quarta-feira, 30 de novembro de 2016

30 DE NOVEMBRO - LOUISE-VICTORINE ACKERMANN

EFEMÉRIDELouise-Victorine (Choquet) Ackermann, contista e poetisa francesa, nasceu em Paris no dia 30 de Novembro de 1813. Morreu nos arredores de Nice em 2 de Agosto de 1890.
O pai – um apaixonado pelas Letras – proporcionou-lhe uma educação afastada do ensino religioso. Com ele iniciou as primeiras leituras. O progenitor, de carácter muito independente, deixou Paris aos 33 anos com a esposa e as três filhas, para viver na solidão do campo.
Louise Choquet viveu uma infância solitária. O seu temperamento estudioso e meditativo manifestou-se desde muito cedo, mantendo-a afastada das crianças da sua idade e das próprias irmãs. A mãe, que não se adaptava à vida campestre, vivia aborrecida e era pouco conciliadora para a filha mais velha. Exigiu que ela fizesse a primeira comunhão para respeitar as convenções em voga. Louise descobriu assim a religião e entrou num internato em Montdidier, demonstrando uma adesão fervorosa o que alarmou o pai que, durante as férias, lhe deu a ler Voltaire. O espírito do filósofo provocou o divórcio entre Louise e o catolicismo.
De regresso a casa, prosseguiu as suas leituras e estudos na biblioteca paterna e descobriu Platon e Buffon. Por essa época, começou a fazer os primeiros versos. A mãe inquietou-se porque estava sempre “de pé atrás” com as pessoas das Letras. Aconselhou-se com uma prima parisiense, que lhe recomendou – pelo contrário – para não contrariar a filha mas sim encorajá-la.
Louise foi então para um colégio interno em Paris. Tornou-se rapidamente notada pela sua capacidade de estudo, sendo a favorita do professor de Literatura, que era amigo íntimo de Victor Hugo. Descobrindo que Louise compunha poesias, chegou a levar alguns desses trabalhos ao célebre escritor que lhe mandou conselhos. 
Félix Biscarrat, o professor, alargou o leque de leituras da sua aluna, emprestando-lhe obras de autores contemporâneos. Louise descobriu igualmente autores ingleses e alemães, como Byron, Shakespeare, Goethe e Schiller.
Ao fim de três anos de colégio, voltou ao seio familiar onde continuou o estudo e a escrita solitária. Simultaneamente, fez descobrir aos seus próximos alguns autores modernos – Hugo, Vigny, Musset, Sénancour…
O falecimento do pai veio privá-la do seu apoio, que muito valorizava as suas competências literárias. A mãe proibiu-a de conviver com autores e Louise renunciou durante um certo tempo à poesia. Em 1838, conseguiu que a deixassem partir para Berlim durante um ano para ingressar numa “instituição modelo de raparigas” dirigida por Schubart. Este último ajudou-a no aperfeiçoamento da língua alemã.
Voltou a Berlim três anos mais tarde, após a morte da mãe. Encontrou o linguista francês Paul Ackermann, amigo de Proudhon. Apaixonaram-se e casaram. Foi um casamento feliz mas breve, pois o marido morreu em Julho de 1946, vítima de doença, aos 34 anos de idade.
Muito fragilizada pela viuvez, juntou-se a uma das suas irmãs que vivia em Nice, onde comprou um pequeno domínio isolado. Consagrou-se durante alguns anos a trabalhos agrícolas, até lhe voltar a vontade de escrever poesia.
As primeiras publicações não suscitaram grande interesse, mas despertaram a atenção de alguns críticos, que gostavam do que liam mas lamentavam o seu pessimismo, que atribuíam à influência da literatura alemã. Ela própria negaria essa influência, reclamando para si a parte negativista dos seus pensamentos, que apareciam já nas suas poesias juvenis.
Entre as obras que nos legou, saliente-se: “Contes” (1855), “Contes et Poésies” (1863), “Poésies philosophiques” (1861), “Poésies. Premières Poésies. Poésies philosophiques” (1874) e “ Œuvres de Louise Ackermann : Ma vie, Premières Poésies, Poésies philosophiques” (1885).  

terça-feira, 29 de novembro de 2016

29 DE NOVEMBRO - HENRI FABRE

EFEMÉRIDE Henri Marie Léonce Fabre, engenheiro e aviador francês, nasceu em Marselha no dia 29 de Novembro de 1882. Morreu em Touvet, Isère, em 29 de Junho de 1984. Foi o primeiro piloto a realizar um voo de hidroavião, a bordo de Le Canard, uma sua invenção (1910).
Nasceu no seio de uma importante família de armadores de navios. Estudou num colégio jesuíta, em Marselha, licenciando-se depois em Ciências na Faculdade de Ciências de Marselha e em Engenharia na Escola Superior de Electricidade de Paris.
Dedicou-se seguidamente à concepção, ensaios e realização do seu hidro-aeroplano (a partir de 1913, designado por hidroavião), munido de três flutuadores, mas – devido ao excessivo peso – nunca chegou a levantar voo.
Com o apoio financeiro do pai, Fabre pôde fazer depois investigações sobre aerodinâmica, hidrodinâmica e flutuação, apoiando-se nos trabalhos de Forlanini, Crocco e Ricaldoni. Registou a patente de um sistema de aparelhos de flutuação, que utilizou quando descolou, com êxito, do lago Etang de Berre, um afluente das águas do Mar Mediterrâneo, aos comandos de um dos seus aparelhos designado por Le Canard, em Março de 1910. “Le Canard”, de 475Kg, possuía um motor Gnome, de 50Hp.
Naquele dia, perante um público numeroso, Fabre completou quatro voos, todos com sucesso, tendo o mais longo percorrido cerca de 800 metros antes de poisar na água. Era o primeiro aparelho no mundo a descolar autonomamente e a conseguir uma amaragem perfeita. Henri Fabre tornava-se, aos 27 anos, o incontestável construtor e primeiro piloto deste novo tipo de engenho volante. Henri empreendeu a sua comercialização e construiu vários exemplares.
Durante a 1ª Grande Guerra Mundial, Fabre fundou uma empresa, com cerca de 200 trabalhadores, especializada na construção de hidroaviões Tellier que, no entanto, não atingiu grande êxito. Depois da guerra, deixou de se dedicar à construção aeronáutica e passou a consagrar-se a outras áreas de engenharia, tendo inclusivamente inventado um barco dobrável que podia ser transportado dentro de um automóvel. 
Henri Fabre morreu aos 101 anos, sendo um dos pioneiros da aviação com maior longevidade. Foram erigidos dois monumentos comemorativos dos seus feitos, em La Mede e em Martigues. No centenário do primeiro voo em hidroavião, os Correios franceses emitiram também um selo alusivo ao acontecimento.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

NAT KING COLE - "Ansiedad"


28 DE NOVEMBRO - CARL JONAS ALMQVIST

EFEMÉRIDECarl Jonas Love Almqvist, escritor, professor, pastor e compositor sueco, nasceu em Estocolmo no dia 28 de Novembro de 1793. Morreu em Bremen, na Alemanha, em 26 de Setembro de 1866.
Foi um escritor muito versátil e multi-facetado, com textos românticos e textos realistas, interessado pelo radicalismo social e pela mística religiosa. Passou à posteridade pela modernidade das suas tomadas de posição, nomeadamente sobre a igualdade dos sexos.
As suas ideias radicais entraram em conflito com a sociedade da época. No ensaio “Om brottsliges behandling” (1821), Carl Jonas Almqvist defendeu que «o criminoso é um doente que deve ser tratado e não castigado». No romance “Det går na” (1839), insurgiu-se contra o casamento e defendeu o direito da mulher à maioridade e ao trabalho.
Em 1851, foi acusado de falsificação e da morte de um prestamista. Escapou para os Estados Unidos e – mais tarde – para a Alemanha, onde era conhecido por professor Westermann. Faleceu em Bremen, sem regressar ao seu país. 

ARCO-ÍRIS (quadras)


domingo, 27 de novembro de 2016

27 DE NOVEMBRO - MANUEL SCORZA

EFEMÉRIDEManuel Scorza, poeta, romancista e activista político peruano, morreu em Madrid no dia 27 de Novembro de 1983. Nascera em Lima, em 9 de Setembro de 1928. Escritor da geração de 1950, pertencia ao Indigenismo ou Neoindigenismo peruano, em conjunto com os seus companheiros Ciro Alegría e José María Arguedas.
Scorza nasceu de pai camponês e mãe índia. Mestiço, como 45% da população peruana, passou toda a sua infância em Acoria, um vilarejo dos Andes centrais. Após os primeiros estudos em escolas públicas, obteve uma bolsa que lhe permitiu voltar a Lima, sua terra natal. Estudou no Colégio Militar Leoncio Prado. Em 1945, entrou para a Universidade Nacional Mayor de San Marcos e iniciou um período febril de actividade política.
Scorza escrevia versos desde os 16 anos e aderiu às ideias oposicionistas em 1948, quando foi implementada a ditadura de Manuel Odría. Embora sem ter assinado artigos políticos, Scorza foi preso e forçado a deixar o país, exilando-se no México, onde viveu durante 7 anos e completou os estudos em Literatura, numa universidade local. Viveu depois no Chile e no Brasil e fixou-se finalmente em Paris, onde conseguiu um trabalho de certo prestígio como leitor de Espanhol na Escola Normal Superior de Saint-Cloud.
Muitos dos poemas que compõem o seu primeiro livro, “As maldições” (1955), são o resultado do desespero em que estava imerso. Não voltou ao Peru até ao fim da ditadura, dez anos mais tarde.
Na origem da sua carreira de romancista está uma revolta camponesa em 1960, ocorrida nos Andes centrais do Peru, envolvendo interesses económicos de uma companhia mineira norte-americana, que tentava expulsar os lavradores das suas terras.
Em 1981, Scorza foi o primeiro numa lista de escritores de renome internacional que o jornal “Il Mattino” convidou para ir a Nápoles, com a finalidade de escrever uma série de artigos sobre esta cidade que, depois de um segundo terramoto, começara a ressurgir em 1980.
Em 1983, depois de ter lançado o romance “A dança imóvel", o Boeing 747 da companhia Avianca, que voava de Paris para Bogotá, tendo a bordo Manuel Scorza e outros intelectuais que iam participar numa conferência destinada a fazer um balanço da cultura latino-americana, caiu numa colina quando fazia a aproximação ao aeroporto de Madrid. Manuel Scorza desaparecia assim, aos 55 anos. Algumas das suas obras foram traduzidas e publicadas em cerca de 40 países.

sábado, 26 de novembro de 2016

26 DE NOVEMBRO - FRANCISCO NASCIMENTO

EFEMÉRIDEFrancisco Nascimento, actor português, nasceu em Lisboa no dia 26 de Novembro de 1972.
Tem trabalhado maioritariamente no cinema, onde já protagonizou mais de quinze filmes.
Estreou-se em “Repórter X” (1987) de José Nascimento que, além de seu pai, foi um realizador com quem trabalhou ainda em “Mar à Vista” (1989), “Tarde Demais” (2000) e “A Monte “ (2006).
Entre outras películas que protagonizou, salienta-se: “Tempos Difíceis” (1988) de João Botelho, “Rosa de Areia” (1989) de António Reis e Margarida Cordeiro, “Onde Bate o Sol” (1989) de Joaquim Pinto, “Corte de Cabelo” (1995) de Joaquim Sapinho, “A Casa” (1997) de Šarūnas Bartas, “Sapatos Pretos” (1998) de João Canijo, “Longe da Vista” (1998) de João Mário Grilo, “Almirante Reis” (2000) e “Pele” (2006) de Fernando Vendrell, “As Terças da Bailarina Gorda” (2000) de Jeanne Waltz, “Combat D'Amour en Songe” (2000) de Raoul Ruiz e “Um Amor de Perdição” (2008) de Mário Barroso.
Foi nomeado para os Shootings Stars pela European Film Promotion, em 2000.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

QUEEN - "We Are the Champions"


25 DE NOVEMBRO - LOUIS LACHENAL

EFEMÉRIDELouis Lachenal, alpinista francês, morreu no vale Branco, em Chamonix, no dia 25 de Novembro de 1955. Nascera em Annecy, em 17 de Julho de 1921.
Desde jovem, esteve sempre mais interessado pelo universo da rua e da montanha que pelos estudos e, em 1934, efectuou as primeiras escaladas nos maciços que rodeiam Annecy, acompanhado de colegas escoteiros.
Obteve o diploma da École Supérieure Technique, ingressando depois no liceu. Manteve sempre o gosto pelo risco e a procura do perigo era para ele uma espécie de ideal.
Em 1941, tornou-se membro da organização francesa Juventude e Montanha, destinada a formar jovens em tudo o que se relacionava com a montanha. Em 1942, obteve o brevet do Clube alpino francês, ao qual tinha aderido em 1937. Tornou-se depois instrutor alpino e monitor de esqui em Contamines-Montjoie.
A partir de 1945, acompanhado de Lionel Terray, fez várias escaladas. Em 1948, tornou-se membro da Companhia de Guias de Chamonix.
Em 1950, juntamente com Maurice Herzog, foi um dos primeiros a escalar um dos picos mais altos do mundo – o Annapurna (8 091 m), nos Himalaias. Quando desta expedição, Lachenal ficou com os pés gelados e teve de sofrer amputação. A descida foi um longo calvário, que durou mais de um mês. Mau tempo persistente (nevoeiros, avalanches, trovoadas), sofrimentos múltiplos (nos pés e nos olhos), terrenos acidentados - foi todo um rosário de dificuldades.
Regressado a Paris, esteve internado numa clínica e recebeu a Legião de Honra. Quando voltou a Chamonix, deu uma série de conferências em território francês (1951) e, no ano seguinte, no então Congo belga.
Começou a pilotar automóveis nas estradas francesas, antes de retomar os treinos e as ascensões. Tomou a direcção da equipa de França de esqui em descida e em slalom e subiu o monte Rosa em Agosto de 1955.
Morreu acidentalmente, com 34 anos, ao cair numa fenda durante a descida de esqui do vale Branco, em Chamonix. Foi dado o seu nome a diversos estabelecimentos de ensino, a um complexo desportivo e a várias ruas em diferentes cidades francesas.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

24 DE NOVEMBRO - AHMADOU KOUROUMA

EFEMÉRIDEAhmadou Kourouma, escritor da Costa do Marfim, nasceu em Boundiali no dia 24 Novembro 1927. Morreu em Lyon (França), em 11 de Dezembro de 2003.
Ahmadou era de origem malinké, uma das várias etnias existentes em diferentes países do oeste de África. Ahmadou significa “guerreiro” no dialecto malinké. Educado por um tio, deu sequencia aos seus estudos em Bamako, no Mali. De 1950 a 1954 (durante a colonização francesa), foi “tirailleur” senegalês (corporação do exército francês composta por soldados recrutados nas colónias francesas oeste/africanas) na Indochina, antes de se mudar para França, onde estudou Matemática em Lyon.
Em 1960, após a independência da Costa do Marfim, voltou a viver no seu país natal. Começou porém, rapidamente, a ficar descontente com o regime do presidente Félix Houphouët-Boigny. Esteve preso, antes de partir para o exílio em diversos países como: Argélia (1964/69, Camarões (1974/84) e Togo (1984/94, antes de regressar à Costa do Marfim.
Em 1970, publicou o seu primeiro romance “Les soleils des indépendances”, que trouxe um olhar bastante crítico sobre os governos posteriores ao fim da colonização. Em 1988, publicou o seu segundo livro “Monnè, outrages et défis”, onde retratou um século da história colonial. Em 1998, lançou “En attendant le vote des bêtes sauvages”, narrando a história de um caçador da “tribo dos homens nus” que se torna ditador (neste livro pode reconhecer-se facilmente a figura do presidente do Togo, Gnassingbé Eyadéma, e de várias personalidades políticas africanas contemporâneas). Com este livro, venceu o Prix du Livre Inter (prémio criado em 1975 e concedido anualmente pela Rádio France Inter a obras escritas em francês).
Em 2000, foi publicado “Allah n’est pas obligé”, que conta a história de uma criança órfã do Mali que, após a morte da mãe, parte para a Libéria em busca de uma tia e, no meio do caminho, acaba por se tornar uma criança soldado. Com este livro, Kourouma ganhou os Prémios Renaudot e Goncourt dos Estudantes Liceais.
Em Setembro de 2002, a guerra civil eclodiu na Costa do Marfim e ele tomou posição contra os Ivoirité (cerca de um terço da população do país, com uma identidade cultural comum, formada essencialmente por estrangeiros) e em favor da restauração da paz no seu país. «A guerra é ma extravagância que nos conduzirá ao caos» – disse na ocasião. Foi acusado pelos jornais partidários do presidente Laurent Gbagbo de apoiar os rebeldes do norte.
Ahmadou Kourouma faleceu em 2003, quando estava trabalhar no romance “Quand on refuse on dit non”, uma sequência de “Allah n'est pas obligé”, que narra a volta de Birahima, a criança/soldado do romance anterior. O livro foi publicado postumamente em 2004.
Em 2004, o Salão Internacional do Livro de Genebra instituiu o Prémio Ahmadou Kourouma para laurear romances ou ensaios sobre a África negra.
Kourouma era casado e pai de quatro crianças. Onze anos após a sua morte, os seus restos mortais foram trasladados de Lyon para a Costa do Marfim.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

23 DE NOVEMBRO - VLADISLAV VOLKOV

EFEMÉRIDEVladislav Nikolayevich Volkov, cosmonauta soviético, nasceu em Moscovo no dia 23 de Novembro de 1935. Morreu durante a reentrada na atmosfera terrestre da Soyuz 11, em 30 de Junho de 1971.
Formado pelo Instituto da Força Aérea de Moscovo, como engenheiro de aviação (1959), trabalhou na equipa de design e desenvolvimento das naves espaciais Vostok e Voskhod, antes de ser seleccionado para o grupo de cosmonautas do programa espacial soviético (1966).
Volkov foi ao espaço pela primeira vez em Outubro de 1969, integrando a tripulação da Soyuz 7, numa missão que tentou sem sucesso o acoplamento com a Soyuz 8.
Em 1971, fez parte da fatídica missão Soyuz 11. Após uma permanência de 23 dias a bordo da Salyut 1 (a primeira estação espacial colocada em órbita), no regresso à Terra, após uma reentrada normal e uma aterragem automática, a cápsula foi aberta e a tripulação foi encontrada morta. Foi descoberto que uma válvula defeituosa se abrira quando a nave saiu da órbita, o que tinha provocado a despressurização da nave e a asfixia dos três astronautas.
Volkov foi condecorado duas vezes como Herói da União Soviética (em Outubro de 1969 e, postumamente, em Junho de 1971). Recebeu igualmente a Ordem de Lenine.
A cratera Volkov, na Lua, foi assim baptizada em sua homenagem. Vladislav Volkov foi sepultado na Praça Vermelha (nos muros do Kremlin) em Moscovo, e uma rua da capital russa tem também o seu nome.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

PACO IBÁÑEZ Y RAFAEL ALBERTI - "A galopar"


22 DE NOVEMBRO - CARLOS CARDOSO

EFEMÉRIDECarlos Cardoso, jornalista moçambicano, morreu no Maputo em 22 de Novembro de 2000. Nascera na Beira em 1951. Foi assassinado quando investigava um presumível caso de corrupção ligado à privatização do maior banco de Moçambique.
Filho de um português que imigrou para Moçambique na época colonial, proprietário de uma empresa de transformação de produtos lácteos, Carlos Cardoso frequentou a escola em Moçambique e o liceu na África do Sul, onde ingressou depois na Universidade do Witwatersrand.
Depois de vários anos a trabalhar em órgãos de informação do Estado (os únicos que existiam em Moçambique até à abertura política), Cardoso foi membro fundador da primeira cooperativa de jornalistas, a Mediacoop, proprietária do semanário “Savana” e do diário “Mediafax” (1992). Em 1997, fundou o seu próprio diário, também distribuído por fax, o “Metical”, que – como o nome indica (Metical é a moeda de Moçambique) – era virado essencialmente para questões económicas.
Iniciara a actividade jornalística em 1975, no semanário “Tempo”. Continuou depois na Rádio Moçambique e na Agência de Informação de Moçambique, onde foi director durante dez anos. Foram duas décadas a exercer o jornalismo como uma forma de contribuir para a informação no seu país.
Carlos Cardoso também se dedicou às artes plásticas, tendo realizado a sua primeira exposição de pintura, denominada “Os habitantes do forno”, no ano de 1990, na cidade de Maputo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

21 DE NOVEMBRO - TOMIE OHTAKE

EFEMÉRIDETomie Ohtake, artista plástica japonesa naturalizada brasileira, nasceu em Quioto no dia 21 de Novembro de 1913. Morreu em São Paulo, em 12 de Fevereiro de 2015.
Ohtake é uma das principais representantes do abstraccionismo informal. A sua obra abrange pinturas, gravuras e esculturas. Foi premiada no Salão Nacional de Arte Moderna, em 1960. Em 1988, foi galardoada com a Ordem do Rio Branco pela escultura pública comemorativa dos 80 anos da imigração japonesa, em São Paulo. Pela sua carreira, Tomie Ohtake é considerada a “dama das artes plásticas brasileiras”.
Chegou ao Brasil em 1936 para visitar um irmão, conheceu o agrónomo Ushio Ohtake, também japonês, com quem se casou e teve dois filhos. A família estabeleceu-se no bairro da Mooca, na capital paulista.
Em 1952, iniciou-se na pintura com o artista Keisuke Sugano. No ano seguinte, integrou o Grupo Seibi. Passou um certo tempo a produzir obras no contexto da arte figurativa, mas veio a definir-se como abstraccionista. A partir dos anos 1970, passou a fazer serigrafias, litografias e gravuras em metal. Naturalizou-se brasileira em 1968.
Nos anos 1950/70, entrou em diversas exposições no Brasil e no estrangeiro, tendo sido premiada na maioria delas. Foi convidada a participar na Bienal de Veneza em 1972, pela própria instituição. Recebeu o Prémio Panorama da Pintura Brasileira concedido pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Na 23ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1995, teve uma sala especial para as suas esculturas. Tomie destacou-se ainda com esculturas de grandes dimensões em espaços públicos. Actualmente, 27 dos seus trabalhos são obras públicas situadas em diversas cidades brasileiras. Em São Paulo, alguns desses trabalhos tornaram-se marcos paulistanos, como os quatro grandes painéis da Estação Consolação do metro de São Paulo, a escultura em concreto armado na Avenida 23 de Maio e um mural na Ladeira da Memória.
Em 1995, escreveu – juntamente com Alberto Goldin – o livro intitulado “Gota d’água”, que foi escolhido pela Jugend Bibliothek de Munique, na Alemanha, como um dos melhores livros editados no Brasil naquele ano. Ainda em 1995, recebeu o Prémio Nacional de Artes Plásticas do Ministério da Cultura. Em 2000, foi criado o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.
Morreu aos 101 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em decorrência de choque séptico causado por uma broncopneumonia.

domingo, 20 de novembro de 2016

20 DE NOVEMBRO - AMÉRICO BOAVIDA

EFEMÉRIDEAmérico Alberto de Barros e Assis Boavida, médico e activista político angolano, nasceu em Luanda no dia 20 de Novembro de 1923. Morreu em Bundas, em 25 de Setembro de 1968.
Passou a sua infância na Ingombota e frequentou o Liceu Salvador Correia. Em 1947, partiu para Portugal, onde se licenciou em Medicina, cinco anos mais tarde, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Em 1953, em Lisboa, especializou-se em Medicina Tropical, no Instituto de Medicina Tropical de Lisboa, e em Saúde Pública, no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Em 1954, fez um estágio em Ginecologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona, em Espanha.
Regressado a Angola em 1955, começou a exercer medicina por conta própria, ficando conhecido por receber no seu consultório pacientes de condição social desfavorecida. Após nova passagem por Barcelona, em 1960, partiu para Paris para um estágio de três meses na Clínica Ginecológica do reputado Hospital Broca, ligado à Universidade de Paris.
Seduzido pelas ideias nacionalistas, partiu para a capital da República da Guiné, Conacri, para participar no primeiro Comité Director do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), junto com Viriato da Cruz, Mário Pinto de Andrade e Lúcio Lara, sendo escolhido para dirigir o Corpo Voluntário Angolano de Assistência aos Refugiados que, em 1961, foi criado na então Léopoldville, hoje Kinshasa, capital da República Democrática do Congo.
Em 1963 — profundamente abalado por uma grave crise no seio da direcção do MPLA — abandonou Léopoldville fixando-se em Rabat, capital de Marrocos, onde residiu durante quase três anos.
Como médico, manteve uma intensa actividade profissional e de reflexão, escrevendo o livro “Angola, cinco séculos de exploração portuguesa”. Em 1965, fez um estágio no Instituto Checoslovaco de Aperfeiçoamento de Médicos, em Praga, e – no ano seguinte – fez um curso de pós-graduação em Planeamento Familiar em Estocolmo, onde participou como delegado ao 5.º Congresso Mundial sobre Fertilidade e Esterilidade.
Regressando a África em 1967, fixou-se em Brazzaville, capital da República do Congo. Respondendo a um apelo lançado pela direcção do MPLA para a abertura da Frente Leste na Guerra de Independência de Angola, Américo Boavida, acompanhado pelo comandante José Mendes de Carvalho, mais conhecido como Hoji-ya-Henda, deslocou-se para a nova frente de combate, onde desenvolveu uma extenuante acção médico-sanitária em vastas regiões do Moxico e do Cuando-Cubango, organizando os Serviços de Assistência Médica do MPLA.
Na manhã do dia 25 de Setembro de 1968, Américo Boavida foi vitimado por um bombardeamento aéreo do exército português à “Base Hanói II” do MPLA, onde se encontrava, perto do rio Luati e da floresta de Cambule, no Moxico.
O nome de Américo Boavida está hoje associado ao Hospital Universitário de Luanda, em Rangel, e também à rua onde morava em Ingombota. A data do seu falecimento foi escolhida para institucionalizar em Angola o “Dia Nacional do Trabalhador da Saúde”.

sábado, 19 de novembro de 2016

19 DE NOVEMBRO - CHARLIE KAUFMAN

EFEMÉRIDE – Charles “Charlie” Stuart Kaufman, guionista e realizador norte-americano, nasceu em Nova Iorque no dia 19 de Novembro de 1958. Foi considerado pela revista “Premiere” como uma das 100 pessoas mais influentes de Hollywood.
Começou a sua carreira na televisão, escrevendo dois episódios da série “Get a Life” e colaborando nos guiões de uma dezena de outras séries, como “Ned and Stacy” e “The Dana Carvey Show”.
Numa indústria em que a noção de autoria se concentra na figura do realizador, Kaufman tornou-se uma excepção. A respeito desta questão, a professora da Universidade de Kent, Cecília Sayad, escreveu o ensaio “O Jogo da Reinvenção” (2008).
Kaufman fez o seu primeiro guião para o filme “Being John Malkovich” (realizado por Spike Jonze), que foi nomeado para os Oscars de Melhor Guião Original e de Melhor Realizador.
Em 2002, voltou a trabalhar com Jonze, novamente como guionista, no filme “Adaptação”, que lhe rendeu nova indicação para o Oscar de Melhor Guião.
Kaufman também escreveu o guião de “Confessions of a Dangerous Mind”, uma cine/biografia baseada na autobiografia não autorizada de Chuck Barris. O filme centra-se na alegação de Barris de ter sido um assassino da CIA e foi o primeiro filme realizado por George Clooney. Kaufman ficou muito zangado com Clooney porque ele fez alterações drásticas no seu script sem o consultar (em vez disso, consultou Barris).
Em 2004, “Eternal Sunshine of the Spotless Mind” foi o segundo filme de Kaufman com o realizador Michel Gondry. Conquistou, com esta película, o seu primeiro Oscar de Melhor Guião Original.
Kaufman fez a sua estreia, como realizador, em “Synecdoche, New York”, filme que foi apresentado no Festival de Cannes em 2008.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

18 DE NOVEMBRO - COMPAY SEGUNDO

EFEMÉRIDECompay Segundo, de seu verdadeiro nome Máximo Francisco Repilado Muñoz, cantor, guitarrista, violonista, clarinetista e compositor cubano, nasceu em Siboney, Santiago de Cuba, no dia 18 de Novembro de 1907. Morreu em Havana, em 14 de Julho de 2003.
Aos nove anos, após o falecimento de sua avó, mudou-se com a família para a sede da municipalidade de Santiago de Cuba.
Em Santiago, fez o que grande parte da população cubana fazia – aprendeu o ofício de enrolador de charutos. Ao mesmo tempo, tinha aulas com a jovem Noemí Toro. Por sua influência, aos 14 anos, aprendeu solfejo e optou pelo clarinete. Um ano depois, compôs a sua primeira canção “Yo vengo aquí” e tornou-se muito conhecido dos aficionados pelos sons cubanos.
Foi a tocar aquele instrumento que Repilado fez a sua primeira viagem a Havana, em 1929, com a Banda Municipal de Música, por ocasião da inauguração do Capitólio Nacional.
Em 1935, com Ñico Saquito e a banda Cuban Star, viajou novamente para capital cubana, desta feita para ali residir definitivamente.
Autodidacta do violão, criou um novo instrumento com sete cordas, o armónico. Muitas das suas composições musicais caracterizam-se pelo seu conteúdo imaginativo e grande senso de humor. Na década de 1930, com o quarteto Hatuey, foi ao México, onde participou em dois filmes: “México Lindo” e “Tierra Brava”.
Também foi no México que integrou – como clarinetista – o grupo Matamoros e teve a oportunidade de trabalhar com o músico Benny Moré. Ali co-fundou, em 1942, a dupla Los Compadres, cantando com o cubano Lorenzo Hierrezuelo. Lorenzo era a primeira voz e era conhecido por Compay Primo (primeiro compadre), enquanto Repilado era a segunda voz, o Compay Segundo, nome que o acompanharia até ao fim dos seus dias e pelo qual ficou conhecido mundialmente.
Sobre o facto das segundas vozes na música passarem a perder-se, sobretudo após as décadas de 1940/50, Compay Segundo declarou «Os jovens não querem acompanhar nenhum cantor. Todos querem ser estrelas do dia para a noite. Vejam quantos anos eu tive de esperar, quantos caminhos tive de percorrer, em quantos eventos tive de participar. E aqui estou pronto a começar tudo de novo».
Integrou o sexteto Los Seis Ases, o Cuarteto Cubanacán e foi clarinetista da Banda Municipal de Santiago de Cuba. Em 1956, criou o grupo Compay Segundo y sus Muchachos, com quem trabalhou até à sua morte.
Compay Segundo foi um artista único. A maneira como produzia o som ajustava-se ao modelo da zona oriental de Cuba, pelo que ficou reconhecido como um grande representante da cubanía.
A sua voz grave e redonda acompanhou célebres cantores de fama internacional. Com o seu grupo, fez dançar multidões de todos os continentes. Realizou tournées pela América Latina e Europa, particularmente Espanha, onde gravou vários discos.
Compay participou activamente no ambicioso projecto Buena Vista Social Club, um disco produzido por Ry Cooder, em 1996, no qual se reuniram grandes nomes da música cubana. O disco foi premiado com um Grammy e promoveu o ressurgimento de músicos que, em alguns casos, estavam no ostracismo há mais de dez anos.
Em 18 de Novembro de 1997, por ocasião do seu 90º aniversário, foi condecorado com a Ordem Félix Varela, a mais alta distinção honorífica das artes cubanas.
Aos 94 anos, estreou-se nos palcos como actor, numa peça intitulada “Se secó el arroyto”, baseada numa das suas canções e que narra os amores frustrados de um casal de jovens nos anos anteriores à Revolução Cubana (1959).
Entre as canções mais conhecidas interpretadas por Compay Segundo, encontramos “Sarandonga”, “Saludos, Compay”, “¿Y tú, qué has hecho?”, “Amor de la loca juventud”, “Juramento” e “Veinte años”. Certamente a mais famosa de todas é “Chan Chan”, que – segundo dizem – foi até ouvida no Vaticano.
Compay morreu próximo da família, com o respeito e a consideração dos seus patrícios. Deixou cinco filhos. Nonagenário e sempre bem-humorado, disse que ainda não havia esquecido como era o amor e que queria ter mais um filho.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

COMPAY SEGUNDO - "Guantanamera"


17 DE NOVEMBRO - MARIANA MONTEIRO

EFEMÉRIDEMariana Vaz Fernandes Meliço Monteiro, actriz e modelo portuguesa, nasceu no Porto em 17 de Novembro de 1988. Mudou-se para Lisboa aos 16 anos.
Teve contrato exclusivo com a TVI até 2013. Em 2014, mudou-se para a RTP e co-apresentou a 2ª edição do programa “The Voice Portugal”. Actualmente, está na SIC, onde começou por protagonizar a telenovela “Coração D'ouro”.
Em 2012, numa festa de Verão da estação televisiva da qual era exclusiva na altura, assumiu o namoro com João Mota, vencedor da 2ª edição do reality showCasa dos Segredos”, do mesmo canal.
Fez parte, até agora, de quinze novelas e séries televisivas, entre elas: “Morangos com Açúcar”, “Docxe Fugitiva”, “Fascínios”, “Equador”, “Espírito Indomável”, “Doce Tentação”. “Destinos Cruzados” e “Mulheres de Abril”.
Protagonizou quatro filmes (2008/16) e três peças de teatro (2006/10). Publicou, em 2015, “Mariana num Mundo Igual” (editora Betweien). 
Fez diversas campanhas publicitárias, tendo sido capa de algumas revistas, entre elas o “FHM” e a “Lux Wooman”. Desfilou em vários eventos de moda (“Modalfa Fsshion Dream”, “Seaside” e “Primadona”).

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

16 DE NOVEMBRO - LUIZ SALDANHA

EFEMÉRIDELuiz Vieira Caldas Saldanha, biólogo marinho português, que se distinguiu no estudo da fauna marinha do Atlântico Nordeste, morreu em Cascais no dia 16 de Novembro de 1997. Nascera em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1937.
Estudou no Liceu Francês de Lisboa (Lycée français Charles Lepierre) e veio a doutorar-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, com um trabalho sobre a fauna na costa da Serra da Arrábida. A partir de 1979, tornou-se professor daquela faculdade até à data do seu falecimento.
Desempenhou diversos cargos de liderança institucional, chegando a ser presidente do Instituto Nacional de Investigação das Pescas e do Instituto do Mar. Foi responsável pelo Laboratório Marítimo da Guia de 1974 a 1997, situado no Guincho, perto de Cascais, onde desenvolveu trabalhos pioneiros no domínio da Biologia Marinha, tendo publicado vários trabalhos fundamentais para o desenvolvimento desta ciência em Portugal. Liderou muitos projectos de investigação de âmbito nacional e internacional.
Foi Luiz Saldanha quem começou em Portugal, no Departamento de Zoologia e Antropologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o ensino universitário das disciplinas de Oceanografia Biológica e Ictiologia, bem como de outras disciplinas no âmbito da Biologia Marinha.
Foi responsável pela formação científica de inúmeros biólogos marinhos, que mais tarde viriam a tornar-se responsáveis pela investigação em várias universidades e institutos portugueses. Ele próprio, em 1993, juntamente com outros especialistas norte-americanos e franceses, foi um dos responsáveis pela descoberta das primeiras fontes hidrotermais submarinas, no fundo do Oceano Atlântico, perto dos Açores.
Noutra vertente, Luiz Saldanha foi também um artista. Os seus desenhos a lápis e aguarelas, com que ilustrava os seus diários de viagens, e que eram também utilizados em campanhas oceanográficas em que participava, já foram requisitados inúmeras vezes para exposições sobre oceanografia e outros temas.
Foi presidente do Instituto Nacional de Investigação das Pescas e, mais tarde, também do Instituto do Mar, actual Instituto Português do Mar e da Atmosfera. No desempenho destas funções, contribuiu de um modo decisivo para o desenvolvimento das Ciências e Tecnologias do Mar em Portugal.
Faleceu após um longo período de doença, a um mês de completar 60 anos de idade. Em 1998, já depois da sua morte, foi homenageado sendo dado o seu nome ao primeiro parque marinho de Portugal continental, o Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, integrado no Parque Natural da Arrábida.
Ainda em 1998, foram-lhe prestadas outras homenagens de relevo, como a atribuição do seu nome à primeira operação organizada por investigadores portugueses às zonas hidrotermais junto dos Açores, a “Missão Saldanha”, chefiada pelo cientista Fernando Barriga, professor doutor da Universidade de Lisboa, que resultaria na descoberta do Monte Saldanha.
Em Outubro de 1999, foi feito – a título póstumo – grande-oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. São inúmeras as espécies de seres vivos que têm, na sua designação, o nome de Luiz Saldanha.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

FRANK SINATRA - "Fly Me To The Moon" (1964)


15 DE NOVEMBRO - FREDERICO GEORGE

EFEMÉRIDEFrederico Henrique George, arquitecto e pintor português, nasceu em Lisboa no dia 15 de Novembro de 1915. Morreu na mesma cidade em 26 de Janeiro de 1994.
Frederico George diplomou-se em Arquitectura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, na qual frequentou o curso a partir de 1940. Antes, tinha completado o curso de Pintura na mesma instituição.
Concorreu a várias exposições realizadas no país, obtendo – em 1937 – a 2.ª Medalha de Desenho e a 3.ª Medalha de Pintura, na Sociedade Nacional de Belas-Artes. Fez parte da Primeira Missão Estética de Férias, em Tomar, no ano de 1938.
Na década de 1940, realizou diversos quadros figurativos de raiz cubista. Participou e colaborou na decoração da Exposição do Mundo Português, em 1940, na qualidade de pintor. Em Março de 1941, foi feito Oficial da Ordem Militar de Cristo e, em 1944, obteve o Prémio Columbano do Secretariado Nacional de Informação.
Há trabalhos seus no Museu de Arte Contemporânea, no Museu das Galveias, da Câmara Municipal de Lisboa, e em colecções particulares, em Londres.
Colaborou em várias revistas nacionais e estrangeiras e deu colaboração literária à revista luso-brasileira “Atlântico”. Foi professor do Ensino Técnico e do curso de Arquitectura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa em 1958.
Participou na 1.ª Exposição de Design Português em 1971, organizada pelo Instituto Nacional de Investigação Industrial e pela Interforma – Equipamento de Interiores.
Em Fevereiro de 1989, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito. O espólio de Frederico George, que se encontra arquivado na Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, é constituído por 1 748 pastas, 10 584 desenhos e 24 602 fotografias. Tem uma rua com o seu nome no Lumiar, em Lisboa.
Postumamente, foi doutorado honoris causa pela Universidade Técnica de Lisboa (2001).

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

14 DE NOVEMBRO - ALEXANDRE NEVSKY

EFEMÉRIDEAlexandre Iaroslavitch Nevsky, grande líder da Rússia medieval, herói nacional que ajudou a preservar a identidade ortodoxa durante o período de incessantes ataques vindos de leste e de oeste, morreu em Gorodets no dia 14 de Novembro de 1263. Nascera em Pereslavl-Zalesski, em 30 de Maio de 1220. É considerado um santo pela Igreja Ortodoxa.
Em 1236, foi chamado pelos novgorodianos para se tornar o Kiaz' (príncipe) de Novgorod e, como líder militar da cidade, defender as terras do noroeste dos invasores suecos e alemães.
Após o desembarque do exército sueco na confluência dos rios Izhora e Neva, Alexandre e o seu pequeno exército atacaram repentinamente, em 15 de Julho de 1240, destruindo completamente o inimigo. A Batalha do Neva salvou a Rússia de uma invasão em larga escala pelo norte. Como resultado, Alexandre, com 19 anos, recebeu o nome de “Nevsky” (em russo, “do Neva”). A vitória fortaleceu a influência política de Nevsky mas, ao mesmo tempo, deteriorou a sua relação com os boiares. Alexandre saiu de Novgorod por causa deste desiderato.
Após a invasão da Rússia pelos Cavaleiros Teutónicos, as autoridades de Novgorod convocaram Alexandre Nevsky. Na Primavera de 1241, ele voltou do “exílio”, reuniu rapidamente um exército e expulsou os invasores. Muitos historiadores consideram o cerco de Kopor'ye e Pskov como um exemplo da sofisticada arte militar de sitiar fortalezas. Alexandre e os seus homens defrontaram a cavalaria teutónica, comandada por Hermann, irmão de Albert de Buxhoeveden, o Cristianizador Católico da Livónia. Nevsky enfrentou o inimigo sobre o gelo do lago Chudskoye e esmagou os Cavaleiros Teutónicos durante a Batalha do Lago Peipus em 5 de Abril de 1242. As tentativas germânicas de invadir a Rússia continuaram a ser frustradas durante muitos séculos.
A vitória de Alexandre foi um acontecimento significativo na história da Idade Média. A infantaria russa tinha cercado e derrotado um exército de cavaleiros montados e protegidos por armaduras pesadas, muito antes dos infantes do oeste europeu aprenderem a lutar contra cavaleiros. A grande vitória de Nevsky teria envolvido a morte de poucos cavaleiros e não as centenas indicadas por alguns historiadores. As primeiras batalhas medievais, mesmo as decisivas, foram disputadas por pequenas forças militares.
Nevsky continuou a fortalecer o noroeste russo. Despachou enviados para a Noruega e, como resultado, foi assinado um acordo de paz entre Novgorod e a Noruega, em 1251. Alexandre liderou seu exército até à Finlândia e derrotou os suecos, que tentavam novamente bloquear o mar Báltico russo (1256).
Nevsky era um político cauteloso, mas que enxergava longe. Ignorou as tentativas da Cúria Romana para provocar a guerra entre a Rússia e a Horda Dourada, pois entendia quão desnecessária seria uma guerra com os tártaros naquele momento, pois eles eram invencíveis. Historiadores divergem quanto ao comportamento de Alexandre em relação aos mongóis.
Provavelmente, ele sabia que as investidas católico/romanas eram uma ameaça mais tangível à identidade nacional russa do que o pagamento de tributo ao Khan, que não se imiscuía na religião nem na cultura russa. Talvez ele tenha mantido a Rússia vassala dos mongóis intencionalmente, para preservar a sua própria posição e evitar possíveis desafios à sua autoridade como príncipe.
Graças à amizade com o Grande Khan, Alexandre foi nomeado Grão Príncipe de Vladimir (supremo comandante russo) em 1252. Morreu uma década mais tarde.
No final do século XIII, foi compilada uma crónica intitulada “A Vida de Alexandre Nevsky”, na qual ele é descrito como um príncipe soldado ideal e defensor da Rússia. Em Maio de 1725, o czar criou a Ordem de Alexandre Nevsky, uma das mais altas condecorações militares. Durante a Grande Guerra Patriótica (1942), a Ordem de Alexandre Nevsky Soviética foi criada para reviver a memória da luta de Alexandre contra os alemães.
Sergei Eisenstein realizou em 1938 um dos seus melhores filmes, “Alexandre Nevsky”, relatando a vitória sobre os Cavaleiros Teutónicos. A banda sonora foi composta por Sergei Prokofiev, que também arranjou uma versão para concerto.
A veneração de Alexandre Nevsky como santo começou logo após a sua morte. Os restos mortais viriam a ser descobertos quando de uma visão religiosa, antes da Batalha de Kulikovo no ano de 1380, e o seu corpo estava intacto. Ele foi então glogificado (canonização na Igreja Ortodoxa) em 1547. Por ordem de Pedro, o Grande, o seu corpo foi trasladado para São Petersburgo em 1724.
A Catedral de Alexandre Nevsky, em Sófia, Bulgária, tem o seu nome, em homenagem aos soldados russos que morreram durante a Guerra Russo/Turca de 1877/78. Em, 2008, Nevsky foi considerado o russo mais popular da história da Rússia.

domingo, 13 de novembro de 2016

13 DE NOVEMBRO - PEDRO PINHEIRO

EFEMÉRIDE – Joaquim José Pedro Silva Pinheiro, actor português, morreu em Lisboa no dia 13 de Novembro de 2008, vítima de cancro. Nascera em Abrigada, Alenquer, em 27 de Novembro de 1939. Tornou-se mais conhecido ao entrar na famosa série de comédia “Malucos do Riso”.
Pedro Pinheiro começou a interessar-se, desde criança, pelo teatro e pelo cinema. Estreou-se em 1963 no Teatro da Trindade, com “O Mercador de Veneza” de Shakespeare. Veio a participar em inúmeras peças de teatro e a trabalhar na rádio, no cinema e na televisão, sendo autor de milhares de anedotas usadas na série “Malucos do Riso”. Em 2008, ano do seu falecimento, completou 45 de anos de carreira.
Foi nos últimos anos de vida que começou a alcançar maior sucesso e fama, mas o seu trabalho foi sempre bem recebido e aplaudido pelo público. Além de entrar em várias séries e novelas, da TVI, da SIC e da RTP, Pedro Pinheiro protagonizou filmes como “O Passado do Presente” de Manoel de Oliveira, “A vida é bela” de Luís Galvão Teles e “Amália” de Carlos Coelho da Silva. Participou também em várias dobragens de desenhos animados.
Recebeu o Grande Prémio de Teatro Português 2000, pela peça de sua autoria “Encontro com Rita Hayworth”.

sábado, 12 de novembro de 2016

12 DE NOVEMBRO - DAMON GALGUT

EFEMÉRIDEDamon Galgut, dramaturgo e romancista sul-africano, nasceu em Pretória no dia 12 de Novembro de 1963. É um dos maiores escritores da África do Sul “pós-apartheid”.
Nascido numa família de advogados, cresceu em Pretória. Aos seis anos, foi-lhe diagnosticado um cancro, experiência que ele relatará muito mais tarde no romance “Small Circle of Beings”, escrito aos 25 anos: «Isto ficou como o elemento central e o cataclismo da minha vida. A minha necessidade de escrever nasceu nessa época, porque eu associava os livros e a escrita ao amor e à atenção. Era a única coisa que eu queria fazer.». Os seus familiares começaram, então, a lerem-lhe livros.
Estudou Arte Dramática na Universidade de Cidade do Cabo e iniciou-se na literatura com “A Sinless Season”, livro escrito aos 17 anos e só publicado em 1984. Voltaria à Universidade do Cabo para ser professor durante oito anos.
Muito introvertido e tímido, afastou-se dos palcos e concentrou-se nos romances. Em 1992, “The Beautiful Screaming of Pigs” recebeu o Central News Agency Literary Prize, um dos mais importantes prémios sul-africanos.
A sua obra mais bem-sucedida é “The Good Doctor” (2003), que conquistou o Commonwealth Writers Prize. Em 2008, “The Impostor” ganhou o University of Johannesburg Prize.
De regresso ao teatro, dirigiu a produção de uma peça de Samuel Beckett – “À espera de Godot”.
Militante de causas humanitárias, foi um dos catorze autores de uma obra publicada em 2010 pelos Médicos Sem Fronteiras. Viajante solitário, prefere destinos onde não conhece ninguém, que vamos descobrir depois em vários dos seus livros.
Damon Galgut lastima a falta de vida cultural e intelectual no seu país, que está mais virado para o desporto.
O seu romance “The Quarry” foi adaptado ao cinema por Marion Hänsel, tendo conquistado o prémio de Melhor Filme no Festival de Filmes do Mundo de Montreal, em 1998.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

DESCANSA EM PAZ, LEONARD COHEN ! - ("So Long, Marianne")


CARLOS DO CARMO & ANA MOURA - "Novo Fado Alegre"


11 DE NOVEMBRO - ÁGATA

EFEMÉRIDEÁgata, de seu verdadeiro nome Maria Fernanda Pereira de Sousa, cantora portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 11 de Novembro de 1959.
Em 1975, foi lançado o seu primeiro trabalho discográfico intitulado “Heróis Trabalhadores”. Neste mesmo ano, entrou para o Centro de Preparação de Artistas da Emissora Nacional, onde frequentou o curso de Música e Arte.
Em 1976, gravou “Já não estou sozinha”. Percorreu o país ao lado de nomes populares da canção portuguesa de então, como António Calvário, Tony de Matos, Maria de Lourdes Resende e Fernando Farinha, entre muitos outros.
Com apenas 17 anos, integrou o grupo das Cocktail, com quem gravou vários discos. Conjuntamente com Tozé Brito, emprestou a sua voz ao tema da série “Abelha Maia” (1978). Participou nas séries televisivas “Frou Frou” e “Espelho dos Acácios” da RTP.
Em 1979, gravou o tema “Caso Meu” da telenovela brasileira “Dona Xepa” e interpretou em dueto com Art Sullivan a canção “L'amour à la Française”.
Participou no Festival RTP da Canção em 1982, com o tema “Vai mas Vem”, que lhe valeu o Prémio de Revelação do Ano. O grupo Cocktail desfez-se em 1984. Fez espectáculos de Verão com as Doce, onde permaneceu até à extinção do grupo.
Passou a usar o nome artístico Ágata. Em 1986, foi editado o singleQuentinha e boa” e, cerca de um ano depois, “Amor Latino”, seguindo-se “Louca por ti”.
Mudou de editora e gravou o álbum “Perfume de Mulher”, com o qual atingiu um disco de platina e que se manteve 52 semanas no Top do Made In Portugal.
Em 1995, seguiram-se mais alguns sucessos como “Maldito Amor”, “Tudo foi por ciúme”, “Mãe Solteira”, “Foi Contigo” e “Desgostos de Amor”. Este ano marcou uma nova etapa na sua vida, com uma faceta mais romântica e harmoniosa, com a edição de “Escrito no Céu”, onde se destacam os temas “Comunhão de Bens”, “Não mereço tanta dor” e “Quando as luzes se apagarem”.
Em 1998, iniciou-se um novo capítulo na história e carreira de Ágata, com o nascimento do seu 2º filho, a quem dedicou uma música no álbum desse ano: “De hoje em diante”.
Em 2000, “Sozinha” deu nome a um novo trabalho, cujas letras são bastante actuais, falando de relações acabadas, desilusões e mágoas amorosas, mas que não fogem ao estilo musical da cantora, que prima pela sensibilidade.
Numa retrospectiva da sua carreira, surgiu nos escaparates musicais – em 2001 – o álbum “20 anos”, uma compilação com os temas que fizeram sucesso na voz de Ágata, mas onde se incluíram 4 temas inéditos.
Em 2002, foi protagonista do programa “O Meu Nome é Ágata” na SIC, onde deu a conhecer ao público novas facetas do seu dia-a-dia. Em 2004, apresentou um álbum duplo (“O Meu Pequeno Fado”), com a particularidade dos dois CD serem gravados e produzidos em estúdios diferentes.
Após vários discos, apresentou – em 2007 – o álbum “Anos Luz”, com êxitos desde “Juro e Jurarei” até “Anjinhos Inocentes”, tema que dedicou às crianças desaparecidas em Portugal.
Em 2009, publicou o álbum “Promessas”, que inclui um dueto com Vítor Espadinha (“Promessas, promessas”), tema que lhe rendeu um prémio. Em 2010, decidiu – juntamente com a sua editora – reeditar as canções que foram marcos na sua carreira.
Em 2011, com “Ainda Te Amo”, Ágata demonstrou que conseguia ainda surpreender. Após tantos anos de sucessos consecutivos, este trabalho veio reafirmar o seu nome na música ligeira portuguesa.
Em 2014, para comemorar os quarenta anos de carreira, foi lançado um DVD gravado ao vivo no Porto. O seu último trabalho, editado no início de 2016, foi “As Minhas Canções”. Em breve, vai começar a preparar um novo disco a lançar em 2017.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

10 DE NOVEMBRO - CORREIA GARÇÃO

EFEMÉRIDE – Pedro António Correia Garção, poeta português, morreu em Lisboa no dia 10 de Novembro de 1772. Nascera na mesma cidade em 13 de Junho de 1724.
Não chegou a terminar os estudos na Universidade de Coimbra. Exerceu o cargo de escrivão na Casa da Índia. Pouco antes de morrer, incompatibilizou-se com o Marquês de Pombal.
A esposa, D. Maria Ana Xavier Fróis Mascarenhas de Xande Salema, trouxe-lhe avultados bens, desaparecidos mais tarde em litígio judicial. A perda da fortuna não representou a sua única desgraça. Também foi preso. Quando, graças à dedicação da mulher, ia ser solto, faleceu.
A causa da prisão nunca foi devidamente averiguada. Supôs-se que fosse por causa de um poemeto ao infante D. Pedro, em que não se consentia que fosse erigida uma estátua e no qual se quis ver uma crítica ao Marquês de Pombal, que mandara colocar o seu medalhão no monumento a D. José I. A hipótese é inaceitável, porque o encarceramento ocorreu em 1771, datando a estátua de 1775. Outros atribuíram o caso a uma aventura amorosa com a filha do intendente escocês Macbean, de cuja hospitalidade teria abusado. Contudo, nada se esclareceu e a imaginação elaborou livremente aspectos fantasiosos.
A obra de Correia Garção abrange múltiplos aspectos, salientando-se a sua actividade de teórico e orientador do Classicismo. Cultivou a sátira horaciana e foi um excelente metrificador.
A sua peça “O Teatro Novo” vale como importante documento para a história das ideias sobre teatro. “A Assembleia ou Partida”, comédia de costumes, constitui uma caricatura do gosto imoderado pelo luxo. Garção foi também autor de “Obras Poéticas” e “Discursos Académicos”.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

9 DE NOVEMBRO - JOSÉ ÁGUAS

EFEMÉRIDEJosé Pinto de Carvalho Santos Águas, futebolista português, avançado de centro, nasceu em Luanda no dia 9 de Novembro de 1930. Morreu em Lisboa, em 10 de Dezembro de 2000. Entre outros troféus, conquistou – em 1961 e 1962 – a Taça dos Campeões da UEFA, como capitão de equipa, em representação do SL e Benfica. Casado com Maria Helena de Jesus Lopes, falecida em 2003, teve três filhos: Lena d’Água (cantora), Cristina Maria e Rui Águas (também jogador de futebol).
Com apenas 15 anos, foi dactilógrafo na Robert Hudson, uma empresa concessionário da Ford. Tornou-se jogador da equipa da firma. Tendo em conta o talento revelado, passou depois a representar o Lusitano do Lobito. Por influência paterna, “nasceu” benfiquista. Um poster, já amarelecido pela idade, devotadamente colocado no seu quarto, dava-lhe inspiração. Em 1950, chegaram notícias da então metrópole anunciando a conquista da Taça Latina pelo Benfica, o que o entusiasmou ainda mais.
No entanto, ele nem sequer sonhava ou imaginava a hipótese de alguma vez defrontar semelhante naipe de campeões. Foi porém o que aconteceu. Depois da aludida vitória, a equipa do Benfica foi a Angola e, num dos jogos disputados, no Lobito, defrontou uma selecção local de que fazia parte José Águas. Ao saber que tinha sido seleccionado, José Águas sentiu um frémito e levou tempo a recompor-se. Custa até imaginar como deve ter ficado depois do jogo, que venceu por 3-1, com dois tentos de sua autoria. Os dirigentes benfiquistas pediram-lhe para passar no hotel onde a equipa estava alojada...
Naquela noite, olhou vezes sem conta, sempre de soslaio, por timidez até na intimidade, o velho poster que dava vida ao seu quarto. Contrato rubricado e, com os novos companheiros, partiu à conquista de outras paragens africanas. Chegou a Lisboa no dia 18 de Setembro de 1950, tendo se estreado mais tarde frente ao Atlético CP. Nunca tinha visto um campo relvado nem botas de pitões. Com apenas um treino realizado, a estreia nada teve de auspicioso. Empate a duas bolas com o Atlético, sem que os seus créditos de goleador fossem exibidos. Mas, antes que as criticas subissem de tom, na jornada imediata, com o SC de Braga, marcou quatro golos, terminando o jogo com um invejável 8-2.
Com o Benfica, José Águas viveu momentos em que a fábula e a realidade pareceram caminhar de mãos dadas. Quase se cansou de vencer, de marcar, de contagiar. Foi ele a papoila mais saltitante do hino de Piçarra e o melhor intérprete do jogo aéreo que o Benfica alguma vez teve (e Portugal também). É o segundo melhor marcador da história encarnada, depois de Eusébio.
Atravessou toda a década de 1950 com uma sistemática marcação de golos, tendo sido o melhor dos marcadores em cinco ocasiões. Levantou, triunfante, na qualidade de capitão, as duas Taças dos Campeões Europeus, sendo o artilheiro mor na primeira competição, com 11 golos, e o melhor marcador do Benfica na segunda, com 7.
Nos Campeonatos Nacionais, apontou mais golos (290) do que os jogos efectuados (282). Já não esteve presente na terceira final europeia, por opção do treinador chileno Fernando Riera. «Algum tempo depois, pediu-me desculpa por não me ter colocado a jogar. Disse-lhe que até ficara satisfeito com a actuação de Torres. Era a verdade, era a voz do meu coração de benfiquista, mas Fernando Riera parece não ter ficado muito convencido.».
Pela equipa nacional, teve 25 internacionalizações, entre Novembro de 1952 e Maio de 1962, tendo marcado 11 golos.
Ainda no apogeu da sua carreira, José Águas fez uma revelação fora do comum, confessando que vestia o equipamento de futebolista com o mesmo espírito com que o operário veste o seu fato-macaco.
Foi Campeão Nacional em 1955, 1957, 1959 e 1962 e venceu quatro Taças de Portugal (1955, 1957,1959 e 1962).
Como curiosidade, diga-se que há colaboração de sua autoria na coluna futebolística da revista de banda desenhada “Foguetão” (1961), dirigida por Adolfo Simões Müller.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

8 DE NOVEMBRO - MARGARET MITCHELL

EFEMÉRIDEMargaret Munnerlyn Mitchell, jornalista e escritora norte-americana, nasceu em Atlanta no dia 8 de Novembro de 1900. Morreu na mesma cidade em 16 de Agosto de 1949.
Margaret cresceu a ouvir histórias sobre a Guerra Civil contadas pelos seus familiares e por combatentes veteranos. Obcecada pela escrita, ainda em criança, costumava levantar-se a meio da noite para anotar ideias a desenvolver em novelas e peças teatrais.
No Outono de 1918, ingressou no Smith College, em Northampton, pouco antes da entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. Durante o conflito, o seu noivo foi morto em França (Janeiro de 1919). A mãe faleceu, no mesmo ano, durante a epidemia de gripe espanhola. Este último acontecimento obrigou Margaret a abandonar os estudos e a voltar para casa, mas ela não tinha temperamento para se dedicar apenas a cuidar do pai e do irmão mais velho. O seu comportamento sensível e o seu trabalho em projectos sociais junto da população negra de Atlanta, começaram a escandalizar a sociedade conservadora da cidade.
Em Setembro de 1922, casou-se com Red Upshaw, ex-jogador de futebol americano e (descobriu-se depois) contrabandista de bebidas. Como os rendimentos do marido não fossem suficientes para a manutenção do casal, mudaram-se para a casa dos Mitchell e ela arranjou um emprego como repórter no “The Atlanta Journal Sunday Magazine”, onde um ex-namorado, John R. Marsh, trabalhava como editor.
Assinou mais de 130 trabalhos jornalísticos. A aproximação profissional com Marsh e o comportamento violento de Upshaw, levaram Margaret a divorciar-se em Outubro de 1924. Em Julho de 1925, casou-se com Marsh. O casal foi residir num apartamento térreo na Crescent Avenue, local que Margaret chamava carinhosamente de “The Dump” (“O Depósito”).
Poucos meses após o casamento, Margaret teve de afastar-se do jornal por razões de saúde. Durante o período de convalescença, começou a escrever a história que a tornaria famosa, “E Tudo o Vento Levou”. Em 1929, a maior parte do livro estava terminada e, em 1935, a Editora Macmillan adquiriu os direitos de publicação.
Lançada em Junho de 1936, a obra tornou-se rapidamente um best-seller. Em Outubro desse mesmo ano, já tinha sido vendido um milhão de exemplares e os direitos de filmagem foram comprados pelo produtor David O. Selznick, pela (na época) elevada soma de 50 000 dólares. Em Maio de 1937, o livro foi premiado com o Pulitzer, traduzido em 27 línguas e atingiu mais de 30 milhões de exemplares vendidos.
O filme, realizado por Victor Fleming e interpretado por Vivien Leigh e Clark Gable, teve o seu lançamento mundial em Atlanta, em Dezembro de 1939 e contou com a presença da tímida autora na plateia. Os direitos autorais recebidos pela obra e pela adaptação cinematográfica tornaram-na uma mulher rica e ela, envolvida nas suas actividades de filantropia, decidiu encerrar a sua carreira literária.
Em Agosto de 1949, ao atravessar uma rua próxima da sua residência, Margaret foi atropelada por uma viatura. Levada para um hospital, ficou em estado de coma e faleceu cinco dias depois. John Marsh morreria em 1952 e foi sepultado ao lado da esposa, no Cemitério Oakland em Atlanta.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

7 DE NOVEMBRO - PANCHO GUEDES

EFEMÉRIDEPancho Guedes, de seu verdadeiro nome Amâncio de Alpoim de Miranda Guedes, arquitecto, escultor, pintor e professor português, morreu em Lisboa no dia 7 de Novembro de 2015. Nascera na mesma cidade em 13 de Maio de 1925. Sua mãe era de ascendência espanhola.
Estudou em São Tomé e Príncipe, Guiné, Lisboa, Lourenço Marques (actual Maputo), Joanesburgo e Porto. Foi o primeiro nome português a ser conhecido internacionalmente na arquitectura e o único arquitecto com menção na primeira edição do livro de Charles Jencksv “Modern Movements in Architecture”, publicado em 1973.
Foi convidado para Head of Architecture no departamento de arquitectura da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, onde esteve desde 1975 até à sua reforma em 1990.
A inspiração que ele proporcionava aos outros artistas está bem reflectida nos quatro painéis que Pancho encomendou a Esther Mahlangu e que depois pendurou nos corredores da universidade, ao lado de modelos neoclássicos e colunas renascentistas peculiares.
Pancho Guedes recebeu dois doutoramentos honoris causa, pela Universidade de Pretória e pela Universidade de Witwatersrand.
Desde 1990, leccionou em Lisboa, na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e na Universidade Lusófona.
É autor do Casal dos Olhos, em Eugaria, nos arredores de Sintra, conhecido como “a casa de Pancho Guedes”. Grande parte da sua obra construída encontra-se em Moçambique e data das décadas de 1950 a 1970. Tem também obra construída na África do Sul e noutros países africanos.

domingo, 6 de novembro de 2016

6 DE NOVEMBRO - GISELA JOÃO

EFEMÉRIDEGisela João, fadista portuguesa, nasceu em Barcelos no dia 6 de Novembro de 1983. Começou a interessar-se pelo fado com oito anos. Aos 16/17 anos de idade, já cantava na Adega Lusitana, em Barcelos. Foi para o Porto, em 2000, para estudar Design. Em breve, estava a cantar noutra casa de fados. Viveu durante seis anos no Porto para, finalmente, o canto impor a sua vontade e a trazer até Lisboa.
Em 2009, gravou um álbum com o conjunto portuense Atlantihda. Seguiu-se um convite para participar num disco de Fernando Alvim, histórico guitarrista português, intitulado “O Fado E As Canções do Alvim” (2011). Participou igualmente, como fadista, no filme “O Grande Kilapy” (2012).
Numa pequena casa ‘emprestada’ na Mouraria debateu-se com o peso imenso da solidão, pensou várias vezes em desistir, mas resistiu. Foi conquistando o público, das casas de fado à mítica discoteca Lux e do Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém ao Teatro São Luiz.
Tal ascensão levou-a a ser considerada uma das maiores revelações do fado no feminino dos últimos anos. Faltava gravar um disco e encontrou em Frederico Pereira o cúmplice ideal para iniciar as gravações.
O ano de 2013 foi o da consagração, com a edição do seu disco de estreia “Gisela João”, em Julho. Duas semanas depois, o álbum alcançava o primeiro lugar no top de vendas nacional, sendo aclamado pela grande maioria dos críticos, que o consideraram o mais importante disco de estreia de um artista português no século XXI. Gisela recebeu então o Prémio Revelação Amália, com quem o seu talento já foi comparado várias vezes.
Este álbum foi também considerado o melhor álbum nacional do ano por várias publicações de referência como a “Blitz”, o “Expresso”, o “Público”, a “Time Out” e o site “Cotonete”, tendo atingido vendas que lhe valeram um Disco de Platina. Gisela João foi ainda distinguida com um Globo de Ouro na categoria de Melhor Intérprete Individual e com o Prémio José Afonso 2014. Ainda em 2014, esgotou a Casa da Música e o Centro Cultural de Belém.
A crescente afirmação e aclamação de Gisela continuou em 2015, com destaque para o mês de Janeiro, quando esgotou duas das mais emblemáticas salas nacionais: o Coliseu do Porto e o Coliseu de Lisboa. Deu igualmente vários concertos em palcos estrangeiros: França, Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica, Espanha, Suíça, Eslovénia e Alemanha, entre outros países.
Participou no álbum de tributo a Amália Rodrigues, “Amália: As Vozes do Fado”, disco que reuniu alguns dos artistas mais icónicos do fado e onde interpretou os temas “Medo” e “Meu Amor, Meu Amor”, num dueto com o fadista Camané.
O final de 2015 trouxe ainda uma série de espectáculos “Caixinha de Música”, uma colaboração de Gisela com o Teatro Municipal São Luiz, onde ela emprestou a sua voz para homenagear alguns dos intérpretes mais importantes desde a primeira metade do século XX até aos dias de hoje, como Serge Gainsbourg, Ella Fitzgerald, Amy Winehouse, Leonard Cohen e Violeta Parra, entre muitos outros.

sábado, 5 de novembro de 2016

GISELA JOÃO - "Casa da Mariquinhas" (nova)


5 DE NOVEMBRO - MANITAS DE PLATA

EFEMÉRIDEManitas de Plata, de seu verdadeiro nome Ricardo Baliardo, guitarrista cigano francês, morreu em Montpellier no dia 5 de Novembro de 2014. Nascera em Sète, em 7 de Agosto de 1921.
Veio ao mundo numa caravana cigana, no sul de França. Tornou-se famoso por tocar anualmente em Saintes-Maries-de-la-Mer, local de peregrinação cigana na Camarga, sendo gravado ao vivo por Deben Bhattacharya.
Ficou a dever a sua sobrevivência durante a Segunda Guerra Mundial ao facto de ter estado escondido em Lunel, antes de ir para Paris, como protegido de Django Reinhardt, um celebérrimo guitarrista igualmente de raça cigana.
Manitas de Plata só concordou em tocar para o grande público dez anos após a morte de Django Reinhardt (1953), que era – por unanimidade – considerado o rei dos guitarristas ciganos da época.
Uma das gravações de Manitas valeu-lhe uma carta escrita por Jean Cocteau, aclamando-o como compositor. Após ouvi-lo tocar em Arles, em 1964, Pablo Picasso exclamou: «Este homem tem maior valor do que eu» e começou a desenhar na guitarra.
Manitas de Plata ficou ainda mais famoso depois de uma exposição de fotografia no Museum of Modern Art em Nova Iorque, organizada pelo seu amigo Lucien Clergue. Foi na capela de Arles, em França, que fez a primeira gravação oficial, distribuída nos Estados Unidos pela Connoisseur Society. Tratava-se de um álbum triplo, muito popular, que chamou a atenção do público americano. Um empresário conseguiu que ele fizesse um concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque, em Dezembro de 1965.
Ainda em Nova Iorque, Manitas de Plata, que era analfabeto, representou a Europa na festa anual das Nações Unidas. De notar que, também, não sabia ler uma nota de música.
Desde 1967, Manitas de Plata percorreu o mundo inteiro e gravou vários discos. Tocou com Paco de Lucia e para a dançarina Nina Corti. Em 1968, actuou no Royal Variety Performance em Londres. Tocou na Alemanha, Itália, Nova Zelândia, Singapura e Argélia, entre muitos outros países.
Vendeu, ao longo da sua carreira, mais de 93 milhões de álbuns (83 discos diferentes). Actuou em Outubro de 2012, como convidado surpresa, no Olympia em Paris. Tinha então 91 anos.
Em Abril de 2013, sofreu uma crise cardíaca e foi hospitalizado em Montpellier. Em Julho do mesmo ano, com 92 anos, declarou-se arruinado e doente, lançando um apelo no jornal “La Dépêche du Midi”. Em Maio de 2014, de cadeira de rodas, apareceu ainda na peregrinação de Saintes-Maries-de-la-Mer. No mês seguinte, foi internado numa clínica, onde ficou durante cerca de um mês. Em Agosto de 2014, ingressou num lar para reformados. Faleceu menos de três meses depois.

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