terça-feira, 8 de agosto de 2017

8 DE AGOSTO - ELINA GUIMARÃES

EFEMÉRIDEElina Júlia Chaves Pereira Guimarães da Palma Carlos, escritora e jurista portuguesa, nasceu em Lisboa no dia 8 de Agosto de 1904. Morreu na mesma cidade em 26 de Junho de 1991.
Elina Guimarães era filha única de Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães, um militar do Exército português que exerceu cargos políticos de relevo durante a Primeira República Portuguesa, entre os quais as funções de presidente do ministério, o equivalente ao actual primeiro-ministro.
Crescendo num ambiente dominado pela política, desde cedo se interessou pela acção nesta matéria, em especial na defesa dos direitos da mulher. Entusiasta e combativa na defesa das suas convicções de igualdade de direitos e oportunidades de homens e mulheres e de valorização da capacidade intelectual feminina, mereceu de Afonso Costa, amigo da família, o epíteto de «mulher do futuro».
Depois de realizados os primeiros estudos em casa e de frequentar os Liceus Almeida Garrett e Passos Manuel, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, cujo curso concluiu em Novembro de 1926 com a classificação de 18 valores.
Em 1925, ainda estudante universitária, aderiu ao movimento feminista, publicando no periódico “Vida Académica” uma contestação ao conteúdo derrogatório em relação às mulheres que estudavam a obra “O Terceiro Sexo” de Júlio Dantas. Em resultado desse artigo, foi convidada por Adelaide Cabete para integrar o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, do qual – logo em 1927 – assumiu as funções de secretária-geral.
Em 1928, foi eleita vice-presidente da direcção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e elaborou, com a colaboração de Angélica Lopes Viana Porto e Sara Beirão, um plano de conferências feministas. Nesse cargo, que exerceu no período de 1928/29 e em 1931, promoveu uma revisão estatutária do Conselho e desenvolveu intensa actividade, em particular na defesa do direito de participação feminina na vida política e na luta pela conquista do sufrágio feminino.
Também manteve uma forte presença na imprensa, com artigos em defesa dos direitos políticos das mulheres, da co-educação e do livre acesso das mulheres à vida profissional. Publicou igualmente artigos educativos, de temática feminista e jurídica, lutando contra os equívocos conceptuais associados ao feminismo e procurando interessar as mulheres pela causa da equivalência moral, intelectual e social dos dois sexos. Assumiu a direcção da revista “Alma Feminina” (1929/30), foi responsável pela “Página Feminista” na revista “Portugal Feminino” e manteve colaboração em múltiplos periódicos, entre os quais “O Rebate”, “Diário de Lisboa”, “Seara Nova”, “Diário de Notícias”, “Primeiro de Janeiro”, “Máxima” e “Gazeta da Ordem dos Advogados”.
Outra grande causa a que se dedicou foi a defesa de uma educação igualitária, que considerava a via para assegurar às mulheres a mesma preparação profissional e liberdade de trabalho de que gozavam os homens. Com esse objectivo apresentou várias comunicações em congressos e reuniões públicas, entre as quais as intituladas “A protecção à mulher trabalhadora” e “Da situação da mulher profissional no casamento”.
Em 1931, esteve entre os intelectuais e activistas que protestaram junto do ministro da Instrução Pública contra a supressão da co-educação no ensino primário, defendendo a existência de conteúdos de educação cívica e moral nas escolas públicas e demonstrando o seu pendor maternal, afirmando «ser necessário que as mulheres da nossa terra, mais do que nunca, se consagrem a essa obra tão linda e de tão vasto alcance que é a protecção à infância».
Em 1946, foi eleita vice-presidente da assembleia-geral do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, ocupando o cargo em 1947, ano em que as autoridades do regime do Estado Novo determinaram o seu encerramento. Foi membro destacado de várias organizações internacionais, entre as quais: o International Council of Women, a International Alliance for Women's Sufffrage, a Phi Delta Legal Society e a Fédération Internationale des Femmes Diplômées en Droit.
Casou em 1928 com Adelino da Palma Carlos, um advogado, professor de Direito e defensor dos ideais democráticos, que chefiaria o primeiro governo após a Revolução dos Cravos. Tiveram dois filhos.
Em Abril de 1985, foi feita Oficial da Ordem da Liberdade, em reconhecimento do seu papel na defesa dos direitos das mulheres e na luta pela democracia em Portugal. Uma rua de Lisboa recorda o seu nome.
Entre os livros que escreveu, saliente-se: “O Poder Maternal” (1933) e “Coisas de Mulheres” (colectânea, 1975).

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