quarta-feira, 2 de agosto de 2017

2 DE AGOSTO - HOLDEN ROBERTO

EFEMÉRIDEHolden Roberto, político angolano e líder de um movimento considerado terrorista durante a Guerra Colonial, morreu em Luanda no dia 2 de Agosto de 2007. Nascera em São Salvador, em 12 de Janeiro de 1923. Iniciou a sua actividade política em 1954, com a fundação da União dos Povos do Norte de Angola (UPNA), mais tarde designada UPA.
Apesar de nascido em Angola, Holden foi com a família para Léopoldville (actual Kinshasa, na República Democrática do Congo) com apenas 2 anos de idade, só regressando à sua terra natal em 1951. Em 1940, concluiu o curso de liceu numa escola missionária Baptista, tornando-se funcionário do ministério das Finanças da Bélgica em Stanleyville (actual Kisangani), cargo que desempenhou durante 8 anos.
Em 1962, criou a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), da qual se tornou presidente. Seria esta organização que viria a constituir o Governo Revolucionário de Angola no Exílio, em que Jonas Savimbi surgiu como ministro dos Negócios Estrangeiros.
Dadas as suas ligações com os Estados Unidos, de onde recebia informações, instruções tácticas e financiamento, bem assim como apoio logístico, não conseguiu conciliar, numa frente única, o MPLA nem a UNITA, organizações de inspiração comunista e maoista (respectivamente) e, no primeiro caso, fortemente influenciado por mestiços e brancos.
Por representar uma linha ideológica diferente e ter o apoio dos EUA, do Zaire e da França, veio a sofrer várias represálias políticas e mesmo militares por parte do MPLA, chegando a haver confrontos militares nas bases do Congo.
Em Abril de 1975, foi signatário dos acordos de paz com Portugal, que conduziriam à independência em Novembro de 1975. A União Soviética apoiou declaradamente o MPLA que, com militares cubanos, derrotou a FNLA de Holden Roberto ma Batalha de Kifangondo. O país seria governado por Agostinho Neto e depois por José Eduardo dos Santos. O povo de Angola sofreu então a acção da etnia bacongo, de Holden Roberto. A FNLA eclipsou-se posteriormente e, em 1976, Holden exilou-se no Zaire e em França. 
Holden Roberto assumiu ao jornalista Joaquim Furtado, no programa televisivo “A Guerra”, a intenção inicial da UPA de, através do genocídio, que iniciou em Março de 1961, proceder a uma limpeza étnica em Angola, perpetrada pelos bacongos sobre as restantes etnias angolanas, nas quais se incluía, obviamente, a europeia e a mestiça, o que justificaria os crimes contra a humanidade de que foi acusado com fundamento nas dezenas de milhares de mortos (com especial barbaridade) que causou na população do norte de Angola.
Nas primeiras eleições livres, realizadas em 1991, Holden Roberto que – até então – não pudera viver em Angola, foi candidato à presidência da República, obtendo apenas 2,1% dos votos. Viveu no país até à sua morte em 2007.

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