arc” de Jean Anouilh, no palco do Teatro Avenida. Filas infindáveis de pessoas perfilaram-se então pela Avenida da Liberdade, para obter um «bilhete para ver Eunice», que toda a crítica considerava uma actriz genial.
Em Fevereiro de 1956, casou-se pela segunda vez, com o engenheiro Ernesto Borges, tendo 4 filhos deste casamento. Em 1957, depois da peça “A Desconhecida” de Pirandello, ingressou – juntamente com Maria Lalande, Isabel de Castro, Maria José, Ruy de Carvalho, Curado Ribeiro e Fernando Gusmão – no Teatro Nacional Popular, sob a direcção de Ribeirinho, onde interpretou Shakespeare (“Noite de Reis”), Júlio Dantas (“Um Serão Nas Laranjeiras”) e Luiz Francisco Rebello (“Pássaros das Asas Cortadas”), entre outros autores.
Já nos anos 1960, passou para a comédia na Companhia de Teatro Alegre, ao lado de nomes como António Silva e Henrique Santana. No Teatro Monumental, fez “O Milagre de Anna Sullivan” de William Gibson (Prémio de Melhor Actriz do SNI ex-aequo com Laura Alves - 1963).
Passou a aparecer regularmente na televisão, em diversas peças e séries. Regressou à comédia, contracenando com Virgílio Teixeira e Igrejas Caeiro, em “Mary-Mary”, no Teatro Variedades. Em 1965, Raul Solnado fundou a Companhia Portuguesa de Comediantes, no recém inaugurado Teatro Villaret. Eunice recebeu o maior salário até então pago a uma actriz dramática: 30 contos mensais. A peça de estreia foi “O Homem Que Fazia Chover” de Richard Nash. Seguiram-se interpretações de peças de Tennessee Williams e Bernardo Santareno.
Em 1967, actuou no Teatro Variedades e no Teatro Experimental de Cascais, onde protagonizou “Fedra” de Jean Racine. Casou pela terceira vez, com o poeta António Barahona da Fonseca, de quem tem uma filha.
Em 1970, criou – com José de Castro – a Companhia Somos Dois, com a qual faz uma longa tournée por Angola e Moçambique. Estreou-se depois, como encenadora, em “A Voz Humana” de Jean Cocteau.
Em 1971, voltou ao palco do Teatro da Trindade, ao lado de João Perry, para fazer “O Duelo” de Bernardo Santareno. No mesmo ano, integrou uma nova formação artística no Teatro São Luiz, onde interpretou José Régio. Com a proibição pela censura, a poucas horas da estreia, de “A Mãe” de Stanislaw Wiktiewicz, em que Eunice era a protagonista, o director da companhia, Luiz Francisco Rebello, demitiu-se e cessou a actividade deste promissor conjunto.
Dedicou-se, então, à divulgação de poetas, quer em disco, quer em recitais, dando voz a Florbela Espanca, António Nobre ou António Maria Lisboa. Voltou ao teatro, para interpretar “As Criadas” de Jean Genet, juntamente com Glicínia Quartin e Lurdes Norberto, no Teatro Experimental de Cascais. Fez uma nova e longa tournée por África na companhia de Carlos Avilez, onde se representaram as peças “Fedra” de Jean Racine e “A Maluquinha de Arroios” de André Brun.
Integrada na companhia residente do reaberto Teatro Nacional D. Maria II, Eunice voltou aos palcos portugueses apenas em 1978, tendo vivenciado êxitos enormes, ao interpretar peças de Bertolt Brecht e Eurípedes, entre outros. Neste período, surgiu também em vários filmes, tendo interpretações antológicas em “Manhã Submersa” de Lauro António (1980) e “Tempos Difíceis” de João Botelho (1987).
Em Julho de 1981, foi feita Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Em 1991, celebraram-se os seus 50 anos de Teatro, com uma exposição no Museu Nacional do Teatro, sendo condecorada, em pleno palco do Teatro Nacional, pelo presidente da República, Mário Soares, com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Em 1993, estreou-se em telenovelas com a interpretação de D. Branca em “A Banqueira do Povo”.
A Maçon”, peça escrita pela romancista Lídia Jorge propositadamente para Eunice, foi à cena em 1997 no palco do Teatro Nacional. Em 2001, representou “A Casa do Lago” de Ernest Thompson, encenada por La Féria e estreada no Politeama.
Em 2006, representou pela primeira vez na casa a que deu o nome, o Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras, com a peça “Miss Daisy”. Em 2007, contracenou com Diogo Infante “Dúvida” de John Patrick Shanley, no Teatro Maria Matos. Em Maio de 2008, foi agraciada com o Globo de Ouro de Mérito e Excelência.
Em 2009, voltou ao Teatro Nacional D. Maria II, com o monólogo “O Ano do Pensamento Mágico” de Joan Didion, encenado por Diogo Infante. Em Junho de 2010, foi elevada a Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Em 2011, voltou à cena com “O Comboio da Madrugada” de Tennessee Williams, no Teatro Experimental de Cascais. Ainda em 2011, apresentou “O Cerco a Leninegrado” de José Sanchis Sinisterra, no Auditório Municipal Eunice Muñoz. A actriz celebrou no dia 28 de Novembro, dia da estreia, 70 anos de carreira. Nesse mesmo dia, foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Em Maio de 2012, a actriz – então com 83 anos – sofreu uma queda no Teatro Nacional D. Maria II, durante os ensaios de reposição da peça de Tennessee Williams “O Comboio da Madrugada”. Fracturou os dois pulsos e lesionou-se na cervical, sendo a estreia cancelada. Recentemente, ainda admitiu regressar aos palcos. 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

29 DE JULHO - EYVIND JOHNSON

EFEMÉRIDE – Eyvind Johnson, de seu verdadeiro nome Olof Edvin Verner Jonsson, escritor sueco, nasceu em Svartbjörnsbyn no dia 29 de Julho de 1900. Morreu em Estocolmo, em 25 de Agosto de 1976. Foi laureado com o Prémio Nobel de Literatura em 1974, ex aecquo com Harry Martinson, num ano em que também estavam nomeados Vladimir Nabokov, Saul Bellow, Graham Greene e Jorge Luis Borges.
Nasceu numa pequena aldeia, no seio de uma família muito pobre. O pai trabalhava num estaleiro ferroviário. Em virtude das condições precárias em que viviam, aos 4 anos de idade, foi colocado numa família de acolhimento.
Frequentou a escola até aos 13 anos, sendo esta a única formação escolar que recebeu em toda a sua vida. Começou a trabalhar aos catorze, em pequenos ofícios. Em 1917, juntou-se ao movimento sindical, tornando-se depois militante socialista a tempo inteiro e passando a viver em Estocolmo.
De 1921 a 1923, esteve em Berlim e depois em Paris, onde subsistiu com pequenos ordenados pagos por jornais socialistas. Em 1924, publicou a sua primeira recolha de novelas e, no ano seguinte, um romance. 
Voltou depois a França, tendo vivido num prédio modesto em Saint-Leu-la-Forêt, onde escreveu mais dois romances (1927 e 1928). Do período em que esteve em França, notam-se influências de Marcel Proust e André Gide.
A obra de Johnson denota várias pesquisas inovadoras no plano de narração e de linguagem, misturando a denúncia das injustiças da época e uma indomável confiança no progresso social e na renovação da alma humana. Este optimismo foi certamente impulsionado pelas fortes convicções de homem de esquerda. Os seus livros, as suas reflexões e os seus raciocínios fizeram dele uma instância moral e uma consciência desperta acerca de acontecimentos do seu tempo.
Em “Bobinack ” (1932), ele tentou conciliar a crítica social de inspiração utópica e marxista com uma fé profunda no Homem. Em “O Romance de Olof”, editado em 1945, ele dedica-se a um registo mais autobiográfico.
Nos anos 1940, tomou partido contra as ditaduras e todas as formas de opressão política, apoiando por exemplo as reivindicações autonómicas da Finlândia. Através de trilogia romanesca “Krilon” (1941/43), criticou abertamente a neutralidade sueca durante a Segunda Guerra Mundial. Escreveu seguidamente ”Feliz Ulisses” (1946), livro que parodia com irreverência o célebre poema de Homero (“Odisseia”).
Tendo-se tornado um escritor muito popular pelo seu engajamento e humanismo, foi eleito para a Academia Sueca em 1957. O Nobel foi-lhe atribuído em 1974 «pela sua arte de narração, que atravessa as terras e os tempos, para se pôr ao serviço da liberdade». Faleceu dois anos depois.
Na Suécia, traduziu as obras de Gustave Flaubert, Anatole France, Jules Verne, Albert Camus e Jean-Paul Sartre.

terça-feira, 28 de julho de 2015

28 DE JULHO - ALÉXIS TSÍPRAS

EFEMÉRIDE Aléxis Tsípras, político grego, líder da Coligação da Esquerda Radical (Syriza) e primeiro-ministro da Grécia desde 26 de Janeiro de 2015, nasceu em Atenas no dia 28 de Julho de 1974.
Em Maio de 2012, recebeu mandato do presidente para formar governo. No dia anterior, Antónis Samarás do partido Nova Democracia desistira da mesma tentativa. No entanto, Tsípras também falhou e foram marcadas novas eleições, as quais deram a vitória à Nova Democracia que formou Governo com o Pasok. Aléxis Tsípras foi então líder da oposição, de 2012 a 2015.
O Syriza ganhou as eleições legislativas da Grécia em Janeiro de 2015 e o seu líder, Aléxis Tsípras, foi nomeado primeiro-ministro, formando um governo de coligação entre os partidos Syriza e Gregos Independentes.
Aléxis Tsípras possui um diploma de engenharia civil e é autor de alguns estudos de pós-graduação em planeamento urbano e regional. Trabalhou como engenheiro civil no sector de construções e fez vários estudos e projectos sobre a cidade de Atenas.
Juntou-se à esquerda, ainda como estudante do ensino médio, nas fileiras da Juventude Comunista da Grécia e foi muito activo durante as mobilizações em 1990/91. Como estudante da universidade, ingressou no movimento renovador da esquerda e foi membro do conselho executivo da União da Faculdade de Engenharia Civil de Atenas. Actuou ainda como representante dos estudantes no Senado Universitário. Foi eleito membro do Conselho Central da União Nacional de Estudantes da Grécia durante o período 1995/97.
Em 1999, foi eleito secretário da Juventude do Synaspismos, cargo que ocupou até o 3.º congresso da organização, em Março de 2003. Tomou parte activa no processo de criação do Fórum Social Grego e assistiu a todas as marchas e protestos internacionais contra a globalização neoliberal. No 4.º congresso da Synaspismos, em Dezembro de 2004, foi eleito para o comité central do partido, onde foi responsável pelas questões de educação e juventude.
Nas eleições municipais de 2006, foi apoiado pelo Synaspismos e pelas forças aliadas do Syriza. Encabeçou a lista “cidade aberta” que ficou em 3º lugar, atrás da Nova Democracia e do Pasok. Foi eleito para o cargo de presidente do Synaspismos durante o 5 º Congresso do partido (Fevereiro de 2008). Foi eleito membro do Parlamento nas eleições nacionais de 2009 e, desde então, dirigiu o grupo parlamentar do Syriza.
Em 2015, a Grécia convocou eleições antecipadas depois do candidato do governo à presidência, Stavros Dimas, não ter sido eleito na terceira votação parlamentar.
Com o avanço do Syriza nas sondagens, a Bolsa de Atenas e o euro sofreram quedas, mas isso não impediu Tsípras de reunir mais de 50 mil pessoas num comício, em Atenas, dois dias antes das eleições. Em 25 de Janeiro, o Syriza venceu e, no dia seguinte, Tsípras foi empossado como primeiro-ministro.
Como primeiro acto oficial, prestou homenagem às vítimas da Wehrmacht no memorial de Kaisariani. Prestou juramento na presença do presidente da República Károlos Papoúlias, em 26 de Janeiro de 2015, durante uma cerimónia civil, acontecimento inédito porque na história de República Helénica o juramento desenrolava-se sempre durante uma cerimónia religiosa ortodoxa.
Forma o seu governo no dia seguinte, depois de ter constituído uma coligação parlamentar com os Gregos Independentes, um partido de direita. O governo foi constituído na maioria por personalidades inéditas, algumas das quais universitárias. A pasta da Defesa Nacional foi entregue ao líder do partido de coligação, o conservador e nacionalista Pános Kamménos. O executivo tem doze ministros e nenhuma mulher. Tsípras foi o primeiro chefe de governo a recusar fazer o juramento sobre a Bíblia.
Depois de um primeiro semestre marcado por negociações tumultuosas com os credores da Grécia, Tsípras anunciou a realização de um referendo, onde os cidadãos gregos deveriam ou não aceitar as propostas feitas. Fez campanha pelo “Não”, que ganhou com mais de 60% dos votos. Em 13 de Julho, porém, foi assinado um acordo entre a Grécia e os credores, comportando numerosas medidas de austeridade e privatizações, para desbloquear novos créditos nos meses seguintes. Apesar de se afirmar em desacordo com o espírito das medidas, Aléxis Tsípras assumiu a responsabilidade de «assinar um texto em que não acredita, mas que se tornou necessário para evitar um mal maior». 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

27 DE JULHO - GEOFFREY DE HAVILLAND

EFEMÉRIDEGeoffrey de Havilland, engenheiro, pioneiro da aviação e industrial britânico, nasceu em Buckinghamshire no dia 27 de Julho de 1882. Morreu em Hertfordshire, em 21 de Maio de 1965, vítima de hemorragia cerebral. Era primo das lendárias actrizes Olivia de Havilland e Joan Fontaine (ambas vencedoras do Oscar de Melhor Actriz).
Depois de fazer os estudos secundários na St Edward's School de Oxford, cursou a Crystal Palace School, de 1900 a 1903. Interessou-se primeiro pela engenharia automobilística, projectando carros e motocicletas. Também trabalhou com projectista de motores e autocarros.
Em 1909, iniciou a sua carreira com aeronaves, na qual permaneceu até ao fim da vida activa.
O seu primeiro avião, um biplano, foi construído com dinheiro emprestado pelo avô materno. A construção levou dois anos e a aeronave ficou destruída após a sua primeira aterragem, perto de Litchfield, Hampshire (1910). Os seus projectos seguintes tiveram mais sucesso e, em 1912, foi batido o recorde britânico de altitude (10 500 pés / 3,2 km) com uma aeronave por ele projectada e pilotada pelo seu irmão Hereward.
Em Dezembro de 1910, ingressou na HM Balloon Factory, em Farnborough, que depois se tornaria a Royal Aircraft Factory. Vendeu o seu segundo avião (no qual aprendeu a voar) ao seu novo patrão por 400 libras e lá permaneceu durante três anos, envolvido em diversos estudos.
Em Janeiro de 1914, foi nomeado inspector de aeronaves na Direcção da Aeronáutica. Pouco entusiasmado por se tratar de um trabalho quase meramente administrativo, foi contratado – em Maio – como projectista chefe da Airco, em Hendon. Ali projectou várias aeronaves, todas contendo as suas iniciais no nome (DH). Vários dos seus aviões foram usados pela Força Aérea Inglesa durante a Primeira Guerra Mundial. Foi decorado com a Ordem do Império Britânico em 1918 e com a Air Force Cross em 1919.
Quando terminou a guerra, a Airco entrou em crise financeira e foi adquirida pela Birmingham Small Arms Company, para produção de automóveis. De Havilland comprou parte do património, com um empréstimo que contraiu de 20 000 libras, e fundou a De Havilland Aircraft Company em 1920.
Das suas várias aeronaves, uma das que mais se destacou foi o Mosquito, durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1960, a empresa foi comprada pela Hawker Siddeley Company.
Geoffrey de Havilland foi feito Cavaleiro em 1944 e recebeu a Ordem de Mérito em 1962. Reformara-se da empresa em 1955. Entre os protótipos que concebeu, conta-se também o famoso De Havilland Comet (1952).  

domingo, 26 de julho de 2015

26 DE JULHO - ARMANDO JOSÉ FERNANDES

EFEMÉRIDEArmando José Fernandes, compositor musical português, nasceu em Lisboa no dia 26 de Julho de 1906. Morreu na mesma cidade em 3 de Maio de 1983. Foi um dos músicos mais representativos do século XX português (movimento modernista).
Foi pianista, autor de música de câmara, de um concerto para violino e orquestra e de numerosas obras para piano. A sua obra, de carácter intimista, é pontuada esporadicamente por passagens que exigem grande virtuosismo de execução.
Armando José Fernandes foi um compositor neoclássico, constituindo – juntamente com Jorge Croner de Vasconcelos, Fernando Lopes-Graça e Pedro do Prado – o “grupo dos quatro”, que dominou a música clássica portuguesa nos meados do século XX.
Depois de estudar no Conservatório Nacional de Lisboa, ganhou uma bolsa de três anos em Paris, onde se tornou aluno de, entre outros, Nadia Boulanger.
Formado originalmente como concertista de piano, passou depois a concentrar-se mais na composição e ensino. Tem sido descrito como «seguidor de um caminho neoclássico mais convencional, embora com grande subtileza». A maioria das suas obras foi escrita para a emissora de rádio nacional.
Desde 1940, leccionou na Academia de Amadores de Música em Lisboa e, de 1953 a 1976, no Conservatório de Lisboa.
Recebeu o Prémio Moreira de Sá (composição) em 1944 e o Prémio do Círculo de Cultura Musical em 1946. 

sábado, 25 de julho de 2015

PEDRO BARROSO - "Governação"


25 DE JULHO - EDUARDO SOUTO DE MOURA

EFEMÉRIDEEduardo Elísio Machado Souto de Moura, arquitecto português, nasceu no Porto em 25 de Julho de 1952.
Formado pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, Eduardo Souto de Moura iniciou a sua carreira colaborando no atelier de Álvaro Siza Vieira. Em 1981, recém-formado, surpreendeu a comunidade dos arquitectos ao vencer o concurso para o importante projecto do Centro Cultural da Secretaria de Estado da Cultura no Porto (1981/91), que o viria a lançar, dentro e fora de Portugal, como um dos mais importantes arquitectos da nova geração.
O reconhecimento internacional viria a ser reforçado com a conquista do primeiro lugar no concurso para o projecto de um hotel na zona histórica de Salzburgo, na Áustria, em 1987.
Em Junho de 1995, foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em Julho de 1999, Grande-Oficial da Ordem do Mérito.
Trabalhou com Álvaro Siza Vieira, mas cedo criou o seu próprio espaço de trabalho. Souto Moura, influenciado pela horizontalidade das linhas condutoras de Mies van der Rohe, tem nas casas o seu grande espólio de obras. É um dos expoentes máximos da chamada Escola do Porto, tendo vencido o muito prestigiado Prémio Pritzker em 2011.
A partir da Casa em Cascais, realizada em 2002, começou a afastar-se da linguagem miesziana que o definiu numa primeira fase da sua obra, começando a redesenhar a forma de construir e de criar arquitectura. Exemplo disso é o Estádio Municipal de Braga, em que o imaginário de teatro e o cenário da pedreira, onde a obra foi edificada, nos remetem para uma segunda etapa da sua carreira.
Em Julho de 2011, Souto de Moura foi distinguido pela Faculdade de Arquitectura e Artes da Universidade Lusíada do Porto com o doutoramento honoris causa. No mesmo ano, a Universidade de Aveiro também lhe concedeu o mesmo título. Em Janeiro de 2012, foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Entre as várias honrarias recebidas, saliente-se ainda: a Ordem de Mérito Britânica (1985), a Medalha Heinrich-Tessenow (2001) e o Prémio Wolf em 2013. É membro da Academia das Artes de Berlim desde 2010. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

24 DE JULHO - JORGE JESUS

EFEMÉRIDEJorge Fernando Pinheiro de Jesus, ex jogador e actual treinador de futebol português, nasceu na Amadora em 24 de Julho de 1954. Como jogador, iniciou a sua carreira no Sporting CP, actuando depois em doze outros clubes durante 17 anos, incluindo nove temporadas na Primeira Liga. Retirou-se em 1989. Estreou-se como treinador em 1990 e entrou na Primeira Liga com o FC Felgueiras, na época 1995/96. Trabalhou com outras equipas, incluindo o CF Belenenses, o CF Estrela da Amadora, o Vitória de Setúbal, o Vitória de Guimarães, o Moreirense FC e o SC Braga. De 2009 a 2015, foi treinador do SL Benfica, ganhando dez títulos e alcançando duas finais da UEFA Europa League.
O primeiro clube que treinou foi o Amora FC, tendo-se sagrado Campeão Nacional da 3ª Divisão. Seguidamente, orientou o FC Felgueiras, que subiu desde a 2ª Divisão B até à Primeira Liga.
Em 2009, Jorge Jesus substituiu Quique Flores no comando técnico do Benfica, sendo contratado por um período de dois anos, mais um de opção Durante a apresentação oficial, mostrou-se bastante confiante no seu trabalho, ao dizer que chegava ao clube com a certeza de que ia ser campeão. Com efeito, no seu primeiro ano, levou o Benfica à conquista do 32º título de Campeão Nacional. No final desta época, também venceu a Taça da Liga. O Benfica estendeu desde logo o seu contrato até 2013.
Em 2010/11, a época foi menos bem sucedida, se bem que tenha ganho a segunda Taça da Liga e realizado um bom percurso na Liga Europa, chegando até às meias-finais.
Na época 2011/12, levou o Benfica ao 8º lugar no ranking dos Melhores Clubes do Mundo, tornando-se a melhor equipa portuguesa nesse período. Terminou a época com a terceira vitória consecutiva na Taça da Liga e o segundo lugar no Campeonato Nacional. Nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, o Benfica foi eliminado pelo Chelsea FC, que viria a sagrar-se Campeão Europeu.
Em Maio de 2013, Jorge Jesus levou o Benfica à sua nona final europeia (Liga Europa da UEFA), reafirmando o prestígio do clube. Tal não acontecia desde 1989/90.
Em 2014, conquistou o segundo Campeonato Português da sua carreira e o 33º título de Campeão Nacional do Benfica. Em Maio, venceu a sua quarta Taça da Liga (a 5ª do Benfica). Disputou de novo a final da Liga Europa, sendo vencido pelo Sevilha FC nas grandes penalidades. Ganhou igualmente a Taça de Portugal. Em Agosto de 2014, Jorge Jesus venceu a sua primeira Super Taça, superando János Biri como o treinador com mais jogos à frente do Benfica (273). Ultrapassou também o número de troféus ganhos por János Biri e Otto Glória como técnicos do Benfica.
Em 2014/15, ganhou o 3º título de Campeão Nacional e a 5ª Taça da Liga. Foi considerado o Melhor Treinador em 2009/10 e 2013/14. Em 2013, foi também considerado o 8º Melhor Treinador do Mundo. Em 2014, recebeu o Troféu Cosme Damião de Treinador do Ano.
Em Junho de 2015, depois de várias controvérsias, fez uma declaração à comunicação social, afirmando que tinha terminado o vínculo como treinador do Benfica, assinando depois um contrato de três anos com o Sporting, que lhe renderá seis milhões de euros. 

O SILÊNCIO (quadras)

Formatação de Fátima de Souza (Bahia)

quinta-feira, 23 de julho de 2015

23 DE JULHO - MARIA JOÃO PIRES

EFEMÉRIDEMaria João Alexandre Barbosa Pires, pianista portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 23 de Julho de 1944. Tem igualmente a nacionalidade brasileira desde 2010.
Aprendeu muito cedo a tocar piano, tendo dado o seu primeiro recital aos cinco anos de idade. Aos sete, tocou publicamente concertos de Mozart. Com nove anos, recebeu o Prémio da Juventude Musical Portuguesa. Entre 1953 e 1960, estudou no Conservatório de Lisboa. Prosseguiu os estudos musicais na Alemanha, primeiro na Musikakademie em Munique e depois em Hanôver.
Tornou-se conhecida internacionalmente ao vencer o Concurso Internacional do bicentenário de Beethoven em 1970, que se realizou em Bruxelas.
Fez numerosas digressões, onde interpretou obras de Bach, Beethoven, Schumann, Schubert, Mozart, Brahms, Chopin e muitos outros compositores dos períodos clássico e romântico. Maria João Pires é convidada com regularidade pelas grandes orquestras mundiais para tocar nas melhores salas de concerto, apresentando-se regularmente na Europa, Canadá, Japão, Israel e Estados Unidos.
Tem desenvolvido actividade tanto a nível individual (recitais, concertos e gravações) como em música de câmara. Dos numerosos êxitos discográficos, destacam-se: as gravações “Moonlight”, com sonatas de Beethoven; “Le Voyage Magnifique”, integral dos “Impromptus” de Schubert; nocturnos e outras obras de Chopin; e os trios de Mozart, com Augustin Dumay (violino) e Jiang Wang (violoncelo).
Foi a fundadora e dirigente do Centro de Belgais para o Estudo das Artes, no concelho de Castelo Branco, de cariz pedagógico, cultural e social. A pianista deixou o Centro em 2006, quando se mudou para o Brasil. Na ocasião, declarou à rádio Antena 2 «ter sofrido muito ao tentar implementar o seu projecto em Portugal». As actividades do Centro de Belgais foram encerradas em 2009.
No Brasil, adquiriu uma casa em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, estado da Bahia, onde passou a residiu em 2008. Viveu depois na Suíça, perto de Delémont. Desde Setembro de 2012, é Maître en Résidence na Capela musical Rainha Elisabeth (Waterloo, Bélgica), onde ensina piano a jovens músicos de alto nível.
Em Agosto de 1983 foi feita Dama da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, em Fevereiro de 1989 recebeu a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique e em Junho de 1998 foi elevada a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Recebeu o Prémio Pessoa em 1989. Em 2007, recebeu a Medalha de Ouro do Mérito das Belas-Artes atribuída pelo governo francês. Desempenhou alguns papéis como pianista em filmes de Manoel de Oliveira.
Foi casada com o fadista João Ferreira Rosa, antes de se casar com Ernst Ortwin Noth, com quem teve duas filhas.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

22 DE JULHO - MANUEL PUIG

EFEMÉRIDE – Juan Manuel Puig Delledonne, escritor argentino, morreu em Cuernavaca, no México, em 22 de Julho de 1990. Nascera em General Villegas no dia 28 de Dezembro de 1932.
Em 1946, a família mudou-se para Buenos Aires. O jovem Juan Manuel sentiu-se fascinado pelo cinema, assistindo regularmente às matinées dos domingos. Em 1950, começou a estudar Arquitectura e, em 1951, trocou de curso para Filosofia. Em 1956, recebeu uma bolsa para estudar no Centro Sperimentale di Cinematografia, em Roma. Depois, morou em Londres e Estocolmo, onde deu aulas de espanhol, enquanto começava a escrever guiões para cinema.
Entre 1961 e 1962, trabalhou como assistente de direcção em filmes rodados na Argentina e em Itália. Em 1965, foi para Nova Iorque, onde começou a escrever o seu primeiro romance – “A traição de Rita Hayworth” – que ficou a aguardar publicação durante 3 anos, depois de vencer o Concurso Biblioteca Breve e de ser considerado o Melhor Romance de 1968/69 pelo jornal francês “Le Monde”. Este livro já esboçava as características básicas de sua obra – associação de ideias, montagens, deslocações e emprego de estereótipos de géneros considerados menores, como as fotonovelas, o rádio/teatro e os folhetins.
Em 1973, publicou “The Buenos Aires Affair”. Além de ver o romance censurado pelo governo argentino, Puig passou a receber ameaças telefónicas do grupo para/policial conhecido como Triple A. Na sequência disto, decidiu mudar-se para o México, onde terminou “El beso de la mujer araña” em 1976. Em 1981, foi para o Rio de Janeiro, onde adaptou para o cinema este último romance.
Foi sobretudo graças ao filme brasileiro “O Beijo da Mulher Aranha” (1985), dirigido por Héctor Babenco, que a obra do escritor ganhou notoriedade mundial. No filme, Sónia Braga fez o papel da Mulher Aranha e William Hurt o de Molina, numa actuação magistral, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Actor, em 1985. O livro foi igualmente adaptado para o teatro musical e o próprio Puig adaptou-o também ao teatro convencional. Pela mesma época, escreveu – em língua portuguesa – o musical “Gardel, uma lembrança”.
Em 1988, publicou o seu último romance, “Cae la noche tropical”. Um ano depois, deixou o Brasil para voltar ao México, onde ficou a morar com a mãe em Cuernavaca. Começou a escrever a novela “Humedad relativa: 95%”, mas não chegou a concluí-la. Teve uma crise de vesícula, foi operado de emergência e sucumbiu no dia seguinte, devido a um problema cardíaco. Tinha apenas 58 anos de idade. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

21 DE JULHO - JOÃO PERRY

EFEMÉRIDEJoão Perry, de seu verdadeiro nome João Rui de Morais Sarmento Paquete, actor e encenador português, nasceu em Lisboa no dia 21 de Julho de 1940.
Oriundo de uma família ligada ao teatro, iniciou a sua actividade teatral aos 12 anos de idade no Teatro Nacional D. Maria II (Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro). Frequentou um curso de formação de actores nos Estados Unidos, no La Mamma Experimental Theater Company em Nova Iorque e, em Portugal, os cursos de Eva Winkler e Geoffrey Reeves, na Fundação Calouste Gulbenkian.
Estreou-se em “Rapaziadas”, no Teatro Nacional, em 1953. Destacou-se também na peça “Três Rapazes e Uma Rapariga” (1957), onde trabalhou ao lado de Vasco Santana. Esteve em África, em França e nos Estados Unidos e fez comédia e revista em vários teatros lisboetas. Das peças em que participou, destacam-se “Romeu e Julieta” (1961/62), “Joana de Lorena” (1964/65), “O Homem Que Fazia Chover” (1966) e “Passa Por Mim no Rossio” (1991), onde fez uma assinalável recriação de Almada Negreiros. Após abandonar o Teatro Nacional D. Maria II, em 1997, foi exercer as funções de actor/encenador no Teatro Aberto.
Participou também em diversos filmes, entre os quais “Raça” (1960), “Sagrada Família” (1972), “Crónica dos Bons Malandros” (1981/82), “Sem Sombra de Pecado” (1982), “Um Adeus Português” (1985), “Vale Abraão” (1993), “Tráfico” (1998) e “A Vida Invisível” (2013).
Em televisão, integrou o elenco da primeira telenovela portuguesa, “Vila Faia” (1982), seguindo-se “A Banqueira do Povo” (1993), “Na Paz dos Anjos” (1994), “Ballet Rose” (1997), “Riscos” (1998), “Ajuste de Contas” (2000), “O Jogo” (2002) e “Fascínios” (2008).
Foi o narrador de um documentário açoriano “As Ilhas Desconhecidas”, realizado para televisão pelo jornalista, argumentista e cineasta Vicente Jorge Silva. Em 2008, assinou contrato de exclusividade com a TVI. Nesse mesmo ano, participou na novela “A Outra”. Em 2009, participou nas novelas “Sentimentos” e “Deixa Que Te Leve”, também da TVI. Em 2010, gravou a telenovela “Sedução”. Em 2013/14, actuou na telenovela “Sol de Inverno”.
Os prémios Garrett e Sete de Ouro para Melhor Actor de 1990 foram-lhe atribuídos pela sua prestação em “Na Solidão dos Campos de Algodão”, realizado pelo Novo Grupo. Em 2002, recebeu o Globo de Ouro na categoria de Teatro, como melhor actor e intérprete na peça “A Visita” (Teatro Aberto, 2001). Na XIX Gala dos Globos de Ouro, 2014, recebeu o Globo de Ouro de Melhor Actor de Teatro pela actuação na peça “O Preço” encenada por João Lourenço (Teatro Aberto, 2013).
Em 2015, graças à sua participação no filme “Os Maias – Cenas da vida romântica” de João Botelho, foi-lhe atribuído o Prémio Sophia para Melhor Actor secundário.
A sua voz é uma das mais reconhecidas pelos portugueses, devido também às narrações que faz em inúmeros anúncios publicitários.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

20 DE JULHO - ERIK AXEL KARLFELDT

EFEMÉRIDEErik Axel Karlfeldt, poeta sueco, nasceu em Karlsbo no dia 20 de Julho de 1864. Morreu em Estocolmo, em 8 de Abril de 1931. Foi-lhe atribuído o Prémio Nobel de Literatura de 1931, a título póstumo. Recusara-o em 1919, considerando que o prémio era incompatível com o seu cargo de secretário permanente da Academia Sueca.
Karlfeldt nasceu numa família de agricultores, na província de Dalarna. Inicialmente, o seu nome era Erik Axel Eriksson, mas ele assumiu o seu novo nome em 1889, querendo distanciar-se do apelido do pai, que tinha sido condenado num tribunal.
Estudou na Universidade de Uppsala, tendo de pagar as propinas com o que ganhava dando explicações em vários locais de estudo. Ocupou depois, durante cinco anos, um lugar na Biblioteca Real da Suécia, em Estocolmo.
Em 1895, publicou a sua primeira recolha de poemas “Vildmarks – och kärleksvisor”. Em 1898, escreveu “Fridolins visor”. Seguiram-se várias outras obras, que o tornaram extremamente popular na Suécia.
Em 1904, foi eleito membro da Academia Sueca. No ano seguinte, foi eleito membro do Instituto Nobel da Academia e, em 1907, entrou para o Comité Nobel. Em 1912, foi eleito secretário perpétuo da Academia.
Em 1917, Karlfeldt recebeu o doutoramento honoris causa da Universidade de Uppsala. O compositor sueco Wilhelm Peterson-Berger escreveu numerosas canções populares baseadas nos poemas de Erik Axel Karlfeldt.

domingo, 19 de julho de 2015

19 DE JULHO - ANA SALAZAR

EFEMÉRIDEAna Salazar, estilista portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 19 de Julho de 1941. No princípio da década de 1970, revolucionou a moda em Portugal apresentando vestuário de vanguarda em eventos, “acontecimentos de moda”como a própria denominava, realizados em locais inusitados e para audiências de milhares de pessoas. Foi considerada pela imprensa nacional e internacional como a pioneira da moda em Portugal.
A partir de 1978 e como consultora de moda, interessou-se pelo trabalho e divulgação de novos talentos emergentes. Em 1985, abriu uma loja e base comercial em Paris, para internacionalizar a marca nos principais mercados de moda de autor, como Milão, Nova Iorque e Tóquio, passando a comercializar a mesma nestes países. A loja foi considerada por várias publicações, entre elas a “Marie Claire” francesa, como um dos cinco mais importantes “templos” da moda.
Participou em várias exposições temáticas em Portugal e no estrangeiro, designadamente: “La mode au XXème siècle” no Museu do Louvre em Paris e no Museu Nacional do Traje em Lisboa; “Traje, um objecto de arte” na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa; “Moda e design de objectos” na Europalia em Bruxelas; “Variations Gitanes” no Museu do Louvre em Paris; e “Histoire de mode d'hier et d'aujoud'hui” no Musée des arts de la mode em Paris.
Ao longo da sua carreira, tem vindo a criar, em regime de licenciamento, perfumes, azulejos, óculos e uma linha de têxteis para casa. Em 2003, foi lançado o livro “Ana Salazar, uma biografia ilustrada”. Nesse mesmo ano, criou a nova linha de vestuário dos CTT Correios de Portugal.
Tem sido galardoada com inúmeros prémios, entre os quais se destacam um Globo de Ouro, o Troféu Sena da Silva do Centro Português de Design e a condecoração de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo então presidente da República, Jorge Sampaio (1997).
Em 2012, foi convidada a participar no Museu do Design e da Moda (MUDE). Nesse mesmo ano, completou 40 anos de carreira, sendo homenageada no Baile da Rosa, no Portugal Fashion e nos Fashion TV Awards.
Em 2013, lançou a sua nova marca Ana by Herself, com a apresentação de diversos acessórios, a qual foi alargada em 2014 com peças exclusivas de edição limitada e de pronto-a-vestir.

sábado, 18 de julho de 2015

18 DE JULHO - SEQUEIRA COSTA

EFEMÉRIDE – José Carlos Sequeira Costa, pianista clássico português, especialmente admirado pelas suas interpretações do repertório Romântico, nasceu em Angola no dia 18 de Julho de 1930.
Desde criança, mostrou excepcional talento musical. Viveu em Lourenço Marques (hoje Maputo) e, quando tinha oito anos, a família mudou-se para Lisboa, onde José Carlos continuou os seus estudos musicais com Vianna da Motta (um dos últimos alunos de Liszt), tendo desenvolvido a sua própria interpretação musical com base nas escolas Francesa e Alemã, com Mark Hamburg, Edwin Fischer, Marguerite Long e Jacques Fevrier.
Aos 22 anos, foi galardoado com o Prémio Internacional Marguerite Long (Paris) e, cinco anos mais tarde, fundou o Concurso Internacional de Música de Lisboa Vianna da Motta. Em 1958, foi convidado por Dmitri Shostakovich para fazer parte do júri da Competição Internacional Tchaikovsky, em Moscovo, ao qual voltou seis vezes. Desde então, integrou o júri dos mais importantes concursos mundiais como, por exemplo, os dedicados a Tchaikovsky, Chopin, Marguerite Long e Rubinstein.
Tem orientado Master Classes um pouco por todo o mundo e foi professor na Universidade do Kansas. Muitos dos seus alunos obtiveram prémios nos concursos mais importantes de piano.
Ao longo da sua carreira de intérprete, Sequeira Costa tem tocado nas mais importantes salas de espectáculo, quer a solo, quer acompanhado por prestigiadas orquestras, sob a direcção de notáveis maestros. A sua extensa discografia inclui música para piano de Ravel, Chopin, Schumann, Albeniz, Bach/Busoni, Vianna da Motta, Rachmaninov e Beethoven, bem como as integrais para piano e orquestra de Schumann, Rachmaninov e Chopin.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

17 DE JULHO - JOSÉ VIANA BAPTISTA

EFEMÉRIDEJosé Carlos Pinto Soromenho Viana Baptista, político e gestor português, morreu em Lisboa no dia 17 de Julho de 2004. Nascera no Seixal, em 6 de Outubro de 1931.
Licenciou-se em Engenharia Mecânica, no Instituto Superior Técnico, em 1955. Começou a sua actividade profissional na TAP, em 1956, onde permaneceu durante 20 anos, desempenhando cargos como director de Manutenção, de Engenharia, de Planeamento e de Organização.
Entre 1976 e 1979, foi assessor do Ministério dos Transportes e Comunicações, tendo depois presidido à Comissão Instaladora e ao Conselho de Gerência da ANA – Aeroportos e Navegação Aérea. Em Janeiro de 1980, foi nomeado ministro dos Transportes e Comunicações no VI Governo Constitucional presidido por Francisco Sá Carneiro, assumindo depois a pasta da Habitação, Obras Públicas e Transportes, nos VII e VIII Governos Constitucionais, liderados por Pinto Balsemão.
Depois de abandonar o governo, em 1983, foi nomeado presidente do Instituto de Investimento Estrangeiro e, em 1986, ingressou no Conselho de Administração dos CTT e TLP. Em 1992, foi nomeado presidente da Petrogal, de onde saiu em 1995, após a privatização da empresa. Ocupou ainda cargos administrativos nos grupos Sonae e Edifer.

"MAR DO SUL, MAR TROVADOR" (quadras)


quinta-feira, 16 de julho de 2015

16 DE JULHO - MÁRIO DIONÍSIO

EFEMÉRIDEMário Dionísio, crítico, escritor, pintor e professor português, nasceu em Lisboa no dia 16 de Julho de 1916. Morreu, igualmente em Lisboa, em 17 de Novembro de 1993. Personalidade multifacetada, Mário Dionísio teve uma acção cívica e cultural marcante no século XX português, com particular incidência nos domínios literário e artístico.
Frequentou, em Lisboa, os liceus Luís de Camões e Gil Vicente e, em Évora, o liceu André Gouveia. Licenciou-se em Filologia Românica em 1940, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professor do ensino liceal e secundário e, depois do 25 de Abril de 1974 até 1986, leccionou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Foi autor de uma vasta obra literária nos domínios da poesia, ficção e ensaio. Fez crítica literária e de artes plásticas; realizou conferências e interveio em debates. Colaborou em diversas publicações periódicas, entre as quais: “Presença”, “Altitude”, “Revista de Portugal”, “Seara Nova”, “Vértice”, “Diário de Lisboa”, “Mundo Literário” e “Gazeta Musical e de todas as Artes”. Prefaciou obras de autores como Manuel da Fonseca, Carlos de Oliveira, José Cardoso Pires e Alves Redol.
Teve uma forte ligação às artes plásticas. Além da actividade como pintor (desde 1941), foi um dos principais impulsionadores das Exposições Gerais de Artes Plásticas. Integrou o júri da II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. Escreveu inúmeros textos, de diversa ordem, das simples críticas até à obra de referência que é “A Paleta e o Mundo” (2 volumes 1959/60).
Como artista plástico, usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves. Participou em diversas exposições colectivas, nomeadamente nas Exposições Gerais de Artes Plásticas de 1947/48/49/50/51/53. Realizou as suas primeiras exposições individuais de pintura em 1989 (Lisboa e Porto).
Mário Dionísio desempenhou um papel de relevo na teorização do Neo-realismo português. No contexto das tentativas de reforma cultural encetadas pelos intelectuais dessa corrente, através de palestras e outras acções culturais, participou num esforço conjunto de aproximar a arte e o público, de que resultou, por exemplo, a já citada obra “A Paleta e o Mundo”, constituída por uma série de lições sobre a arte moderna. Poeta e ficcionista empenhado, fiel ao “novo humanismo”, atento à verdade do indivíduo e às suas dolorosas contradições, acolheu, nas suas obras, o espírito de modernidade e as revoluções linguísticas e narrativas da arte contemporânea.
Com o livro “Terceira Idade” recebeu, em 1982, o Prémio do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, ex-aequo com uma obra de Alexandre O'Neill. Escreveu a sua “Autobiografia” em 1987.
Em Setembro de 2009, abriu ao público a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, fundada em Lisboa em Setembro do ano anterior por mais de meia centena de familiares, amigos, ex-alunos, ex-assistentes, conhecedores e estudiosos da sua obra. Partindo do espólio, interesses e obra de Mário Dionísio, a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio pretende ser um pólo cultural na cidade de Lisboa.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

15 DE JULHO - WILLIAM DIETERLE

EFEMÉRIDE – (Wilhelm) William Dieterle, actor e realizador alemão, naturalizado norte-americano, nasceu em Ludwigshafen (Alemanha) no dia 15 de Julho de 1893. Morreu em Ottobrunn, também na Alemanha, em 8 de Dezembro de 1972. O seu nome é muito lembrado pelas biografias que realizou para a Warner Bros, na década de 1930, entre as quais a de Louis Pasteur (1936) e a de Émile Zola (1937).
Sendo o mais novo de nove filhos de uma família pobre, teve de lutar desde muito cedo para sobreviver, começando a trabalhar aos 8 amos de idade. Iniciou a sua carreira de actor teatral na Alemanha e na Suíça, ainda na adolescência, até se juntar a Max Reinhardt em Berlim (1918). Desde o início da década de 1910, porém, já tinha aparecido em alguns filmes. A partir de 1923, passou a realizar as películas em que actuava, tendo feito então mais de uma dezena. Marlene Dietrich, na altura uma jovem muito em voga, teve papel de destaque em “Der Mensch am Wege”.
Em 1930, Hollywood chamou-o, inicialmente para realizar e actuar em versões alemãs de filmes norte-americanos, como “Moby Dick” ou “Dämon des Meeres”. Por esta época, assumiu a forma saxónica do seu nome, William, e subiu um degrau na hierarquia da Warner, ao juntar-se à equipa principal do estúdio. O primeiro dos seus filmes, já com este estatuto, foi o muito elogiado “The Last Flight”. Entre filmes de acção, dramas domésticos e dramas sociais, Dieterle foi escalado também para realizar uma série de biografias. Com uma delas, “The Life of Emile Zola”, foi nomeado para o Oscar de Melhor Realizador. Trabalhou, depois, na RKO Pictures, MGM e Paramount Pictures.
Depois da chegada ao poder de Hitler na Alemanha, apesar de não estar ameaçado, resolveu ficar nos Estados Unidos, obtendo a nacionalidade norte-americana em 1937.
Prosseguiu a sua brilhante carreira em Hollywood, conservando laços estreitos com a emigração alemã, nomeadamente com Bertolt Brecht e Max Reinhardt. Em 1938, realizou um dos raros filmes americanos sobre a Guerra de Espanha (“Blockade”). 
Mesmo não estando incluído na célebre “Lista Negra”, Dieterle foi perseguido pelo Macartismo, a partir de 1947, devido às suas ideias liberais. Teve o passaporte confiscado e passou a ter dificuldade em conseguir bons guiões para filmes. Com a carreira em decadência, veio para a Europa, onde filmou na Alemanha e na Itália.
Faleceu aos setenta e nove anos de idade. Na década de 1960, dirigiu ainda vários telefilmes na sua terra natal, onde regressara definitivamente em 1958. Deu por finalizada a sua carreira em 1968. Tem uma estrela de honra no Passeio da Fama em Los Angeles.

terça-feira, 14 de julho de 2015

14 DE JULHO - VANGE LEONEL

EFEMÉRIDEVange Leonel, de seu verdadeiro nome Maria Evangelina Leonel Gandolfo, cantora, compositora, escritora e activista LGBT brasileira, morreu em São Paulo no dia 14 de Julho de 2014. Nascera na mesma cidade em 4 de Maio de 1963. Como cantora e compositora, o seu maior sucesso foi a canção “Noite preta”, composta em parceria com Cilmara Bedaque e que foi tema de abertura da novela “Vamp” da TV Globo, em 1991, sendo transmitida frequentemente pelas rádios.
Na década de 1980, Vange fez parte – como vocalista – da banda de rock pesado Nau, formada ainda por Beto Birger (baixo), Zique (guitarra) e Mauro Sanches (bateria). O grupo publicou um disco intitulado “Nau”, em 1987, editado pela CBS. Em 1991, em carreira a solo, lançou “Vange” através da Sony Music e, em 1996, “Vermelho” pela Medusa Records. Participou ainda, em 1987, no CD/vinil “Não São Paulo”.
Como escritora, publicou – a partir de 1999 – “Lésbicas”, “Grrrls – Garotas Iradas”, “As Sereias da Rive Gauche” (peça de teatro) e “Balada para as meninas perdidas”.
Homossexual assumida, escrevia sobre o tema na revista “Sui Generis” (1997/2000), na “Revista da Folha”e no portal “MixBrasil”.
Vange Leonel faleceu em consequência de um cancro nos ovários, com metástase na membrana que envolve os órgãos da região abdominal, tendo a doença sido diagnosticada vinte dias antes da sua morte.
Vange Leonel viveu 28 anos com a jornalista Cilmara Bedaque. No dia 13 de Julho de 2014, um dia antes do seu falecimento, a companheira escreveu numa rede social: «Vange está com um seriíssimo problema de saúde. Peçam aos deuses e deusas que toquem tambores ou o que bem entenderem. Estou a viver o pior momento da minha vida e não poderei responder a perguntas que façam, porque as minhas mãos estão ocupadas com as dela.». 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

13 DE JULHO - SARA GONZÁLEZ

EFEMÉRIDE Sara González Gómez, cantora e compositora cubana, nasceu em Havana no dia 13 de Julho de 1949. Morreu na mesma cidade em 1 de Fevereiro de 2012.
Na década de 1960, estudou viola no Conservatório Amadeo Roldán. Foi graduada pela Escola Nacional de Instrutores de Arte, onde viria a ser professora de Guitarra e Solfejo.
Era uma das fundadoras do Movimento da Nueva Trova Cubana e um dos seus principais expoentes. Pertenceu igualmente ao Grupo de Experimentação Sonora (GES), sob a direcção de Leo Brouwer, onde estudou Composição, Harmonia e Orquestração.
Compôs música para cinema, televisão e rádio, além de participar em vários discos colectivos, juntamente com outras figuras do Movimento da Nueva Trova e do GES.
Sara González actuou em espectáculos com Pablo Milanés, Joan Manuel Serrat, Chico Buarque, Mercedes Sosa, Pete Seeger e Beth Carvalho, entre muitos outros artistas.
Da sua discografia, realçam-se os títulos: “Versos sencillos de José Martí” (1975); “Cuatro cosas” (1982); “Con un poco de amor” (1987); “Con apuros y paciencia” (1991); “Si yo fuera mayo” (1996) e “Mírame” (1999).

domingo, 12 de julho de 2015

12 DE JULHO - JUAN DEL ENCINA

EFEMÉRIDEJuan del Encina, de seu verdadeiro nome Juan de Fermoselle, poeta, músico, compositor e dramaturgo espanhol, nasceu em Encina de San Silvestre (Salamanca), em 12 de Julho de 1468. Morreu em Leão no dia 30 de Agosto de 1529. Segundo diversos autores, ele compartilha a paternidade do teatro ibérico com o português Gil Vicente. Estudou na Universidade de Salamanca.
Grande humanista, músico e cantor, a maior parte da sua obra lírica, escrita antes de 1500, foi feita com a intenção de ser cantada. A sua poesia divide-se entre a profana e a sagrada, considerando a generalidade dos críticos que a primeira se sobrepõe à segunda em termos de inspiração. É caracterizado por um certo gosto popular e muita imaginação.
Viveu na época dos Reis Católicos e, a partir de 1492, esteve ao serviço do 2º Duque de Alba, Don Fadrique de Toledo, organizando festas, escrevendo comédias e compondo música.
Esteve em Itália, onde cantou para o Papa Leão X. De volta a Espanha, foi nomeado arcediago em Málaga. Fez várias viagens entre Espanha e Roma (1510/19, tendo sido ordenado padre em 1518. No ano seguinte, foi em peregrinação a Jerusalém, onde disse a sua primeira missa no Monte Sinai. Fixou-se depois em Leão para ser prior da catedral.
Pertence, com Juan de Anchieta entre outros, à primeira época do que se convencionou chamar a “escola polifónica” castelhana, uma das mais importantes de Espanha e que representa o melhor da tradição polifónica deste país.
Entre as suas catorze peças dramáticas, que marcaram uma transição entre dramas religiosos e peças puramente profanas, realça-se “Triunfo de la fama” (1492), que comemora a queda de Granada. Em 1496, publicou “Cancionero”, uma recolha de poemas dramáticos e líricos. Escreveu também um tratado em prosa (“Arte de trobar”) sobre a condição da arte poética em Espanha. 

sábado, 11 de julho de 2015

MUNDO FELIZ (glosa de quadra)

«Eu tenho um sonho profundo
Mas que a vida contradiz:
Construir um novo mundo
Com toda a gente feliz!...»
Maria Aliete Penha

MUNDO FELIZ
1
No meio de tanto azar
Sinto-me um vagabundo,
Mas para me consolar
Eu tenho um sonho profundo.
2
Difícil de lá chegar…
(Mas que mal é que eu fiz?),
Tanta coisa a melhorar
Mas que a vida contradiz.
3
Vejo tudo a piorar,
De segundo a segundo,
Mas gostava de tentar
Construir um novo mundo.
4
Onde não falte a comida,
Em que a paz tenha raiz.
Planeta cheio de vida
Com toda a gente feliz!...

Gabriel de Sousa

NB – Menção Honrosa nos 45ºs Jogos Florais Internacionais de Nossa Senhora do Carmo – 2015 (Fuseta)

11 DE JULHO - FREDERICK BUECHNER

EFEMÉRIDE – Carl Frederick Buechner, presbiteriano, teólogo e escritor norte-americano, nasceu em Nova Iorque no dia 11 de Julho de 1926.
A sua obra abrange vários géneros, incluindo romances, autobiografia, ensaios, sermões e ficção histórica. A carreira literária estendeu-se por seis décadas, fazendo dele um dos escritores mais prolíficos do seu tempo.
Os livros de Buechner estão entre os mais lidos nos Estados Unidos e foram traduzidos em numerosas línguas e publicadas em quase todo o mundo. Ele é sobretudo conhecido pelos seus trabalhos: “Dying A Long Day's”, o seu primeiro livro, publicado em 1950; “O Livro dos Bebb”, uma tetralogia baseada no personagem Leo Bebb, publicado em 1977; “Godric”, uma narrativa na primeira pessoa do santo medieval, finalista do Prémio Pulitzer de 1981; “Brendan”, um segundo romance histórico da vida do santo, publicado em 1987; “Daily Meditations with Frederick Buechner” (1992); e a sua obra autobiográfica “A Jornada Sagrada” (1982).
Dele disse o “New York Times”: «Buechner tem um talento maior, é um escritor muito bom e um dos contadores de histórias mais originais dos E.U.A, na actualidade». Annie Dillard, também escritora norte-americana e vencedora do Prémio Pulitzer de 1975, afirmou que «Frederick Buechner é um dos nossos melhores escritores.».

sexta-feira, 10 de julho de 2015

10 DE JULHO - JAKE LAMOTTA

EFEMÉRIDEJake LaMotta, de seu verdadeiro nome Giacobbe La Motta, ex pugilista norte-americano, nasceu em Nova Iorque no dia 10 de Julho de 1921. Campeão do mundo na categoria de meio/pesados (1949/51), era conhecido também como “The Bronx Bull” e “The Raging Bull”.
Descendente de imigrantes italianos, nasceu no bairro Bronx e começou a praticar o boxe ainda muito novo, quando o pai o fazia lutar com crianças da vizinhança para divertimento dos adultos. Já adolescente, aperfeiçoou a sua técnica numa casa de correcção, o Coxsackie Correctional Institute. Em 1941, aos 19 anos, começou a fazer pugilismo profissional.
Com 83 vitórias (30 por KO), 19 derrotas e 4 empates, LaMotta foi o primeiro homem a vencer o célebre Sugar Ray Robinson – em 1943 – criando uma rivalidade que seria traduzida em seis combates memoráveis.
Ganhou o primeiro título de Campeão do Mundo em 1949, ao defrontar o francês Marcel Cerdan. Foi prevista uma desforra, que não chegou porém a realizar-se por Cerdan ter morrido num desastre de avião nos Açores, quando viajava para os Estados Unidos, justamente para ir treinar para aquele combate.
Foi suspenso sete meses por suspeita de fraude numa derrota frente a Billy Fox. Posteriormente, admitiu ter perdido de propósito, por causa de uma história de apostas e para ganhar prestígio junto da máfia. Fora dos ringues, LaMotta era também conhecido como um homem bastante violento.
Após pôr um ponto final na sua carreira, comprou alguns bares e tornou-se também actor. Fez pequenos papéis em mais de 15 filmes, incluindo “The Hustler”, com Paul Newman. A história da sua vida foi contada numa película de 1980/81, realizada por Martin Scorsese e protagonizada por Robert De Niro. O filme, “Touro Indomável”, foi baseado numa co-autobiografia de LaMotta chamada “Raging Bull: My Story”. Robert De Niro engordou 27 quilos para interpretar a figura de Jake LaMotta depois da retirada dos ringues.
LaMotta entrou depois num período de decadência, foi preso e perdeu um filho num acidente aéreo. Apesar de tudo, lançou vários livros sobre a sua carreira e os seus combates com Sugar Ray Robinson. Faz parte do International Boxing Hall of Fame desde a sua criação em 1990.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

9 DE JULHO - DEAN KOONTZ

EFEMÉRIDEDean Ray Koontz, escritor norte-americano, nasceu em Everett, na Pensilvânia, em 9 de Julho de 1945. Oriundo de uma família pobre, foi educado sob a tirania de um pai alcoólico e violento. Apesar de tudo, estudou na Universidade de Shippenburg.
Antes de se dedicar em pleno à literatura, trabalhou – desde 1967 – como professor de inglês na Mechanicsburg High School, sendo depois educador de meninos problemáticos. Nas horas livres, escreveu o seu primeiro romance “Star Quest”, que foi publicado em 1968. Seguiu-se mais de uma dezena de livros de ficção científica.
Nos anos 1970, começou a publicar romances de suspense e de horror, uns assinados com o seu nome, outros com vários pseudónimos, a conselho e pedido dos editores, «para atrair um maior número de leitores». Os pseudónimos mais conhecidos incluem: Deanna Dwyer, K. R. Dwyer, Aaron Wolfe, David Axton, Brian Coffey, John Hill, Leigh Nichols, Owen West, Richard Paige e Anthony North. Muitos dos livros publicados sob pseudónimos, foram reeditados já assinados por Dean Koontz.
O romance que o revelou verdadeiramente ao grande público foi “Whispers” (1980). Vinte e duas das suas obras atingiram o primeiro lugar nas listas de best-sellers publicadas pelo “New York Times”.
Os seus livros estão traduzidos quase em todo mundo, com mais de duzentos milhões de exemplares vendidos. As suas novelas figuram invariavelmente nos t6ps de vendas. Várias das obras de Koontz foram adaptadas ao cinema.
Na actualidade, vive em Newport Beach, no sul de Califórnia, com a sua esposa Gerda e a cadela Anna. Dean Koontz é um apaixonado por cães, golden retrievers em particular. Eles ocupam regularmente um lugar de relevo nos seus livros. 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

8 DE JULHO - FERNÃO MENDES PINTO

EFEMÉRIDEFernão Mendes Pinto, aventureiro, soldado, diplomata, explorador e escritor português, morreu no Pragal, Almada, em 8 de Julho de 1583. Nascera em Montemor-o-Velho, entre os anos 1509 e 1514. Em 2011, foi homenageado com uma moeda comemorativa de 2 euros. A TAP, pelo seu lado, homenageou-o também ao atribuir o seu nome a uma das aeronaves da companhia. Na freguesia do Pragal, onde faleceu, há uma escultura que o representa, inaugurada em Dezembro de 1983.
Fez parte de uma das primeiras expedições portuguesas que logrou alcançar o Japão em 1542. A chegada de portugueses ao Japão foi muito celebrada e perdura ainda na memória cultural japonesa, também porque permitiu a introdução das armas de fogo naquele país. O próprio Fernão Mendes Pinto descreveu o espanto e o interesse das autoridades locais, quando viram um dos seus companheiros disparar uma arma enquanto caçava.
Ainda pequeno, um tio trouxe-o para Lisboa, onde o pôs ao serviço da casa de D. Jorge de Lencastre, duque de Aveiro, filho bastardo do rei D. João II. Manteve-se aqui durante cerca de cinco anos, dois dos quais como moço de câmara do próprio D. Jorge.
Em 1537, partiu para a Índia, ao encontro dos seus dois irmãos. De acordo com o que relatou na sua obra “Peregrinação”, foi durante uma expedição ao mar Vermelho – em 1538 – que participou num combate naval com os otomanos, tendo sido feito prisioneiro e vendido a um grego. Este vendeu-o por sua vez a um judeu que o levou para Ormuz, onde foi resgatado por portugueses.
Acompanhou Pedro de Faria a Malaca, de onde fez o ponto de partida para as suas aventuras, tendo percorrido, durante 21 acidentados anos, as costas da Birmânia, Sião, arquipélago de Sunda, Molucas, China e Japão, grande parte desse tempo ao lado do pirata António de Faria. Numa das suas viagens, conheceu São Francisco Xavier e, influenciado pela sua personalidade, decidiu entrar para a Companhia de Jesus e promover uma missão jesuíta no Japão.
Em 1554, depois de libertar os seus escravos, foi para o Japão como noviço da Companhia de Jesus e como embaixador do vice-rei D. Afonso de Noronha. Esta viagem constituiu um desencanto para ele. Desgostoso, abandonou o noviciado e regressou a Portugal.
Com a ajuda do ex-governador da Índia Francisco Barreto, conseguiu arranjar documentos comprovativos dos feitos realizados pela pátria, que lhe deram direito a uma tença, que nunca recebeu. Desiludido, foi para a Quinta de Palença, em Almada, onde se manteve até à morte e onde escreveu, entre 1569 e 1578, a obra que nos legou, a “Peregrinação”. Esta só viria a ser publicada cerca de 30 anos após a sua morte, receando-se que o original tenha sofrido alterações, às quais não seriam alheios os jesuítas. O livro (de 700 páginas) passou também o crivo da Inquisição.
Deixou-nos um relato tão extraordinário que, durante muito tempo, não se acreditou na sua veracidade. De tal modo, que até se fazia um jocoso jogo de palavras com o seu nome: «Fernão Mendes Minto» ou então «Fernão, mentes? Minto!». A “Peregrinação”, porém, tornou-se um sucesso, tendo rapidamente dezanove edições em seis línguas.
Na actualidade, Fernão Mendes Pinto é considerado um dos maiores escritores da literatura portuguesa e mundial. Ele contribuiu, ao lado de Luís de Camões, para enriquecer e fazer evoluir a língua portuguesa. A sua vida e obra têm sido tema regular para estudos universitários, um pouco por todo o mundo, nas áreas de História, Antropologia, Geografia, Sociologia, Semântica e Literatura.
Existem ruas com o seu nome em Lisboa, Porto, Montemor-o-Velho, Guimarães, Portimão, Ovar, Freixo de Espada à Cinta e Loures, em Portugal; no Rio de Janeiro e São Paulo, no Brasil; em Luanda (Angola), no Maputo (Moçambique) e em Macau na China.
Em Março de 2015, o realizador João Botelho afirmou estar a preparar uma adaptação cinematográfica da “Peregrinação”, que poderá ser estreada em 2018. 

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