domingo, 31 de julho de 2016

31 DE JULHO - ÁLVARO LAPA

EFEMÉRIDEÁlvaro Carlos Dinis Lapa, pintor e escritor português, nasceu em Évora no dia 31 de Julho de 1939. Morreu no Porto em 11 de Fevereiro de 2006. Em 1947, após a prisão do pai por razões políticas e o afastamento da mãe, que se viu obrigada a ir trabalhar para o Barreiro levando consigo os dois filhos mais novos, Álvaro Lapa ficou entregue aos cuidados dos padrinhos.
Durante a sua formação académica, recebeu lições de António Charrua, para melhorar a sua classificação na disciplina de Desenho (1950). Foi aluno de Vergílio Ferreira nos 6º e 7º anos (1951/52), o que o levou a iniciar-se na poesia.
Concluído o liceu em 1956, veio continuar os estudos em Lisboa, na Faculdade de Direito. Publicou durante este período um texto sobre Kafka no “Boletim da Associação de Estudantes da Faculdade” e participou na “Missão Internacional de Arte” em Évora (1958), promovida por Júlio Resende e apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian. Foi neste evento que contactou com o expressionismo abstracto, através do artista convidado Theo Appleby.
Acabou por abandonar o curso de Direito (1960) para ingressar em Filosofia, tendo neste período (1962) viajado até Paris, onde contactou com artistas próximos do surrealismo e com a emergente arte americana. Foi também em 1962 que começou a pintar.
Ainda em 1962, leccionou a disciplina de Português no Ensino Técnico de Estremoz e casou com uma colega da faculdade, Maria Helena Azevedo. Foi afastado da função pública em 1963, por suspeita de ser um activista de esquerda.
Em 1964, expôs pela primeira vez individualmente, na Galeria 111, em Lisboa. No ano seguinte, nasceu o seu segundo filho e mudou-se para Lagos, onde viveu até 1970, retomando a convivência com o escultor e amigo João Cutileiro.
Em 1968, nasceu mais uma filha e recebeu o seu primeiro prémio de pintura na Exposição da Queima das Fitas de Coimbra. No ano seguinte, nasceu o seu quarto filho.
Com uma viagem à Escandinávia em 1970, teve a oportunidade de experimentar novas formas de arte. Um ano depois, viajou pela Europa e Norte de África. Foi neste ano também que se mudou para Lisboa e se separou de Maria Helena Azevedo.
Deambulando entre Lagos e Évora, escreveu o texto “Um pato?” para o catálogo da exposição individual de Joaquim Bravo, na Galeria Quadrante, em Lisboa (1972). No ano seguinte, teve uma crise psíquica grave com internamento em Coimbra, tendo encontrado apoio no amigo João Cutileiro. Conheceu a pintora Maria José Aguiar que, juntamente com Cutileiro, o incentivaram a mudar-se para o Porto onde passou a viver com a pintora.
Em 1974, escreveu “Raso como o chão”, que foi publicado em 1977 pela Editorial Estampa. No ano seguinte, concluiu – na Faculdade de Letras da Universidade do Porto – o curso de Filosofia e, em 1976, obteve uma bolsa da Fundação Gulbenkian. Voltou ao ensino, com uma passagem fugaz pelo Ciclo Preparatório, na Póvoa do Varzim, entrando depois como professor assistente na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde leccionou a disciplina de Estética.
Fruto da sua relação com Maria José Aguiar, nasceu em 1980 uma filha, casando-se com a pintora um ano depois.
Conheceu em 1983 José-Augusto França, que o orientou na sua tese de doutoramento sobre o Surrealismo em Portugal.
Em 1998, os Artistas Unidos estreiam no Seixal o espectáculo “Mikado”, a partir de textos de Álvaro Lapa, Alberto Cinza e William Burroughs.
A sua única obra de arte pública foi realizada em 2003, para a decoração da estação do metro em Odivelas.
Ao longo da sua carreira conquistou várias distinções, nomeadamente o Grande Prémio EDP. O seu trabalho ao longo dos tempos evidenciou uma forte relação entre a literatura e a pintura. A sua licenciatura em Filosofia talvez justifique em parte esta ligação.
Álvaro Lapa manteve uma actividade constante, realizando inúmeras exposições em Portugal e no estrangeiro, afirmando-se como um dos pintores mais importantes da segunda metade do século XX.
Raramente deu entrevistas e às vernissages preferia o contacto directo com o público, chegando a dizer-se que foi ele próprio, na década de 1970, que vendeu as suas pinturas na antiga Feira da Vandoma, junto à Sé do Porto.
O seu nome encontra-se na lista de colaboradores da publicação académica “Quadrante” (1958/62) publicada pela Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa.

sábado, 30 de julho de 2016

VIOLÊNCIA (quadras)


Acabemos com as Guerras,
Terrorismos, Repressões…
Haja Paz nas nossas Terras,
Sossego nos Corações!

Tanta e tanta Violência,
Desde a Fome até à Guerra.
Há tanta e tanta ausência
De bom senso, aqui na Terra!


Gabriel de Sousa

30 DE JULHO - NICOLAU BREYNER

EFEMÉRIDE – João Nicolau de Mello Breyner Moreira Lopes, actor e realizador português, nasceu em Serpa no dia 30 de Julho de 1940. Morreu em Lisboa, em 14 de Março de 2016, vítima de ataque cardíaco.
Depois da infância em Serpa, onde nasceu no seio de uma família de proprietários agrícolas, mudou-se para Lisboa com os pais. Aprendeu Canto e integrou o coro da Juventude Musical Portuguesa, ao mesmo tempo que prosseguia os estudos, primeiro no Colégio Visconde de Castelões e depois no Liceu Camões. Ingressou seguidamente na Faculdade de Direito, com a ambição de se tornar diplomata. Depressa desistiu de Direito, optando por se diplomar no Conservatório Nacional, primeiro no curso de Canto e depois no de Teatro.
A sua estreia como actor aconteceu quando ainda frequentava o Conservatório. Sob a direcção de Ribeirinho, entrou na peça “Leonor Telles”, de Marcelino Mesquita, produzida pelo Teatro Nacional Popular, quando esta companhia estava instalada no Teatro da Trindade. Foi no entanto com a interpretação de papéis cómicos, ao lado de Laura Alves, que se tornou conhecido do grande público, revelando-se um dos mais bem sucedidos actores da sua geração. Em 2005, regressou ao teatro para interpretar o monólogo “Esta Noite Choveu Prata”, de Pedro Bloch, produzido por Sérgio de Azevedo.
Após o 25 de Abril de 1974, concebeu o seu primeiro programa televisivo – “Nicolau no País das Maravilhas”. Este programa tinha uma rábula chamada “Senhor Feliz e Senhor Contente, onde Nicolau lançou um jovem alemão aspirante a humorista, Herman José.
No princípio da década de 1980, surgiu como actor e simultaneamente como director de actores e co-autor do guião da primeira novela portuguesa, “Vila Faia” (1982). Seguiu-se a fundação da NBP Produções, hoje Plural Entertainment, a sua própria produtora de televisão, onde foi administrador, produtor e realizador, actividades que fizeram dele um verdadeiro precursor da indústria de ficção televisiva em Portugal.
Sem deixar a representação, concebeu as sitcomsEu Show Nico” e “Euronico”, participando noutras como actor (“Gente Fina é Outra Coisa”, “Nico D'Obra”, “Reformado e Mal Pago”, “Santos da Casa”)”, além de diversas séries (“Verão Quente”, “Conde D'Abranhos”, “A Ferreirinha”, “João Semana”, “Quando os Lobos Uivam”, “Pedro e Inês”, “Equador”) e novelas (“Fúria de Viver”, “Flor do Mar”, “Louco Amor”, “Jardins Proibidos”, “O Beijo do Escorpião”) etc.
Ao longo da sua carreira, participou em quase 50 filmes de realizadores de diversas gerações, como Augusto Fraga, Perdigão Queiroga, Henrique Campos, Herlander Peyroteo, Artur Semedo, Luís Galvão Teles, Fernando Lopes, António Pedro Vasconcelos, Joaquim Leitão, Leonel Vieira e João Botelho, entre outros. Uma das suas participações mais recentes (2013) foi no filme “Comboio Nocturno Para Lisboa”, adaptação do livro homónimo de Pascal Mercier. Pelas suas prestações no grande ecrã, recebeu três Globos de Ouro de Melhor Actor (um em 2003 e dois em 2004).
Em Junho de 2005, foi feito Grande-Oficial da Ordem do Mérito. Era primo da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen. Foi casado quatro vezes, a última – desde 2006 – com Mafalda Gomes de Amorim Bessa.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

29 DE JULHO - OCEANO

EFEMÉRIDEOceano Andrade da Cruz, ex futebolista português, nasceu em São Vicente, Cabo Verde, no dia 29 de Julho de 1962. Jogava na posição de meio campo, sendo considerado um dos grandes centro-campistas portugueses nas décadas de 1980/90. A sua família veio de Cabo Verde para Portugal quando ele era ainda criança.
Começou a jogar no Almada Atlético Clube, antes de se mudar para o Nacional da Madeira, onde teve boas actuações e demonstrou grande força física, sendo mais tarde contratado pelo Sporting CP.
Foi jogador do Sporting de 1982 a 1990 e de 1994 a 1998. Demonstrou ser um jogador concentrado e muito constante, apesar de nunca ter ganho um campeonato. Conquistou a Taça de Portugal na época de 1994/95.
Mudou-se para Espanha, alinhando pela Real Sociedad de 1990 a 1994 e sendo um dos melhores jogadores da Liga Espanhola.
Jogou 54 vezes pela Selecção Portuguesa, entre 1985 (num jogo frente á Roménia) até 1998 (contra à Inglaterra). A sua presença habitual na selecção foi só atingida na década de 1990, sendo um jogador fundamental no Campeonato Europeu de Futebol de 1996, onde Portugal chegou aos quartos de final, perdendo então com a República Checa.
Depois de deixar o Sporting, passou o final da época 1998/99 no Toulouse FC, onde terminou a sua carreira – aos 36 anos de idade. Pertenceu aos quadros da Federação Portuguesa de Futebol, assumindo o cargo de seleccionador nacional de Sub-21 em 2009.
Oceano da Cruz teve um longo namoro com a actriz Marina Mota.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

28 DE JULHO - MARIE DRESSLER

EFEMÉRIDEMarie Dressler, de seu verdadeiro nome Leila Maria Koerber, actriz canadiana, morreu em Santa Bárbara, Califórnia, no dia 28 de Julho de 1934. Nascera em Cobourg, Ontário, em 9 de Novembro de 1868. Foi premiada com o Oscar de Melhor Actriz pelo papel desempenhado em “Min and Bill”. Tem uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood.
Ainda muito jovem, Dressler já tinha talento para fazer as pessoas rir. Começou a sua carreira artística aos catorze anos. Em 1892, fez a sua estreia na Broadway, enveredando pelo teatro de vaudeville.
Foi Maurice Barrymore quem deu o impulso inicial de que ela necessitava, aconselhando-a sobre o modo de promover a sua carreira e proporcionando-lhe um papel na peça “Ladrão do Reno”. Anos depois, ela apareceria com os filhos de Maurice, Lionel e John, em alguns filmes mudos. Durante o início dos anos 1900, tornou-se uma grande estrela do cinema mudo.
O primeiro papel de Dressler no cinema foi em 1910, quando tinha 42 anos. O fundador dos Keystone Studios em Edendale, na Califórnia, convenceu-a a estrelar o seu filme mudo de 1914, “Tillie's Punctured Romance”. Apareceu depois em mais duas sequelas de “Tillie”, além de fazer outras comédias até 1918, ano em que voltou ao vaudeville.
Em 1927, o seu nome constava da lista negra das companhias de teatro, devido às suas posições trabalhistas. Frances Marion, um guionista da MGM, “resgatou” o seu nome e usou a sua influência junto do chefe de produção da MGM, para Dressler voltar aos ecrãs. O seu primeiro filme na MGM foi “The Callahans and the Murphys” (1927).
Em 1929, Marie Dressler afastou-se mais uma vez do cinema, ingressando no grupo de teatro de Edward Everett Horton, em Los Angeles.
Pouco tempo mais tarde, porém, de novo se encontrou na berlinda devido a chegada do cinema falado e à necessidade de actores de palco experientes. Deixou então a companhia de Horton. O cinema falado não apresentou nenhum problema para ela.
Em 1930, desempenhou o papel de Martly, uma velha megera, no filme “Anna Christie” (1930). Greta Garbo – com quem contracenava – e os críticos ficaram impressionados com as suas capacidades e a MGM apressou-se a assinar um contrato com ela, mediante um chorudo salário para a época (US$ 500 por semana).
Mulher robusta e encorpada, com recursos muito simples, passou a actuar em filmes cómicos, que estavam então muito em voga. Embora com sessenta anos de idade, rapidamente se tornou uma das actrizes mais rentáveis e populares de Hollywood, permanecendo no topo até à sua morte.
Demonstrou o seu talento igualmente noutros papéis. Pela sua interpretação em “Min and Bill” ganhou em 1931 o Oscar de Melhor Actriz, sendo nomeada de novo para o mesmo Oscar pelo seu desempenho em “Emma” (1932).
Em 1934, foi-lhe diagnosticado um cancro em fase terminal. Morreu pouco tempo depois e foi sepultada numa cripta do Memorial Park Cemetery em Glendale, na Califórnia.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

27 DE JULHO - WILLIAM WYLER

EFEMÉRIDEWilliam Wyler, de seu nome original Wilhelm Weiller, realizador e produtor norte-americano de origem suíça e alsaciana, morreu em Los Angeles no dia 27 de Julho de 1981, vítima de crise cardíaca. Nascera em Mulhouse, em 1 de Julho de 1902. Fazendo parte de uma família suíça de confissão judaica, foi educado em Lausanne, antes de ir estudar violino no Conservatório de Paris.
Nascido na Alsácia, então território alemão, emigrou para os Estados Unidos em 1920, estabelecendo-se em Nova Iorque. Em 1922, mudou-se para a Califórnia, onde realizou o seu primeiro filme em 1925. Em 1928, obteve a cidadania norte-americana.
Em 1922, trabalhou na Universal, primeiro nos serviços de publicidade e depois como assistente de produção. Em 1925, lançou-se na realização, tornando-se o mais jovem realizador da empresa.
A partir dos anos 1930, tornou-se um dos realizadores de referência em Hollywood, colaborando nomeadamente com a Warner Bros. Mais tarde, assinou um contrato com a Metro Goldwyn Mayer, que lhe permitiu realizar numerosos filmes de sucesso, como “Ben-Hur”, uma película recompensada com onze Oscars.
Entre 1942 e 1945, alistou-se na força aérea dos Estados Unidos, tendo realizado dois documentários sobre a guerra: “The Memphis Belle: A Story of a Flying Fortress” (1943) e “Thunderbolt” (1947).
De volta a Hollywood, e aproveitando o seu prestígio, fundou – juntamente com George Stevens e Frank Capra – uma sociedade de produção independente – a Liberty Film, que só duraria até 1948.
Como realizador, fez vários dramas históricos, filmes musicais e comédias, onde deu largas ao seu perfeccionismo e garantiu aos seus actores e actrizes muitas nomeações para os Oscars.
Wyler, detentor do recorde de nomeações para o Oscar de Melhor Realizador, conquistou-o por 3 vezes (1943, 1947 e 1960), com películas que receberam igualmente os Oscars de Melhores Filmes. Recebeu ainda a Palma de Ouro do Festival de Cannes, em 1957.
Foi casado com a actriz Margaret Sullavan (1934/36) e depois com Margaret Tallichet, com quem teve cinco filhos, tendo o casamento durado desde 1938 até ao fim dos seus dias.

terça-feira, 26 de julho de 2016

26 DE JULHO - JOÃO PAULO RODRIGUES


EFEMÉRIDEJoão Paulo Rodrigues, actor e humorista português, nasceu em Lisboa no dia 26 de Julho de 1978. Tornou-se conhecido pelo seu personagem Quim Roscas, que fez parte de várias séries do programa de humor “TeleRural”, em dupla com Pedro Alves, que dava corpo ao personagem Zeca Estacionâncio.
Mudou-se em criança para Braga, onde passou os seus primeiros anos de vida. Foi depois para Moçambique com o pai. Durante a adolescência, fez rádio e tocou em várias bandas de garagem.
Aos 20 anos de idade, estreou-se no teatro cómico, no Porto. Foi por essa época que conheceu Pedro Alves com quem viria a formar a dupla Quim Roscas e Zeca Estacionâncio. Conheceram-se na Rádio Nova Era, onde Pedro Alves era locutor e onde começaram por colaborar no programa da manhã.
A primeira participação na televisão aconteceu no programa “1,2,3”, a convite de Teresa Guilherme. Participaram depois nos programas “Praça da Alegria” e “Portugal no Coração”.
Lançaram o primeiro DVD ao vivo e foram convidados para terem o seu próprio programa, o “TeleRural”, com as notícias de Curral de Moinas.
FM HISTÉRICO” foi um programa entretanto apresentado na Rádio Best Rock. Regressaram à RTP para apresentar “Portugal Tal & Qual”.
Em 2012, participou sozinho na primeira edição do programa “A Tua Cara Não Me É Estranha” da TVI, que acabou por vencer e onde demonstrou as suas qualidades para a música.
João Paulo Rodrigues, para além de cantar, representar, apresentar e fazer humor, faz também corridas com clássicos e pratica artes marciais.
Ainda no decorrer de 2012, iniciou na TVI, ao lado de Marisa Cruz, a apresentação do programa “Não há Bela sem João”.
Em 2013, integrou o elenco de “7 pecados mortais”, o filme português mais visto nas salas de cinema nacionais durante aquele ano, com realização de Nicolau Breyner.
Em Dezembro de 2013, transferiu-se para o canal SIC, passando a apresentar, desde Fevereiro de 2014, ao lado de Júlia Pinheiro, o programa “Queridas Manhãs”.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

25 DE JULHO - FERNANDA BAPTISTA

EFEMÉRIDEFernanda Baptista, de seu verdadeiro nome Fernanda Gil Ferreira Martins, actriz e fadista portuguesa, morreu em Cascais no dia 25 de Julho de 2008. Nascera em Lisboa, em 7 de Maio de 1919. Ao longo da sua longa carreira, actuou em cerca de 50 revistas e operetas e realizou variadíssimas digressões.
Fernanda Baptista era vizinha do actor Vasco Santana que, em virtude dela em criança já gostar muito de cantar, lhe chamava “o papagaio das cantorias”. Aos 10 anos, participou pela primeira vez numa peça de teatro infantil, mas estava ainda longe de enveredar por uma carreira artística.
Com apenas 19 anos, casou-se com um funcionário da Companhia Colonial de Navegação e abraçou a profissão de modista. Foi no atelier onde trabalhava e em festas particulares das suas clientes que começou por brilhar na interpretação do fado.
Em 1945, as suas colegas inscreveram-na no Concurso de Outono do jornal “Canção do Sul”, cujas eliminatórias decorreram no Retiro dos Marialvas e no Café Latino. Neste concurso, conquistou o 2º lugar, representando o Bairro Alto. A partir desse momento, tornou-se intérprete profissional, foi contratada pelo empresário José Miguel e passou a integrar o elenco do Retiro dos Marialvas.
As interpretações genuínas de Fernanda Baptista eram muito apreciadas pelos críticos e, ainda não tinha decorrido um ano da sua profissionalização, já o jornal a “Guitarra de Portugal” a considerava «um dos valores mais sólidos da moderna geração».
Em 1946, passou a cantar no Café Luso e, nesse mesmo ano, foi convidada para actuar no Teatro Maria Vitória. Assim, substituiu Luísa Satanela na revista “Banhos de Sol”, estreando-se no espectáculo com a interpretação da “Ronda Fadista”.
Até ao final da década, participou em quadros musicais de muitas das revistas do Teatro Maria Vitória, caso de “Canções Unidas”, em 1946, com o tema “Trapeiras de Lisboa”, que foi premiado pelo SNI como o Melhor Quadro de Revista. Saliente-se ainda: “Ó ai ó linda” e “Salada de Alface”, em 1947; e “Disto é que eu gosto” e “O Tico-tico”, em 1948. Nesta última revista, interpretou o seu maior êxito, o “Fado da Carta”.
Com a Companhia de Eugénio Salvador, Fernanda Baptista apresentou-se nas revistas “Saias Curtas”, “Cala o Bico” e “Festa é Festa”, entre 1953 e 1955.
Ainda no âmbito do teatro, é de destacar a revista “Ena Já Fala”, levada à cena em 1969, no Teatro ABC, onde ela interpretou com tal sucesso o tema “Saudades de Júlia Mendes” que se tornou um fado incontornável do seu repertório.
Protagonizou também uma película realizada por José Buchs, em 1949, “Sol e Toiros”. Neste filme, participaram – para além de Fernanda Baptista – Manuel dos Santos, Amália Rodrigues e Eugénio Salvador, entre outros. O “Fado Toureiro”, que integra a banda sonora deste filme, tornou-se depois num dos seus fados mais famosos, a que se juntam os temas “Fado da Carta” e “Saudades de Júlia Mendes”, já referidos.
As suas saídas de Portugal para diversas actuações iniciaram-se na década de 1950, com a digressão a África da revista “Saias Curtas”. A esta, somaram-se espectáculos de fado em cidades angolanas como Luanda, Lobito e Nova Lisboa.
Posteriormente, Fernanda Baptista fez numerosas viagens ao Brasil (país onde - numa das vezes - permaneceu mais de ano e meio), à Argentina, a África e aos Estados Unidos e Canadá. No interior destes dois últimos países, fez mais de 17 tournées.
Em televisão, foi também requisitada para diversos programas, como o “Zip Zip” ou o “Fado Fadinho”. Integrou – como artista convidada – as séries televisivas de Filipe la FériaGrande Noite” e “Cabaret”.
Fernanda Baptista voltou ao teatro de revista em 1990, para participar na peça “Ai Cavaquinho” no Teatro Capitólio e, em 1994, foi homenageada num outro teatro do Parque Mayer, o Variedades, no decurso da apresentação da revista “Vivó Velho”, a última em que participou, ao lado de Artur Garcia, Mariette Pessanha e Joel Branco.
Em Abril de 1996, em homenagem aos seus 50 anos de carreira, realizou-se um concerto no Teatro São Luís, onde participaram Anita Guerreiro, Deolinda Rodrigues, Maria Valejo, Maria José Valério, Fernando Maurício e Carlos Zel que, entre muitos outros colegas e amigos, do fado e do teatro de revista, lhe testemunharam o seu carinho e admiração.
Gravou muitos discos, mas só na década de 1970 editou o primeiro LP. Em 2005, a Movieplay lançou a antologia “Fernanda Baptista – a Maior Voz do Teatro de Revista”, reunindo em duplo CD os seus maiores êxitos.
Apesar de várias vezes se ter afastado dos palcos e de ter pensado retirar-se definitivamente da vida artística quando completou 87 anos, em Maio de 2006, Fernanda Baptista ainda integrou o elenco musical do espectáculo de Filipe la FériaA Canção de Lisboa”, exibido no Teatro Politeama.
Em 2003, o então presidente da República Jorge Sampaio condecorou-a com o grau de Comendadora da Ordem de Mérito.

domingo, 24 de julho de 2016

FERNANDA BAPTISTA - "Fado Carta"


24 DE JULHO - ANA CRISTINA DE OLIVEIRA

EFEMÉRIDE Ana Cristina de Oliveira, modelo e actriz portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 24 de Julho de 1973.
Estudou Cinema, Teatro (especialização em Shakespeare) e Canto e Voz na Stela Adler Academy (em Nova Iorque).
Apesar de ter experiência em teatro, pois participou numa série de projectos para o Stela Adler Theatre, obteve o verdadeiro reconhecimento público através da sua carreira no cinema.
Entre Portugal, Estados Unidos e Itália, protagonizou filmes como “Odete” de João Pedro Rodrigues, “Tudo isto é Fado” de Luís Galvão Teles e “Táxi” de Tim Story. Participou ainda em “Miami Vice” de Michael Mann (ao lado de Colin Farrell e Jamie Foxx) e “Raising Helen” de Gary Marshall.
O seu desempenho em “Odete” valeu-lhe o Prémio Janine Bazin. «Neste ano, nenhuma mulher foi mais selvagem que a personagem principal de “Odete”» – afirmou Dennis Lim, em “The Village Voice” (Nova Iorque, Novembro de 2005).
Ana Cristina esteve casada com um produtor musical inglês de quem se divorciou em 2015. Vive normalmente nos Estados Unidos da América.

sábado, 23 de julho de 2016

23 DE JULHO - WOODY HARRELSON

EFEMÉRIDE – Woodrow “Woody” Tracy Harrelson, actor norte-americano, nasceu em Midland (Texas) no dia 23 de Julho de 1961. Foi nomeado para os Oscars por duas vezes.
O pai, falecido em 2007, foi condenado à prisão perpétua em 1979 pela morte de um juiz federal. Woody é defensor da legalização do uso da maconha e militante de várias causas ecológicas, apoiando o grupo ambientalista Ruckus Society.
Depois de se ter diplomado em Inglês e Arte Dramatica no Hanover College (Indiana), iniciou a sua carreira na televisão. Em 1985, fez parte do elenco da popular série americana “Cheers”.
Começou no cinema interpretando o papel de um estudante, jogador de futebol americano, na comédia ” Wildcats” (1986). Neste primeiro filme, contracenou com Wesley Snipes, o que voltou a acontecer em “White Men Can't Jump)” (1992) e no filme policial “Money Train” (1995). Fez de marido de Demi Moore, em “Indecent Proposal” (1993).
O grande sucesso chegou depois de ter sido cabeça de cartaz de dois filmes controversos, um de Oliver Stone onde desempenhou o papel de um serial killer adepto da ultra-violência gratuita e outro de Milos Forman (“The People vs. Larry Flynt”), pelo qual foi nomeado para o Oscar de Melhor Actor (1996).
Com o seu prestígio a aumentar, Woody voltou-se para papéis muito diferentes. Foi oncologista, jornalista, pequeno agricultor e pugilista, contracenando neste caso com António Banderas em “Os adversários”.
Em 2005, deu a réplica a Charlize Theron em “O Caso Josey Aimes” e juntou-se ao elenco do último filme de Robert Altman, “The Last Show”.  
Em 2008, protagonizou “2012”, filme inspirado numa profecia dos Maias que datava o fim das nossas civilizações para Dezembro de 2012.
Foi nomeado para o Oscar de Melhor Actor Coadjuvante em 2010, com o filme “The Messenger”.
Em 2014, fez parte da primeira série de “True Detective”, recebendo os aplausos da crítica e do público. No ano seguinte, teve o papel principal numa curta-metragem sobre a canção “Song for Someone” do grupo U2, sendo acompanhado por sua filha Zoe. Woody Harrelson já entrou em cerca de 60 filmes (1986/2015).

sexta-feira, 22 de julho de 2016

MERCEDES SOSA - "Todo cambia"


22 DE JULHO - GIOVANNINO GUARESCHI

EFEMÉRIDEGiovannino Guareschi, jornalista, cartoonista e romancista italiano, morreu em Cervia no dia 22 de Julho de 1968, vítima de crise cardíaca. Nascera em Fontanelle di Roccabianca, em 1 de Maio de 1908. Ficou conhecido sobretudo pela criação dos personagens Don Camillo e Peppone (1948).
Estudou Direito e foi professor de bandolim. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi deportado para a Polónia pelos alemães, depois do armistício italiano (Setembro de 1943).   
Começou a sua carreira como jornalista e redactor, primeiro no semanário satírico “Bertoldo” e depois no semanário humorístico”Candido”, que fundou em 1945 e do qual foi director durante vários anos.
Giovannino Guareschi resumia assim a sua biografia: «A minha vida começou em 1908 e, depois, pela força das coisas, continuou.».  
Os relatos das peripécias entre Don Camillo, um padre não-conformista, e Peppone, um autarca comunista, foram traduzidos em várias línguas, tornando-o num dos escritores mais lidos na época.
Nos anos 1950, foi condenado várias vezes por «difamar as mais altas autoridades do Estado». Esteve detido durante 409 dias por ultraje ao Presidente da República e ao Primeiro-ministro, na qualidade de jornalista.
Os seus romances permitiram a realização de vários filmes de sucesso, com Fernandel no papel de Don Camillo e Gino Cervi no de Peppone. Escreveu cerca de cinquenta livros, alguns publicados postumamente. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

21 DE JULHO - NUNO MARKL

EFEMÉRIDENuno Frederico Correia da Silva Lobato Markl, humorista, escritor, radialista, apresentador de televisão, cartoonista e argumentista português, nasceu em Lisboa no dia 21 de Julho de 1971.
Na rádio, começou a ser conhecido em 1993 com a radionovela humorística “A Saga de Abílio que caiu da cerejeira”. Alcançou grande sucesso – poucos anos depois – com a rubrica de notícias bizarras “O Homem que Mordeu o Cão”, que deu origem a três livros, um programa de televisão e um espectáculo ao vivo com digressão nacional.
Entre os seus trabalhos para a rádio, destaque ainda para uma rubrica baseada nas suas experiências quotidianas, “Há Vida em Markl”, complementada por um cartoon semanal publicado pelo suplemento satírico “Inimigo Público” do jornal “Público”, e para uma outra rubrica sobre acontecimentos e objectos bizarros da década de 1980, “Caderneta de Cromos”, que deu origem a dois livros e a uma adaptação teatral.
Na televisão, trabalha como autor na agência criativa Produções Fictícias desde 1995, tendo participado igualmente como actor na série cómica “Os Contemporâneos”. Como autor e apresentador, participou em diversos programas na RTP, SIC Radical e Canal Q, sendo um dos apresentadores do talk show5 para a Meia-Noite” na RTP (até 2015).
No cinema, é conhecido sobretudo pela participação na dobragem de filmes de animação, tendo-se estreado como actor no filme “A Bela e o Paparazzo” (2010), de António-Pedro Vasconcelos.
Aos dez anos de idade, Markl já simulava a realização de programas de rádio em casa e, no final da década de 1980, começou a trabalhar numa estação pirata, “A Voz de Benfica”.
Com o desejo de entrar no mundo da rádio profissional, ingressou no curso de jornalismo do CENJOR em 1990. Após terminar o curso, trabalhou como jornalista na Correio da Manhã Rádio (1991/93) e na Rádio Comercial (1993/97), embora não fosse essa a sua vocação.
Na Correio da Manhã Rádio, Markl fez um programa chamado “Prok Der e Vier”. Após o fecho desta estação de rádio, passou para a Rádio Comercial. Graças ao seu trabalho, foi convidado a ingressar na agência criativa Produções Fictícias, onde com outros colaboradores escreveu sketches para os programas de televisão “Herman Zap” (1995/96), “Herman Enciclopédia” (1997), “Herman 98” (1998), “Herman 99” (1999), “Herman SIC” (2000), “Paraíso Filmes” (2001/02), “O Programa da Maria” (2002), “Hora H” (2007) e “Os Contemporâneos” (2008).
Em 1996, Markl fez dois programas para a Rádio Comercial, o “Sete e um” e o talk show nocturno “Dois em um”. Em 1997, após mudanças na direcção daquela estação, passou a trabalhar no “Programa da Manhã” com Pedro Ribeiro, Ana Lamy, José Carlos Malato e – mais tarde – Maria de Vasconcelos. O sucesso de “O Homem que Mordeu o Cão” levou ao lançamento – em 2002 – do primeiro de uma série de três livros com algumas das histórias das emissões de rádio, que vendeu mais de 100 000 exemplares e deu origem a um espectáculo semanal ao vivo no Teatro Villaret que posteriormente fez uma digressão nacional e foi adaptado à televisão (TVI).
Em 2002, Markl entrou para o recém-criado canal de televisão SIC Radical como comentador de cinema, trabalhando ao lado de Rui Pedro Tendinha no programa “Curto Circuito” e de Fernando Alvim no programa “CineXL”. Na SIC Radical e em parceria com Fernando Alvim, apresentou ainda os programas “O Perfeito Anormal” e “O Homem da Conspiração”.
Em 2003, passou para a rádio Antena 3, apresentando – no programa matinal “As Manhãs da 3” – as rubricas “Há Vida em Markl”, “O Livro dos Porquês” e “Coisas que Acontecem”. Criou ainda a radionovela “Perdidos no Éter” e foi co-autor do talk show de fim-de-semana “Nuno & Nando”, com Fernando Alvim.
Em 2008, traduziu a adaptou o espectáculo teatral “Os Melhores Sketches dos Monty Python”, protagonizado por José Pedro Gomes, António Feio, Miguel Guilherme, Bruno Nogueira e Jorge Mourato, inicialmente em cena no Casino Lisboa e que posteriormente fez uma tournée pelo país.
Em 2009, regressou ao “Programa da Manhã” da Rádio Comercial, onde criou o talk show de fim-de-semana “PAI – Programa Absolutamente Incrível” com Diogo Beja. Após a saída deste último e a entrada de Vasco Palmeirim, o programa passou a chamar-se “PRIMO – Programa Realmente Incrível Mas Obtuso”.
Em 2010, entrou para o recém-criado canal Q das Produções Fictícias, criando e apresentando o talk showShow Markl”. Para o mesmo canal, em 2012, criou e protagonizou – com Ana Galvão – a série “Felizes Para Sempre”.
Ainda em 2012, criou nova rubrica, a “Grandiosa História Universal das Traquitanas”, em que várias invenções mais ou menos importantes da história da Humanidade eram analisadas e parodiadas.
Tem recebido inúmeros prémios ao longo da sua carreira. Foi casado com a radialista e apresentadora Ana Galvão, de 2010 até Março de 2016, tendo-se separado por mútuo acordo. 
Em 2004, no âmbito das comemorações dos trinta anos da Revolução dos Cravos, foi uma das trinta personalidades a ser convidadas pelo então presidente da República Jorge Sampaio para um jantar no Palácio Nacional de Belém.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

AOS MEUS NETOS

Sempre de olhos bem abertos,
Com a força de viver,
Fico a dever aos meus netos
Um suave envelhecer!

Gabriel de Sousa

NB – 3º Prémio nos 46ºs Jogos Florais Internacionais de Nossa Senhora do Carmo – 2016 (Fuseta)


20 DE JULHO - ANTONIO GADES

EFEMÉRIDEAntonio Gades, de seu verdadeiro nome Antonio Esteve Ródenas, bailarino e coreógrafo espanhol, expressão máxima do flamenco, morreu em Madrid no dia 20 de Julho de 2004. Nascera em Elda, em 14 de Novembro de 1936.
Oriundo de uma família humilde, o pai – logo a seguir aio seu nascimento – seguiu para Madrid para defender, como voluntário, a República Espanhola. Posteriormente, toda a família se mudou para um bairro periférico da capital. Com onze anos, Antonio deixou de ir a escola, embora gostasse muito de estudar, e buscou trabalho para ajudar a família, primeiro como contínuo num estúdio fotográfico e depois nos escritórios do diário madrileno “ABC”.
O seu encontro com a dança aconteceu casualmente, quando tinha 15 anos. Uma vizinha tinha-o aconselhado a inscrever-se na academia de flamenco. Três meses mais tarde, um agente que procurava bailarinos para uma casa nocturna, contratou-o. Nesta casa, por sua vez, foi visto por Pilar Lopez que o chamou para a sua companhia. Foi Pilar quem o “baptizou” com o nome artístico de Antonio Gades e lhe ensinou que a ética profissional do baile estava acima da estética. Gades reconheceria sempre Pilar como a inspiradora máxima da sua carreira.
Permaneceu na companhia de Pilar Lopez durante nove anos e, em 1960, quando da sua primeira tournée no Japão, já era primeiro bailarino. Com ela, aprimorou-se em todas as danças folclóricas de Espanha. Também estudou ballet clássico com a dançarina russa Provayenska, mas o seu meio de expressão mais autêntico seria sempre o flamenco.
Nesta época, descobriu o mundo poético de Federico Garcia Lorca, através de edições clandestinas da sua obra, pois ler-se o poeta andaluz era então proibido pelo regime franquista.
Após deixar a companhia de dança de Pilar Lopez, em 1961, fundou o primeiro núcleo de seu próprio corpo de baile. Trabalhou neste período em Itália, como coreógrafo e bailarino. Apresentou “O bolero” de Ravel na Ópera de Roma e, no Scala, de Milão, “Cármen” e “O amor bruxo”. Foi nesta época que forjou o seu estilo coreográfico personalíssimo.
De volta a Espanha, dançou no cabaré Los Tartantos, em Barcelona, e tornou-se coqueluche dos intelectuais catalães (entre eles o pintor Joan Miró), que o estimularam a apresentar-se na Exposição Universal de Nova Iorque em 1964, onde teve grande sucesso. No mesmo ano, casou-se com a actriz e cantora Marujita Diaz, de quem se separaria vinte meses depois.
Depois de uma fracassada produção do ballet “Don Juan” (1965), que o deixou em grandes dificuldades económicas, Gades dançou com Rudolf Nureyev, no Scala de Milão (1968). No mesmo ano, casou-se com a bailarina Pilar San Clemente. Em 1971, separou-se de Pilar, com quem havia tido dois filhos. Em 1973, uniu-se a Pepa Flores, com quem teve mais três filhos. O casamento oficial teria lugar em Cuba (1982), sendo padrinhos Fidel Castro e a bailarina cubana Alicia Alonso.
Em 1974, estreou em Roma “Bodas de sangue”, inspirado no drama de Garcia Lorca, obra-prima que lhe trouxe grande sucesso internacional. Em 1975, estava em Bolonha quando, ao tomar conhecimento da condenação a morte de cinco companheiros opositores do regime de Franco, decidiu dissolver a sua companhia e abandonar a dança.
Só voltaria a dançar três anos depois, graças ao apoio que recebeu do Ballet Nacional de Cuba, com o qual havia trabalhado anteriormente como artista convidado. Vem desta época a sua profunda afeição à Cuba, país que visitou inúmeras vezes e para onde foram levadas as suas cinzas.
Foi director do Ballet Nacional de Espanha entre 1978 e 1980, lugar que deixou para fundar sua própria companhia.
Em 1981, em colaboração com o realizador Carlos Saura, transformou “Bodas de sangueem filme. A colaboração continuou em 1983, com o filme “A história de Cármen”, que foi premiado no Festival de Cannes. As adaptações cinematográficas renovaram também o interesse dos espanhóis pelo flamenco.
Em 1986, separou de Pepa Flores. Em 1988, casou-se com Daniela Frey, união que durou até 1993.
A sua última produção como coreógrafo foi “Fuenteovejuna”, adaptação da obra de Lope de Vega, que se estreou na Ópera de Génova em 1994, seguindo depois em tournée pelo Japão, Itália, França, Cuba e vários países latino americanos, incluindo o Brasil.
Depois de uma longa enfermidade junto da sua nova companheira, Eugenia Eiriz, faleceu aos 67 anos de idade, vitimado por doença oncológica. Gades legou as suas cinzas a Raul Castro, numa carta escrita na semana anterior à sua morte.
Fidel Castro condecorou-o em Junho de 2004 com a Ordem José Martí, a mais alta distinção concedida pelo Conselho de Estado de Cuba, uma homenagem prestada a pouquíssimos estrangeiros, entre eles Che Guevara.

terça-feira, 19 de julho de 2016

19 DE JULHO - FRANCISCO COLOANE

EFEMÉRIDEFrancisco Coloane Cárdenas, escritor chileno, nasceu em Quemchi no dia 19 de Julho de 1910. Morreu em Santiago do Chile, em 5 de Agosto de 2002.
Após a morte dos pais, quando ainda era jovem, Coloane abandonou os estudos no seminário Ancud e teve diversos ofícios. Foi amansador de cavalos, pastor, capataz e explorador de petróleo no estreito de Magalhães. Trabalhou ainda como funcionário administrativo na Marinha do Chile.
Tais experiências no extremo sul do continente marcaram-no imenso, pois as suas obras têm esta região como cenário e falam de temas como o embate entre o homem e as forças da natureza no ambiente inóspito e solitário da Terra do Fogo. Em 1947, participou também na primeira expedição chilena ao Antárctico.
Pela temática de seus livros, foi considerado por críticos europeus como o “Jack London da América do Sul”, sendo igualmente comparado a escritores como Melville e Conrad.
Recebeu o Prémio Nacional de Literatura do Chile em 1964 e, em 1966, foi presidente da Sociedade de Escritores do Chile. Pela França, foi nomeado Cavalheiro da Ordem das Artes e das Letras em 1997.
O seu livro “El último grumete de la Baquedano” é tido como leitura obrigatória no sistema escolar chileno. Alguns dos seus romances, novelas e contos foram traduzidos para vários idiomas (inglês, russo, italiano, francês, alemão, grego e português, entre outros).
Em 2000, o cineasta chileno Miguel Littín filmou “Tierra del Fuego”, baseado na obra homónima de Francisco Coloane.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

18 DE JULHO - CARLOS BARRETTO

EFEMÉRIDECarlos Barretto, de seu verdadeiro nome Carlos António Barreto de Andrade Amaro, contrabaixista de jazz e artista plástico português, nasceu no Estoril em 18 de Julho de 1957.
Carlos Barretto teve contacto com a música desde criança, através do pai que tocava guitarra e harmónica cromática. Além disso, era frequente em sua casa a audição de discos de espectros musicais variados, desde os clássicos aos mais modernos músicos de jazz da época. Aos seis anos, iniciou a aprendizagem da guitarra, mas foi aos dez que começou o estudo no Conservatório Nacional de Lisboa (piano e solfejo), passando posteriormente para o contrabaixo, por influência das sonoridades ouvidas no Festival de Jazz de Cascais. Nesta fase, e paralelamente, frequentou a escola do Hot Club de Portugal, onde estabeleceu as bases da sua relação com o jazz e fez as primeiras experiências regulares com músicos deste género musical.
Mais tarde, em 1982, prosseguiu os estudos do contrabaixo, na Academia Superior de Música de Viena, em Viena de Áustria, onde residiu entre 1982 e 1984. Nesta cidade, teve oportunidade de continuar o seu envolvimento com o jazz, tocando com músicos como Fritz Pauer (músico regular de Art Farmer), Joris Dudli e Christian Radovan (ambos da Vienna Art Orchestra).
No seu regresso a Lisboa, tocou profissionalmente na Orquestra Sinfónica da RDP e em vários projectos de música popular portuguesa. Iniciou a profissionalização na área jazz, tocando com Mário Laginha, Bernardo Sassetti, e Mário Barreiros, entre outros.
A pequena dimensão e as limitações do meio musical do jazz profissional em Portugal, nessa altura, levaram-no em 1984 a fixar-se em Paris, onde optou definitivamente pela carreira profissional no jazz e na música improvisada. Com base nesta cidade, actuou em diversos clubes de jazz, em conjunto com músicos de primeiro plano, e percorreu vários dos festivais do circuito francês.
Em 1990, gravou na Bélgica um CD ao vivo com Mal Waldron, ao qual se seguiu uma série de concertos em várias cidades europeias. São de destacar os concertos para a rádio e televisão. A sua estadia em França proporcionou-lhe ainda a oportunidade de participar em vários grupos e formações de jazz noutros países, como Suíça, Holanda, Alemanha, Bélgica, Espanha, Andorra, Itália, Hungria e Áustria.
Em 1993, regressou a Portugal, formando o seu próprio grupo Carlos Barretto Quintet, que incluía Perico Sambeat, François Théberge, Bernardo Sassetti e Mário Barreiros, e começou a leccionar na escola de jazz do Hot Club de Portugal, base a partir da qual actuou em vários concertos e festivais de jazz.
Com o seu grupo, gravou o CD “Impressões” em 1993, daí resultando vários concertos em Portugal, Espanha, França e Suíça. No ano seguinte, gravou “Alone Together” com o George Cables Trio. Nesta fase, esteve presente em Espanha, Angola, Cabo Verde, Argentina e Marrocos, com o seu quinteto ou integrando formações de outros músicos.
Em 1996, gravou “Going Up”, com um quinteto renovado (Bob Sands, Perico Sambeat, Albert Bover e Philippe Soirat). O disco foi considerado o melhor CD do ano em Portugal e foi distinguido com o Prémio Villas-Boas da Câmara Municipal de Cascais, dando origem a concertos em diversos festivais. No mesmo ano, Carlos Barretto ainda participou na gravação de “Passagem”.
Em 1997, acompanhou outros músicos em Espanha, França e Inglaterra, onde também actuou em nome próprio. É deste ano, o álbum “Jumpstart”, que gravou com o Quarteto de Bob Sands.
Ainda em 1997 e com o objectivo de experimentar outras sonoridades, juntou-se a José Salgueiro e Mário Delgado, formando o grupo Suite da Terra, que perdura até à actualidade. Este trio ganhou mais tarde o nome Lokomotiv, pelo qual é conhecido hoje. Em 1998, gravaram “Suite da Terra”, um CD experimental, de fusão entre vários estilos, desde a música tradicional portuguesa, ao jazz e ao rock, sendo ainda permeável às influências africanas e orientais. Fez parte de uma tournée e de vários espectáculos na Expo 98 e em Macau.
Aproveitando o seu gosto pela pintura, que até aí tinha cultivado não profissionalmente, Carlos Barretto apresentou o projecto “Solo Pictórico”, que une a sua música e pintura originais, em vários espectáculos e gravou um CD com o mesmo nome (2002). Continua até agora a apresentar espectáculos em que incorpora a sua pintura e a sua música, num produto único e coerente.
Na vertente pedagógica, Barretto tem dirigido vários workshops, nos quais leva a cabo um programa de descoberta de novos instrumentistas. Entretanto, continua a sua actividade criativa, com a produção de obras originais para ensembles de contrabaixo.
Em 2014, no âmbito das comemorações do Mandela International Day, promovidas pela Embaixada da África do Sul em Portugal, coordenou a construção de um retrato de Mandela, feito com tampas de plástico e com a participação da população.

domingo, 17 de julho de 2016

17 DE JULHO - JAMES CAGNEY

EFEMÉRIDEJames Francis Cagney Jr., actor, produtor e realizador norte-americano, nasceu em Nova Iorque no dia 17 de Julho de 1899. Morreu na mesma cidade em 30 de Março de 1986. Era um actor multifacetado, mas que se tornou célebre sobretudo ao interpretar papéis violentos.
Nascido no bairro pobre de Yorkville, em Manhattan, trabalhou como moço de recados, empregado de mesa e empacotador numa loja, para poder custear os estudos, tendo chegado a frequentar a Universidade de Columbia, que abandonou para se dedicar ao teatro.
Durante a década de 1920, actuou em várias companhias de teatro musical, especialmente na Broadway e em Nova Orleães, como dançarino, sapateador e actor. Foi na Broadway que conheceu Frances Willard Vernon, com quem se casou em 1922.
Descoberto pela Warner, ao actuar na peça “Penny Árcade”, iniciou-se no cinema em 1930 com o filme “Sinner's holiday”.
Em 1942, fundou a sua própria companhia produtora, juntamente com o irmão William. Em 1957, estreou-se como realizador em “Short cut to hell”. Foi presidente do Sindicato dos Actores entre 1942 e 1944, tendo sido também um dos seus fundadores.
Cagney não fumava e raramente bebia, mas transformou-se no maior “durão” do cinema norte-americano, especializando-se em papéis de gangsters.
Em 1961, após ter feito um papel cómico num filme de Billy Wilder, afastou-se do cinema. Protagonizara mais de sessenta filmes e fora nomeado três vezes para os Oscars (1936, 1942 e 1955). Recebeu o Oscar de Melhor Actor em 1942.
Voltaria quase vinte anos depois – em 1980 – para interpretar o papel de chefe de polícia em “Ragtime”, um filme realizado por Milos Forman.
James Cagney morreu aos 86 anos, vitimado por um ataque cardíaco enquanto dormia. Tem uma estrela no Passeio da Fama no Hollywood Boulevard.

sábado, 16 de julho de 2016

MARCO OLIVEIRA - "Fado à Janela"


16 DE JULHO - TONNY KUSHNER

EFEMÉRIDE – Anthony “Tonny” Robert Kushner, dramaturgo e guionista norte-americano, nasceu em Nova Iorque no dia 16 de Julho de 1956 – Recebeu o Prémio Pulitzer de Teatro pela sua peça “Angels in America”. Escreveu, juntamente com Eric Roth, o guião do filme “Munique” (2005), realizado por Steven Spielberg e nomeado para o Oscar de Melhor Guião Adaptado.
Filho de uma família judia, nasceu em Manhattan, Nova Iorque, mas os pais – ambos formados em música clássica – mudaram-se pouco depois do seu nascimento para Lake Charles, na Louisiana.
Kushner regressou a Nova Iorque em 1974 para continuar os seus estudos na Universidade de Columbia, onde se formou em Literatura Inglesa (1978). Fez mais tarde uma pós-graduação em Encenação Teatral na Universidade de Nova Iorque, concluída em 1984.
Angels in América” é uma peça em duas partes – a primeira denominada “Millennium Approaches” e a segunda “Peresttroika”. Tem escrito muitas outras peças teatrais com bastante sucesso, bem assim como guiões para diversos filmes. A sua tradução de “Mãe Coragem e Seus Filhos” de Bertolt Brecht foi levada ao palco do Teatro Delacorte no Verão de 2006.
Em Janeiro de 2006, foi estreado no Sundance Film Festival um documentário sobre Kushner intitulado “Wrestling With Angels”, com realização de Freida Lee Mock.
Em Abril de 2003, ele e o seu companheiro de longa data, o editor da revista “Entertainment Weekly”, Mark Harris, casaram-se em Nova Iorque.
As críticas de Kushner ao tratamento dado aos palestinianos por Israel e o aumento do fundamentalismo religioso na política e na cultura israelita criaram uma certa desconfiança por parte da comunidade judaica norte-americana. No início de 2006, recebeu o doutoramento honoris causa da Universidade Brandeis.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

15 DE JULHO - GYÖRGY KOLONICS

EFEMÉRIDEGyörgy Kolonics, apelidado de “Kolo”, canonista húngaro, morreu em Budapeste no dia 15 de Julho de 2008. Nascera igualmente na capital da Hungria em 4 de Junho de 1972.
Conquistou duas Medalhas de Ouro e duas Medalhas de Bronze em três Jogos Olímpicos: Atlanta (1996), Sydney (2000) e Atenas (2004). Foi igualmente detentor do recorde de Medalhas de Ouro (15) em Campeonatos Mundiais de Canoagem.
Qualificado para as Olimpíadas de Pequim (2008), morreu subitamente – vítima de crise cardíaca – durante os treinos para estes Jogos.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

14 DE JULHO - TILLY FLEISCHER

EFEMÉRIDE – Othilie “TillyFleischer, atleta e campeã olímpica alemã, morreu em Lahr/Schwarzwald no dia 14 de Julho de 2005. Nascera em Frankfurt, em 2 de Outubro de 1911.
Filha de um açougueiro, fez ginástica na infância, antes de se dedicar ao atletismo, onde começou por praticar o lançamento do peso, do disco e o pentatlo, especializando-se depois no lançamento do dardo. Nesta modalidade, participou em dois Jogos Olímpicos, primeiro em Los Angeles, em 1932, onde ganhou a medalha de bronze e, quatro anos mais tarde, em Berlim, onde se sagrou campeã olímpica da prova, estabelecendo um novo recorde olímpico de 45,18 metros. Como foi a primeira atleta alemã a ganhar uma medalha de ouro em Berlim, foi recebida por Adolfo Hitler no seu camarote no estádio.
Atleta versátil, que disputava os três tipos de lançamentos femininos, bateu por duas vezes o recorde mundial do lançamento do peso, quando esta prova ainda não fazia parte do programa olímpico (1929 e 1930).
Depois de se retirar do atletismo, em 1943, foi campeã de andebol pelo seu clube – o Eintracht Frankfurt.
A sua filha Gisela Heuser, baseando-se numa confissão da mãe, publicou em 1966 um livro intitulado “Adolfo Hitler, meu pai”, no qual assegura ser filha do Führer.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

13 DE JULHO - BANA

EFEMÉRIDEBana, de seu verdadeiro nome Adriano Gonçalves, cantor cabo-verdiano, morreu em Loures no dia 13 de Julho de 2013. Nascera no Mindelo, Cabo Verde, em 5 de Março de 1932.
Bana começou a sua carreira artística quando Cabo Verde ainda era território português. Com mais de dois metros de altura, trabalhara até então como guarda-costas do poeta, compositor e intérprete B. Leza.
Os amadores de mornas, violões, violas e cavaquinhos aperceberam-se rapidamente da sua voz invulgar. B. Leza apresentou-o, em 1959, numa digressão que a Tuna Académica de Coimbra efectuou em São Vicente. Entre os responsáveis pela Tuna figuravam o escritor, romancista e jornalista Fernando Assis Pacheco e o poeta e político Manuel Alegre, que tentaram sem sucesso trazê-lo a Portugal para actuar.
Seria em Dakar (Senegal) que Bana gravaria o seu primeiro disco e daria os primeiros espectáculos. De Dakar, seguiu para Paris, onde permaneceu até 1968 e gravou mais dois LP, e para a Holanda, onde lançou dois LP e seis EP.
Foi no ano seguinte, 1969, que surgiu o convite oficial para se deslocar a Portugal. Foi na inauguração do Restaurante Monte Cara, em Lisboa, na companhia de dois dos seus amigos, Luís Morais e Morgadinho, com quem formara, em 1966, o conjunto Voz de Cabo Verde.
Ao longo de uma carreira de mais de sessenta anos, Bana publicou mais de meia centena de discos, em grupo ou a solo, e participou em quatro filmes – dois franceses, um alemão e um luso/cabo-verdiano.
Embaixador da música cabo-verdiana, por ser pioneiro em levá-la aos quatro cantos da Europa e de África, Bana foi recompensado com várias condecorações e homenagens, quer em Cabo Verde quer no estrangeiro. Faleceu em Portugal aos 81 anos de idade.

terça-feira, 12 de julho de 2016

12 DE JULHO - MALALA YOUSAFZAI

EFEMÉRIDEMalala Yousafzai, militante paquistanesa dos direitos das mulheres, nasceu em Swat no dia 12 de Julho de 1997. Foi a pessoa mais nova a ser laureada com um Prémio Nobel. É conhecida sobretudo pela defesa dos direitos de acesso à educação das raparigas na sua região natal, onde os talibãs impediam as jovens de frequentar as escolas. Desde então, o activismo de Malala tornou-se um movimento internacional.
A família de Malala era proprietária de várias escolas na região, algumas destruídas pelos talibãs. No início de 2009, quando tinha 11/12 anos de idade, Malala escreveu para a BBC um blogue sob pseudónimo, no qual detalhava o seu quotidiano durante a ocupação talibã, as tentativas destes para controlar o vale do Swat e os seus pontos de vista sobre a promoção da educação para as jovens.
No Verão seguinte, o “New York Times” lançou um documentário sobre o quotidiano de Malala à medida que o exército paquistanês intervinha na região. A sua popularidade aumentou consideravelmente, passando a dar entrevistas na imprensa e na televisão e sendo nomeada para o Prémio Internacional da Criança pelo activista sul-africano Desmond Tutu.
Na tarde de 9 de Outubro de 2012, Malala entrou num autocarro escolar na província de Khyber Pakhtunkhwa. Um homem armado chamou-a pelo nome, apontou-lhe uma pistola e disparou três tiros. Uma das balas atingiu o lado esquerdo da sua cabeça e a face até ao ombro. Nos dias que se seguiram, Malala manteve-se inconsciente e em estado grave. Quando a sua condição clínica melhorou e depois de uma delicada cirurgia, foi transferida para um hospital em Birmingham na Inglaterra. Em 12 de Outubro, um grupo de 50 clérigos islâmicos paquistaneses emitiu uma fátua contra os homens que a tinham tentado matar, mas os talibãs reiteraram a sua intenção de assassinar Malala e o pai.
A tentativa de assassinato desencadeou um movimento de apoio nacional e internacional. A “Deutsche Welle” escreveu – em 2013 – que Malala se tornara «a mais famosa adolescente em todo o mundo». O enviado especial das Nações Unidas para a educação global, Gordon Brown, lançou uma petição da ONU em nome de Malala com o slogan “I am Malala” (“Eu sou Malala”), exigindo que todas as crianças do mundo estivessem inscritas em escolas até ao fim de 2015, petição que impulsionou a ratificação da primeira lei paquistanesa de direito à educação.
Em Abril de 2013, Malala foi capa da revista “Time” e considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Em Julho do mesmo ano, Malala discursou na sede da Organização das Nações Unidas, pedindo acesso universal à educação. «Vamos pegar nos nossos livros e canetas. Eles são as nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução» afirmou nessa altura.
Malala foi ainda homenageada com o Prémio Sakharov de 2013, atribuído pelo Parlamento Europeu. Em Fevereiro de 2014, foi nomeada para o World Children's Prize na Suécia. Em Outubro, foi anunciada a atribuição do Nobel da Paz a Malala, pela sua luta contra a repressão de crianças e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação. Com apenas 17 anos, Malala era assim a mais jovem laureada com um Nobel. Partilhou o prémio com Kailash Satyarthi, um activista indiano dos direitos das crianças.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

11 DE JULHO - MANUEL CARRASCALÃO

EFEMÉRIDEManuel Viegas Carrascalão, veterano da luta pela independência de Timor-Leste, morreu em Díli no dia 11 de Julho de 2009. Nascera em Ataúro, em 16 de Dezembro de 1933.
Foi uma das figuras proeminentes do referendo para a autodeterminação realizado em 1999, ao ponto da sua casa ter sido atacada pelas milícias Aitarack, sob o comando de Eurico Guterres, opositor da independência em relação à Indonésia. Neste grave incidente, foi morto o seu filho Manuelito, apenas com 16 anos de idade. A casa tinha servido de refúgio a muitos timorenses, que tentavam escapar à violência que marcou aquele período conturbado da história do país.
Sucedeu, em 2001, a Xanana Gusmão na presidência do Conselho Nacional da Resistência Timorense, a coligação independentista de Timor-Leste.
Tinha onze irmãos, sendo o mais velho. Entre eles, João Viegas Carrascalão, que fundou a União Democrática Timorense e foi candidato presidencial em 2007, e Mário Viegas Carrascalão, fundador do Partido Social Democrata de Timor-Leste.
Em Maio de 1952, com apenas 18 anos, foi feito Cavaleiro da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial – Classe Agrícola.
Morreu, rodeado de familiares e amigos, no Hospital Nacional Guido Valadares, em Díli, na sequência de uma embolia cerebral.

domingo, 10 de julho de 2016

10 DE JULHO - MANUEL VASQUES

EFEMÉRIDEManuel Soeiro Vasques, futebolista português, morreu em 10 de Julho de 2003. Nascera no Barreiro em 22 de Fevereiro de 1926. Fez parte da equipa do Sporting CP nos anos 1940/50 e era um dos chamados “Cinco Violinos” (Jesus Correria, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano).
Também conhecido como o “Galgo de Raça” ou o “Malhoa”, começou a sua carreira como futebolista na CUF.
A alcunha de “Malhoa” foi popularizada pelo jornalista Tavares da Silva, também autor da expressão “cinco violinos”, devido à forma de jogar de Vasques fazer lembrar a arte do pintor José Malhoa.
Estreou-se com a camisola verde e branca em Setembro de 1946 e, em oito anos no Sporting, conquistou oito Campeonatos Nacionais e duas Taças de Portugal, entre 1946 e 1954.
Alinhou ainda pelo Atlético CP na época 1959/60. Faleceu aos 77 anos, vítima da doença de Alzheimer.

sábado, 9 de julho de 2016

FORÇA PORTUGAL!


9 DE JULHO - KING CAMP GILLETTE

EFEMÉRIDEKing Camp Gillette, engenheiro e empresário norte-americano, inventor da lâmina de barbear que ficou com o seu nome, morreu em Los Angeles no dia 9 de Julho de 1932. Nascera em Fond du Lac, no Wisconsin, em 5 de Janeiro 1855.
Os seus antepassados tinham vindo de Inglaterra para o Massachusetts em 1630. King foi criado em Chicago e a família veio a ser devastada pelo grande incêndio nesta cidade em 1871.
Gillette trabalhava para o inventor da tampa descartável para garrafas. Foi-lhe pedido que inventasse alguma coisa que fosse usada apenas uma vez, para que os clientes voltassem sempre para comprar mais. Cinco anos depois, criou a lâmina de barbear descartável, tal como a viemos a conhecer.
Em 1903, fundou a Gillette Safety Razor Company. Pelo seu baixo preço e facilidade de uso, o invento tornou-se muito popular.
Faleceu aos 77 anos de idade. Após a sua morte, a Gillette Company continuou a prosperar e a ampliar os seus negócios, vendendo produtos de uma grande variedade de marcas, incluindo a Gillette, Braun, Oral-B e Duracell. Em 2005, a empresa foi vendida à Procter & Gamble. É hoje conhecida como Blades Global & Razors, sendo a Gillette uma unidade de negócios daquela empresa.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

8 DE JULHO - ERNEST BORGNINE

EFEMÉRIDEErnest Borgnine, de seu verdadeiro nome Ermes Effron Borgnino, actor norte-americano, morreu em Los Angeles no dia 8 de Julho de 2012. Nascera em Hamden, em 24 de Janeiro de 1917.
Era filho de imigrantes da região italiana de Módena. Após servir durante dez anos na Marinha e de ter participado na Segunda Guerra Mundial, Borgnine cursou a Randall School of Drama no estado de Connecticut, estreando-se na Broadway em 1949, já com 32 anos, num pequeno papel na peça de sucesso “Harvey”.
Em 1953, já a viver em Los Angeles, com o seu rosto rude e o seu físico de pugilista, teve o primeiro grande momento no cinema ao interpretar o cruel sargento Fatso Judson no filme vencedor do Oscar daquele ano, “From Here to Eternity”, contracenando com Burt Lancaster, Montgomery Clift, Deborah Kerr, Donna Reed e Frank Sinatra.
Em 1955, conquistou fama e reconhecimento mundiais ao ganhar o Oscar de Melhor Actor pelo seu trabalho no filme “Marty”, também vencedor do Oscar de Melhor Filme e da Palma de Ouro do Festival de Cannes e que se tornou a película melhor recebida pela crítica, durante aquele ano.
A popularidade e os êxitos aumentaram nas décadas seguintes, com muitos filmes de sucesso. Borgnine também se tornou famoso na televisão americana, nos anos 1960, protagonizando a popular série cómica “McHale's Navy”, no papel de um marinheiro, que lhe valeu ser nomeado para o Prémio Emmy de Melhor Actor de Comédia.
Pela sua contribuição para as artes e a indústria do cinema, Borgnine – que participou em cerca de 140 filmes – foi agraciado com uma estrela na famosa Calçada da Fama em Hollywood.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

7 DE JULHO - MARIA BARROSO

EFEMÉRIDEMaria de Jesus Simões Barroso Soares, actriz, professora e activista política e social portuguesa, morreu em Lisboa no dia 7 de Julho de 2015. Nascera na Fuseta em 2 de Maio de 1925. Esposa de Mário Soares, foi primeira-dama de Portugal de 1986 a 1996.
Era filha de Alfredo José Barroso, de Alvor, oficial do exército, e tia do político Alfredo Barroso, do cineasta Mário Barroso e do médico cirurgião Eduardo Barroso.
Frequentou os liceus D. Filipa de Lencastre e Pedro Nunes, em Lisboa, diplomando-se depois em Arte Dramática, na Escola de Teatro do Conservatório Nacional (1943). Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1951).
Na faculdade, conheceu Mário Soares, com o qual se casou por procuração em Fevereiro de 1949, quando ele se encontrava preso por motivos políticos. Tiveram dois filhos: João, que seguiu a carreira política, e Isabel, professora, que sucedeu a sua mãe como directora do Colégio Moderno.
Maria Barroso foi actriz na Companhia Rey Colaço -Robles Monteiro, sediada no Teatro Nacional D. Maria II, onde se estreou em 1944, na peça de Jacinto Benavente “Aparências”, sob a direcção de Palmira Bastos. No cinema, teve participações em filmes de Paulo Rocha e de Manoel de Oliveira.
Em 1969, foi candidata a deputada pela Oposição Democrática e participou no III Congresso daquela organização em 1973, em Aveiro, tendo sido a única mulher a intervir na sessão de abertura. No mesmo ano, esteve em Bad Münstereifel, na Alemanha, quando da fundação do Partido Socialista. Depois da Revolução dos Cravos, foi eleita deputada à Assembleia da República, pelos círculos de Santarém, Porto e Faro, nas legislaturas iniciadas em 1976, 1979, 1980 e 1983.
Como primeira-dama, empenhou-se na defesa do sentido de família, intervindo nos países de língua portuguesa. Em 1990, criou o movimento Emergência Moçambique. Em 1995, presidiu à abertura do ciclo de realizações do Ano Internacional de Luta contra o racismo, a xenofobia, o anti-semitismo e a exclusão social.
Depois de deixar o Palácio de Belém, em 1997, presidiu a Cruz Vermelha Portuguesa, cargo que exerceu até 2003. Foi ainda presidente da Fundação Aristides de Sousa Mendes.
Foi distinguida com o doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Lesley (Maio de 1994), pela Universidade de Aveiro (Dezembro de 1996) e pela Universidade de Lisboa (Novembro de 1999). Foi professora honorária da Sociedade de Estudos Internacionais de Madrid. Recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade em Março de 1997.

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